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Úlcera


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Entre as doenças mais comuns do aparelho digestivo está a úlcera, consequência de múltiplos fatores, tanto dietéticos quanto fisiológicos e psicossomáticos.


Úlcera é toda lesão no revestimento de um tecido e, mais concretamente, das mucosas, o que causa uma descontinuidade. A úlcera mais comum é a gastroduodenal, uma das doenças crônicas de maior relevância e frequente em indivíduos de sexo masculino, sobretudo entre trinta e sessenta anos. Consiste na perda do revestimento mucoso das paredes do estômago ou do duodeno. A úlcera caracteriza-se por dor epigástrica que se manifesta pouco depois da refeição e se mitiga com a ingestão de substâncias alcalinas ou comidas leves. Se a doença não for tratada, no entanto, a dor pode tornar-se crônica.


No passado se acreditava que tais úlceras eram causadas apenas pelo excesso de secreção do ácido pelo estômago, mas hoje se sabe que o estresse e o uso de anti-inflamatórios não-esteroides têm efeito ulcerogênico, assim como a infecção causada pela bactéria Helicobacter pylori (antes Campylobacter pylori), um bacilo gram-negativo, flagelado, espiralado, que coloniza a mucosa gástrica humana. Essa bactéria exerce papel importante na causa da gastrite crônica e em algumas formas da úlcera péptica. A incidência de câncer gástrico em indivíduos infectados por essa bactéria é 2,8 a 6 vezes maior do que o normal. Muito móvel, ela atravessa o muco gástrico rapidamente e atinge a mucosa, onde se fixa. Entre as citotoxinas que produz está a fosfolipase C, destruidora dos fosfolipídios que envolvem as células epiteliais do estômago e do duodeno. Essa ação permite que as membranas mucosas sejam facilmente danificadas pelo ácido gástrico e a pepsina.


A perda da mucosa inicia-se nas camadas mais superficiais e depois se aprofunda. Se o quadro evolui sem que se tomem medidas necessárias para deter a lesão, a úlcera pode afetar também as camadas subjacentes (muscular e serosa) das paredes gastroduodenais. O caso mais grave ocorre quando a parede se perfura e se abre no peritônio, o que origina a peritonite aguda. Outras complicações envolvem hemorragias, o estreitamento pilórico (estenose) e a degeneração maligna da lesão até formar um tumor canceroso.


As úlceras duodenais e gástricas reaparecem rapidamente e com frequência se persiste a infecção do H. pyloris, tratada usualmente com drogas que contêm agentes ácido-bloqueadores. Por outro lado, a recorrência é rara quando a infecção bacteriana é erradicada por associação de antiulcerosos e antibióticos, antibacterianos e bismuto. O tratamento conjuga também aspectos dietéticos (dietas rápidas e alcalinas), psicológicos e, em último caso, cirúrgicos.



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