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Horticultura


  Botânica

O cultivo de hortaliças, frutas e plantas ornamentais se enquadra dentro de uma mesma disciplina da botânica aplicada. Combina assim a satisfação de necessidades humanas de dois tipos: alimentar e estética.

Horticultura é a ciência agronômica que trata do cultivo de plantas de horta, pomar, estufa e jardim. Divide-se em olericultura, pomologia ou fruticultura, e horticultura ornamental. Esta última divisão compreende duas subdivisões: a floricultura e o paisagismo. A olericultura se ocupa do cultivo das plantas vulgarmente conhecidas pelos nomes de verduras e legumes. O primeiro desses nomes se aplica às hortaliças cuja parte consumível são as folhas: alface, espinafre, mostarda, almeirão etc. Legume é a designação botânica da vagem das plantas leguminosas, como o feijão, a lentilha e a ervilha.

Popularmente se aplica aos frutos que se consomem como salada ou cozidos, em pratos salgados, como o pepino, a berinjela e o tomate, e também a inflorescências, tubérculos, bulbos e raízes comestíveis. A fruticultura se ocupa do cultivo das espécies frutíferas, ou seja, produtoras de frutos com alto teor de açúcar, como a maçã, a pêra, a goiaba e a manga. A horticultura ornamental cuida tanto das espécies floríferas (floricultura) quanto das plantas ornamentais apreciadas por outras características que não a produção de flores (paisagismo).


Olericultura

A origem da olericultura remonta às modestas hortas familiares que durante séculos garantiram a subsistência do camponês, tanto pelo consumo direto quanto pela venda ou troca. A horta moderna pode ser doméstica ou destinada a fins comerciais. No primeiro caso, é pequena e limitada à subsistência de quem a planta e sua família. No Brasil, a olericultura comercial ganhou impulso graças aos imigrantes europeus (japoneses e italianos, sobretudo), ao progresso das técnicas agrícolas e à propagação do interesse por dietas alimentares mais saudáveis. Hoje o país é um dos maiores produtores mundiais de tomate. Outras hortaliças abundantes são alface, agrião, berinjela, beterraba, cenoura, couve, couve-flor, chuchu, ervilha, jiló, maxixe, nabo, pepino, pimentão, quiabo, rabanete e salsa. Há que acrescentar ainda aipim, batata-doce, batata  e frutas como melão, melancia e morango. O cultivo de hortaliças aumentou de forma notável em todo o mundo a partir de meados do século XX e têm sido criadas vastas instalações especializadas em diferentes partes do mundo, principalmente nos países desenvolvidos. Nos de clima muito frio, como a Rússia, aperfeiçoaram-se gigantescas estufas de milhares de metros quadrados.

Plantio de uma horta. Qualquer área mínima disponível pode ser aproveitada para uma horta, mesmo um pedaço de quintal no subúrbio ou uma varanda de apartamento nas áreas urbanas. Desde que haja água farta e limpa, o resto se faz sem dificuldade, inclusive a adaptação do solo -- como provam as hortas do Norte e Nordeste do Brasil, regiões outrora consideradas impróprias para o cultivo de plantas delicadas como as hortaliças.

Antes de plantar uma horta é preciso nivelar o terreno e desinfetá-lo com fumigações. Onde o clima não for favorável, pode-se recorrer a estufas, que controlam artificialmente todos os fatores indispensáveis ao desenvolvimento das plantas, como a luz, a umidade, a temperatura e o fornecimento de substâncias nutritivas. Na horta caseira ou doméstica, o primeiro passo, depois de preparar o terreno, é afofar a terra com uma pá. A seguir, revolve-se a terra com o ancinho e abrem-se sulcos, onde se lançam as sementes a espaços predeterminados, com o fim de impedir estorvos e excessiva disputa pela água e demais nutrientes. Finalmente, cobrem-se as sementes com terra. É fundamental retirar periodicamente as ervas daninhas que desviam nutrientes das hortaliças. Além disso, certas espécies como os tomates, favas e feijões devem crescer apoiados em suportes, devido à fragilidade de seus talos.

As hortas comerciais localizam-se de preferência em terras baixas, férteis e abrigadas do vento por colina ou quebra-vento. Como a cultura é intensiva, alguns metros quadrados podem produzir safras relativamente grandes. Uma horta de um hectare já é considerável, e uma de dez hectares é grande. Com técnicas apropriadas, colhem-se de 6 a 12kg de hortaliças por metro quadrado. Como as hortaliças são muito perecíveis, é importante que a horta se situe nas proximidades de uma cidade ou seja ligada à área metropolitana por eficientes meios de transporte.


Classificação das hortaliças

Tecnicamente, as hortaliças se classificam em cinco grupos:

  1. Hortaliças tuberosas, das quais se consomem os bulbos, tubérculos ou raízes tuberosas, como cebola, beterraba, nabo e rabanete;
  2. Hortaliças herbáceas, de que se consomem as folhas, os caules ou as inflorescências, como alface, chicória, espinafre, acelga, bertalha, agrião, couve, rúcula, taioba, couve-flor, alcachofra, aipo, repolho, brócolis;
  3. Hortaliças-frutos, de que se aproveitam os frutos ou sementes: abóbora, abobrinha, chuchu, berinjela, ervilha, fava, vagem, jiló, pepino, pimentão;
  4. Hortaliças-condimentos, usadas como tempero e na medicina doméstica: alecrim, alfazema, anis ou erva-doce, hortelã, manjerona, alho, cebolinha, pimenta de várias espécies;
  5. Plantas complementares, raízes como o aipim, batata-doce, batatinha, cará e inhame.


As hortaliças das quais se consomem as folhas, ou verduras, em geral são ricas em minerais, sobretudo cálcio e ferro, e vitaminas. O agrião, o aspargo verde, a couve-manteiga e o espinafre são muito ricos em vitaminas A, B1, B2 e C; a alface romana, em vitaminas A e C; o pimentão, em vitaminas A, B2 e C. A salsa fornece vitaminas A, B1 e C. A cenoura tem vitaminas A e B1; o tomate, vitaminas A, B1 e C; a abóbora, vitamina A; a acelga, vitaminas A, B2 e C; o feijão verde, vitaminas A, B1 e C. A alface, o agrião e os frutos crus em geral são ricos em vitamina E. O espinafre é rico em vitamina D.


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