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Sicília


  Geografia Fisica
A localização central entre a Europa, a África e o Oriente Médio transformou a Sicília em encruzilhada da história, joguete entre conquistadores e impérios, e cadinho de uma dezena de grupos étnicos, representados por mercadores e guerreiros que passaram por suas praias.
A Sicília é a maior e mais populosa ilha do Mediterrâneo, com uma superfície de 25.460km2. Situada a sudoeste da península itálica, está separada do continente pelo estreito de Messina, com 16km de largura. É banhada ao norte pelo mar Tirreno, a leste, pelo Jônico, e se separa da Tunísia, no continente africano, pelo canal da Sicília.
Intensa atividade sísmica ocorre na região. Na Sicília se localiza o vulcão ativo mais alto da Europa, o monte Etna, com 3.261m de altura. Possui um único grande vale, a planície fértil de Catalina, na região oeste, e o clima é subtropical mediterrâneo. Na planície, os índices pluviométricos oscilam entre 400 e 600mm por ano e as chuvas se concentram no outono e inverno. Nas montanhas do interior, as precipitações variam entre 1.200mm e 1.400mm. A ilha é atingida pelo siroco, vento quente e seco que vem do Saara e, durante dias, tolda a atmosfera com poeira microscópica. Milênios de civilização reduziram ao mínimo os bosques e a vegetação natural da ilha, que se restringiram a cerca de quatro por cento do território. Intensamente aproveitadas para o cultivo e pastoreio, as terras correm risco de desertificação em alguns pontos.
Na ilha, densamente povoada, destacam-se a capital, Palermo, e as cidades litorâneas de Messina, Catânia e Siracusa. A Sicília tem-se mantido culturalmente isolada da Itália e sua arcaica estrutura econômica, predominantemente agrícola, contribui para que a sociedade siciliana, estruturada a partir da família como elemento básico, continue a ser uma das mais tradicionais da Europa. Conserva atuante uma antiga organização como a máfia -- que se fixou profundamente no país a partir do século XVIII e, embora tenha perdido parte de sua influência política e social, não reduziu suas atividades criminosas. O desenvolvimento econômico não acompanhou o ritmo de crescimento populacional. Disso resultou intensa emigração dirigida, no início do século XX, à América e, no final, ao norte da Itália e à Europa central.
Há dez mil anos, a Sicília era desabitada. Mais tarde, o território foi ocupado, em sua porção leste, pelos sículos, que deram nome à ilha; no oeste, pelos sicanos e, no extremo oeste, pelos elimeus, de origem troiana. No século VIII a.C., fenícios e gregos fundaram na Sicília prósperas colônias, tomadas por Roma no século III a.C. Durante a Idade Média, a ilha sofreu sucessivas invasões de vândalos, ostrogodos, bizantinos, árabes e normandos. Estes últimos estabeleceram, nos séculos XII e XIII, o reino da Sicília. Em 1377, Aragão e Sicília foram reunidas sob um só monarca e o domínio espanhol prosseguiu até o século XVIII.
Em 1713 firmou-se o Tratado de Utrecht, pelo qual a Sicília foi entregue à casa de Savóia. Após um curto período sob domínio austríaco, a ilha foi governada pela casa de Bourbon. No século XIX, a Sicília tornou-se importante centro de movimentos revolucionários: em 1860, como resultado da rebelião liderada por Giuseppe Garibaldi, livrou-se do domínio dos Bourbon e, no ano seguinte, incorporou-se à Itália. Desde 1947 constitui, juntamente com os arquipélagos das Eólias, Égades, Pelágias e Pantelleria, região autônoma italiana.
As estreitas planícies sicilianas se cobrem de plantações intensivas de cítricos, oliveiras, hortaliças e videiras. A pecuária envolve a criação de gado bovino e também de carneiros, mulas e burros. Além da extração de sal e da construção naval, existem indústrias de alimentos, tecidos e vinhos. Na segunda metade do século XX, houve grande expansão das refinarias e indústrias petroquímicas.
A sólida tradição cultural da ilha evidenciou-se no desenvolvimento da poesia lírica italiana, bem como nos trabalhos de escritores modernos como Giovanni Verga, Luigi Pirandello e Leonardo Sciascia. A música popular é também importante. Entre os inúmeros exemplos de arte folclórica, destacam-se o bordado, a pintura e a confecção de bonecos, ao lado de festivais religiosos populares.

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