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Sal


  Bioquímica

A importância histórica do sal comum como conservante de alimentos e como moeda permaneceu em várias expressões de linguagem. A palavra salário, derivada do latim, representava originalmente a porção de sal que os soldados da antiguidade romana recebiam como pagamento por seus serviços.
Na linguagem vulgar, o termo sal designa estritamente o cloreto de sódio (NaCl), utilizado na alimentação. Em química, porém, tem um sentido muito mais amplo e se aplica a uma série de compostos com características bem definidas, que têm em comum com o cloreto de sódio o fato de se formarem pela reação de um ácido com uma base. O cloreto de sódio resulta da reação do ácido clorídrico com o hidróxido de sódio.
Pode-se, assim, definir sal como composto iônico resultante da reação entre um ácido e uma base, mas há outras conceituações igualmente aceitas. Segundo a teoria de Arrhenius, que defende a existência de três tipos de eletrólitos (ou substâncias em dissolução), sais são substâncias que, em dissolução, produzem cátions e ânions de vários tipos, mas sempre diferentes dos íons hidrogênio (H3O+), também chamados hidroxônios, e hidroxila (OH-). Os outros dois tipos de eletrólitos, segundo Arrhenius, são: os ácidos, que em água se ionizam e produzem, como cátions, exclusivamente íons hidrogênio; e as bases que, em água, se dissociam e produzem, como ânions, exclusivamente íons hidroxila. Por serem sobretudo iônicos, os sais são em geral cristalinos e solúveis em água.


Classificação. De acordo com o ácido de que derivam, os sais se classificam em: (1) halóides, derivados de hidrácidos, e (2) oxissais, derivados de oxiácidos. Os halóides são sais não-oxigenados, como NaCl e KBr (bromato de potássio). Os oxissais apresentam oxigênio no íon negativo, como no caso do Na2SO4 (sulfato de sódio). Outra classificação distingue os sais ácidos, básicos, e neutros ou normais. Os sais ácidos resultam da substituição, parcial ou total, de um ou mais hidrogênios ácidos (ionizáveis ou substituíveis) por íons positivos, como no caso do NaH2PO4 (fosfato de sódio). Sais básicos têm uma ou mais hidroxilas, como no caso do Zn(OH)Cl (cloreto monobásico de zinco), e resultam das bases por substituição parcial ou total das hidroxilas por íons negativos. Os que não contêm hidrogênio ácido nem hidroxila, como é o caso do CaSO4 (sulfato de cálcio), são chamados de sais neutros ou normais.
Quando se misturam soluções de dois ou mais sais simples, pode-se formar um terceiro sal, chamado duplo, como por exemplo o KCl.MgCl2.6H2O (cloreto duplo de potássio e magnésio). Os sais compostos de íons complexos, formados de diversos átomos, são chamados de sais complexos. Em solução aquosa, os sais podem fixar uma ou mais moléculas de água e se tornarem hidratados, como ocorre em CuSO4.5H2O (sulfato de cobre II penta-hidratado).


Nomenclatura. Existem regras para nomear os sais mais comuns. No caso dos sais halóides, substitui-se a terminação "-ídrico" do hidrácido pelo sufixo "-eto". Acrescenta-se a preposição "de" e o nome do íon positivo. Tem-se assim, por exemplo, derivado do ácido cianídrico (HCN), o cianeto de potássio (KCN).
Quando um metal forma dois sais, derivados do mesmo ácido, acrescenta-se após o nome do sal, entre parênteses, o número de oxidação do metal em algarismos romanos. É comum também o emprego das terminações "-oso", para o sal em que o metal apresenta o menor número de oxidação, e "-ico", para o número de oxidação maior. O estanho, por exemplo, forma os sais SnCl2 (cloreto estanoso) e SnCl4 (cloreto estânico).
No caso dos oxissais, derivados dos oxiácidos, substituem-se as terminações "-oso" e "-ico" dos ácidos de que derivam os sais pelas terminações "-ito" e "-ato", respectivamente. Acrescenta-se a preposição "de" e o nome do cátion do sal. Do ácido sulfúrico (H2SO4), por exemplo, deriva o sulfato de potássio (CaSO4). Ao metal que forma mais de um sal, aplica-se o critério do número de oxidação em algarismos romanos, ou as terminações "-oso" e "-ico", como em FeSO4 (sulfato de ferro II, ou sulfato ferroso) e Fe2(SO4)3 (sulfato de ferro III, ou sulfato férrico).
Quando se tem sais ácidos, há várias alternativas de nomenclatura: (1) indica-se o número de íons positivos pelos prefixos "mono-", "di-", "tri-" etc; (2) indica-se o número de átomos de hidrogênio ácido não substituídos com as expressões "mono-hidrogeno", "di-hidrogeno" etc; (3) utilizam-se os termos "monoácido", "diácido" etc; ou (4) coloca-se o prefixo "bi-" antes do nome do íon negativo, no caso de sais ácidos derivados de diácidos. Um exemplo é NaHSO4, sulfato monossódico, também designado mono-hidrogeno-sulfato de sódio, ou sulfato monoácido de sódio, ou bissulfato de sódio.


Preparação. Alguns sais ocorrem em grandes quantidades na natureza. Basta, portanto, escolher o melhor processo de extração, como no caso do cloreto de sódio, presente na água do mar. Muitos outros sais, porém, são preparados artificialmente por meio de reações entre ácidos e bases (chamadas reações de salificação); entre ácidos e óxidos básicos; ou entre óxidos ácidos e básicos. Outros processos de obtenção de sais incluem a ação de ácido, base ou sal sobre um sal, geralmente em solução aquosa; a reação entre metal e ácidos, bases ou sais; e a combinação de um metal com um ametal.


Sal comum. Dos inúmeros compostos salinos que podem ser encontrados na natureza, o que mais importância apresenta para o ser humano é o cloreto de sódio, chamado sal comum ou sal de cozinha, muito empregado na alimentação como condimento e como conservante, neste caso especialmente para carnes e pescados. A grande importância do sal, no entanto, decorre de seus múltiplos usos e aplicações, além do consumo humano e animal. Emprega-se o sal em refrigeração, na indústria eletroquímica de cloro e seus derivados, como o ácido clorídrico e cloretos diversos, hipocloritos, cloratos e percloratos. É ainda usado na fabricação de inseticidas como o DDT, de plásticos com base de cloro e outros.
A eletrólise do cloreto de sódio fornece, além do cloro, o sódio metálico ou soda cáustica, que tem na indústria um papel equivalente ao do ácido sulfúrico, pela diversidade de empregos, entre eles a produção de sabões, óleos vegetais e minerais, celulose etc. O sal também é matéria-prima para fabricação de barrilha (Na2CO3), empregada na indústria têxtil, na produção de vidro e em muitos outros casos em que se necessita de um álcali fraco.


Tipos de sal. O sal comum pode ser classificado, de acordo com seu teor de pureza, ou seja, a maior ou menor porcentagem de outros sais em sua composição, em dois tipos: sal bruto e sal beneficiado. Sal bruto é o produto imediato da extração, com todas as impurezas de manipulação extrativa e tudo o que cristaliza com o cloreto de sódio. Pode ser de três tipos: sal marinho (verde e curado); sal de minas, lagos salgados ou mares interiores (salmoura); sal de jazidas de sal-gema (ou halito) e depósitos de sais mistos. O sal beneficiado se subdivide em alimentício (sal de cozinha e sal grosso) e de conserva, a qual pode ser salga seca ou salmoura. No Brasil, uma lei de 1953 determina que seja distribuído exclusivamente sal iodado nas regiões sujeitas ao bócio endêmico, doença causada pela deficiência de iodo na alimentação.


Extração de sal. Ainda que a fonte principal de sal seja a água do mar -- na qual sua concentração é muito variável, com uma média de 3,3% --, o produto pode ser encontrado também em lagos salgados. Em ambos os casos, o procedimento de extração consiste em isolar a água salgada em tanques rasos, as salinas, onde, exposta ao sol e ao vento, a solução atinge concentrações cada vez maiores, até o ponto de saturação, quando começa a precipitar o cloreto de sódio.
O sal obtido do mar apresenta-se geralmente menos puro que o sal-gema, encontrado em depósitos subterrâneos ou superficiais formados a partir da evaporação dos mares em eras geológicas passadas. O sal-gema é um mineral que ocasionalmente apresenta cristais de forma cúbica regular e se caracteriza pelo sabor e pouca dureza (dois, na escala de Mohs). Entre as principais jazidas de sal-gema estão a da baixa Saxônia, na Alemanha, e outras na Áustria, Espanha, Itália e Rússia. No que se refere à produção global de sal, os principais países produtores são Estados Unidos, China e Rússia.


Sal no Brasil. Dois estados destacam-se como produtores de sal marinho no Brasil: Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro. Juntos, esses estados respondem por quase toda a produção nacional. O Rio Grande do Norte sozinho cobre mais de oitenta por cento da produção brasileira. Os municípios de Macau, Moçoró e Areia Branca são os principais produtores do estado. No Rio de Janeiro, destaca-se a produção de Araruama e Cabo Frio.
Na maioria das salinas brasileiras, faz-se a extração do produto com rendimento muito baixo e custos operacionais elevados, pelo emprego de processos manuais. A área de produção do Rio Grande do Norte, considerada uma das mais importantes do mundo, tem sua capacidade limitada pela falta de mecanização e pela deficiência do transporte até as zonas de industrialização. Já se conhecem no Brasil algumas jazidas de sal-gema (Sergipe, Bahia e Alagoas), mas sua exploração é difícil devido à grande profundidade em que se encontram.


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