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Hibernação


  Biofísica

O inverno representa uma dura prova de sobrevivência para os animais, já que às condições climáticas adversas somam-se a escassez de alimento e uma maior dificuldade de deslocamento. Isso faz com que diversas espécies, chamadas hibernantes, diminuam de forma acentuada a atividade vital durante a estação, como uma estratégia adaptativa.
Hibernação é o fenômeno de natureza fisiológica que torna possível a alguns animais de temperatura constante (homeotermos) reduzir ao mínimo sua atividade durante o inverno para superar as condições adversas da estação. No começo da hibernação, a temperatura corporal cai até alcançar um nível próximo ao da temperatura ambiente (normalmente dois graus acima dela). Em determinados animais, como os arganazes, essa redução térmica (hipotermia) ocorre de forma muito rápida, enquanto em outros, como nos esquilos terrestres se dá gradualmente. Em todos os casos, porém, está relacionada a uma diminuição da taxa metabólica e das freqüências cardíaca e respiratória, o que determina um gasto mínimo de energia, a total imobilidade do animal e um baixo consumo de reservas alimentícias (acumuladas em forma de gordura no tecido adiposo).
Os vertebrados terrestres poiquilotérmicos (cuja temperatura corporal varia de acordo com a ambiental), como répteis e anfíbios, entram em letargia e reduzem drasticamente sua atividade metabólica e fisiológica. Há peixes que se enterram na lama, ou na terra das margens, e invertebrados, como os caracóis, que não apenas se ocultam, mas também se fecham em suas conchas, tapando-a com um opérculo que fabricam com material segregado pela concha. Nesses casos, no entanto, não se pode falar de uma forma de hibernação, já que ela envolve uma série de fenômenos de grande complexidade que só ocorrem propriamente em alguns mamíferos e, conforme ficou comprovado, em determinadas aves.
O animal hibernante refugia-se em sua toca, muitas vezes revestida previamente com ervas ou outros materiais isolantes, e posiciona o corpo de modo a conservar a maior quantidade possível de calor. Em algumas espécies, vários animais se reúnem numa mesma toca, amontoados uns junto aos outros. Esse comportamento possibilita grande economia de energia metabólica.
A hibernação pode durar muitos meses -- até oito, no caso das marmotas. Ela é desencadeada, numa fase preparatória, por diferentes estímulos, como a temperatura ou alguns hormônios. O animal não dorme durante todo o período de hibernação. Por vezes, quando a temperatura ambiente cai abaixo de 0o C, ele desperta e o calor de seu corpo aumenta durante um tempo. A chegada da primavera marca o fim do período de hibernação. Os processos vitais recuperam a intensidade normal e o animal se dispõe a entrar em nova fase de atividade.
Entre os mamíferos hibernantes encontram-se muitos roedores, como os arganazes, as marmotas, os hamsters e certos esquilos terrestres; os morcegos de regiões temperadas e frias; e insetívoros, como os ouriços-cacheiros. Algumas aves, como é os noitibós da Califórnia, também passam vários meses nesse estado. Os ursos, embora durmam durante quase todo o inverno, não chegam ao estado de letargia e, portanto, não são considerados verdadeiros hibernantes.


Estivação. Nos países tropicais, quando chega a estação seca, alguns animais aquáticos enterram-se no barro e aí permanecem quase adormecidos. Certos peixes, ao ficarem privados de água, respiram o ar atmosférico com a bexiga natatória, que desempenha o papel de pulmão. Esse fenômeno, oposto à hibernação, é conhecido como estivação.


Hibernação artificial. Em outro contexto, conhece-se pelo nome de hibernação artificial o recurso médico por intermédio do qual se consegue que os processos vitais de um determinado órgão ou membro de um paciente se tornem mais lentos, ao mesmo tempo que se reduz sua sensibilidade. A técnica tem utilidade em algumas práticas cirúrgicas, para retardar processos patológicos ou quando forte reação orgânica a uma alteração pode pôr em risco a vida do paciente.

 



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