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Jacques Maritain


  Biografias

Tido como um dos principais intérpretes do "neotomismo", Jacques Maritain rejeitava esse nome para caracterizar seu pensamento. Preferia o termo "tomismo" quando se referia à filosofia de santo Tomás de Aquino e a sua própria.
Jacques Maritain nasceu em Paris em 18 de novembro de 1882, numa família protestante. Foi aluno de Henri Bergson e, em 1905, graduou-se em filosofia na Sorbonne. Depois de converter-se ao catolicismo -- foi batizado em 1906 --, aprofundou-se nos estudos da obra de santo Tomás de Aquino. Em 1910 publicou seu primeiro artigo, sobre ciência moderna e razão, no qual faz a defesa da inteligência, inspirado no panteísmo de Spinoza, no intuicionismo de Bergson e no neovitalismo de Hans Driesch. De 1914 a 1939, lecionou no Instituto Católico de Paris.
No livro La Philosophie bergsonienne (1914; A filosofia bergsoniana), Maritain desloca a filosofia do impressionismo subjetivo e do irracionalismo para a primazia do ser e da inteligência. No tomismo, o filósofo encontra o primado do ser em si, do objeto, da verdade como adequação a uma realidade preexistente à consciência, e não como uma projeção de sínteses a priori, como pretendia Kant. Com isso, escapou ao subjetivismo, caminho natural para o ceticismo filosófico e o materialismo, que diluía a filosofia na sociologia e na história. Defendeu a primazia de Deus e do "humanismo integral". Ao mesmo tempo, procurou restituir à filosofia o caráter de conhecimento científico e renovou-lhe a face, que os tratadistas haviam imobilizado em fórmulas antiquadas.
Maritain contou com a colaboração da esposa, Raïssa, para produzir uma extensa obra, que inclui Art et scolastique (1920; Arte e escolástica), Distinguer pour unir ou Les Degrés du savoir (1932; Distinguir para unir ou Os graus do saber), que alguns consideram seu principal livro, e De Bergson à Thomas d"Aquin (1944; De Bergson a Tomás de Aquino). Foi embaixador da França junto ao Vaticano entre 1945 e 1948. Residiu 13 anos nos Estados Unidos e lecionou nas universidades de Toronto, Princeton e Colúmbia. De volta à França em 1960, publicou La Philosophie morale (A filosofia moral). Teve grande repercussão Le Paysan de La Garonne (1966; O camponês do Garona), em que critica certas medidas do Concílio Vaticano II, julgando-as extremistas. Após a morte da esposa, Maritain retirou-se para um convento de Toulouse, onde morreu em 28 de abril de 1973.


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