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  Geografia Fisica
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Além de ser a origem da vida, o mar é um enorme habitat biogeográfico que influi nos fenômenos atmosféricos registrados nas terras emersas. Os mares são também importante fonte de recursos alimentícios para a população humana.

Genericamente, chama-se mar o conjunto da massa de água que cobre a maior parte da superfície terrestre. No sentido mais restrito da oceanografia, mares são parcelas dos oceanos -- situadas em bacias limitadas e mais ou menos isoladas -- adjacentes a terras emersas. Em virtude desse relativo isolamento, as águas dos mares apresentam propriedades físico-químicas próprias, e são influenciadas pelas condições ecológicas reinantes nas terras vizinhas.

A partir dos oceanos, grandes massas líquidas compreendidas entre os continentes, se formam os mares, que são como suas seções marginais. Mares e oceanos abrigam 97% da água de todo o planeta e cobrem cerca de 71% de sua superfície -- o equivalente a 362 milhões de quilômetros quadrados.


Classificação. Há várias maneiras de classificar os mares. A divisão clássica, atribuída ao francês Emmanuel de Martonne, agrupa-os segundo a maneira como se ligam aos oceanos que os formam. Assim, mares abertos (também chamados costeiros ou adjacentes) são os que se comunicam com os oceanos através de aberturas amplas, como o mar do Caribe ou das Antilhas, na América, e o mar Egeu, na Europa.

Os mares continentais ou mediterrâneos, também chamados mares interiores, se ligam aos oceanos através de estreitos. Exemplos típicos são o mar Mediterrâneo e o mar Vermelho. Já os mares fechados ou isolados, como o mar Cáspio, o mar de Aral e o mar Morto, não se comunicam com o oceano e a rigor constituem lagos. Esses mares às vezes se encontram abaixo do nível dos oceanos, como é o caso do mar Cáspio (-26m) e o mar Morto (-394m). Quando, pela evaporação, perdem mais água do que recebem, estão condenados a desaparecer. Entre os mares fechados se incluem os residuais, cuja extensão foi maior no passado geológico.

A classificação de Camille Vallaux admite quatro tipos de mares: (1) os gelados, mais comuns no interior dos círculos polares, como o mar Ártico e os que circundam a Antártica (mares de Weddell, Bellingshausen, Amundsen, Ross); (2) os das guirlandas insulares, típicos do Extremo Oriente e do sul da Ásia, como os mares de Bering, Okhotsk, do Japão, Amarelo e Andaman; (3) os mediterrâneos, que se localizam em áreas vulcânicas e sísmicas, e que são de três tipos: (a) mediterrâneos equatoriais, como os mares de Java, de Sulawesi, das Molucas e da China Meridional; (b) mediterrâneos tropicais, como o mar das Antilhas e o golfo do México; e (c) mediterrâneos temperados quentes, como o mar Mediterrâneo e outros por ele formados (Tirreno, Adriático, Jônico, Egeu); e (4) os mares de pequena profundidade, típicos do hemisfério norte, que se caracterizam por receber a influência dos rios tributários.

Entre os últimos estão o mar Báltico, os mares do Norte, da Mancha e da Irlanda, a baía de Hudson e o golfo Pérsico.
Além dessas diferenças, os mares podem apresentar outras devidas à cor, composição, densidade e temperatura das águas.


Características. Os níveis de temperatura, salinidade e pressão constituem as principais características da água do mar. Juntas, elas determinam a densidade, que tende a aumentar com a profundidade, quando a temperatura e a salinidade são constantes.


Cor das águas. A cor das águas marinhas varia de acordo com as latitudes, com o menor ou maior afastamento da costa e até com o aspecto do céu, por causa da reflexão.

Nas áreas intertropicais, as águas apresentam coloração azul-cobalto ou azul-marinho, porque são pobres em sedimentos e absorvem as radiações vermelhas. Nas altas latitudes, são em geral verde-garrafa, pela presença de algas (diatomáceas) e plânctons animais ou vegetais. Próximo à costa, a tonalidade é verde-clara. Junto à foz de certos rios, conforme a natureza dos sedimentos que recebem, as águas marinhas podem apresentar tonalidade avermelhada (como no Amazonas) ou amarelada (como no mar Amarelo).

Mesmo em pleno oceano, é possível observar mutações na coloração das águas. Isso se deve à abundância de plânctons, que, em certos casos, chegam a dar às águas uma consistência gelatinosa. É o caso, por exemplo, do "mar de leite" (água esbranquiçada) e do "mar de sangue", este último avermelhado e temido por conter plânctons venenosos, capazes de causar a morte em massa da fauna marinha.


Composição química. Ainda no século XVIII, Lavoisier descobriu que havia vários sais nas águas do mar, embora os estudos mais detalhados tenham sido feitos no século XIX. Sabe-se hoje que, embora sempre em quantidades mínimas, praticamente todos os elementos existentes nas terras emersas podem ser encontrados nos oceanos, para onde são transportados pelas águas dos rios.

Grande é o contraste, porém, entre a composição química das águas fluviais e a das águas oceânicas. Embora os oceanos venham recebendo, há bilhões de anos, imensos aportes de água continental através dos rios, a análise cuidadosa da água de rios e mares prova que os solutos encontrados nas águas marinhas não são influenciados pelos das águas fluviais. Nas águas dos rios predominam os carbonatos e nas dos mares os cloretos.

Também aparecem em solução os gases mais típicos da atmosfera, em quantidades que variam entre 15 a 30cm3 por litro de água (o nitrogênio predomina, com 10 a 15cm3 por litro). A quantidade e a natureza desses gases depende, em geral, da temperatura, salinidade e presença de seres vivos. Entretanto, o que melhor caracteriza as águas oceânicas e as torna diferentes das águas "doces" ou insípidas dos rios é a grande presença de sais.


Salinidade. A salinidade é a quantidade de sais em solução por unidade de volume d`água. Essa proporção varia sobretudo na superfície, em consequência das perdas por evaporação e dos aportes de água doce procedentes dos rios, das calotas polares e das chuvas. Em média, a salinidade dos oceanos está em torno de 35 milésimos, ou seja, 35g de sais para cada mil litros de água. Isso significa que a água pura representa mais de 96% da composição dos mares.

O cloreto de sódio, ou sal de cozinha, tem predominância quase absoluta na composição da água do mar. Os demais sais, que aparecem em proporções muito modestas, são o cloreto de magnésio, os sulfatos de magnésio, cálcio e potássio, o carbonato de cálcio e o brometo de magnésio. Alguns fatores podem, contudo, alterar significativamente essa média. As temperaturas elevadas e os ventos fazem aumentar a salinidade, pois favorecem a evaporação. Cursos d`água, geleiras e chuvas, quando abundantes, causam diminuição do teor salino. Alterações como essas costumam provocar contrastes entre os mares e até dentro de um mesmo mar, ao longo do ano. A proporção entre os sais, contudo, não se altera.

As maiores salinidades (até 37 milésimos) são registradas nas regiões tropicais, dominadas por elevadas temperaturas e chuvas escassas nas áreas oceânicas. Na altura do equador, a salinidade média é de 35 milésimos, devido às chuvas abundantes e à fraca evaporação ocasionada pela constante nebulosidade. Nas altas latitudes, a média oscila entre 32 e 34 milésimos, em função das baixas temperaturas e da contribuição das geleiras. Também nas proximidades da costa observa-se baixo teor salino, graças aos cursos d`água e também aos aportes das geleiras. Nesses locais, porém, a atuação das correntes marinhas pode gerar anomalias.

Os maiores contrastes em termos de salinidade estão nos mares mediterrâneos e nos mares fechados, como na porção oriental do Mediterrâneo (39 milésimos), no mar Vermelho e no golfo Pérsico (até 40 milésimos). O mar Morto é um caso excepcional. Em sua parte meridional, a salinidade está entre 200 e 250 milésimos.

Os mares Báltico (10 milésimos), Negro (10 a 18 milésimos) e o de Bering (30 milésimos) são exemplos de fraca salinidade.
O teor salino varia muito menos em águas profundas, porque os fatores atuam fracamente ou não se fazem sentir. Nas altas latitudes, as águas profundas têm, em regra, 35 milésimos, ao contrário das superficiais, menos salinas. No conjunto dos oceanos, a salinidade tende a diminuir até mil metros de profundidade. Desse nível até 2.500m registra-se um aumento e, em seguida, nova diminuição. Nos mares polares, a salinidade aumenta com a profundidade.


Densidade. As variações regionais ou locais na densidade das águas oceânicas são muito importantes porque explicam, em grande parte, o fenômeno das correntes marinhas. Devem-se especialmente a três fatores: salinidade, temperatura e pressão.

Normalmente, as densidades aumentam do equador para os pólos. A temperaturas constantes, as águas do mar se tornam tanto mais densas quanto maior for sua salinidade. Quando a salinidade é constante, a densidade aumenta em razão inversa da temperatura (para maiores temperaturas, menores densidades). Quando temperatura e salinidade são constantes, as densidades variam de acordo com a profundidade, ou seja, com a pressão das águas. A densidade máxima registrada em águas ainda no estado líquido corresponde à temperatura vizinha ao ponto de congelamento.


Temperatura. A absorção de energia solar na superfície é a principal fonte de calor da água do mar. De modo geral, as temperaturas dos mares variam de acordo com a latitude, a profundidade, as estações do ano, as horas do dia e a maior ou menor proximidade das massas continentais. Outros fatores também podem influir, mas sempre em ínfimas proporções, como no caso do calor desprendido em virtude da condensação do vapor d`água, o calor resultante de processos químicos completados no próprio mar, o calor derivado da energia cinética gerada por ventos, marés, vagas, correntes etc.

Em regra, a média térmica das águas diminui da linha do equador para os pólos: vai de 27o C no equador térmico a -2o C em média nos mares polares. Entretanto, à mesma latitude podem registrar-se variações, sobretudo em virtude das correntes marinhas. Na região intertropical e nas altas latitudes, a variação é igual ou inferior a 5o C, passando a ser de 10o C nas zonas temperadas. As máximas têm lugar entre as 14 e as 15 horas, e as mínimas por volta das cinco horas da manhã. As máximas térmicas têm sido verificadas nas proximidades das costas, como no golfo do México (32o C) e no golfo Pérsico (35o C), e principalmente em mares continentais, como o mar Vermelho (38° C).

Em profundidades, as temperaturas diminuem rapidamente até 500m, lentamente até 3.000m, e estabilizam-se em torno de 0o C a partir dessa cota. Depois de vinte metros, não mais se observam diferenças com o passar das horas do dia e, a partir de 200m, as estações do ano deixam de influir. Nos mares polares, entretanto, registram-se mudanças de temperatura até a profundidade de três mil metros.


Atividades geológicas dos mares. Durante as glaciações do período quaternário, quando grandes massas de gelo se acumularam sobre os continentes, o nível do mar chegou a baixar mais de cem metros. Assim, grandes áreas que hoje integram a superfície da Terra já foram cobertas por mares, em épocas passadas. O fato é comprovado pela descoberta, em regiões da superfície, de fósseis de seres exclusivamente marinhos, como briozoários, cefalópodes, Equinodermos, trilobitas (já extintos) e muitos outros. Entre alguns exemplos brasileiros estão os folhelhos devonianos dos arredores de Ponta Grossa e Jaguariaíva PR, os calcários carboníferos de Itaituba PA e as camadas de sedimentos finos de Capivari SP, ricas em fósseis marinhos.


Origem dos mares. Embora haja controvérsia quanto a este ponto, há indícios de que as águas oceânicas se tenham acumulado quando a temperatura da Terra desceu abaixo de 374o C, que é a temperatura crítica acima da qual a água passa a ter características dos gases. Alguns autores afirmam que a água do mar começou a aumentar no final da era paleozóica, ou no final do período pré-cambriano. Outra teoria afirma que as águas vêm se avolumando continuamente, desde os primórdios do pré-cambriano até hoje. Uma terceira vertente sustenta que quase toda a água existente no planeta se acumulou no início do período pré-cambriano.

O ciclo da água é muitas vezes complexo mas, de qualquer maneira, a composição dos mares pré-cambrianos não era muito diferente da de hoje. Descobertas ocorridas nas montanhas de Ediacara, no sul da Austrália, confirmam essa teoria: a fauna e a flora do pré-cambriano superior ali encontradas -- algas, celenterados, prováveis Anelídeos e outros organismos -- sugerem a existência de uma salinidade análoga à de hoje, sobretudo pela presença de medusas, seres que não resistem a grandes variações no teor salino.


Relevo submarino. O estudo do complexo e acidentado relevo submarino é de grande interesse científico, não apenas porque ajuda a esclarecer os antigos limites entre os continentes e os segredos da formação dos oceanos, mas também em razão das reservas de petróleo presentes nas plataformas continentais.

A margem continental é formada pela plataforma continental e pelo talude continental. A plataforma é uma zona rasa, de declividades muito suaves, cuja topografia lembra a das terras emersas adjacentes. As profundidades são inferiores a 200m, com largura que varia entre 20 e 300km. Sua formação está diretamente relacionada à dos taludes continentais que, a partir da plataforma, descem bruscamente em direção ao fundo. No fundo do mar, do centro das bacias oceânicas, erguem-se as dorsais ou cristas médio-oceânicas, cordilheiras cuja origem está relacionada com a expansão da crosta terrestre. Nessas regiões ocorrem fenômenos vulcânicos, e a água experimenta modificações térmicas e químicas.

As fossas oceânicas ou abissais, fendas profundas e estreitas, em geral associadas ao levantamento de arcos insulares, ocorrem perto das costas. Na das Marianas, no Pacífico, registra-se o nível mais baixo da superfície do planeta: 11.034m.


Vida no mar. Os oceanos são o meio ideal para o desenvolvimento de múltiplas e abundantes espécies vegetais e animais. Cada nível de profundidade abriga sua própria zona biológica. Em primeiro lugar está a zona costeira, onde se encontram desde algas até moluscos e aves. Na zona eufótica, a mais rica em vida (da superfície até a profundidade de 500m), crescem algas e fitoplâncton, que alimentam os herbívoros do zooplâncton (protozoários, Crustáceos, moluscos, medusas), e também muitos peixes e cetáceos, como os tubarões e atuns.

Nas zonas mesopelágica (entre 500 e 1.000m de profundidade) e batipelágica (entre 1.000 e 4.000m), encontram-se animais mortos e detritos procedentes das camadas superiores, que servem de alimento a diversos animais. Nas zonas mais profundas, a vida adota formas estranhas, muitas das quais são ainda hoje pouco conhecidas.
Os mares são uma fonte infindável de vida, alimento e recursos. Sua sobrevivência, contudo, depende da utilização racional pelo homem, com a constante preocupação de preservar adequadamente suas condições naturais.



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