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Montanha


  Geografia Fisica

Condições climáticas hostis e obstáculos à comunicação impostos pelo relevo abrupto não impediram que montanhas de todo o mundo fossem desbravadas e habitadas pelo homem. Em decorrência da conformação própria desse tipo de acidente geográfico, que aproxima a terra ao céu, a ele foi conferido, historicamente, significado mágico e religioso.

Montanha é uma elevação natural da superfície terrestre, cuja altitude se destaca sobre os terrenos adjacentes. Suas encostas em geral são íngremes e o topo ocupa uma área relativamente restrita. Pode receber denominações diversas, como monte, colina, morro, outeiro etc., mas esses termos, popularmente são associados a montanhas de altitude mais modesta e não correspondem a uma classificação rigorosa.
As montanhas ocorrem raramente de forma isolada e são mais freqüentes em cadeias. Várias cadeias ligadas constituem um cinturão montanhoso, de que são exemplos os Andes, na América do Sul; e as montanhas Rochosas, na América do Norte. Os principais cinturões de montanhas do mundo pertencem a um dos dois maiores sistemas montanhosos: o Circumpacífico e o Alpino-Himalaio.


Formação

As montanhas e sua topografia acidentada resultam de movimentos geológicos e da erosão. Podem formar-se por dobramento, falhamento ou compressão da superfície da Terra, ou ainda pelo acúmulo de rocha vulcânica numa superfície. A origem dos principais sistemas de montanhas se explica pela interação das imensas placas rígidas que compõem a litosfera, camada mais superficial da Terra.

A maioria das montanhas tem origem relativamente recente em relação ao tempo geológico e podem ainda sofrer considerável redução pelos processos erosivos. Os processos de formação são os principais determinantes da forma específica de uma montanha, embora sua topografia também mostre a influência de sua estrutura e dos tipos de rocha que a compõem.

A colisão entre placas litosféricas provoca um dobramento de compressão extrema e o soerguimento de áreas extensas. Por exemplo, o movimento, para o norte, da placa que compreende o subcontinente indiano, bem como seu contato com a placa eurasiana, fez surgir a cordilheira do Himalaia. Mais para oeste, o movimento, para o norte, da placa africana resultou no fechamento do mar de Tétis, do qual o mar Mediterrâneo é o remanescente, e na formação dos Alpes e Pireneus, na Europa, e das montanhas Atlas, no noroeste da África.

A formação das cadeias de montanhas em torno da bacia do Pacífico é comumente atribuída ao processo denominado subducção -- afundamento de uma placa sob outra em pontos de convergência de placas. Como as bordas condutoras das placas que estão sob o oceano Pacífico sofrem subducção, parte do material rochoso carregado para o interior da astenosfera (camada de rocha em fusão sob a litosfera) se derrete e é em seguida expelido para a superfície sob a forma de lava e piroclastos. Esse processo origina paisagens dominadas por cones vulcânicos íngremes, como os das Cascatas do oeste da América do Norte e os do Japão.

Em outros pontos da bacia do Pacífico, o espessamento na placa continental superposta levou à formação de cinturões de montanhas nos quais os vulcões constituem apenas uma pequena parte do relevo, como por exemplo os Andes. Em algumas regiões as cordilheiras se formam pelo encolhimento da crosta no interior de uma placa continental, e não no ponto de encontro de duas placas que colidem. É o caso das montanhas Rochosas e das montanhas Atlas.


Classificação

De acordo com a maneira como se formaram e com sua estrutura atual, as montanhas se classificam em vários tipos, entre os quais os mais importantes são: montanhas de domo, de blocos de falhamento, de dobra e vulcânicas.

Originadas de deformações da superfície sem ocorrência de fratura, as montanhas de domo têm superfície achatada que declina de forma gradual em direção às planícies adjacentes. Um exemplo típico desse tipo de montanha são os Black Hills de Dakota do Sul, nos Estados Unidos.
As montanhas de blocos de falhamento se compõem de segmentos da crosta terrestre que foram soerguidos ao longo de zonas de fratura linear na forma de imensos blocos, que geralmente são separados por vales ou bacias. As cadeias de Sierra Nevada e Teton, no oeste da América do Norte, são exemplos conhecidos de montanhas de blocos de falhamentos.

A compressão lateral seguida de soerguimento origina as montanhas de dobras, que tendem a ocorrer em locais onde bacias extensas foram preenchidas com camadas de material sedimentar. As montanhas de dobras simples têm origem quando a cobertura de rochas sedimentares é dobrada por deslizamento lateral sobre a camada da base. O Jura suíço é representativo desse tipo de montanha, assim como certos elementos dos Apalaches, na América do Norte.

Geralmente, as montanhas vulcânicas estão associadas com os arcos insulares que ocorrem nas proximidades de áreas de subducção, e nas zonas de falhamento que resultam de grande atividade orogênica. As montanhas originadas de atividade vulcânica se dividem em dois grupos principais. O primeiro se compõe das montanhas diretamente resultantes do vulcanismo -- cones de cinzas, brasas extintas e lava formados por vulcões ativos. Alguns vulcões, como o do monte Fuji, no Japão, originam múltiplos cones íngremes. Se a lava é razoavelmente fluida, podem formar-se vulcões largos, de que são exemplos o Mauna Loa, no Havaí, e a montanha Camarão, na África ocidental. No segundo tipo, produtos residuais do vulcanismo podem dar origem a montanhas. A lava solidificada que permanece nos vulcões é desenterrada pela erosão e produz montanhas de formas espetaculares como Ship Rock, no Novo México, ou Devils Tower, no Wyoming, Estados Unidos. Numa escala muito maior, o magma que penetrou na crosta pode ser descoberto pela erosão e surgir como uma área montanhosa, como é o caso dos Cairngorms graníticos da Escócia.


Montanhas brasileiras

No Brasil, as montanhas são de altitudes em geral modestas, pois trata-se de terrenos muito antigos que, ao longo das eras geológicas, sofreram um processo de desgaste pelos agentes de erosão. É o caso do sistema Parima, ou maciço das Guianas, de baixas altitudes, exceto na fronteira com as Guianas e a Venezuela, onde se encontra o pico da Neblina, ponto culminante do território brasileiro, com 3.014m de altitude, e os montes Trinta e Um de Março (2.992m) e Roraima (2.772m). Até 1962 o pico da Bandeira (2.890m), na serra do Caparaó ou da Chibata, entre os estados do Espírito Santo e Minas Gerais, era considerado o ponto mais alto do relevo brasileiro. Há ainda o pico das Agulhas Negras (2.787m), no maciço de Itatiaia, entre os estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.


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