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Hipócrates


  Biografias

A fundação da escola médica de Cós e a perpetuação dos conhecimentos de Hipócrates no Corpus hippocraticum tornaram-no a figura símbolo das antigas ciências curativas.

Hipócrates nasceu na ilha grega de Cós, por volta do ano 460 a.C. Pertencia a uma família de prestígio que, durante gerações, dedicou-se à prática da medicina e da magia. Dizia a tradição que ele descendia do deus da medicina, Esculápio. Sabe-se, por testemunhos de seus contemporâneos, que visitou o Egito e conheceu os estudos médicos atribuídos a Imhotep. Há também registros de seus ensinamentos em Cós, Atenas e outras cidades gregas. Sua imagem, no entanto, permanece desconhecida: as cabeças ditas de Hipócrates, do Louvre, do British Museum e do Vaticano, todas réplicas de um mesmo original do século III a.C., representam, na verdade, o filósofo estóico Crisipo.

O principal mérito da filosofia de Hipócrates foi a abordagem puramente natural das doenças e a recusa às interpretações mágicas e religiosas predominantes na época. Usou como fonte de informação primordial a análise clínica do corpo humano, considerado um todo único, cujo estado de saúde dependia do equilíbrio entre as diferentes partes que o compõem. Segundo ele, o trabalho do médico consiste mais em apoiar os recursos próprios da natureza para harmonizar o estado dos órgãos doentes com o resto do corpo do que em aplicar métodos terapêuticos radicais.

Na concepção hipocrática, existem quatro humores corporais responsáveis pelo equilíbrio saudável: a fleuma, o sangue, a bílis (bílis amarela) e a atrabílis (bílis negra). Essa concepção foi transmitida aos médicos medievais por Galeno de Pérgamo e seu espírito se manteve nas concepções médicas mais recentes. Com o passar do tempo, a figura de Hipócrates tornou-se lendária. Chegaram a atribuir a ele feitos e escritos alheios.

O famoso Corpus hippocraticum, extenso compêndio de obras e recomendações médicas, não é inteiramente de sua autoria, como se pensava. Os mais de sessenta trabalhos da coleção apresentam grande variedade de estilos e tamanhos. O compêndio contém capítulos destinados a médicos, além de simples conselhos para estudantes e assistentes. Essas considerações, juntamente com um estudo cronológico que calcula em cerca de cem anos a diferença entre o primeiro e o último escrito, reforçam a suposição de que se trata da biblioteca de uma escola médica -- provavelmente situada em Cós e enriquecida com textos de Hipócrates -- que passou a integrar, durante os séculos III e II a.C., a biblioteca de Alexandria. No acervo, destacam-se os estudos sobre anatomia, observações clínicas, doenças infantis e femininas, drogas e ética médica.

O juramento de Hipócrates, que resume sua ética, é ainda recitado nas colações de grau de estudantes de medicina. No Brasil, é feito em texto resumido que mantém a essência do original: "Prometo que, ao exercer a arte de curar, me mostrarei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência. Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, o que terei como preceito de honra; nunca me servirei da minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu a minha vida e minha arte boa reputação entre os homens e para sempre. Se dele me afastar ou infringi-lo, suceda-me o contrário."

Segundo a tradição, Hipócrates morreu na cidade grega de Larissa, na Tessália, por volta de 377 a.C.


Juramento de Hipócrates

Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higia e Panacea e por todos os deuses e deusas, a quem conclamo como minhas testemunhas, juro cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.

Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.

Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.


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