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Milho


  Botânica

Um dos cereais bßsicos na alimentaþÒo humana, como o trigo e o arroz, o milho foi cultivado durante sÚculos no continente americano, de onde Ú originßrio, atÚ ser levado pelos descobridores para a Europa e disseminar-se por todo o mundo.
Milho (Zea mays) Ú uma planta herbßcea da famÝlia das gramÝneas, constituÝda de um caule ereto de dois a trÛs metros de altura (excepcionalmente cinco), com n¾s espaþados, de onde saem as folhas, junto Ós quais surgem as espigas que abrigam os grÒos. Seu ciclo, desde a semeadura atÚ a maturaþÒo, Ú de aproximadamente 160 dias, ou 120 dias no caso de algumas variedades hÝbridas e no milho de pipoca.
Diversamente do que ocorre com outros cereais, cujos grÒos sÒo produzidos em panÝculas (cachos de flores) ou espigas terminais, de flores hermafroditas, no milho os grÒos se desenvolvem nas inflorescÛncias femininas que surgem na parte mediana da planta. A panÝcula terminal, chamada flecha ou pendÒo, s¾ tem flores masculinas. A espiga tem estrutura admiravelmente adequada para produzir grande quantidade de grÒos, bem protegidos pela palha, de fßcil colheita e transporte. A planta, por sua vez, Ú de crescimento rßpido e de grande eficiÛncia fotossintÚtica. Um grÒo de milho, que pesa aproximadamente 0,3g, em poucos meses gera uma planta adulta, que produz de quinhentos a mil grÒos.


ImportÔncia do milho. Os grÒos ainda verdes sÒo utilizados na alimentaþÒo humana ao natural, ou transformados em curau (canjica, papa de milho), pamonha e outros pratos. Maduros, servem para a fabricaþÒo de fubß, matÚria-prima de bolos, pÒes, broas, polenta e pratos salgados diversos. O grÒo Ú excelente alimento para as aves domÚsticas. Junto com a palha, Ú consumido pelo gado, assim como a planta inteira, usada como forragem verde ou transformada em torta, com outros cereais.
A partir do grÒo de milho se produzem industrialmente dextrinas, amido, glicose, aþ·car de milho, ¾leo, ßlcool industrial e diferentes bebidas alco¾licas, como cerveja e o tipo de uÝsque chamado bourbon. O caule serve para a obtenþÒo de furfurol, aldeÝdo utilizado em solventes, explosivos, plßsticos, tecidos e borracha sintÚtica. Sua parte interna, esponjosa, contÚm ßlcool e aþ·car. Os estigmas da espiga (chamados cabelo do milho), cozidos, substituem a cevada na fabricaþÒo da cerveja. A zeÝna, proteÝna do grÒo, se emprega na fabricaþÒo de fibras artificiais, com propriedades semelhantes Ós da seda.


Tipos principais de milho. Os grÒos de milho apresentam grande diversidade de coloraþ§es e formatos, o que dificulta bastante a classificaþÒo botÔnica das muitas variedades, cerca de 150 em todo o mundo. A classificaþÒo comercial mais comum, baseada na textura dos grÒos, distingue cinco tipos principais:
Milho indentado. Comumente chamado dente-de-cavalo, o milho indentado (ou dentado) se caracteriza por apresentar endosperma (onde se encontram as reservas nutritivas do grÒo) c¾rneo externo e amilßceo no centro, estendido atÚ a parte superior. Ao secar, o endosperma amilßceo se retrai, e aparece uma depressÒo caracterÝstica na parte superior do grÒo, chamada coroa. A maior parte do milho produzido no mundo e quase todo o milho americano Ú desse tipo. Pode ser branco ou amarelo, este ·ltimo mais alimentÝcio.


Milho indurato ou duro. TambÚm conhecido como milho-pedra, o milho duro contÚm muito pouco amido, o que faz com que os grÒos, mesmo secos, nÒo apresentem mossa. Muito resistente ao caruncho, Ú cultivado em zonas mais agrestes. No Brasil cultiva-se um milho duro branco da variedade cristal, usado para o fabrico de farinha.
Milho amilßceo. ConstituÝdo de endosperma com amido muito mole e poroso, o milho amilßceo pode ser facilmente triturado e transformado em farinha. ╔ muito cultivado pelos povos indÝgenas da AmÚrica.


Milho doce. Com grande quantidade de aþ·car, o milho doce tem sabor delicado e pode ser colhido ainda verde, em atÚ noventa dias. Ao amadurecerem, os grÒos adquirem aspecto transl·cido e enrugado, pois o aþ·car produzido pela planta nÒo se transforma em amido. ╔ muito usado na alimentaþÒo humana, cozido ou assado, como ingrediente de pratos diversos ou em conserva.
Milho de pipoca. Variedade extrema do milho indurato, na qual o amido estß totalmente ausente, o milho de pipoca tem grÒos pequenos e pontiagudos. A explosÒo, ou pipocamento, ocorre pela expansÒo da umidade contida nos grÒos, quando estes sÒo aquecidos.
AlÚm dessas categorias, Ú freq³entemente mencionada uma variedade cultivada principalmente na ═ndia, a Zea mays tunicata, cuja caracterÝstica Ú ter cada grÒo envolto numa pequena t·nica. Os antigos povos andinos e astecas preferiam uma variedade roxa de grÒos pequenos e duros, de alto valor protÚico. Todos esses tipos de milho se cruzam naturalmente entre si, o que pode muitas vezes inviabilizar a produþÒo e o valor genÚtico da semente. NÒo se deve portanto, cultivar diferentes variedades de milho em locais pr¾ximos. No Brasil, tem tido bastante aceitaþÒo o milho hÝbrido do tipo semidentado, obtido por cruzamento de linhagens do dentado com outras do indurato.


Melhoramentos. Poucas espÚcies foram geneticamente tÒo melhoradas pelo homem quanto o milho. As variedades atuais sÒo cerca de cinq³enta vezes mais produtivas do que as primitivas. Em muitos casos, um ·nico grÒo das variedades atuais contÚm maior quantidade de alimento do que todos os grÒos de uma espiga primitiva. O aumento da produtividade do milho foi conseguido por etapas, a partir dos mÚtodos empÝricos usados pelos Ýndios, atÚ chegar aos atuais, em que se empregam avanþadas tÚcnicas de engenharia genÚtica.
As tÚcnicas de melhoramento, que culminaram com a obtenþÒo do milho hÝbrido, tiveram inÝcio nos Estados Unidos por volta de 1905. Chega-se ao milho hÝbrido partindo de linhagens puras, que sÒo cruzadas entre si para gerar a semente hÝbrida, utilizada nos plantios comerciais. Como ocorre com os hÝbridos em geral, o milho assim obtido s¾ tem alto vigor e produtividade na primeira geraþÒo, de modo que Ú necessßrio repetir o processo todos os anos.
AlÚm do milho hÝbrido, procura-se tambÚm obter variedades sintÚticas, cujas sementes podem ser continuamente plantadas, ano ap¾s ano, sem diminuiþÒo de produtividade. Tais variedades tÛm grande utilidade para regi§es onde as condiþ§es econ¶mico-sociais tornam invißvel o cultivo do milho hÝbrido. Graþas aos trabalhos dos geneticistas e melhoristas, conseguiu-se grande progresso tanto no melhoramento do milho hÝbrido, quanto no aprimoramento das variedades sintÚticas. Os atuais milhos melhorados enfrentam ventos fortes sem que as plantas caiam, sÒo mais resistentes Ós doenþas e pragas, e mais dependentes de fertilizantes sintÚticos. Mais uniformes e de menor altura, sÒo, em muitos casos, mais produtivos.


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