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Pau-brasil


  Botânica
Árvore que deu nome ao país, o pau-brasil tornou-se raro no litoral brasileiro pela ilimitada ganância de portugueses e piratas de outras nacionalidades em mais de três séculos de exploração. Usada na Europa para a extração da substância corante brasileína, sua madeira, ao lado de papagaios e araras, foi uma das primeiras exportações brasileiras.
Pau-brasil (Caesalpinia echinata) é uma árvore da família das leguminosas, a mesma do pau-ferro e da sibipiruna ou falso-pau-brasil. Frondosa e de lento crescimento, atinge até trinta metros de altura. Dá flores pequenas e amarelas, vermelhas no centro e levemente perfumadas, que se agrupam em cachos nas extremidades dos ramos e desabrocham de setembro a dezembro. Há espinhos esparsos no tronco, nos galhos e, de forma mais concentrada, junto aos pecíolos das folhas bipinadas, isto é, compostas por duas fileiras de 15 a 20 folíolos com 8 a 18mm de comprimento. O fruto é uma vagem, pequena e revestida de espinhos, que encerra várias sementes. Os índios o conhecem como ibirapitanga, muirapiranga ou arabutã.
Madeira e corante. A madeira do pau-brasil, que ao ser exposta toma coloração bem vermelha, é dura e resistente à umidade. Já foi muito usada em obras finas de marcenaria, como arcos de violino, e na construção naval. O corante, extraído por infusão da madeira reduzida a pó, permite a obtenção de tonalidades variadas, do vermelho-claro ao quase preto, e serviu principalmente para tingir tecidos até meados do século XIX, quando caiu em desuso após a descoberta das anilinas e outras tintas sintéticas. Nos séculos XVII e XVIII, o pau-brasil teve posição de destaque no comércio internacional e se popularizou nas designações em outras línguas, como bois de brésil, em francês, e brazilwood, em inglês. Na terra de origem era conhecido também como pau-de-pernambuco, pau-vermelho, pau-rosado e pau-de-tinta.
Histórico da exploração. O pau-brasil era comum em larga faixa litorânea, entre os estados do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte, dispersando-se eventualmente para o interior, até Minas Gerais e Goiás. Sua existência foi constatada pelo piloto florentino Américo Vespúcio, que acompanhou a expedição de Gaspar de Lemos de 1501. No ano seguinte começou a exploração comercial do produto, com os contratos do pau-brasil, que consistiam em arrendamentos de terras da colônia a exploradores, que se comprometiam a devastar novas áreas e edificar feitorias fortificadas. Um dos primeiros arrendatários foi Fernando de Noronha, a quem a coroa portuguesa doou a ilha de São João, mais tarde designada por seu nome. O pau-brasil era então a única fonte de renda do Brasil, a que emprestou seu nome poucos anos depois do descobrimento, suplantando as várias denominações efêmeras que figuram em mapas, cartas e atos oficiais do começo do século XVI.
A generalização do tráfico de pau-brasil por navios espanhóis e franceses, que Portugal não conseguiu reprimir, levou ao estabelecimento das capitanias hereditárias e, com elas, ao monopólio da coroa portuguesa sobre a madeira, oficializado a partir de 1532. Renovado pelo império brasileiro após a independência, o monopólio estatal durou até 1859, quando as reservas naturais da espécie já estavam comprometidas a fundo. Além da atividade dos portugueses, contribuíram para dizimar o pau-brasil o domínio holandês no Nordeste e as incursões francesas no litoral fluminense, onde a árvore teve presença marcante na região de Cabo Frio.

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