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Sibéria


  Geografia Fisica

Região cujos longos invernos já chegaram a registrar a temperatura de -68°C, a Sibéria, nome tártaro que significa "terra adormecida", possui a maior reserva mineral do mundo. As grandes dificuldades que no passado impediram sua exploração têm sido gradualmente vencidas no século XX graças ao progresso tecnológico.
A Sibéria é uma vasta região situada no norte do continente asiático que abrange as repúblicas russas de Iacútia Sakha, Buriátia e Tuva, além do norte do Casaquistão. Ocupa 13.488.500km2. Tem por limites os montes Urais, a oeste; o oceano Pacífico, a leste; o oceano Ártico, ao norte; as montanhas do centro-norte do Casaquistão, as fronteiras da Mongólia e as da China, ao sul. A Rússia considera que o território siberiano compreende apenas 6.550.000km2 de superfície, pois exclui as áreas administrativas na vertente oriental dos Urais, ao longo do Pacífico, assim como as terras no Casaquistão.
O território siberiano divide-se em quatro grandes regiões geográficas. A grande planície oeste, drenada pelos rios Ob e Ienissei, apresenta relevo pouco variado e inúmeros pântanos. A leste do Ienissei, a Sibéria central compreende planícies e o planalto siberiano central. Mais ao leste, estende-se uma série de cadeias montanhosas, maciços e bacias da região nordeste, separada da porção central pela bacia do Lena. A menor das quatro regiões, ao sul, é a área da fossa tectônica do Baikal, o mais profundo lago de água doce do planeta.
O clima siberiano é notório pelos longos e severos invernos, quase sem neve. Em Iacútia Sakha costumam registrar-se as temperaturas mais baixas. O clima se torna mais frio e as precipitações gradualmente mais escassas conforme se avança para o leste. A vegetação estende-se de leste a oeste por toda a área. A tundra ártica, de solos permanentemente gelados, cobre a parte setentrional da Sibéria. A taiga, floresta de coníferas, é predominante e somente no extremo sul surgem as estepes.


População. Não se sabe ao certo se os primeiros habitantes da Sibéria vieram da Europa ou da Ásia central e oriental. Evidências de povoamento no paleolítico são abundantes no sul, região que depois da idade do bronze esteve sob influência chinesa (c. 1000 a.C.) e turco-mongol (século III a.C.).
Antes da colonização russa, no século XVI, a Sibéria era povoada por tribos de várias etnias, de organização social primitiva, pertencentes a grupos lingüísticos distintos, que se adaptaram culturalmente às condições físicas predominantes: tundra, taiga ou estepe. Viviam da caça, da coleta e do pastoreio nômade de renas. O maior desses grupos, o iacuto, criava gado e cavalos.
A população atual, que se encontra em processo de urbanização, tem, em sua maioria, origem russa. O crescimento demográfico foi lento mesmo durante o período soviético, quando o governo oferecia vantagens fiscais e outros benefícios aos que se radicassem no território, devido à grande rotatividade de imigrantes que, ao fim de alguns anos, buscam climas mais amenos. A população concentra-se no oeste e no sul e os principais centros são Novosibirsk, Omsk e Krasnoiarsk.


Economia. A riqueza primordial da Sibéria encontra-se no subsolo, onde há abundância de carvão, petróleo, gás natural, diamantes, minério de ferro e ouro. A agricultura siberiana se concentra nas estepes do sul, que produzem trigo, centeio, aveia e girassóis.
A exploração das reservas minerais ocasionou novo surto de crescimento da atividade industrial a partir do final da década de 1950. Abriram-se campos de exploração de petróleo e gás natural na Sibéria ocidental e construíram-se gigantescas hidrelétricas nos rios Angara, Ienissei e Ob. Instalaram-se oleodutos e gasodutos entre os novos campos e os Urais e estabeleceram-se indústrias siderúrgicas, de refino de alumínio, produção de celulose e maquinaria.
O transporte de cargas entre regiões é feito principalmente pela estrada transiberiana e seus ramais. Em 1980 foi concluída uma nova estrada de ferro de 3.200km, entre Ust-Kut, no rio Lena, e Komsomolsk-na-Amure, no rio Amur. As longas distâncias, no entanto, tornam preferível o transporte aéreo.


História. O sul da Sibéria foi parte do canato (território governado por um khan, chefe oriental) mongol da Horda de Ouro entre os séculos X e XV. Em 1581, iniciou-se a ocupação russa, com uma expedição cossaca que invadiu o pequeno canato de Sibir -- de onde originou-se o nome do território. Caçadores, comerciantes de peles e exploradores cossacos adentraram a Sibéria até o mar de Bering. Construíram cidades fortificadas em pontos estratégicos, entre as quais Tiumen (1585), Tomsk (1604), Krasnoiarsk (1628) e Irkutsk (1652). A maior parte da Sibéria caiu gradualmente sob o domínio russo entre o início do século XVII e meados do século XVIII, embora o Tratado de Nertchinsk, assinado com a China em 1689, tenha contido o avanço russo na bacia do rio Amur até a década de 1860.
O impacto da expansão russa sobre as populações locais levou à extinção das tribos menores e mais primitivas. Os grupos maiores, como os iacutos e os buriatos, adaptaram-se melhor e beneficiaram-se materialmente da colonização. Os russos em geral não interferiam com o modo de vida dos nativos e a maior parte deles terminou por converter-se ao cristianismo. Inicialmente, os chefes russos estabelecidos na área cobravam tributos dos nativos em peles de animais. Mais tarde, agricultores russos foram trazidos para produzir alimentos para o pessoal administrativo radicado ali. No século XVIII, com o declínio do comércio de peles, a mineração de prata e outros metais tornou-se a principal atividade econômica local. Logo passaram a ser deportados para a Sibéria os prisioneiros, políticos ou comuns, o que continuou a ocorrer até o século XX.
Entre 1891 e 1905 a Rússia construiu a estrada de ferro transiberiana, que permitiu a exploração dos recursos minerais, agrícolas e florestais da região. Com essa iniciativa, começaram a chegar à Sibéria milhões de imigrantes que se estabeleceram nas proximidades da linha férrea e consolidaram a ocupação russa do território, até então incipiente. Modernos métodos foram introduzidos no sul para o cultivo de grãos e a produção de laticínios. A mineração de carvão iniciou-se em vários pontos.
Durante a guerra civil que se seguiu à revolução russa, entre 1917 e 1920, um governo antibolchevique, liderado pelo almirante Aleksandr Koltchak, estabeleceu-se na Sibéria. Em 1922, praticamente todo o território siberiano já estava, no entanto, reincorporado ao estado soviético.
A partir do primeiro plano qüinqüenal soviético, aplicado entre 1928 e 1932, houve rápida industrialização de algumas bacias de mineração na Sibéria ocidental. Construíram-se grandes complexos industriais para processar carvão, ferro e aço, em Kuznetsk e ao longo da estrada de ferro transiberiana. Durante a década de 1930, os campos de trabalhos forçados se espalharam por toda a Sibéria e forneceram boa parte da mão-de-obra utilizada na extração de minérios. Com a segunda guerra mundial, enormes complexos fabris da Rússia ocidental foram trasladados para a Sibéria, que se transformou na espinha dorsal do esforço de guerra soviético. A agricultura, em contraste com o desenvolvimento industrial, sofreu perdas significativas com a reforma agrária comunista e só foi retomada na década de 1950.
Nas décadas de 1960 e 1970, as tensões políticas entre a União Soviética e a China culminaram em conflitos às margens do rio Ussuri e grandes contingentes de tropas soviéticas foram estacionados ao longo da fronteira da Sibéria com a Manchúria.


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