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Os Tecidos Musculares


  Histologia

1. Introdução

As contrações permitem a execução dos movimentos envolvidos na locomoção (marcha, natação, vôo, etc.), na movimentação de partes do corpo (movimentação de braços e pernas, movimentos respiratórios, etc.), ou movimentos que impulsionam o conteúdo de órgãos ocos (batimentos cardíacos, movimentos peristálticos, etc.) .

As células dos tecidos musculares, chamadas fibras musculares, têm como principal característica o encurtamento que sofrem ao serem estimuladas.Esse encurtamento chama-se contração muscular, e é o que permite que essas células transformem a energia química presente em moléculas orgânicas em energia mecânica. Portanto, as células musculares podem ser consideradas transformadoras de energia.

 

2. Tipos de Tecidos Musculares

Nos vertebrados, os tecidos musculares são classificados em três categorias:

 

 

Tipo de Tecido Muscular

  Liso Estriado Cardíaco
Sinonímia visceral esquelético miocárdio
Células fusiformes cilíndricas cilíndricas
Núcleo um, central muitos, periféricos um ou dois, centrais
Contração lenta rápida rápida (sístole)
Relaxamento lento rápido rápido (diástole)
Localização parede de órgãos ocos esqueleto coração
Controle autônomo somático autônomo

 

 

 

Cada músculo estriado (ou esquelético ) é constituído por milhões de células contráteis. O citoplasma dessas células é repleto de unidades contráteis filamentares chamadas miofibrilas, que se dispõem longitudinalmente no interior das células.

Por sua vez, cada miofibrila é formada por unidades longitudinais que se repetem: os sarcômeros. Cada um deles possui de 2 a 3 mm de comprimento, de tal forma que cada célula muscular chega a alcançar até vários centímetros de comprimento.

Outro organóide encontrado em abundância, no citoplasma das células musculares, é a mitocôndria, o que é fácil de se explicar pois a mitocôndria é a sede da respiração celular, processo que origina o ATP consumido durante a contração muscular.

Em cada sarcômero, encontram-se dois tipos de proteínas, em um arranjo uniforme e característico.

Há filamentos de actina e de miosina entrelaçados, o que confere o típico aspecto estriado desse tecido muscular.

 

 

 

3. A Contração Muscular

De acordo com o modelo de Huxley, a contração muscular é conseqüência de uma série de eventos:

1) O impulso nervoso alcança a célula muscular por meio de uma sinapse especial, chamada sinapse neuro-muscular ou placa motora.

 

Há liberação de mediadores químicos e, nas placas motoras que excitam as células musculares estriadas, o mediador químico é a acetilcolina.

 

2) O mediador químico atinge a membrana plasmática da célula muscular, que recebe o nome especial de sarcolema. Uma vez a célula muscular tendo sido excitada, um potencial de ação é desencadedo na célula muscular.

 

3) Esse potencial de ação propaga-se por todo o sarcolema e também pelo retículo sarcoplasmático (RS), nome que recebe o retículo endoplasmático dessas células. Com o estímulo, as membranas do RS tornam-se permeáveis aos íons cálcio. Anteriormente armazenados nas cisternas do RS, os íons cálcio penetram nos sarcômeros e colocam-se em contato com as moléculas de actina e de miosina.

 

4) Na presença de cálcio, as moléculas de miosina adquirem atividade catalítica (atividade ATPásica) e começam a degradar moléculas de ATP, convertendo-as em ADP.

 

 

 

5) Com a energia liberada pela hidrólise do ATP, as moléculas de miosina deslizam-se sobre as de actina, encurtando os sarcômeros.

 

 

 

Com o encurtamento dos sarcômeros, as miofibrilas como um todo encurtam, diminundo o comprimento da célula inteira.

 

4. A Energética da Contração

No processo da respiração celular, as células musculares originam moléculas de ATP, a partir da oxidação da glicose. Durante o repouso, pequena quantidade desse ATP é consumida, sendo a maior parte armazenada na forma de fosfocreatina, originárias da junção da creatina com um grupamento fosfato rico em energia, proveniente da molécula do ATP.

 

ATP + creatina ==> ADP + fosfocreatina

 

Durante os períodos de repouso do músculo, ocorre armazenamento de fosfocreatina no citoplasma das células musculares. Na contração, a célula muscular consome essa fosfocreatina acumulada nos períodos de repouso.

 

fosfocreatina + ADP ==> creatina + ATP

 

ATP ==> ADP + fosfato + energia (contração)

 

Quando o trabalho muscular é muito intenso, e apenas a respiração celular aeróbica não é suficiente para suprir todo o ATP consumido na contração, as células musculares passam a executar, além da respiração aeróbica, a fermentação láctica. Embora bem menos rentável que o outro processo, a fermentação permite que mais ATP seja produzido, sem demanda extra de oxigênio.

Entretanto, o acúmulo de ácido láctico no tecido muscular tem alguns inconvenientes. Pode causar muita dor muscular, fadiga (incapacidade de responder adequadamente aos estímulos ) e cãibras. Vale ressaltar, entretanto, que há numerosas outras causas de cãibras.

 

5. A Biomecânica da Contração

Aplicando-se estímulos elétricos de intensidades progressivamente maiores, podem-se medir as contrações obtidas, tanto com um músculo ou com uma célula muscular isolada.

As fibras musculares obedecem à lei do tudo ou nada, isto é, em resposta aos estímulos, elas se contraem ou não, e quando o fazem, atingem sua intensidade máxima. Fato semelhante, como já estudamos, acontece com os neurônios.

 

A menor intensidade suficiente para desencadear uma contração de uma célula muscular é seu limear de excitação. Uma vez tendo sido alcançado, e mesmo que seja ultrapassado, a intensidade da contração obtida não se altera.

A atuação do músculo inteiro, entretanto, é diferente, como pode-se perceber pela análise do gráfico.

 

Aumentando-se a intensidade do estímulo aplicado, mais e mais células passam a se contrair, aumentando gradativamente a intensidade da contração obtida. Esse aumento no número de células em atividades chama-se recrutamento.

Embora a intensidade total da contração executada aumente, a contração executada por cada uma das células individualmente é a mesma. Concluímos que, na verdade, aumenta o número de células que se contraem, e não a intensidade da contração executada por cada uma delas.


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