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Rui Barbosa


  Biografias
Figura política relevante na República Velha, Rui Barbosa ganhou projeção internacional durante a Conferência de Paz em Haia (1907), defendendo com brilho a tese brasileira da igualdade entre as nações.
Rui Barbosa de Oliveira, político e jurisconsulto, nasceu em Salvador BA em 5 de novembro de 1849. Bacharelou-se em 1870 pela Faculdade de Direito de São Paulo. No início da carreira, na Bahia, engajou-se numa campanha em defesa de eleições diretas e da abolição da escravatura. Seu nome passou a ser conhecido em todo o país graças à tradução que fez de O papa e o concílio (1877), de Johan Joseph von Döllinger. Para a edição brasileira desse libelo contra o Vaticano, Rui preparou uma longa introdução, com uma crítica vigorosa a D. Pedro II por sua atitude em relação à chamada Questão Religiosa.
Carreira política. Rui Barbosa entrou para a política com o apoio de Manuel Pinto de Sousa Dantas, chefe da ala progressista baiana do Partido Liberal. Em 1878, foi deputado provincial na Bahia e no mesmo ano elegeu-se deputado geral. Destacou-se na elaboração da reforma eleitoral (1881) e por seus pareceres sobre a reforma do ensino (1882-1883) e a emancipação dos escravos (1884). No último congresso do Partido Liberal, assumiu a defesa do federalismo. Recusou-se a participar do último gabinete monárquico, presidido pelo visconde de Ouro Preto, a quem combateu sem tréguas nas páginas do Diário de Notícias, que então dirigia.
Com a proclamação da república, em 1889, foi chamado a ocupar a pasta da Fazenda do governo provisório. Desde o início, foi alvo da hostilidade dos gaúchos e, por sua posição favorável à industrialização, provocou também protestos do grupo agrário paulista, representado no ministério por Campos Sales. O programa de reformas que elaborou mal pôde ser iniciado: em 1891, mesmo sendo um dos homens fortes de Deodoro da Fonseca e vice-chefe do governo provisório, acompanhou os civis na demissão coletiva do ministério.
A participação de Rui Barbosa foi fundamental na elaboração da constituição brasileira de 1891. Coube a ele revisar os projetos constitucionais da comissão presidida por Joaquim Saldanha Marinho, patriarca da propaganda republicana: seu substitutivo, encaminhado ao Congresso Constituinte, rompeu de vez com a tradição parlamentarista, herança do império, e consagrou o regime presidencialista nos moldes do sistema adotado nos Estados Unidos. Seu substitutivo ao capítulo sobre distribuição de rendas foi combatido por Júlio de Castilhos, que à frente da representação gaúcha defendia o ponto de vista dos pequenos estados; Rui acabou vencendo por pequena margem.
Com a ascensão de Floriano Peixoto, passou para a oposição, criticando o governo no Parlamento e nas páginas do Jornal do Brasil. Lutou contra as limitações impostas às liberdades públicas. Durante a revolta da armada, foi preso e processado. Perseguido como rebelde, exilou-se em Buenos Aires, em Lisboa e em Londres. Na capital inglesa, escreveu uma série de artigos, um deles considerado como a primeira defesa conhecida do capitão Alfred Dreyfus, no famoso caso jurídico que mobilizou a opinião pública mundial, no fim do século XIX. De volta do exílio em 1895, reassumiu sua cadeira no Senado Federal e tentou sem êxito organizar o Partido Republicano Conservador. Por meio do Senado e do jornal A Imprensa, combateu a política de Joaquim Murtinho, ministro da Fazenda de Campos Sales.
Nomeado pelo presidente Afonso Pena chefe da delegação brasileira, Rui Barbosa teve notável desempenho durante a Conferência de Paz de Haia, nos Países Baixos, em 1907, defendendo a tese brasileira da igualdade entre as nações, que não contava com a simpatia das grandes potências. Como porta-voz dos pequenos países, empenhou-se em memoráveis debates com os delegados da Alemanha, o barão Marschall, e do Reino Unido, Edward Fry. Um dos principais resultados da Conferência foi a criação da Corte Permanente de Justiça Internacional, que Rui seria um dos primeiros a integrar.
Rui conheceu outro momento de destaque em 1916, durante a primeira guerra mundial, quando, designado pelo presidente Venceslau Brás, representou o Brasil no centenário da independência da Argentina. Na Faculdade de Direito de Buenos Aires, pronunciou discurso que se tornaria célebre, definindo o conceito jurídico de neutralidade. Foi um passo decisivo para a ruptura das relações do Brasil com a Alemanha e a aceitação da causa dos aliados. Apesar disso, recusou em 1919 o convite para chefiar a delegação brasileira à Conferência de Paz em Versalhes.
Campanhas presidenciais. Graças a sua atuação na Conferência de Haia, Rui Barbosa despontou como candidato potencial às eleições presidenciais de 1910. Nenhum outro parecia então em condições de disputar com ele o direito de ser o candidato governista. No entanto, a campanha seguiu outro rumo: mesmo ligado à política oficial, centrada sobre o eixo São Paulo-Minas Gerais, Rui acabou disputando a eleição como candidato da oposição. Em seu lugar, o oficialismo político preferiu lançar o marechal Hermes da Fonseca, apesar dos vetos de São Paulo e Bahia. Rui foi derrotado por ampla margem de votos -- 403.867 a 222.822 -- mas liderou um grande movimento que mobilizou a opinião pública e que ficou conhecido como Campanha Civilista.
Nas eleições presidenciais seguintes (1914), Rui teve seu nome lançado novamente na convenção partidária, mas acabou retirando a candidatura. Em 1919, com a morte do presidente eleito Rodrigues Alves, que não chegou a tomar posse, candidatou-se mais uma vez, em disputa com Epitácio Pessoa. Nessa sua última campanha nacional (tinha então 70 anos), Rui levantou a bandeira da questão social, mas contou com o apoio apenas do Rio de Janeiro e do Pará, sendo mais uma vez derrotado nas urnas.
Obras. A extensa bibliografia de Rui Barbosa, recolhida em mais de cem volumes, reúne artigos, discursos e as polêmicas de que participou ao longo de sua carreira política. Nesse conjunto merecem destaque os artigos que escreveu para o Diário de Notícias, reunidos mais tarde no volume A queda do império (1889), além das Cartas de Inglaterra (1894-1895). A derrota de Rui Barbosa para Hermes da Fonseca e os ecos da Campanha Civilista ficaram registrados num alentado volume de memórias apresentado ao Congresso Nacional: 212 páginas de texto e mais 852 de documentos, numa denúncia vigorosa dos vícios e fraudes do sistema eleitoral da época.
Sócio-fundador da Academia Brasileira de Letras, Rui sucedeu a Machado de Assis na presidência da casa. Reuniu uma das maiores bibliotecas do país, com cerca de cinqüenta mil volumes. Sua residência no Rio de Janeiro, comprada pelo governo, foi transformada na Fundação Casa de Rui Barbosa, encarregada de pesquisas e da publicação de suas obras completas.
Rui Barbosa faleceu a 1º de março de 1923 em Petrópolis RJ. Em 1949, seu corpo foi trasladado para a cripta do palácio da Justiça da Bahia, denominado Fórum Rui Barbosa.

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