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Os Poríferos


  Invertebrados

1. Os Poríferos

Os animais desse filo tambem sao conhecidos como "esponjas", o que diz muito sobre a sua estrutura. De fato, seus corpos sao esponjosos e cheios de orificios, de onde vem on seu nome. A palavra poliferos vem do latim (porus, furo, e ferre, portador), e significa literalmente "cheio de furos".

Muitos autores consideram os poríferos "o elo de ligação" entre os protozoários e os metazoários. Provavelmente, eles tenham se originado de protozoários flagelados coloniais, que passaram a viver exclusivamente em íntima associação, até constituírem um só indivíduo pluricelular.

A sua inclusão no grupo dos metazoários se faz em uma linha evolutiva paralela à da maioria dos outros animais. Na verdade, os poríferos são agrupamentos celulares desprovidos de cavidade digestiva e de um sistema nervoso que ofereça coordenação e integração entre as suas diversas partes. A falta de um sistema digestivo faz com que eles sejam designados por parazoários. Todos os demais animais, providos de tubo digestivo (completo ou não) são enterozoários.

Todos os poríferos são sésseis (sem mobilidade própria), e até 1765 eram considerados plantas aquáticas. Vivem fixos sobre um substrato. Há mais de 10 000 espécies descritas de esponjas, com formas, cores e tamanhos diversos. A maioria habita ambientes marinhos, embora sejam conhecidas duas famílias de esponjas de água doce.

Há muito tempo as esponjas são empregadas para banhos. Entretanto, nem todas possuem essa aplicação. Muitas delas têm espículas minerais pontiagudas. Apenas aquelas dotadas de uma trama interna protéica são macias o suficiente para que possam ser passadas sobre a pele.

 

2. Características Gerais

Podemos descrever o corpo de uma esponja como um pequeno barril completamente perfurado e atravessado pela água, sempre encontrado fixo sobre um substrato. Seu corpo é provido de milhares de poros (ou óstios), orifícios pelos quais a água pode penetrar no corpo.

Todo o corpo do animal é organizado ao redor de um sistema interno de passagem de água, o que garante a sua vida pela chegada de alimentos e de oxigênio em todas as suas células.

Os poríferos apresentam simetria radial. Se cortarmos o seu corpo como uma pizza, as "fatias" serão iguais. Esse tipo de simetria é freqüentemente verificado em animais sésseis, incapazes de se deslocarem em uma direção. Nos animais móveis, que se locomovem preferencialmente em uma direção, o corpo tem simetria bilateral, ou seja, duas partes simétricas, uma ao lado da outra.

Incapazes de explorar o ambiente onde estão, por serem imóveis, os poríferos "trazem o ambiente até eles"! É incrivelmente grande a quantidade de água que passa pelo corpo de uma esponja diariamente.

Os poros comunicam o meio interno com canais que percorrem o corpo da esponja. Esses canais, por sua vez, abrem-se no átrio (ou espongiocele) , uma cavidade interna. Não se trata de uma cavidade digestiva, uma vez que não ocorrem processos digestivos em seu interior. Há esponjas cujos canais passam por câmaras dilatadas incrustadas na parede do corpo, antes de se abrirem no átrio central.

O átrio se comunica com o exterior por meio de orifícios maiores e bem menos numerosos que os poros. São os ósculos. Há um contínuo fluxo de água atravessando os canais, sempre obedecendo ao seguinte sentido:

 

 

 

A continuidade desse fluxo de água é absolutamente vital para as células da esponja.

Nas esponjas de estrutra corporal mais simples, a espessura da parede corporal é muito delgada. A superfície externa é revestida por células achatadas chamadas pinacócitos. Os orifícios que se abrem na superfície corporal se comunicam com tubos. Tanto a borda do orifício como a parede desses tubos representam uma célula dobrada sobre si mesma, formando um cilindro. São os porócitos.

Internamente a essa camada superficial de células, há uma substância gelatinosa, constituída predominantemente por proteínas, chamada mesênquima. Mergulhadas no mesênquima, são encontradas células amebóides, os amebócitos. Também no mesênquima estão as espículas, elementos que garantem a sustentação do corpo das esponjas.

Os amebócitos têm capacidade fagocítica e são responsáveis pela digestão de alimentos. Nas esponjas, a digestão é exclusivamente intracelular. Uma vez que não há um sistema digestivo, todo o processo de fragmentação dos alimentos se dá no interior das células. Algumas outras células mergulhadas no mesênquima são totipotentes, ou seja, são diferenciadas e, de acordo com a necessidade, podem se transformar em cada um dos tipos celulares presentes no corpo das esponjas.

As espículas formam um "esqueleto rudimentar" que sustenta o corpo mole das esponjas. São sintetizadas por tipos especiais de amebócitos, e a sua composição química varia de uma espécie para outra. Algumas esponjas possuem espículas calcárias (carbonato de cálcio) ou de sílica (dióxido de silício). Em algumas esponjas, não são encontradas espículas minerais, mas uma fina trama protéica de fibras de espongina. Essas são as esponjas empregadas em banhos.

A análise da composição dessas espículas é um importante critério de classificação das diversas espécies de esponjas. Em uma mesma esponja, podem ser encontradas espículas minerais e a rede de espongina.

O átrio é revestido por coanócitos. São células que possuem um flagelo circundado, em sua base, por um "colarinho" constituído por algumas dezenas de filamentos retráteis. O batimento desses flagelos é o principal responsável pelo movimento contínuo da água pelo corpo das esponjas. Os coanócitos também são as células responsáveis pela captação dos alimentos.

 

3. Tipos Estruturais e Organização Interna

No item anterior, descrevemos um tipo bastante simples de esponja. Ela pode ser descrita simplesmente como um barril, cuja parede é atravessada por canais. Os coanócitos se encontram apenas no revestimento interno do átrio. Esse tipo de esponja é chamada asconóide (ou áscon), e é o que faz a água circular mais lentamente.

As esponjas um pouco mais complexas apresentam numerosas dobras do revestimento do átrio, de tal forma que a quantidade de coanócitos é proporcionalmente maior que nas do tipo asconóide. Os canais formados pelas dobras da parede do átrio são os canais radiais, e esse tipo estrutural de esponjas é conhecido como siconóide (ou sicon).

O mais alto grau de complexidade e de dobramento do revestimento interno das esponjas é verificado no tipo leuconóide (ou leucon). Nas esponjas com essa estrutura, ao longo dos canais, são encontradas câmaras revestidas por coanócitos. Nessas esponjas, o átrio é bastante reduzido, e são as que conseguem movimentar a água com maior velocidade.

Essa maior eficiência na circulação interna de água, que possibilita maior oferta de oxigênio e de alimentos para as células, permite que as esponjas do tipo leuconóide alcancem tamanhos maiores que as esponjas de outros tipos.

Todo o metabolismo dos poríferos depende da água que circula por suas câmaras e pelos seus canais, banhando as suas células. Da água, as células obtêm o oxigênio e os alimentos de que necessitam, e na água lançam seus resíduos, como o gás carbônico e a amônia. Toda a corrente de água é mantida pelo contínuo batimento dos flagelos dos coanócitos. Essas células também são as responsáveis pela captação de alimentos, que passam através dos seus "colarinhos". As partículas alimentares presentes na água ficam aderidas nos filamentos retráteis do colarinho dos coanócitos. Depois de englobados, esses alimentos são digeridos pelas enzimas dos lisossomos.

A digestão das esponjas é exclusivamente intracelular. Uma parte do alimento é transferida dos coanócitos para os amebócitos do mesênquima, que também contribuem com a atividade digestiva. Depois de fragmentados, os alimentos são distribuídos por difusão por todas as outras células do corpo. Devido a esse padrão alimentar, as esponjas são consideradas organismos filtradores. Uma esponja com 10 centímetros de altura filtra mais de 100 litros de água por dia. Estima-se que, para crescer e acrescentar 3 gramas ao seu peso, as esponjas tenham de filtrar mais de uma tonelada de água!

As trocas gasosas (obtenção de O2 e eliminação de CO2) acontecem por difusão simples, assim como a eliminação de resíduos metabólicos. O papel de um sistema circulatório é parcialmente executado pela cavidade interna e também pelos amebócitos que, ao se deslocarem pelo mesênquima, auxiliam na distribuição de substâncias.

Os poríferos não possuem sistema nervoso, de tal forma que um estímulo não será transmitido para outras partes do corpo. Entretanto, pode resultar em uma reação local, como o fechamento do ósculo.

 

4. A Reprodução dos Poríferos

Entre as esponjas, ocorrem reprodução assexual e reprodução sexual. A reprodução assexual se faz através do brotamento. Os brotos crescem ligados ao corpo, podendo se soltar em determinados momentos e formar um novo organismo.

Algumas espécies de esponjas de água doce formam brotos internos, chamados gêmulas. Possibilitam a sobrevivência da esponja em condições adversas, como o frio intenso. As gêmulas se formam a partir de células amebóides do mesênquima, que se enchem de substâncias nutritivas e são circundadas por um envoltório resistente. Com a morte da esponja, o seu corpo se desintegra e libera as gêmulas. Quando as condições ambientais voltam a ser favoráveis, as gêmulas liberam suas massas celulares internas, que se desenvolvem e originam novas esponjas.

Como são formadas por tecidos pouco diferenciados, as esponjas têm um elevado poder de regeneração. Ao se passar uma esponja por uma peneira, fragmentando-se o seu corpo em centenas de pequenos pedaços, as células se reorganizam e formam centenas de novas esponjas.

A reprodução sexual depende da formação de gametas a partir de diferenciação de algumas células presentes no mesênquima. Há espécies hermafroditas e espécies com sexos separados. A corrente de água leva os espermatozóides ao encontro dos óvulos, e a fecundação (fusão dos gametas masculino e feminino) ocorre no mesênquima. O desenvolvimento embrionário é indireto, pois há passagem por um fase larvária, chamada anfiblástula.

Empregamos, no parágrafo anterior, alguns conceitos importantes relacionados com a reprodução e que serão empregados diversas vezes no nosso curso de Zoologia. Vamos defini-los melhor.

Animais hermafroditas são os que possuem, em um mesmo organismo, sistemas reprodutores masculino e feminino. Esses hermafroditas podem ser monóicos, quando apenas um indivíduo forma gametas masculinos (espermatozóides) e femininos (óvulos) que se fundem e originam um novo indivíduo. Esse evento se chama autofecundação. A tênia (ou "solitária") é um exemplo de hermafrodita monóico.

Há, também, hermafroditas dióicos. São animais que, embora produzam gametas masculino e feminino, os gametas masculinos de um organismo não são capazes de fecundar os gametas femininos do mesmo organismo, havendo a necessidade de dois indivíduos para que ocorra a fecundação, que recebe o nome de fecundação cruzada. As minhocas são hermafroditas dióicos. Embora um mesmo animal produza espermatozóides e óvulos, a fecundação acontece entre os espermatozóides de um animal e os óvulos do outro, e vice-versa.

Todos os animais de sexos separados, como o homem, são dióicos e realizam apenas a fecundação cruzada.


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