Sangue - BioMania
O melhor portal biológico da internet!



Sangue


  Anatomia Humana

Líquido orgânico de importância vital para o homem e para muitos outros animais, o sangue é o meio biológico de alta complexidade no qual ocorrem diversos processos bioquímicos e fisiológicos, como o transporte do oxigênio, as reações imunológicas e a circulação dos nutrientes pelo sistema vascular.
Sangue é um tecido líquido do organismo, caracterizado pela presença de elementos celulares próprios e pela fluidez que possibilita sua circulação por todo o corpo. Juntamente com o líquido intercelular e com a linfa, forma o "meio interno", ambiente de características dinâmicas no qual estão imersas todas as células animais. Apresenta em geral cor vermelha, por causa da hemoglobina, pigmento responsável pela fixação do oxigênio necessário à respiração. Em alguns vertebrados, no entanto, pode ser esverdeado ou azulado, por conter outro tipo de pigmento.


Características fisiológicas

O sangue mais complexo é o dos vertebrados, por dispor de um número maior de componentes celulares, pela variedade de biomoléculas que abriga e pela perfeição dos mecanismos bioquímicos e fisiológicos por ele intermediados. Nos animais com sistema circulatório diferenciado e fechado, o líquido sangüíneo circula por todo o organismo através do sistema vascular, impulsionado pelas contrações do coração.
O sangue serve como meio de fixação do oxigênio externo, graças à presença de pigmentos oxidáveis como a hemoglobina; é veículo para o transporte de nutrientes até os tecidos do organismo e para a remoção dos produtos da excreção celular; conduz o excesso de calor gerado nos órgãos mais profundos e ativos para a superfície do corpo, onde é dissipado; intermedeia as reações imunológicas, que defendem o organismo da agressão de agentes patogênicos; e abriga todos os tipos de biomoléculas, como os hormônios, autênticos mensageiros celulares que estimulam ou inibem a atividade de órgãos e tecidos distantes das glândulas que os sintetizam.


Anatomia comparada

As características do sangue variam de acordo com a estrutura da espécie animal, seu tipo de vida e suas necessidades fisiológicas. Nos protozoários e metazoários mais simples não existem líquidos sangüíneos. Em virtude das reduzidas dimensões do animal e de seu contato estreito com o meio, o oxigênio penetra por difusão e satisfaz as necessidades metabólicas. No caso das esponjas e dos celenterados, a própria água fornece os nutrientes.
Em animais maiores e mais complexos, os tecidos internos estão separados do exterior por membranas e barreiras biológicas, de tal forma que a assimilação de nutrientes e de oxigênio exige um sistema circulatório mais desenvolvido. Esse sistema difere, entre as várias espécies, quanto ao número e à diversidade dos elementos celulares, quanto à concentração de íons e biomoléculas e quanto à presença de pigmentos respiratórios. Nos animais inferiores, como é o caso de muitos vermes e moluscos, os pigmentos estão dissolvidos no líquido sangüíneo. Em outros invertebrados e nos animais superiores, se localizam em células especiais, associados a compostos protéicos.
Em alguns vermes, equinodermos e moluscos, assim como entre os crustáceos, insetos e aracnídeos, principalmente, existe um líquido denominado hemolinfa, que muitas vezes contém hemoglobina e, em algumas espécies, pigmentos respiratórios como a hemocianina (com cobre, de cor azulada) ou a clorocruorina (com ferro, de cor esverdeada), própria das poliquetas (vermes marinhos).
Nos vertebrados, a hemoglobina está presente nas hemácias, ou glóbulos vermelhos, que variam em número, forma e tamanho de uma classe animal para outra. Dessa forma, em certos anfíbios urodelos semelhantes à salamandra, essas células são volumosas e ovaladas, enquanto em outros são menores e arredondadas. Nos mamíferos, as hemácias perderam o núcleo, motivo pelo qual seu tempo de vida, comparado ao de outras células sangüíneas, é curto.


Sangue humano

Mais denso e viscoso do que a água, o sangue humano é opaco e vermelho e circula livremente pelo organismo. Sua quantidade varia de acordo com a idade, o sexo, o peso e a constituição do corpo, entre outros fatores, mas a média aproximada para os adultos é de sessenta mililitros por quilograma de peso.


Composição

Enquanto nos animais mais simples o sangue é formado basicamente de água e sais minerais, no homem esse tecido apresenta dois componentes fundamentais: o plasma, composto principalmente de água, e os elementos figurados, que são hemácias, leucócitos e plaquetas.


Plasma

Em essência, o plasma é uma solução aquosa com aproximadamente 91 a 92% de água, diversos íons e metabólitos, nutrientes (glicose, gorduras e aminoácidos), hormônios etc. Desempenha diferentes funções no organismo, tais como: servir de meio de transporte aos nutrientes, às células sangüíneas e aos produtos de excreção resultantes do metabolismo celular; ajudar a manter a pressão sangüínea, de importância vital para o funcionamento correto de todos os órgãos e para o equilíbrio homeostático geral; distribuir de maneira uniforme o calor pelo corpo; e preservar o equilíbrio ácido-básico do organismo.
As proteínas plasmáticas -- entre as quais estão as albuminas, as alfa e betaglobulinas (transportadoras de lipídios, como o colesterol, e de açúcares, esteróides ou íons), o fibrinogênio (que intervém na coagulação) e as chamadas imunoglobulinas (gamaglobulinas, responsáveis pelas reações antígeno-anticorpo) -- contribuem de forma decisiva para a manutenção do pH e da pressão osmótica do sangue. As proteínas plasmáticas impedem a perda excessiva de líquido dos capilares: a água e a maioria das substâncias dissolvidas no plasma podem atravessar com facilidade as paredes dos capilares, o que não ocorre com as moléculas de proteína. Isso cria uma pressão osmótica que assegura a manutenção, dentro de certos limites, do nível de líquido nas vias circulatórias. Essa função reguladora é resultado, em grande parte, da presença da albumina.


Leucócitos

Existem diversos tipos de células não-pigmentadas, leucócitos ou glóbulos brancos, que podem ser agrupados em três grupos básicos: (1) granulócitos, que capturam e digerem os microrganismos invasores pelo mecanismo da fagocitose; (2) monócitos, que capturam tanto micróbios quanto dejetos celulares e outras partículas produzidas pela desintegração das células e dos tecidos; e (3) linfócitos, não-fagocitários, aos quais cabe a elaboração de anticorpos para a defesa imunológica. Os granulócitos e os monócitos são produzidos na medula óssea, enquanto os linfócitos provêm do tecido linfóide. Os monócitos são os precursores dos chamados macrófagos, que têm vida média de algumas semanas e que capturam e digerem todo tipo de partículas e de corpos estranhos ao plasma.

Hemácias

As células pigmentadas são representadas pelos eritrócitos, ou glóbulos vermelhos, que possuem núcleos em todos os vertebrados, com exceção dos mamíferos. Contêm um pigmento que lhes dá cor vermelha característica, a hemoglobina, heteroproteína constituída de quatro moléculas protéicas, cada uma das quais com um grupo heme e um átomo de ferro, ao qual o oxigênio se associa para ser transportado até as células.

Plaquetas

Derivadas de células da medula óssea, as plaquetas, com dois a quatro micromilímetros de diâmetro, são os menores elementos figurados. Sua concentração é de 0,3ml por cem mililitros de sangue. São compostas principalmente de ribonucleoproteínas e cefalinas, além de várias enzimas e substâncias vasoativas, como a serotonina e a histamina. As funções da plaqueta estão ligadas à coagulação do sangue, retração do coágulo e formação de trombos.

Coagulação

Quando o sangue extravasa do sistema circulatório em virtude de uma lesão ou de retirada por punção, ele se solidifica, após algum tempo, numa massa gelatinosa denominada coágulo. Intervêm nesse processo vários componentes sangüíneos denominados fatores de coagulação.

Ao todo, há 13 principais fatores, entre os quais os mais conhecidos são o fibrinogênio, a protrombina (fatores I e II) e a globulina anti-hemofílica (fator VIII).

O primeiro passo na coagulação é a formação do ativador da protrombina, em reação à liberação de compostos pelas paredes dos vasos danificados. O ativador também se forma a partir de mudanças no próprio sangue, que resultam do contato do sangue com as fibras de colágeno do vaso rompido.

Uma vez formado, o ativador inicia a conversão da protrombina em trombina. Esta catalisa a conversão do fibrinogênio, uma proteína solúvel do plasma, em longos e viscosos filamentos de fibrina insolúvel.

Os filamentos de fibrina formam uma malha à qual aderem plaquetas, células sangüíneas e plasma. Em minutos, a malha de fibrina começa a se contrair e expulsa o fluido nela contido. Esse processo, chamado de retração do coágulo, é a fase final da coagulação e produz um coágulo insolúvel e elástico, resistentes à pressão do fluxo sangüíneo.

Tipos sanguíneos

Os glóbulos vermelhos apresentam, em sua superfície, substâncias chamadas antígenos (ou aglutinogênios), que permitem agrupar o sangue em sistemas. Conhecem-se cerca de 15 grupos sangüíneos, dos quais os mais importantes são o sistema A B O e o Rhesus (ou Rh). Outros sistemas muito estudados são o MNSs, Kell e I.

Sistema A B O

A classificação do sangue de acordo com o sistema A B O é feita em função da ausência ou presença dos antígenos A (A1 e A2) e B. Além do antígeno presente na hemácia, o sangue contém ainda, no plasma, anticorpos (ou aglutinina) dirigidos contra o antígeno ausente.

O sangue do tipo O, o mais comum no mundo, não possui antígenos, mas apresenta anticorpos anti-A e anti-B. Por essa razão, os indivíduos com esse tipo de sangue são considerados doadores universais (não importa a existência de anticorpos, pois o plasma do doador se dilui no sangue do paciente que o recebe).

Já no tipo AB, o receptor universal, estão presentes os antígenos A e B e não há anticorpos.

O câncer de estômago é vinte por cento mais freqüente em indivíduos com sangue do tipo A. A anemia perniciosa e possivelmente a broncopneumonia em crianças também estão relacionadas ao tipo A. Em indivíduos com sangue do tipo O, há uma freqüência quarenta por cento maior de úlcera duodenal, especialmente naqueles que não secretam antígenos hidrossolúveis, e de úlcera gástrica.

Fator Rh

O antígeno Rh, presente em 85% da raça , situa-se na membrana da hemácia. Sua denominação deriva do nome do macaco Rhesus, em que foi inicialmente estudado. O plasma não contém anticorpo anti-Rh, mas um indivíduo Rh-negativo é capaz de produzi-lo após receber o antígeno numa transfusão. No primeiro contato não há reação, mas uma outra transfusão pode levar o indivíduo à morte, em função da aglutinação das hemácias recebidas.

Os bebês

Rh-positivos concebidos por uma mãe com sangue Rh-negativo correm o mesmo risco, quando há mistura dos sangues no útero. A primeira criança não apresenta problemas, mas a segunda está sujeita à eritroblastose fetal, doença caracterizada pela aglutinação ou destruição das hemácias do recém-nascido.

A doença acomete cinco por cento dos filhos de mãe Rh-negativo e pai Rh-positivo e pode ser evitada se a mãe for vacinada com gamaglobulina anti-Rh, antes de dar à luz um filho Rh-positivo.

 


Veja também: