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Silvicultura


  Botânica

A importância da floresta para a vida e a economia motivou o homem a se interessar por sua exploração sistemática. À medida que se tornaram mais conhecidas as complexas relações que regem esses ecossistemas, e depois que o corte abusivo de árvores fez desaparecer extensas massas florestais em muitos países, a silvicultura tornou-se fundamental para proteger a floresta e, ao mesmo tempo, assegurar seu aproveitamento econômico.

Silvicultura é a ciência que se ocupa do cuidado, aproveitamento, exploração e manutenção racional das florestas, em função do interesse ecológico, científico, econômico e social de que elas são objeto. Seu objetivo principal é cultivar povoamentos florestais que satisfaçam as necessidades do mercado e produzam riqueza, garantidas a continuidade e a boa qualidade da produção. O campo de estudo da silvicultura é multidisciplinar e interessa a várias áreas científicas, como a botânica, a ecologia, a fitopatologia (investigação das causas e variáveis que levam ao aparecimento de doenças nas plantas), a edafologia (estudo do solo), a fitogeografia (distribuição das plantas) e a economia.

As florestas não apenas produzem grande quantidade de matérias básicas para o homem (madeiras, resinas, frutos etc.), como são também fundamentais para o equilíbrio do planeta, tanto pela abundância e variedade de seres vivos que abrigam, como por sua influência no clima, na conservação do solo e na qualidade paisagística de uma região. Funcionam também como termostato, evitando os extremos de temperatura verificados em territórios desérticos.

Inúmeros fatores climáticos e geográficos, somados à capacidade adaptativa das plantas e a sua tendência para se dispersarem, determinam as caraterísticas das florestas: sua composição, as associações que se estabelecem entre os vegetais, o grau de dominância de determinadas espécies arbóreas sobre outras, sua variedade e riqueza, e os diferentes estratos de vegetação (especialmente relevantes no caso das florestas tropicais). Para sua formação e expansão, as florestas dependem do tipo de solo sobre o qual assentam: de sua textura, composição, drenagem, profundidade e das reações físico-químicas nele produzidas. No que se refere ao clima, têm relevância a temperatura, o regime de precipitações, os ventos dominantes, a insolação etc. Também são influentes a topografia da região, a proximidade de cadeias montanhosas, de cursos fluviais etc.

A presença das massas florestais, por sua vez, exerce influência sobre o solo e sobre o clima. A produção de húmus proveniente da decomposição da matéria orgânica por bactérias, fungos e inúmeros outros microrganismos, origina novas camadas de solo, capazes de suportar maior cobertura vegetal. A umidade, o regime de chuvas, a circulação dos ventos e a temperatura, entre outros elementos, variam em função da quantidade e qualidade das espécies arbóreas.


Prática da silvicultura. Além da extração de madeira e outros produtos de interesse comercial, as técnicas próprias da silvicultura têm como função a preservação da floresta contra a erosão, a desertificação e a depauperação do solo, além de proteger a flora e a fauna de uma região. Exploração florestal, reflorestamento e gestão econômica buscam uma combinação adequada entre a preservação ecológica e o aproveitamento da floresta com fins sociais, de lazer e cultura.
O combate a pragas e a prevenção de incêndios são medidas de especial importância. À ação direta clássica de extermínio de pragas devem associar-se medidas para evitar as condições que facilitam o desenvolvimento desses agentes nocivos, como a alteração do equilíbrio natural da floresta (pela exploração irracional e introdução artificial de espécies não-autóctones); a adoção da monocultura arbórea ao invés de técnicas mais equilibradas de reflorestamento (o que forma áreas onde vivem exemplares de mesma idade e de uma única espécie); e a contaminação favorecida pelo homem (por meio da plantação de espécimes infectados e da erradicação de inimigos naturais das pragas). O emprego de produtos químicos tóxicos e não-biodegradáveis, de alto custo e pouca eficácia, vem sendo, tanto na silvicultura como na agricultura, substituído pelo controle biológico de pragas.
A prevenção de incêndios -- além dos métodos tradicionais de vigilância, formação de aceiros e dotação de meios de extinção adequados -- requer medidas de ação a longo prazo, como a educação dos cidadãos, a sensibilização do público para a importância das florestas e uma política de reflorestamento mais racional e adequada ao meio natural, que evite, por exemplo, a plantação de espécies que favorecem a propagação de incêndios.
O ritmo adequado de corte de árvores, no que diz respeito à freqüência e à intensidade, deve se basear num planejamento rigoroso, acompanhado de regulamentação com força de lei que seja eficaz na manutenção do ecossistema. A preservação florestal é fundamental também porque o aproveitamento industrial não é o único: a floresta pode ser usada com fins agropecuários, científicos, educativos, turísticos e outros. Além dos benefícios ecológicos que propicia, a exploração racional das florestas representa também uma alternativa viável de fixação das populações rurais e contribui para a diminuição da migração descontrolada para os grandes centros urbanos.

Brasil. A extração de pau-brasil pelos colonizadores foi a primeira forma de aproveitamento dos recursos florestais no Brasil. A partir do século XVI, grandes faixas do território nacional foram sendo progressivamente desmatadas e em seu lugar instaladas monoculturas, como as de cana-de-açúcar, algodão e, mais tarde, de café. A preocupação governamental com o desmatamento em larga escala só assumiu forma institucional na década de 1940, quando foi criado o Instituto Nacional do Pinho, com o propósito de controlar a produção, evitar a devastação indiscriminada e proceder ao reflorestamento. Os incentivos, no entanto, privilegiaram as monoculturas de eucalipto e pinheiros importados (Pinus eliotii), plantados geralmente em substituição às matas nativas devastadas.
Pressões internacionais e a sensibilização da opinião pública, a partir da década de 1990, forçaram o Brasil a encarar o problema de forma mais rigorosa e a buscar outras soluções. Independentemente da iniciativa oficial, organizaram-se projetos alternativos de ocupação, reflorestamento e preservação das matas. A comercialização de polpa congelada de frutas amazônicas, como o cupuaçu, representa uma nova possibilidade de sobrevivência econômica desses grupos, entre os quais destaca-se o Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado (RECA), que atua em Nova Califórnia RO. Na Amazônia, em Paragominas PA, onde se localiza o maior pólo madeireiro do país, o sucesso dos projetos locais poderá impedir o desaparecimento de milhares de espécies e garantir novo corte comercial de madeira após trinta anos.
Em Xapuri AC, as cooperativas de seringueiros procuram modernizar os processos extrativistas na região. A dificuldade de distribuição ainda é um dos maiores problemas enfrentados pelos produtores, que contam, no entanto, com apoio financeiro de organizações não-governamentais do mundo inteiro.

 


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