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  Anatomia Humana

A atividade metabólica do organismo produz uma série de dejetos que alcançariam níveis tóxicos fatais se não fossem eliminados do sangue. A função de separar essas substâncias da corrente sangüínea é executada pelos rins.
Rim é cada um dos dois órgãos característicos dos vertebrados que constituem o elemento mais importante do sistema excretor. Com a função de purificar o sangue dos vários produtos tóxicos que por ele circulam, têm configuração bastante variada nos diferentes grupos sistemáticos.


Anatomia comparada. Nos peixes, os rins ocupam a posição dorsal. Em muitos deles, estão intimamente relacionados com o aparelho reprodutor, principalmente nos machos. Essa relação é mantida, em geral, nos anfíbios. Nos batráquios, como sapos e rãs, alguns dutos renais se transformaram em vias que se comunicam com os testículos e transportam espermatozóides. Os rins dos répteis são normalmente pequenos e ficam localizados no final do abdome. Crocodilos e serpentes não possuem bexiga urinária. Nas aves, os rins têm forma lobulada e dispõem de ureteres curtos que desembocam na cloaca. Os mamíferos apresentam rins compactos, cujo aspecto se assemelha ao de um feijão, protegidos por uma cápsula de tecido conjuntivo. A estrutura e a função dos rins variam muito nos diversos grupos de vertebrados, de acordo com seu tipo de vida: nos terrestres, os túbulos renais experimentam, ao longo da evolução, alongamento e aumento crescente de complexidade. Esse processo é conseqüência da necessidade que esses animais têm de reabsorver a máxima quantidade de água e íons para evitar a desidratação e o desequilíbrio eletroquímico interno, necessidade que é menos premente nas espécies aquáticas.


Rim humano. Os rins do homem são duas estruturas de cor vermelha-escura em forma de feijão e dispostas na porção posterior da cavidade abdominal, uma de cada lado da coluna vertebral. Exercem a função de filtragem, regulam o volume de líquidos do organismo e controlam, em virtude da ação de hormônios, a reabsorção ou eliminação de íons ou outras substâncias. Esse mecanismo, que dá origem à urina, é fundamental para a manutenção do equilíbrio ácido-básico do corpo. Na parte superior dos rins, estão as glândulas supra-renais, importantes órgãos endócrinos que produzem diversos hormônios, entre os quais a adrenalina (ou epinefrina). Pela face interna e côncava do rim, numa região denominada hilo renal, penetram artérias e veias. Na parte externa, denominada córtex, estão dispostas as unidades funcionais, ou néfrons, que podem alcançar o número aproximado de um milhão em cada rim. A região interna é a medula, constituída pelo conjunto de todos os túbulos ou dutos estreitos que conduzem a urina até a pelve renal. Também chamada bacinete, a pelve renal é a parte superior do ureter, via de maior calibre que transporta a urina até a bexiga, onde ela é armazenada até ser lançada, através da uretra, para fora do organismo.


O néfron se compõe de quatro partes: o corpúsculo renal, formado, por sua vez, pelo glomérulo e pela cápsula de Bowman; o túbulo contorcido proximal; a alça de Henle; e o túbulo contorcido distal. No corpúsculo, de aspecto globular, se observa uma massa de vasos semelhantes a um novelo, o glomérulo, formado por uma densa rede de vasos capilares que, num extremo, se comunica com a artéria aferente, que leva sangue para o órgão e, no outro, com a artéria eferente, que conduz o sangue para outras estruturas do corpo. Em volta do glomérulo encontra-se a cápsula de Bowman, de natureza fibrosa, que desemboca diretamente no túbulo contorcido proximal. A estrutura vascular descrita é conhecida em anatomia como sistema porta-arterial. As paredes dos capilares permitem a passagem de água, íons e diversas substâncias do interior dos vasos para a cápsula de Bowman. Produz-se assim uma autêntica filtragem do sangue, que fica liberado da carga de produtos tóxicos e de excremento. O líquido filtrado percorre o trajeto sinuoso do túbulo proximal, cujo comprimento é de aproximadamente 15mm. Nele, são reabsorvidos mais de quatro quintos da água extraída do glomérulo, além de várias substâncias. A urina recém-formada atravessa a alça de Henle e o túbulo distal, onde também ocorre absorção. O epitélio dos túbulos despeja no meio urinário diferentes compostos, por meio de um mecanismo de secreção ativa.
A excreção e a absorção nos rins é regulada por vários hormônios, entre os quais a vasopressina, ou hormônio antidiurético da hipófise, e a aldosterona das glândulas supra-renais. Esses hormônios ativam a reabsorção, caso a concentração de algumas substâncias no plasma esteja muito baixa, ou aumentam sua eliminação, quando está alta. Além disso, se o grau de acidez dos líquidos orgânicos é mais elevado que o normal, o que é indicado por um pH baixo, o rim excreta maior quantidade de íons hidrogênio e reabsorve o íon bicarbonato, o que restabelece o equilíbrio iônico. Se, ao contrário, o pH orgânico é alto (o que indica uma situação de forte basicidade), o rim reabsorve íons hidrogênio e excreta íons hidroxila.


Patologia. A doença mais importante que acomete os rins é a insuficiência renal, aguda ou crônica. A primeira se manifesta bruscamente, em geral por intoxicação ou infecção bacteriana do glomérulo. A doença torna irregular a irrigação dos rins e reduz a formação de urina, mas costuma ser reversível. A insuficiência crônica tem diversas causas, que podem ser infecciosas, congênitas ou metabólicas (obstrução das vias urinárias por cálculos). É caracterizada por uma redução gradual do número de néfrons ativos, retenção de líquido, acidose e outros sintomas. Quando os rins sofrem um mal grave e seu funcionamento cai abaixo de níveis considerados mínimos, utilizam-se os chamados rins artificiais para realização da diálise, extração das substâncias tóxicas em excesso no sangue mediante difusão através de uma membrana semipermeável. Também pode-se recorrer ao transplante de rins.

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