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Lago


  Geografia Fisica

De tamanho muitas vezes impressionante, os lagos constituem, no entanto, fenômenos de pequena duração na escala do tempo geológico, por serem áreas onde domina o processo de sedimentação que gradualmente os torna cada vez menores e mais rasos.
Lago é o nome genérico dado a toda massa de água que se acumula de forma natural numa depressão topográfica, totalmente cercada por terra. Os lagos podem ser de água doce, salobra ou salgada e variam grandemente em forma, tamanho e profundidade. Os de menor superfície são por vezes chamados lagoa, enquanto os maiores -- como o Cáspio, por exemplo -- recebem o nome de mar. Exibem os mesmos movimentos das águas oceânicas, como ondas, marés e correntes.
Embora seja mais abundantes nas latitudes mais altas ou em regiões montanhosas, onde a ação da glaciação pleistocênica escavou profundas depressões, os lagos se distribuem por diversas regiões geográficas. No Brasil, são mais comuns os lagos litorâneos, denominados lagunas, em geral de águas salgadas e pouco profundas, separadas do mar por restingas, bancos de areia, ilhas ou recifes de coral. Uma ou mais aberturas permitem a livre circulação das águas marinhas.

Características. Muitos lagos são alimentados diretamente por rios, aos quais se dá o nome de afluentes. Fontes, neves, geleiras e chuvas também alimentam lagos. O escoamento das águas pode ser feito por meio de rios (chamados emissários); por infiltração ou drenagem subterrânea, como nos lagos localizados em terrenos de rocha calcária; e ainda por evaporação. Nas zonas áridas e semi-áridas, onde é comum haver lagos sem qualquer saída para o mar, o nível das águas tende a diminuir até a completa dessecação. Durante esse processo a concentração de sais na água aumenta progressivamente e, por fim, uma camada salina se deposita no fundo do lago dessecado.
Os lagos são efêmeros do ponto de vista geológico porque já no momento em que se formam inicia-se o processo de sua destruição. Os afluentes que os nutrem tendem a entulhar seu fundo com sedimentos, o que, com o tempo, provoca desbordamentos da bacia e conseqüente perda de profundidade. Ao mesmo tempo, os rios emissários escavam fendas profundas nas margens da bacia, que com isso tende a desaguar cada vez mais depressa e secar. Por último, o desenvolvimento de vegetação aquática em lagos pouco profundos favorece a formação de pântanos nas margens, o que leva à gradual dessecação. Os lagos mais duradouros são os que ocupam grandes e profundas fossas tectônicas, como o Baikal, na Sibéria, e o Tanganica, na África.
Há lagos que foram mais extensos em épocas passadas, o que se comprova pela presença de terraços (vestígios da antiga massa sedimentar acumulada), como o Grande Lago Salgado, nos Estados Unidos, cuja origem foi o lago Bonneville, dez vezes maior. As bacias sedimentares onde hoje se alojam as cidades de São Paulo e Curitiba são antigas áreas lacustres.
As variações do nível da água dependem de vários fatores (chuvas, evaporação, infiltração), mas sobretudo do tamanho da bacia hidrográfica -- quanto maior for sua extensão, mais água recebe, e com maior regularidade. Nas zonas áridas e nas montanhas, essas variações são mais freqüentes. A temperatura das águas lacustres em geral varia de acordo com a profundidade. Águas profundas têm temperatura mais baixa que as superficiais, salvo em regiões de clima frio, onde a camada superior se congela no inverno.


Origem. Distinguem-se vários processos de formação lacustre, que podem atuar isoladamente ou em conjunto. Os lagos podem ter origem em influências tectônicas, litorâneas, fluviais, atividades vulcânicas e glaciárias, entre outras.
Os vários tipos de atividades tectônicas originam lagos grandes e profundos. Movimentos epirogenéticos ocasionaram o isolamento de porções litorâneas, como no caso dos mares Cáspio e de Aral. Na África Oriental, o Kioga é um exemplo de lago formado em conseqüência de arqueamentos de superfícies, que reverteram a drenagem das águas. Arqueamentos suaves e marginais originaram bacias centrais ocupadas pelas águas, como ocorreu no lago Vitória. Dobramentos originaram depressões como o Titicaca, na fronteira entre o Peru e a Bolívia, e alguns da África oriental, como o Kioga, o Vitória, o Niassa etc. De origem tectônica, esses lagos estão entre os maiores do mundo, ao lado do Baikal e do Tanganica.
As caldeiras, crateras e barragens formadas pelo escoamento de lava vulcânica são responsáveis pela formação de inúmeros lagos, como o da Cratera, o do Oregon e o Yellowstone (nos Estados Unidos), o de Bolsena (na Itália) e os lagos Kivu e Bunyoni (na África oriental).
A ação erosiva da glaciação pleistocênica em montanhas e placas continentais deu origem ao maior número de lagos existente na superfície terrestre, especialmente na América do Norte, na Escandinávia e na Sibéria. Entre os lagos glaciários continentais citam-se os grandes lagos dos Estados Unidos, além dos canadenses Winnipeg, Atabasca, Grande Urso e o dos Escravos. Há muitos lagos glaciários de montanha nos Alpes, nas montanhas Rochosas e na Nova Zelândia.
Outras causas são: o estrangulamento das curvas dos rios em conseqüência da acumulação de sedimentos; o fechamento de vales em virtude de deslizamentos de terras ou corridas de lava; a dissolução de terrenos calcários, que formam depressões ocupadas por sedimentos argilosos impermeáveis, como é o caso de alguns lagos da península de Yucatán, no México; e o impacto de grandes meteoritos, como o que deu origem ao lago Chubb, em Quebec, no Canadá.
As variações do nível marinho nas zonas litorâneas também influem na formação dos lagos, que nesse caso se chamam lagunas. A formação de restingas (cordões arenosos que gradualmente fecham partes do litoral) é um dos processos mais comuns de formação de lagunas na faixa litorânea. As lagoas dos Patos (Rio Grande do Sul), de Araruama e Rodrigo de Freitas (estado do Rio de Janeiro) são exemplos desse tipo de formação na costa brasileira.


Biologia lacustre. Até uma profundidade de cem metros, as águas superficiais -- bem servidas de luz, calor, oxigênio e elementos nutritivos -- costumam apresentar grande riqueza de plâncton, enquanto em águas profundas predominam as bactérias. As zonas marginais apresentam vegetação submersa ou semi-submersa. A fauna geralmente se adapta às condições climáticas, à salinidade e às correntes.
A civilização moderna tem trazido graves transtornos aos ecossistemas de muitos lagos. O uso de águas lacustres -- para irrigação, produção de energia, transporte e recreação -- em geral é feito sem a preocupação de preservar a riqueza biológica. Os lagos podem ser contaminados em razão do lançamento de resíduos industriais, lixo, esgoto e detergentes, do uso de pesticidas em águas para irrigação, da elevação da temperatura da água em virtude de seu emprego na refrigeração de centrais nucleares e até por eventuais vazamentos radioativos.


Limnologia. A ciência que estuda as características físicas, químicas e biológicas das águas lacustres se chama limnologia. Seu fundador foi o naturalista suíço François-Alphonse Forel, que realizou estudos sobre a fauna do lago Leman, em Genebra, Suíça. Nos Estados Unidos, os estudos limnológicos foram iniciados por Edward Asahel Birge. Com o tempo, a limnologia passou a abranger o estudo de todas as águas continentais, inclusive os rios.


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