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Taxionomia


  Taxonomia

Os biólogos têm especial interesse pelo estudo dos organismos de difícil classificação taxionômica, pois é nestes que reside o maior número de informações sobre a evolução dos seres vivos.
Taxionomia é o ramo da biologia que se ocupa da identificação, nomenclatura e classificação dos seres vivos e extintos. A partir de uma série variada de organismos, o taxionomista cria uma hierarquia de agrupamentos, ou taxa (singular: taxon), entre os quais se estabelece uma relação de ordem. A unidade taxionômica básica é a espécie.
A maioria dos modernos taxionomistas procura agrupar os organismos de maneira a retratar relações evolutivas, ou filogenéticas. O método básico da taxionomia consiste em comparar as características estruturais de organismos vivos e extintos e interpretar suas diferenças e semelhanças segundo os princípios da engenharia genética, da bioquímica, da fisiologia, da embriologia, do comportamento, da ecologia e da geografia.


História. O filósofo grego Aristóteles foi o primeiro a estruturar um método de classificação geral dos seres vivos, que permaneceu em uso durante dois mil anos. Em seus escritos, Aristóteles descreveu um grande número de grupos naturais, classificando-os a partir dos mais simples para os mais complexos, sem se preocupar em estabelecer uma ordem evolutiva. Ele mostrava estar bem à frente de seu tempo, porém, ao separar animais invertebrados em diferentes grupos e ao perceber que animais marinhos como baleias, golfinhos e botos tinham características próprias de mamíferos.
Por volta do século XII, os conhecimentos botânicos acumulados pela medicina traduziram-se em ilustrações precisas das plantas que tinham propriedades terapêuticas. Em alguns casos, catalogaram-se e agruparam-se plantas semelhantes. No século XVII, John Ray resumiu todo o conhecimento sistemático acumulado até então e acrescentou-lhe novas classificações úteis. Ray distinguiu entre plantas monocotiledôneas e dicotiledôneas, em 1703, e deu uma definição viável para o conceito de espécie, que já se tornara a unidade básica de classificação biológica.
Considerado fundador da moderna taxionomia, Carl von Linné, ou simplesmente Lineu, criou regras para nomear plantas e animais e foi o primeiro a empregar a nomenclatura binômina de maneira coerente, em 1758. Embora tenha desenvolvido o sistema de classificação hierárquica em classe, ordem, gênero e espécie, sua maior contribuição para a descrição dos seres vivos consistiu num sistema de classificação de plantas e animais.
Depois de Lineu, a taxionomia incorporou descobertas de Jean-Baptiste Lamarck, taxionomista que, apesar de suas concepções errôneas sobre evolução, separou pela primeira vez, como classes distintas, aracnídeos e crustáceos. Lamarck também foi o primeiro a diferenciar vertebrados de invertebrados. Em 1866, o biólogo alemão Ernst Haeckel propôs a criação do reino protista para agrupar os organismos unicelulares, pois, segundo ele, nesse nível, não é possível distinguir entre plantas e animais.
As classificações taxionômicas apresentavam então um caráter arbitrário e baseavam-se num conjunto de características afins. À medida que os taxionomistas começaram a aceitar a teoria da evolução proposta por Charles Darwin, reconheceu-se que aquilo que havia sido descrito como afinidade natural -- a existência de caracteres semelhantes -- podia ser explicado como uma relação estabelecida por descendência evolutiva. Fez-se então a passagem do sistema natural de classificação na época vigente para o sistema filogenético atual.
Avanços na pesquisa bioquímica e genética e na microscopia eletrônica possibilitaram ampliar mais tarde o sistema de classificação. Microrganismos sem núcleo distinto, chamados procariontes, foram reunidos no reino moner (ou monera), de que as bactérias são os principais membros. A classificação dos eucariontes (microrganismos com núcleo diferenciado), contudo, ainda é motivo de controvérsia.


Critérios. A taxionomia se fundamenta em dois princípios gerais: (1) o princípio da descendência, que admite haver relações genéticas, ou de parentesco, entre seres atualmente existentes; estes, por sua vez descendem, por uma longa série de gerações, de ancestrais que já não se encontram entre as espécies atuais; e (2) o princípio da evolução, que se fundamenta em evidências acumuladas ao longo da vida terrestre e demonstra que as características das espécies sofreram profundas alterações.
Em conseqüência, os atuais representantes das espécies possuem uma complexidade estrutural e um patrimônio genético mais rico do que seus ancestrais. Assim, no decorrer do processo evolutivo, as espécies foram se diferenciando em grupos cada vez menos semelhantes. Torna-se, portanto, uma tarefa extremamente subjetiva a elaboração de um sistema de classificação que dê conta da seqüência de surgimento das várias categorias de espécies atuais e extintas, ao longo do tempo geológico.
O processo de identificação de uma espécie consiste em empregar todos os recursos disponíveis para determinar se o material submetido a análise é ou não idêntico a outro previamente conhecido. Para tanto, cotejam-se descrições, desenhos e fotografias. Comparam-se exemplares de coleções, fazem-se lâminas microscópicas e até mesmo ensaios químicos ou fisiológicos.
Muitos caracteres bioquímicos, fisiológicos ou de comportamento podem ser tão bons quanto os caracteres anatômicos para discriminar espécies muito próximas ou para sugerir relações entre organismos. Recentemente, tendeu-se a desconsiderar na análise dos espécimes estudados os caracteres anatômicos, mas quando eles estão presentes em grande quantidade (como na maioria das plantas e animais), representam talvez a maior amostra que pode ser obtida dos efeitos da hereditariedade sobre o organismo, quase uma análise genética completa.
Entusiastas da genética enfatizam freqüentemente que a única base real para a classificação dos seres vivos é o genótipo de cada organismo, ou seja, a informação hereditária que ele carrega. É impossível obter essa informação para formas de vida extintas, e seria longuíssimo o tempo necessário para consegui-la na maioria das formas existentes, mesmo se a tecnologia exigida já estivesse totalmente disponível. Um importante avanço nesse sentido, porém, foi a técnica de hibridização com ADN (ácido desoxirribonucléico), substância que codifica a informação hereditária. Com essa técnica, foi possível determinar semelhanças em trechos de moléculas de ADN de diferentes organismos, mas não a natureza dessas diferenças.


Processo de classificação. O processo taxionômico moderno depende: (1) da obtenção de um espécime em condições de ser analisado; (2) da comparação desse espécime com toda a gama conhecida de organismos vivos; (3) da identificação correta do espécime, caso ele já tenha sido descrito, ou da preparação de uma descrição mostrando semelhanças e diferenças com relação a outras formas de vida conhecidas; (4) do posicionamento correto do espécime dentro das classificações já existentes ou da revisão destas em função do novo achado; e (5) da utilização das evidências disponíveis para direcionar e encaminhar a avaliação do espécime.
O objetivo de classificar é enquadrar um organismo numa categoria já existente ou criar uma nova categoria somente para ele, baseada nas semelhanças e diferenças que apresenta em relação com outros organismos. Para esse fim, reconhece-se a hierarquia das categorias taxionômicas, cujo número varia amplamente segundo os cientistas. Sete delas são consideradas obrigatórias para zoólogos e botânicos: reino, filo (divisão, em botânica), classe, ordem, família, gênero, espécie. O número de categorias é expandido, se necessário, pelo uso de prefixos sub-, super- e infra- (subclasse, subordem, por exemplo) e pelo acréscimo de categorias intermediárias, como tribo por exemplo.
Atualmente, a maioria dos cientistas classifica os seres vivos e organismos extintos de acordo com um sistema de cinco reinos, ou segundo outro sistema de quatro reinos. Para o primeiro, os cinco reinos são: animais, plantas, moneres, fungos e protistas (basicamente microrganismos eucariontes, isto é, algas, protozoários e fungos inferiores), enquanto o segundo prevê a existência apenas de animais, plantas, moneres e vírus, ou seja, ao mesmo tempo que reconhece a separação entre eucariontes e procariontes, classifica protozoários com os animais e junta num só grupo fungos, algas e plantas.


Nomenclatura. Os biólogos reconhecem, como nomenclatura taxionômica internacionalmente aceita o sistema de Lineu, que foi amplamente modificado ao longo do tempo. Há outros códigos internacionais isolados para botânica (publicado em 1901), zoologia (1906), e microbiologia (bactérias e vírus, 1948). O sistema binômino de Lineu não é empregado na classificação dos vírus. Em 1953, criou-se um código especial para a nomenclatura de plantas cultivadas, muitas das quais são produzidas artificialmente e desconhecidas na natureza.
Diferentes em vários aspectos, esses códigos apresentam em comum alguns elementos: a nomeação das espécies é feita por duas palavras latinizadas, grafadas em itálico (a primeira indica o gênero e começa por maiúscula); uma lei de prioridade estabelece que, se um gênero ou espécie foi descrito mais de uma vez, reconhece-se como válido o primeiro nome e autor, que deve ter publicado o nome científico num livro ou periódico acessível e com uma descrição reconhecível do organismo; o mesmo nome genérico e específico pode ser usado para um animal e uma planta; se há consenso de que o status de uma unidade taxionômica se modificou, o nome válido pode mudar também; e que a designação de uma nova espécie seja associada a um espécime-tipo.
Embora o nome da espécie seja binômina (Canis lupus, por exemplo) e o da subespécie, trinômine (C. lupus occidentalis), todos os outros nomes são simples. Em zoologia, a convenção dita que os nomes das superfamílias terminam em -oidea, o das famílias em -idae, o das subfamílias em -inae, e o das tribos em -ini. O uso de uma designação trinômine para cada subespécie indica que ela é considerada simplesmente um representante local de uma espécie mais amplamente distribuída.
A validação do uso de um nome científico exige o exame do espécime original, ou espécime-tipo, guardado em instituições públicas confiáveis, que tratam de protegê-lo da deterioração. Emprega-se uma complexa nomenclatura para designar os diferentes espécimes-tipos: o holótipo é o espécime único designado por quem descreveu originalmente a espécie ou subespécie. Quando o holótipo se perde, como ocorre freqüentemente, seleciona-se um neótipo a partir do qual se descreve novamente a unidade taxionômica. Parátipos são espécimes usados, juntamente com o holótipo, na designação original de um novo ser. Os parátipos devem todos fazer parte de uma mesma série (coletados numa mesma localidade e na mesma época).


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