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John Locke


  Biografias
Conhecido sobretudo como sistematizador do empirismo, doutrina filos¾fica que enfatiza a primazia da experiÛncia no conhecimento, Locke foi tambÚm eminente te¾rico polÝtico e social, que inspirou os iluministas do sÚculo XVIII.
John Locke nasceu em Wrington, Somerset, na GrÒ-Bretanha, em 29 de agosto de 1632, numa famÝlia anglicana de tendÛncias puritanas. Em 1652 ingressou no Christchurch College, de Oxford, onde estudou humanidades e interessou-se pelas ciÛncias da natureza e pela medicina. Nomeado professor da instituiþÒo em 1660, Locke ali permaneceu por vßrios anos. Durante algum tempo, estudou a filosofia racionalista de Descartes -- que lhe despertou o interesse pela teoria do conhecimento -- e inteirou-se dos progressos cientÝficos de seu tempo. Foi amigo e colaborador do cientista Robert Boyle.
Em 1667, o fil¾sofo entrou para o serviþo de Lord Ashley, mais tarde nomeado conde de Shaftesbury, que fez de Locke um de seus assessores principais. Paulatinamente, Locke desenvolveu sua teoria do liberalismo polÝtico, ao mesmo tempo que, associado Ó recentemente criada Royal Society, interessou-se cada vez mais pelas discuss§es filos¾ficas e cientÝficas.
Entre 1675 e 1679, Locke residiu na Franþa e, de volta Ó GrÒ-Bretanha, deparou-se com os problemas polÝticos decorrentes da sucessÒo de Carlos II. Depois da queda de Lord Shaftesbury, Locke foi em 1683 para os PaÝses Baixos, onde permaneceu por cinco anos. Em 1689, com a ascensÒo ao trono britÔnico de Guilherme de Orange, que instaurou uma monarquia parlamentar, Locke regressou a seu paÝs e, a partir de entÒo, usufruiu de todo tipo de honraria e consideraþÒo, o que lhe permitiu dedicar-se Ó publicaþÒo de suas obras.
Obras publicadas. As teorias epistemol¾gicas de Locke foram expostas em Essay Concerning Human Understanding (1690; Ensaio sobre o conhecimento humano), no qual fundamentou sua doutrina empirista. Locke negava radicalmente que existissem idÚias inatas, tese defendida por Descartes. Quando se nasce, argumentava, a mente Ú uma pßgina em branco que a experiÛncia vai preenchendo. O conhecimento produz-se em duas etapas: a da sensaþÒo, proporcionada pelos sentidos, e a da reflexÒo, que sistematiza o resultado das sensaþ§es.
Originam-se assim idÚias simples, produtos da sensaþÒo, e idÚias complexas, provenientes da reflexÒo. O objeto do conhecimento sÒo as idÚias, e Ú impossÝvel saber se estas correspondem ou nÒo Ó realidade objetiva das coisas que as suscitam na mente. De acordo com isso, Locke negou o conceito de substÔncia, que seria apenas uma forma de proporcionar sustentaþÒo comum a uma sÚrie de idÚias como cor, som etc., que podem ou nÒo existir na realidade. O mundo, portanto, s¾ Ú conhecido de forma indireta e, por isso, toda teoria constitui uma hip¾tese, nÒo uma certeza, e deve ser sempre suscetÝvel de verificaþÒo.
Tais formulaþ§es, evidentemente, negavam a possibilidade de uma demonstraþÒo da existÛncia de Deus -- que, nÒo obstante, seria acessÝvel pela revelaþÒo e pela intuiþÒo. Homem de fÚ, Locke jß havia publicado anonimamente em 1689 sua Epistola de tolerantia (Carta sobre a tolerÔncia), a que se seguiram duas obras com o mesmo tÝtulo e em inglÛs. Na obra, exp§e sua convicþÒo de que todos os sistemas religiosos correspondem a um substrato comum, espÚcie de religiÒo natural, e de que as idÚias religiosas s¾ se podem assumir de forma livre, nunca por coaþÒo.
A liberdade era tambÚm, no pensamento de Locke, a essÛncia da soberania polÝtica, delegada por todos os cidadÒos ao Parlamento. Essas idÚias, expressas em Two Treatises of Government (1690; Dois tratados sobre o governo), foram aplicadas aos problemas educacionais em Some Thoughts Concerning Education (1693; Pensamentos sobre a educaþÒo). John Locke morreu em Oates, Essex, em 28 de outubro de 1704. Suas teses empiristas foram radicalizadas por David Hume e, juntamente com seu liberalismo, exerceram influÛncia duradoura no pensamento ocidental.