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Parasitologia


  Patologias

Do ponto de vista da evolução, as relações entre os seres independentes tornaram-se progressivamente mais íntimas e atravessaram as fases de comensalismo, inquilinismo e mutualismo até chegar ao parasitismo, objeto da parasitologia.
Parasitologia é a ciência que estuda os organismos vivos capazes de habitar outro organismo e dele tirar proveito. A associação entre dois animais de diferentes espécies, na qual um é beneficiado e outro prejudicado, denomina-se parasitismo. O animal que nessa associação se beneficia é chamado parasito e o prejudicado, hospedeiro. Afastado do hospedeiro, o parasito morre. O estudo do parasitismo em plantas constitui a fitoparasitologia, enquanto que a parasitologia veterinária compreende o estudo dos parasitos de animais.
A parasitologia estuda a morfologia, a biologia, o ciclo evolutivo, o mecanismo de agressão do parasito e a forma como o hospedeiro reage, por diferentes mecanismos de defesa, à presença e ao ataque daquele. A parasitologia médica, cujo objeto se restringe aos parasitos do homem, subdivide-se em protozoologia médica, que estuda os protozoários de interesse médico; a helmintologia, que se dedica ao estudo dos vermes; e a entomologia, que estuda os artrópodes causadores ou transmissores de doenças.


Abordagem histórica. Na Grécia antiga já se analisavam as infestações (infecções produzidas por parasitos macroscópicos) por tênia ou solitária (Taenia solium). No século V a.C., Hipócrates conhecia alguns parasitos como as tênias, os oxiúros e os ascarídeos. Apenas no século XVII, entretanto, o estudo dos parasitos adquiriu caráter de ciência. Nessa época, o italiano Francesco Redi realizou estudos rigorosos sobre muitos parasitos do homem, entre os quais formas larvares como os cisticercos, dos platelmintos cestóides.
No século XIX os avanços na experimentação acabaram por transformar os estudos parasitológicos numa disciplina independente com base nos trabalhos de diversos cientistas. Entre os mais destacados figuram o belga Pierre-Joseph van Beneden, que descreveu o ciclo vital de diversas espécies de tênia; o alemão Theodor Bilharz, que isolou o agente patogênico da esquistossomose; e o britânico Patrick Manson, que determinou o ciclo do parasito Wuchereria bancrofti, causador da elefantíase. Outras importantes contribuições foram dadas pelo francês Alphonse Laveran, que descobriu o plasmódio causador da malária.
A moderna tecnologia de observação microscópica foi decisiva para a implantação de medidas profiláticas e de saneamento, assim como demais métodos de combate a doenças graves e de incidência elevada, em particular na especialidade conhecida como medicina tropical.


Tipos de parasitismo. Diferenciam-se na natureza várias modalidades de parasitismo: a dos parasitos obrigatórios, facultativos, acidentais, periódicos, temporários, monóxenos e heteróxenos. Os parasitos obrigatórios são todos aqueles que, em qualquer momento de seu ciclo evolutivo, perecem se afastados do organismo do hospedeiro. Incluem-se nesse caso todos os protozoários e vermes causadores de doenças no homem. Os parasitos facultativos vivem parasitariamente somente em algum período de sua vida e o resto do tempo têm vida livre. Algumas moscas depositam seus ovos na pele de hospedeiros, onde se transformam em larvas que aí vivem até atingirem a vida adulta. Já os parasitos acidentais implantam-se fortuitamente no homem, geralmente no tubo digestivo, onde permanecem por pouco tempo. Um exemplo é o dos ácaros de frutas secas, que ao serem ingeridos irritam a mucosa do tubo digestivo.
Os parasitos periódicos têm em seu ciclo evolutivo uma fase obrigatória de vida parasitária e outra obrigatória de vida livre no meio exterior. Em algumas espécies de vermes, como o Necator americanus, o verme adulto parasita o intestino delgado e os ovos vão para o meio exterior. A larva tem vida livre até atingir a idade adulta. Os parasitos temporários exigem pouco tempo de contato com o hospedeiro, geralmente para se alimentarem. Quando satisfeitos, abandonam-no, mas precisam procurá-lo de tempos em tempos. São exemplos desse tipo de parasito as pulgas, os piolhos e os mosquitos.
O ciclo vital de um organismo parasito pode se desenrolar em um ou mais hospedeiros. Quando um parasito se aloja em apenas um hospedeiro, é chamado monóxeno. Nesse grupo se incluem os parasitos que têm vida larvária livre no meio exterior. Quando o ciclo evolutivo abrange mais de um hospedeiro, o parasito é denominado heteróxeno. Um exemplo desse tipo é o Schistosoma mansoni, que tem como hospedeiro definitivo o homem e como intermediários certos moluscos aquáticos. A localização externa ou interna no hospedeiro distingue ectoparasitos de endoparasitos.
Ação do parasito sobre o organismo humano. Como corpo estranho que se instala e cresce nos tecidos humanos, o parasito começa a alimentar-se à custa do hospedeiro, metabolizando suas reservas nutritivas para cobrir as próprias necessidades metabólicas. O resultado será o prejuízo do hospedeiro, que pode adoecer e até mesmo morrer. A ação parasitária produz no hospedeiro danos de tipos diversos. Entre os mais comuns estão a obstrução das cavidades internas, como ocorre no caso de infestação por lombrigas (Ascaris lumbricoides), que obstrui o intestino, e a ação destrutiva, como no caso de parasitismo pelo protozoário Leishmania brasiliensis, que produz ulcerações e degeneração dos tecidos da mucosa da boca e do nariz.
A ação chamada espoliadora é a mais característica do regime de parasitismo. Consiste basicamente no aproveitamento do alimento ingerido pelo hospedeiro. Numerosos protozoários, como a espécie Giardia lamblia, e vermes, como os da classe dos cestóides, exercem essa ação. Outras conseqüências para o organismo humano parasitado procedem da ação pungitiva, típica dos artrópodes, da ação alergizante e da ação tóxica.
Mecanismo de defesa do organismo. Para se instalar e desenvolver no hospedeiro, o parasito deve vencer as dificuldades que lhe são impostas pelos mecanismos de defesa. A primeira barreira é a resistência natural do organismo parasitado, que se define como o conjunto de fatores que impedem a instalação do agressor. Essa reação não se relaciona com fenômenos imunitários, formação de anticorpos e contato prévio com o agente. O melhor exemplo de resistência natural encontra-se na impossibilidade de certos parasitos de animais conseguirem instalar-se no homem: os vermes das aves, por exemplo, encontram no homem barreiras intransponíveis como a pele, a ação dos sucos gástricos e o tipo de alimentação.
Nos casos em que o elemento agressor consegue penetrar nos tecidos, desencadeiam-se fenômenos defensivos, como a multiplicação das células capazes de praticar a fagocitose, e ao mesmo tempo tem início a produção de anticorpos específicos.
Para exercer a fagocitose, principalmente quando o parasito é pequeno, como no caso dos protozoários, são mobilizadas células especiais, entre elas os leucócitos do sangue, e também certas células estáticas, como as células de Kupfer no fígado, as células endoteliais dos sinusóides, dos gânglios linfáticos e da medula óssea. A vitória nessa luta vai depender do poder agressivo do agente etiológico, isto é, da virulência do parasito, e da capacidade defensiva do organismo.
Com um pouco de atraso, as células imunologicamente competentes reagem ao estímulo e começam a produzir anticorpos com a finalidade de imobilizar e destruir o parasito. A união do antígeno com o anticorpo pode ser determinada por métodos imunológicos adequados, como os de imunoflorescência, que visualiza o complexo protéico então precipitado.
O tratamento das doenças causadas por parasitos baseia-se tanto na administração de medicamentos específicos


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