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Sífilis


  Patologias
A literatura europÚia s¾ registra referÛncias claras Ó sÝfilis ap¾s o retorno de Colombo. As evidÛncias de treponematoses encontradas em ossos fossilizados de Ýndios prÚ-colombianos endossaram a tese segundo a qual o mal teria tido origem no Novo Mundo. NÒo obstante, atÚ o sÚculo XIII, a lepra era equivocadamente descrita na Europa como doenþa sexualmente transmissÝvel, altamente contagiosa e tratßvel com merc·rio, o que sÒo provßveis sinais de que tenha sido confundida com a sÝfilis.
SÝfilis Ú uma doenþa infecto-contagiosa provocada pelo espiroqueta Treponema pallidum. ╔ em geral transmitida por contato sexual, mas pode tambÚm ser congÛnita, causada por infecþÒo da mÒe, ou endÛmica. Esse ·ltimo tipo, nÒo relacionado ao contato sexual, tem seu desenvolvimento favorecido pela conjunþÒo de determinadas condiþ§es econ¶micas, sociais e climßticas.
A doenþa evolui ao longo de trÛs estßgios distintos, quando nÒo ocorre tratamento. O primeiro tem inÝcio de dez dias a dez semanas ap¾s a contaminaþÒo e sua principal caracterÝstica Ú o aparecimento de uma pequena protuberÔncia indolor, chamada cancro duro, no local da inoculaþÒo, em geral ¾rgÒos genitais, lßbios ou lÝngua. O cancro aumenta e costuma romper-se no centro, numa lesÒo superficial. Pode ser pequeno a ponto de passar despercebido, mas a presenþa de espiroquetas em material coletado no local confirma o diagn¾stico. Mesmo sem tratamento, em dez a quarenta dias a lesÒo desaparece sem deixar cicatrizes.
A segunda fase produz manifestaþ§es clÝnicas em cerca de metade dos pacientes infectados e se caracteriza por les§es na pele ou erupþ§es nas mucosas, alÚm de sintomas generalizados que podem afetar ossos, juntas, olhos e sistema nervoso. Esse estßgio costuma iniciar-se de um a dois meses depois do aparecimento do cancro, mas pode demorar mais. Uma vez instalado, dura vßrios meses, ao fim dos quais as les§es cutÔneas desaparecem espontaneamente, sem deixar marcas.
Segue-se entÒo um perÝodo de latÛncia que pode restringir-se a alguns meses ou prolongar-se por toda a vida. Calcula-se que 25% dos pacientes infectados desenvolvem a sÝfilis tercißria que, embora relativamente benigna em metade dos casos, pode causar invalidez ou morte. Nessa fase, o espiroqueta pode alojar-se em praticamente qualquer parte do organismo. No sistema cardiovascular, atinge a aorta e destr¾i seus tecidos, o que predisp§e Ó ocorrÛncia de aneurismas e Ó degeneraþÒo das vßlvulas. Pode tambÚm atacar o sistema nervoso e causar os mais diversos problemas neurol¾gicos, como paralisia, perda de controle sobre os movimentos musculares voluntßrios e enfraquecimento. Quando benigna, a sÝfilis tercißria se caracteriza pela presenþa de les§es cutÔneas tÝpicas, conhecidas como gomas, que atingem tambÚm mucosas, ossos e outros ¾rgÒos, particularmente o fÝgado, testÝculos e cÚrebro. Tais les§es nÒo sÒo infecciosas e o termo benigno refere-se Ó ausÛncia de risco de vida para o paciente.
As vÝtimas de sÝfilis congÛnita podem nascer com les§es, desenvolvÛ-las semanas ap¾s o nascimento ou nÒo apresentar sintomas antes da adolescÛncia, quando costumam surgir sintomas da fase final da doenþa. As formas endÛmicas incluem, alÚm da sÝfilis nÒo transmissÝvel sexualmente, algumas afecþ§es causadas por outras espÚcies do Treponema. Inicialmente, essas enfermidades provocam na pele e nas mucosas les§es semelhantes Ó sÝfilis sexualmente transmissÝvel. Mas os sistemas nervoso e cardiovascular quase nunca sÒo afetados com gravidade e o n·mero de casos fatais Ú muito pequeno.
Os espiroquetas sÒo microrganismos alongados, de formato ondulado e em espiral, que tÛm grande mobilidade e portanto sÒo de rßpida disseminaþÒo a partir de um foco infeccioso. O T. pallidum requer umidade para sobreviver. Para que haja contßgio, Ú necessßrio um meio de contato ·mido entre o indivÝduo infectado e um outro, o que torna o ato sexual o meio mais comum de transmissÒo da doenþa. Nos tecidos orgÔnicos, o espiroqueta se reproduz e permanece por toda a vida do paciente infectado, a nÒo ser que seja destruÝdo por tratamento.
O tratamento Ó base de merc·rio foi a terapia mais empregada contra a doenþa atÚ 1836, quando passou tambÚm a ser usado o iodo de potßssio. O primeiro medicamento especÝfico foi desenvolvido em 1909, mas o grande passo no combate Ó doenþa foi registrado na dÚcada de 1940, quando se tornou possÝvel aniquilar os espiroquetas e debelar a sÝfilis, em seus primeiros estßgios, em apenas uma semana, com a administraþÒo de penicilina.
SÒo diversos os processos para detecþÒo da sÝfilis em exames de laborat¾rio. Os mais comuns utilizam uma amostra de sangue do paciente para averiguar a presenþa de uma ou duas substÔncias que se formam na corrente sang³Ýnea logo ap¾s a infecþÒo. Os testes sorol¾gicos, no entanto, nÒo sÒo especÝficos para a sÝfilis e resultados positivos podem ser encontrados em portadores de malßria e mononucleose nÒo-sifilÝticos. O perÝodo ideal para realizar o exame Ú de quatro a seis semanas ap¾s o contßgio ou de uma a trÛs semanas ap¾s o aparecimento da lesÒo primßria.

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