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Glândula


  Anatomia Humana

Em virtude do processo chamado secreção, algumas células do corpo captam pequenas moléculas do sangue e as transformam, por meio de mecanismos intracelulares de biossíntese, em produtos mais complexos que serão liberados pelas glândulas para exercer sua função reguladora no organismo.
Chama-se glândula a estrutura orgânica composta, em geral, de células de tecido epitelial a que compete a elaboração de substâncias básicas para o organismo e a eliminação de componentes nocivos.

Mecanismos segregadores.  As células glandulares contêm grânulos, que representam acúmulos intracelulares dos elementos precursores de seus produtos de secreção. A secreção, que se realiza de forma contínua em níveis muito pequenos, pode ser estimulada para propiciar ao organismo a capacidade de resposta necessária a cada circunstância.
Considerando-se o mecanismo pelo qual as células liberam os produtos de sua secreção, podem-se distinguir três processos fisiológicos: (1) a secreção merócrina, na qual a célula permanece intacta e libera o produto por meio de sua membrana; (2) a secreção apócrina, que implica a perda de parte do citoplasma (substância celular contida entre a membrana celular e o núcleo) junto com o material segregado; e (3) secreção holócrina, que consiste na liberação de células inteiras nos condutos secretores ou a expulsão do conteúdo celular, tendo como conseqüência a destruição dessas células.
Quanto à forma de liberar os produtos da secreção, as glândulas dividem-se em dois grandes grupos: glândulas exócrinas e endócrinas.


Glândulas exócrinas
As glândulas exócrinas segregam as substâncias que elaboram para um sistema de condutos que se abrem em superfície externa ou interna. Podem ser unicelulares ou multicelulares. Nos mamíferos, o exemplo mais comum de glândula unicelular é a célula mucosa, que se acha disseminada entre as células cilíndricas do epitélio (tecido animal em que as células estão muito juntas umas das outras). Sua secreção é a mucina, proteína que ao ser hidratada dá origem à substância lubrificante chamada muco. As glândulas multicelulares subdividem-se em simples e compostas, conforme sua comunicação com a superfície seja ou não ramificada.
Em geral as glândulas exócrinas são numerosas e de dimensão reduzida. Pertencem a esse grupo as glândulas salivares, as lacrimais e as sebáceas da pele e do couro cabeludo. No reino animal existem diversas glândulas exócrinas especializadas, como as que produzem as cascas dos ovos das aves e o casulo do bicho-da-seda.


Glândulas endócrinas
Histórico. As glândulas endócrinas, ou de secreção interna, foram individualizadas na década de 1830 pelo fisiólogo alemão Johannes Müller, e sua atividade foi demonstrada pela primeira vez em 1849, pela castração de frangos. Posteriormente, o médico britânico Thomas Addison, ao estudar a doença do sangue que leva seu nome, confirmou a relação existente entre uma lesão das glândulas endócrinas e determinado processo patológico.
Em 1901, o químico japonês Jokichi Takamine isolou a substância responsável pela elevação da pressão sangüínea, a adrenalina, e em 1902 os britânicos William Maddock Bayliss e Ernest Henry Starling descobriram um "mensageiro químico", a que chamaram secretina, que estimulava a secreção do suco pancreático. Em 1915, o pesquisador americano Edward Calvin Kendall, da clínica da Fundação Mayo, em Minnesota, isolou, a partir da tireóide, um aminoácido que continha iodo, que denominou tiroxina. As descobertas sucederam-se e em 1921 os canadenses Frederick G. Banting e Charles H. Best, da Universidade de Toronto, isolaram a insulina, que seria de grande eficácia no tratamento do diabetes.
Em 1949, na clínica Mayo, Philip S. Hench descobriu a cortisona, que já então propiciou grande progresso no tratamento da artrite reumática. Todas essas substâncias foram aplicadas e pesquisadas a fundo e, às vezes, a partir de sua função no controle celular, abriram-se grandes possibilidades de aplicação farmacológica.


Sistema endócrino. As glândulas endócrinas sintetizam princípios fisiológicos liberados no sangue ou na linfa para serem transportados a outra parte do corpo. Essas glândulas constituem o chamado sistema endócrino, que complementa a ação do sistema nervoso. Nos vertebrados, a integração entre os sistemas nervoso e endócrino é de tal magnitude que pode-se considerar a existência de um sistema fisiológico dual neuro-endócrino. Em muitos casos, os elementos nervosos desse complexo orgânico fornecem informações sobre o ambiente externo, enquanto os componentes endócrinos regulam a resposta interna a essas informações. A função que regula o sistema endócrino é desempenhada, fundamentalmente, por uma região do cérebro denominada hipotálamo.
A secreção das glândulas endócrinas, denominada secreção hormonal, ou simplesmente hormônio, atua com extraordinária eficácia e precisão na resposta às condições do ambiente. Algumas das principais glândulas endócrinas são a pituitária ou hipófise, de excepcional importância por sua capacidade de estimular outras glândulas; a tireóide, que favorece a respiração celular; e as paratireóides, que controlam o mecanismo do cálcio.
Dos sistemas urogenital e digestivo fazem parte outras glândulas, como as supra-renais, que segregam adrenalina e esteróides; o pâncreas, que sintetiza a insulina; o estômago, que estimula a secreção de suco gástrico; o duodeno, que favorece a síntese da bílis e do suco pancreático; os testículos e o folículo do ovário, que promovem a função reprodutora mediante a secreção de hormônios sexuais; e o corpo lúteo do ovário, que estimula as secreções dos ovidutos e o crescimento do útero durante a gestação.


Sistema endócrino dos invertebrados. Nos vermes planos, nos anelídeos, nos moluscos e nos equinodermos e artrópodes verifica-se produção de hormônios. Neles existe, portanto, um sistema endócrino, com variado grau de desenvolvimento em cada caso. Os crustáceos, porém, possuem diversas estruturas endócrinas: a glândula do seio, o órgão Y, o órgão pericárdico e outras. Nesses animais, os hormônios contidos no pedúnculo ocular influem na muda, na reprodução e no movimento do pigmento nas células retinianas e somáticas.
Da mesma forma, os hormônios estão presentes tanto na muda quanto no amadurecimento dos insetos, seja por metamorfose completa ou incompleta. Assim, por exemplo, no barbeiro do gênero Rhodnius, o hormônio essencial que ativa as funções vitais passa por condutos nervosos até um órgão neuro-hemático, o corpo cardíaco, penetra no sangue e distribui-se por todo o corpo. Outra estrutura endócrina, o corpo alado, situa-se atrás do corpo cardíaco e segrega a neotenina, hormônio que estimula o crescimento e a diferenciação das estruturas larvais. Essa substância interage com outra, a ecdisona, para instigar o amadurecimento larval em cada uma de suas fases. Nos moluscos, a expansão e contração das células da pele que geram os pigmentos dependem fundamentalmente dos hormônios neurossecretores. Sua atividade permite às lulas e polvos mudar a cor da pele para se protegerem ou reagir a estímulos externos.


Sistema endócrino dos vertebrados. Todas as funções vitais dos vertebrados são afetadas, ao menos em parte, pela ação fisiológica dos hormônios. Ao contrário dos demais grupos sistemáticos do reino animal, os vertebrados costumam apresentar em seu organismo glândulas endócrinas especializadas. Além disso, muitas funções dos vertebrados são condicionadas por células neurossecretoras que, com as células nervosas, reagem aos sinais dos hormônios para produzir substâncias que transmitem mensagens fisiológicas por meio de códigos bioquímicos.
O sistema endócrino dos vertebrados compõe-se tanto de órgãos plenamente desenvolvidos quanto de células dispersas no interior de outros órgãos que têm outras funções. Estruturalmente, os elementos endócrinos caracterizam-se pela existência de células epiteliais de tipo glandular e pela presença de ampla rede vascular, com a qual as células estão em contato para receber do sangue os materiais necessários a sua ação e para segregar os produtos que sintetizam.
A localização, estrutura e funções das glândulas endócrinas e dos elementos do sistema endócrino são suficientemente semelhantes em todos os vertebrados para que se possa considerá-los homólogos, diferenciados apenas em alguns aspectos estritos.
Na maioria dos vertebrados as glândulas endócrinas incluem a hipófise ou pituitária, a pineal, a tireóide, as paratireóides, os corpos ultimobranquiais, as ilhotas de Langerhans, as supra-renais, as gônadas, partes das mucosas gástrica e intestinal e, em alguns mamíferos, a placenta. Os métodos de estudo das funções endócrinas baseiam-se em procedimentos tais como a extirpação de glândulas em animais adultos ou jovens, a implantação de glândulas em espécimes de idades diferentes, a administração de doses variáveis de substância glandular ou de seus extratos e a observação de animais com glândulas doentes.


Glândulas endócrinas humanas. No organismo humano, a hipófise localiza-se na base do encéfalo. Pesa apenas meio grama, mas desempenha papel fundamental na regulação de muitas outras glândulas endócrinas. Segrega numerosos hormônios, como a tireotrofina, a adrenocorticotrofina, o hormônio luteinizante, a prolactina e o hormônio do crescimento. A escassez de sua secreção provoca o nanismo e seu excesso, o gigantismo. No lóbulo posterior dessa glândula sintetizam-se a oxitocina, que estimula a musculatura lisa do útero, e a vasopressina, que ativa a reabsorção de água no rim.
Já a tireóide, integrada por dois lóbulos unidos por uma porção estreita denominada istmo, situada de ambos os lados da traquéia, abaixo da laringe, segrega a tiroxina, hormônio que regula o metabolismo corporal, o crescimento e o desenvolvimento sexual. A deficiência na função tireoidiana acarreta o bócio -- aumento crônico do tamanho da tireóide --, o cretinismo e o mixedema. Estes dois últimos estados patológicos caracterizam-se pela interrupção do desenvolvimento físico e mental, com aparecimento de distúrbios de índole vária.
As paratireóides são dois pares de pequenas glândulas ovaladas situadas atrás da tireóide. Segregam o paratormônio, que regula a concentração de cálcio e fosfato no plasma sangüíneo e intervém no metabolismo hemático. As supra-renais são duas pequenas glândulas situadas nas extremidades superiores dos rins. A medula supra-renal, cujo funcionamento é regulado pelo sistema nervoso simpático, gera a epinefrina, ou adrenalina, e a norepinefrina, ou noradrenalina. A primeira atua para suprir as necessidades metabólicas urgentes da atividade intensa, aumentando a pressão sangüínea.
A norepinefrina promove a contração dos vasos sangüíneos e o tônus muscular. O córtex supra-renal produz várias substâncias endócrinas, todas de natureza esteróide, de que a cortisona é a mais conhecida. Esse hormônio regula o metabolismo da água, dos minerais e dos carboidratos. Além disso, intervém na função renal e duplica as funções do hormônio sexual.
Sob o esterno localiza-se o timo, ativo principalmente nos primeiros anos de vida, que influi no desenvolvimento das defesas imunológicas. As gônadas, ou glândulas sexuais, são, no homem, os testículos, e na mulher, os ovários. O hormônio testicular é a testosterona, e o dos folículos ovarianos, entre outros, o estriol. Nos ovários também se produzem a progesterona, que prepara o útero para receber o óvulo fecundado, e a relaxina, que facilita o parto.
As mucosas gástrica e intestinal segregam a secretina e a gastrina, que desempenham importante função digestiva. Por fim, as ilhotas de Langerhans, pequenos grupos de células situadas dentro do pâncreas, geram o glucagon e a insulina. Sua função é regular a entrada de açúcar nas células dos músculos, nas células que sintetizam as gorduras e nos tecidos conjuntivos. As alterações na produção de insulina causam um distúrbio clínico de notável incidência, o diabetes.


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