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Osso


  Anatomia Humana

Duro e resistente, configurado para suportar o peso dos vertebrados, o osso é uma das mais surpreendentes aquisições evolutivas do reino animal. Seu desenho permite tanto o vôo das aves e a marcha dos bípedes e quadrúpedes em terra firme quanto a conquista dos oceanos pelos peixes e cetáceos.
Osso é um tecido corporal rígido formado por células imersas num material intercelular duro e abundante (osseína). Seus dois principais componentes -- colágeno e fosfato de cálcio -- distinguem o osso de outros tecidos duros, como a quitina, o esmalte e a cobertura da concha. Os ossos têm uma função protetora dos órgãos vitais, vísceras e demais partes mais frágeis do corpo, como o cérebro, os pulmões e o coração. Atuam também como suporte fundamental para a ação dos músculos -- o que possibilita o movimento dos animais -- e representam uma poderosa reserva de minerais, por meio da qual o sistema endócrino regula o nível de cálcio e fósforo no organismo.


Características do tecido ósseo. Os diferentes aspectos que o tecido ósseo apresenta ao exame macroscópico permitem reconhecer que a substância óssea -- osseína -- pode ser compacta ou esponjosa, embora histologicamente, suas características básicas sejam as mesmas. A substância óssea compacta dispõe-se em lamelas, predominantemente concêntricas, que formam cilindros cujos canais longitudinais, centrais (canais de Havers), se comunicam por anastomose e são percorridos por vasos sangüíneos, que alimentam as células ósseas, e por nervos. A esses sistemas lamelares, considerados unidades funcionais da substância óssea compacta, dá-se o nome de sistemas harvesianos ou osteônios. A substância óssea esponjosa apresenta cavidades de tamanhos variados, intercomunicantes, e não possui sistemas harvesianos.
A análise microscópica permite detectar quatro tipos de células imersas no material intracelular: osteoblastos, osteócitos, osteoclastos e células mesenquimatosas ósseas indiferenciadas. O osteoblasto é responsável pela elaboração de novo material intercelular na superfície do osso. O osteócito é um osteoblasto que foi envolvido pelo material intercelular. Está alojado numa cavidade denominada lacuna e se comunica com outros osteócitos e com a superfície óssea por meio de prolongamentos citoplasmáticos que atravessam longos canais. Estes se comunicam, por sua vez, com os canais de Havers.
Com importante função no crescimento corporal, o osteoclasto é uma célula multinucleada que reabsorve o osso por ataque químico e enzimático direto. Já as células mesenquimatosas indiferenciadas estão situadas no tecido conjuntivo frouxo, ao longo dos canais vasculares, e no tecido fibroso condensado, revestindo a parte externa do osso (periósteo). Sob estímulo apropriado, essas células dão origem tanto a osteoblastos quanto a osteoclastos.
Dependendo de como as fibrilas de proteína e os osteócitos estão dispostos, o osso pode ser: reticulado, em que as fibras colágenas da matriz óssea formam redes entrelaçadas irregulares; e lamelar, no qual as fibrilas e osteócitos constituem camadas paralelas.


Formação. Os ossos podem originar-se de um esboço cartilaginoso -- ossos condrais, existentes na maior parte do esqueleto --, ou de um esboço conjuntivo -- ossos conjuntivos, como os da calota craniana. Poucos têm origem mista, cartilaginosa e conjuntiva, como o esfenóide e o temporal, por exemplo. A ossificação se inicia a partir de centros ou pontos de ossificação (principais e complementares), responsáveis pelo processo de formação óssea em determinada região, e termina com a fusão de várias regiões entre si.


Tipos de osso. De acordo com sua forma e outras características, os ossos podem ser: (1) longos, nos quais o comprimento predomina sobre a largura e a espessura (ossos do braço, antebraço, coxa e perna) e que apresentam um corpo, com canal central (cavidade que contém medula óssea) e duas extremidades, as epífises; o corpo e as partes adjacentes das extremidades são denominados diáfise, sendo que os ossos com características semelhantes, que, entretanto, não apresentam cavidade medular, como as costelas, são chamados alongados; (2) curtos, em que as três dimensões se equivalem aproximadamente (ossos do tarso); (3) planos ou laminares, nos quais o comprimento e a largura predominam acentuadamente sobre a espessura (ossos da calota craniana); e (4) pneumáticos, que apresentam cavidades contendo ar (frontal, maxilas, esfenóide e temporais).
Incluídas em tendões ou ligamentos, especialmente na mão e no pé, há ainda peças ósseas denominadas sesamóides. A rótula ou patela, situada na espessura do tendão do músculo quadríceps femural, ao nível do joelho, está nessa categoria. No crânio há ainda peças ósseas acessórias, entre as quais as mais conhecidas são os ossos suturais ou fontanelares, ao longo de articulações ósseas da calota craniana.


Anatomia comparada. O esqueleto parcial ou totalmente ossificado surgiu nos peixes osteíctes (ou teleósteos, a maioria dos peixes conhecidos). Nos vertebrados inferiores, como os ágnatos (lampreias) e os peixes condrictes, o esqueleto é cartilaginoso. À medida que se ascende na escala evolutiva dos vertebrados observa-se uma complexidade crescente no que se refere ao número, estrutura e disposição das peças ósseas. A fusão dos ossos do crânio ocorre de maneira cada vez mais perfeita, formando diversas regiões: a etmóide, em torno dos órgãos olfativos; a orbitária, em que se alojam os globos oculares; a região auditiva, em torno das cápsulas auditivas; e a occipital.
Uma reestruturação geral da coluna ocorreu nos anfíbios (rãs, salamandras), com o aparecimento dos membros superiores e inferiores, de modo a garantir sua ligação com essas novas partes do corpo. Com a evolução, a coluna vertebral se diferenciou em várias regiões, cada uma com características e funções próprias. A locomoção pôde assim se realizar de forma mais eficaz, o que resultou no alto grau evolutivo alcançado pelos vertebrados superiores, que conseguiram dominar os ambientes marítimo, aéreo e terrestre, graças à variedade de seus tipos biológicos. A perfeição do aparelho locomotor se deve, em grande parte, à disposição e morfologia das peças que compõem os membros -- asas, patas, patelas, pernas, mãos e pés --, adaptáveis aos mais variados habitats.


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