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Inflamação


  Patologias

O processo inflamatório é um sinal externo que revela a atuação de um complexo e bem montado sistema de defesa do organismo contra agentes externos nocivos.
Inflamação é a reação local dos tecidos vivos -- particularmente os minúsculos vasos sangüíneos, seus conteúdos e as estruturas a eles associadas -- em resposta a uma lesão ou estímulo anormal, causado por agente físico, químico ou biológico (ou combinações de tais agentes). Sua marca distintiva é a passagem dos constituintes sangüíneos, para os tecidos, através das paredes dos vasos e o acúmulo de tecido daí formado é chamado exsudato.
Qualquer ação nociva que danifique um tecido vivo pode causar inflamação: infecção por bactérias ou vírus, excesso de calor ou frio, traumatismo, lesão por ácido, álcalis ou irradiação. São pequenas as diferenças de manifestação do processo inflamatório, de acordo com o órgão ou tecido atingido.
Já na antiguidade, Aulo Cornélio Celso, médico romano do século I, classificou os quatro sinais cardiais da inflamação: calor, rubor, tumor (no sentido de intumescimento) e dor. Pode-se acrescentar um quinto sinal: a perda ou inibição da função. O calor decorre do aumento do fluxo de sangue no local; o rubor, da dilatação dos vasos sangüíneos; o intumescimento, da congestão e exsudação; a dor, do intumescimento e da pressão no local e de substâncias químicas liberadas durante o processo inflamatório, que agem nas terminações nervosas; a perturbação da função pode resultar do desconforto de certos movimentos ou da destruição de uma parte anatômica.
As substâncias que compõem o exsudato desempenham importantes funções terapêuticas no local inflamado. Os leucócitos atacam e ingerem bactérias e outras partículas estranhas ao organismo e restos de células; o fibrinogênio, uma proteína do plasma sangüíneo, transforma-se em fibrina, substância que provoca a coagulação do sangue, em caso de sangramento; a gamaglobulina, outra proteína, contém anticorpos que, em contato com os tecidos infectados por bactérias, agrupam essas bactérias e as dissolvem ou aceleram sua ingestão pelos leucócitos; o plasma sangüíneo, derramado no local inflamado, libera oxigênio e substâncias nutritivas para os tecidos afetados e dilui ou expulsa as substâncias tóxicas presentes no local.
Todo processo inflamatório começa como simples manifestação aguda, de curta duração, que pode desenvolver-se em uma dessas quatro direções: resolução, que é a suspensão de um processo inflamatório sem supuração -- o exsudato desaparece e a parte afetada retoma a estrutura e a função normais; organização, processo que resulta na  formação, em primeiro lugar, de tecido conectivo e, em seguida, da cicatriz; supuração, que é a formação de um abscesso, um agrupamento circunscrito de pus -- produto líquido da inflamação -- que contém leucócitos, restos de células mortas e elementos teciduais liquefeitos por enzimas; e inflamação crônica, cuja causa é de tal natureza que nem mata o paciente em curto prazo, nem é rapidamente destruída ou removida pelas defesas do organismo: ocorre nesse caso uma simbiose entre o invasor e o organismo hospedeiro.
O tratamento deve visar, sempre que possível, a eliminação da causa do processo. Assim, a inflamação de origem bacteriana é tratada com a administração de antibióticos, como penicilina ou tetraciclina. As infecções crônicas, como a tuberculose, são medicadas com antibióticos como estreptomicina, às vezes combinada com outras drogas como a isoniazida. As reações a corpos estranhos tratam-se com a remoção cirúrgica do objeto irritante.
Quando a causa da inflamação é desconhecida ou não cede com essas terapias específicas, é comum a administração de drogas antiinflamatórias -- substâncias que amenizam os sinais e sintomas sem necessariamente atacar a causa. Tais drogas, que podem ser ingeridas oralmente, por via intravenosa ou ainda aplicadas externamente no local, incluem os corticosteróides, como a cortisona, e os salicilatos, como a aspirina. Tratamentos mais simples para os sintomas da inflamação, consagrados pelo uso popular, incluem a aplicação de compressas quentes ou frias, cataplasmas quentes ou anódinos (compostos menos poderosos do que os anestésicos ou narcóticos, porém capazes de aliviar a dor) e contra-irritantes (agentes que causam uma irritação ou inflamação branda na pele, com o intuito de aliviar um processo inflamatório profundamente situado). Embora seja compreensível o desejo de aliviar a dor e minimizar a destruição de tecidos, nenhum tratamento deve perder de vista o fato de que a resposta inflamatória tem papel defensivo para o organismo.


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