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Rio


  Geografia Fisica

O homem abandonou o nomadismo e se tornou sedentário quando descobriu a agricultura e aperfeiçoou a técnica da irrigação com alguns grandes rios, como o Nilo, o Eufrates e o Indo, o que fez surgir, às suas margens, as primeiras grandes civilizações. A importância dos cursos d"água se percebe pelo número de cidades que se desenvolveram junto deles. Além disso os rios desempenham papel fundamental no ciclo hidrológico, ao levar de volta para o oceano a água evaporada que cai sobre a Terra em forma de chuva.
Rio é um fluxo natural de água que se desloca por influência da gravidade, passando por pontos sucessivamente mais baixos. Seu estudo é objeto de um ramo especial da geografia, chamado potamografia ou potamologia. O estudo das leis de seu escoamento é designado hidrologia fluvial, e o trabalho de sua correnteza é matéria da dinâmica fluvial.
O fenômeno rio não se apresenta de igual maneira, nem com a mesma intensidade, nas diversas partes do mundo. Note-se que os rios da América do Sul e da África, assim como os da América do Norte e os da Ásia, têm um significado muito superior aos da Europa, qualquer que seja o critério de avaliação -- extensão, descarga ou área da bacia. Nas características físicas dos cursos fluviais entram em jogo, pois, aspectos do contorno e do relevo de um continente, que no caso da Europa muito lhe reduzem a significação. Contudo, o fator mais importante é o clima. A aridez restringe o principal rio da Austrália das proporções extremamente modestas, enquanto o frio anula totalmente a drenagem fluvial na Antártica.
Em todo rio distinguem-se a nascente, o curso e a foz. Nascente é o lugar onde ele tem início, qualquer que seja a modalidade de origem: fonte, pântano, lago, fusão de neve ou gelo, ou águas da chuva. O curso total do rio pode ser dividido em três setores principais: superior, médio e inferior; seus limites, porém, são mais ou menos arbitrários.
O curso desenvolve-se normalmente sobre um leito limitado pelas margens, com freqüência realçadas nos trechos de planície por diques gerados pelo aluvionamento. Dadas as variações hidrológicas, é de hábito considerar a divisão do leito em maior,  médio e inferior. O leito maior corresponde ao campo de inundação, que pode ser bastante amplo, como é o caso dos rios Mississippi e Amazonas; o médio é marcado pelas partes superiores das margens  e o menor, também denominado de leito de estiagem, é o setor ocupado pelas águas quando estas se apresentam em seu menor volume.
Um rio principal dispõe sempre de afluentes ou tributários, os quais, por sua vez, recebem outros cursos d"água menores, e assim sucessivamente, constituindo a rede hidrográfica cujo traçado se relaciona com o relevo e a estrutura da região.


Características gerais. Os rios apresentam aspectos extremamente variados, de acordo com a área que atravessam, o traçado do curso, a velocidade das águas, a presença ou inexistência de cataratas e corredeiras, a profundidade e largura do leito, a flora que contêm e a fauna que os habita. No alto de sistemas montanhosos, como o dos Alpes, as águas das chuvas, reunidas numa bacia de recepção, são enviadas por um canal de escoamento que termina em geral no fundo de um vale amplo, onde os detritos acumulados formam o cone de dejeção. Da junção de algumas torrentes resultam os rios torrenciais.
A grande maioria dos rios desliza à superfície, mas além destes existem os rios subterrâneos, que em circunstâncias favoráveis reaparecem na superfície por fontes abundantes, denominadas voclusianas ou ressurgentes. Entretanto, a maioria dos cursos d"água inclui-se no grupo dos rios de superfície, distinguindo-se os perenes e os temporários. Os perenes são aqueles cujas águas correm durante o ano inteiro; os temporários, que têm o leito seco na época da estiagem, ocorrem em regiões áridas ou semi-áridas, recebendo diferentes designações, de acordo com as regiões (ued, no Saara; creek, nos desertos da Austrália).


Regime fluvial. O nível das águas dos rios varia de acordo com determinados ritmos, o que influi sobre seu débito, ou descarga. Seu regime subordina-se à influência de variados fatores, que agem de modo complexo: as condições climáticas (que regulam a gênese e o funcionamento da alimentação), a topografia, as características das rochas, a natureza dos solos e os tipos de vegetação, os quais, por sua vez, influem no escoamento da água. Os rios de regime simples -- o que significa uma época de enchentes e outra de vazante no decorrer do ano -- podem ser subdivididos em três categorias: (1) pluviais, com duas variedades: tropical e oceânico; (2) nivais, referentes à neve, também com duas categorias: de montanha e de planícies; e (3) glaciários.
No Brasil, a maior parte dos rios está submetida ao regime pluvial tropical, em que a enchente coincide com a estação chuvosa e a estiagem com a época das secas. Nos regimes nivais e glaciários, as cheias dependem da fusão da neve ou do gelo; como a neve se liquefaz com menor elevação de temperatura do que o gelo, os rios de regime nival apresentam cheias na primavera, ao passo que os de regime glaciário retardam a enchente para o verão. Nos dois casos, contudo, a fase de estiagem ocorre no inverno.
Existem também cursos d"água de regime complexo, que experimentam os efeitos combinados de duas ou mais modalidades de alimentação, às vezes concorrentes, mas em geral sucessivas. São essas associações de fatores que explicam a existência de rios com duas e até três fases de águas máximas e, em igual número, as de escassez. Rios europeus como o Reno, o Garona e o Pó, por exemplo, enquadram-se nessa categoria de regimes fluviais, visto serem alimentados, sucessivamente, pela fusão da neve e pela chuva.


Trabalho dos rios. A água que se desloca pelo leito dos rios é dotada de uma energia utilizada em dois diferentes trabalhos: a erosão e o transporte. O material transportado desloca-se por vários meios: flutuação, suspensão, dissolução, salto e rolamento.
Em virtude da ação erosiva que ocorre no leito, este tende a aprofundar-se até determinados limites, inerentes a cada caso particular. Tais limites resultam em uma linha curva ideal, que se estende da nascente à foz, e cuja concavidade volta-se para cima: é o perfil de equilíbrio do rio. Não existe, contudo, na natureza, qualquer exemplo de curso d"água que se encontre nessa exata situação de perfil de equilíbrio real ou teórico, porque, por princípio, o ajustamento teria de ser perfeito, de modo a não ocorrer nem erosão nem acumulação de sedimentos (aluvião). Em conseqüência, a noção de perfil de equilíbrio é apenas teórica.
Essa tendência de evoluírem os rios para o perfil de equilíbrio longitudinal decorre da erosão regressiva, também chamada erosão remontante, que se desenvolve da foz para a nascente. Provas da existência dessa erosão regressiva são a ocorrência de terraços fluviais e o rebaixamento e recuo a que estão sujeitas as cachoeiras. A evolução do perfil longitudinal dos rios, além de outras causas, é regulada pelo nível de base geral, representado pelo nível médio dos oceanos. Por oposição, existem ainda, ao longo dos rios, os níveis de base local, representados por lagos, pelo topo das cachoeiras ou corredeiras -- freqüentemente assinaladas por barras ou soleiras de rochas mais resistentes -- ou, ainda, o nível do rio principal, se for o caso de um afluente. Esses níveis de base, por demais instáveis, são considerados temporários, em contraste com o nível de base geral. No entanto, o nível médio dos oceanos também não pode ser tido como absolutamente fixo, de vez que tem sofrido alterações no decorrer do tempo geológico.


Ciclo vital. Pelo confronto dos estágios de desenvolvimento do perfil real em relação ao perfil ideal ou de equilíbrio, os geógrafos desenvolveram a idéia do ciclo da erosão, representado por três fases fundamentais: juventude, maturidade e senilidade dos rios. Segundo a teoria evolutiva do geomorfologista americano William Morris Davis, na primeira fase a atividade erosiva é fundamental, pois o perfil real é marcado por forte inclinação geral e pela presença de rápidos (também chamados corredeiras) e cachoeiras.
Ao lado disso, acrescente-se a forma em "V" fechado dos vales, em conseqüência do desequilíbrio entre a velocidade do aprofundamento do talvegue (canal mais profundo do leito) e da evolução das vertentes. A fase da maturidade passa a ser caracterizada por declive mais suave e certo equilíbrio entre os processos de erosão, transporte e acumulação. As corredeiras, cachoeiras e lagos, em sua maioria, extinguem-se, e tornam-se comuns as planícies aluviais de montanha. Quanto aos vales, à medida que se tornam mais amplos, suas vertentes suavizam-se. Atingida a fase de senilidade, o trabalho mais característico é o da deposição ou acumulação do reduzido material transportado, o que explica a dilatação da planície de nível de base.
Por sua vez, a área da bacia hidrográfica, rebaixada e aplainada, adquire as feições geomórficas de um peneplano, de relevos pouco pronunciados e vales pouco profundos. Ocorre no entanto, e até com freqüência, o fato de o desenvolvimento do ciclo evolutivo ser afetado por anomalias que interrompem mais ou menos bruscamente sua marcha normal. O abaixamento das águas do mar (movimentos eustáticos negativos) ou o levantamento do continente (movimentos epirogenéticos positivos) são em geral apontados como causadores dessas anomalias, embora outras causas possam intervir.
A presença de terraços fluviais pode ser interpretada como o testemunho mais fiel das interrupções do ciclo de erosão. De fato, por seu número, eles podem sugerir quantas vezes o ciclo foi interrompido, e a cada interrupção segue-se um rejuvenescimento do rio. Estudos geográficos têm demonstrado que muitos rios brasileiros, tais como o Tietê, o Doce, o Paraíba do Sul, o Ribeira do Iguape e o Itajaí-Açu, exibem traços de antigos planos de inundação, que se mantiveram sobrelevados em relação aos atuais.


Traçado dos rios. Os percursos retilíneos dos rios são sempre raros, ao passo que o traçado tortuoso, regulado por condições complexas, é uma de suas características mais constantes. Os rios de planície correm lentamente, formando curvas chamadas meandros, em cuja margem côncava têm uma espécie de apoio. Para a explicação do surgimento dos meandros têm-se invocado diversas hipóteses: um obstáculo no fundo do leito, um esporão de rocha mais resistente e a incidência de tributários, fatos que obrigariam a água corrente a deslocar-se da direção original.
Experiências de laboratório, no entanto, demonstraram que também por motivos menos evidentes os meandros podem surgir quando os rios ingressam numa planície. Outras pesquisas apontaram a existência de uma relação entre a largura dos meandros e a do respectivo rio: a largura máxima dos meandros oscila entre 15 e 20 vezes a largura do rio. Os processos erosivos que se desenvolvem nas margens côncavas acabam por destruir o istmo que separa dois meandros sucessivos e, por essa junção, estabelece-se novo traçado, que é mantido pelo rio em virtude da inclinação mais acentuada. A evolução de um meandro chega até a formar um círculo completo, quando então o leito abandona a volta, simplificando o caminho. A partir de então, aos poucos o resto do meandro evolui para um lago em forma de ferradura ou crescente. Numerosos rios brasileiros têm trechos tipicamente meândricos, como o Juruá, o Purus, o Paraíba do Sul, o Paraguai, na região do pantanal mato-grossense, o Paraíba do Sul, o Jacuí.
Costuma-se distinguir, ainda, outra modalidade de meandros: os conhecidos por meandros encaixados ou de vale. Vertentes abruptas são comuns e, se relativamente próximas, o vale adquire a forma de um desfiladeiro. Em geral explicam-se por uma incisão provocada por levantamento regional.


Capturas fluviais. Se cada curso d"água e sua respectiva bacia hidrográfica estão subordinados a um ciclo evolutivo, isso significa que múltiplos fenômenos se entrosam, se encadeiam e se sucedem continuamente. Em conseqüência de uma erosão remontante mais rápida, as cabeceiras de um rio podem invadir a área da bacia hidrográfica vizinha e, em seu proveito, absorver-lhe parte das águas. A esse fenômeno dá-se o nome de captura fluvial e, no caso de ser recente, existem várias evidências que o comprovam. Os testemunhos morfológicos mais relevantes são os seguintes: (1) a partir do cotovelo de captura, o rio capturado tem seu traçado alterado bruscamente; (2) pelo vale morto, a jusante do cotovelo de captura, onde o curso d"água deixa de existir, surge a prova mais cabal, que são depósitos de sedimentos; (3) a desproporcionalidade entre a amplitude dos vales e o volume dos cursos d"água que os utilizam, seja o captor, seja o capturado.
Existem outras modalidades de captura, como as que ocorrem por desdobramento e por evolução de meandros. Um dos exemplos mais significativos é o do rio Mosa, na França, que foi capturado por um ex-tributário do rio Meurthe. No estado de São Paulo, o rio Paraibuna seria o antigo curso superior do rio Tietê, capturado pelo primitivo rio Paraíba do Sul, o que explicaria o brusco desvio de seu curso na região de Guararema.


Foz. O setor final dos rios, ao se lançarem nos mares ou em lagos, chamado foz, ou embocadura, pode apresentar-se sob duas formas: de estuário ou de delta. Os estuários caracterizam-se pela existência de um só canal, que tende a ser amplo e onde faltam condições para o desenvolvimento intenso e estável. Ao contrário, os deltas, além de se caracterizarem pelas ramificações do rio principal, constituem a sede de uma intensa sedimentação, responsável pela existência de ilhas.
Para a formação de um delta, é essencial que as marés, as ondas e as correntes litorâneas sejam moderadas ou até mesmo inexistentes, o que explica sua freqüência em lagos ou mares mais ou menos fechados, de que são exemplos significativos o Mediterrâneo e seus mares secundários. Os depósitos deltaicos chegam a ganhar enorme espessura e sua estrutura é tipicamente diagonal. O crescimento dos deltas é facilmente comprovável. Dois exemplos são as cidades italianas de Ádria e Ravena, no vale do Pó, que foram portos marítimos no tempo do Império Romano e atualmente acham-se distantes do mar Adriático. Quanto a sua conformação, os deltas dividem-se em três tipos gerais: (1) arqueado, ou em leque, como os dos rios Nilo, Ganges, Volga e Pó; (2) digitado, ou em pé-de-pássaro ou pé-de-pato, que têm o Mississippi como exemplo clássico; (3) estuarino, assim chamado por estar contido no interior de um estuário, como são os casos dos rios Mackenzie, Sena, Ob e, provavelmente, a foz do Amazonas.


Funções econômicas. Não obstante as cheias desastrosas que os rios podem provocar, arruinando cidades, plantações e outros empreendimentos humanos, as vantagens que eles proporcionam deixam amplo saldo favorável. Isso explica a persistência das relações entre o homem e os cursos fluviais, que fornecem desde  alimento até energia. Eis por que algumas civilizações se confundem com o nome de certos rios. Antes de tudo, a água e a fauna significam abastecimento alimentar e, se o vale é espaçoso, as atividades agrícolas se beneficiam seja do lodo fértil depositado durante inundações, seja dos trabalhos de irrigação.
Os exemplos dos rios Nilo, Ganges, Indo, Amarelo (Huang He) e Yangzi (Yang-tsé) são clássicos. Além disso, os grupos humanos, nos primórdios da civilização, encontraram nos rios os caminhos que permitiram, provavelmente, as mais antigas relações comerciais, acabando por transformá-los em eixos econômicos, ao mesmo tempo em que se multiplicavam os núcleos urbanos em suas margens. Nesse sentido, o caso do rio Amazonas é dos mais expressivos.
Em certas regiões, o homem tem procurado regularizar o traçado e o leito dos rios e mantê-los em um canal profundo no intuito de assegurar a navegabilidade. Obras de tal tipo tornaram o Reno navegável desde Basiléia, na Suíça, até o mar do Norte, numa distância de 920 quilômetros.
Os deltas isentos de pântanos ou os drenáveis constituem excelentes áreas agrícolas, como ocorre, entre outros, nos rios Nilo, Ganges e Yangzi. Os deltas influem também de maneira decisiva na localização de cidades comerciais, que exercem profunda influência sobre a vida econômica de toda a bacia hidrográfica, como são os casos do Cairo e de Alexandria, no delta do Nilo; de Calcutá, no delta do Ganges; de Xangai, no delta do Yangzi; de Veneza, no delta do Pó; de Nova Orleans, no delta do Mississippi.
Além de constituírem meio de vida para animais e vegetais e fonte de alimentos para o homem, de fornecerem água para irrigação em processos industriais e de permitirem a navegação, os rios são ainda aproveitados para a produção de energia elétrica, mediante a construção de barragens, que movimentam usinas hidrelétricas.


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