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Giordano Bruno


  Biografias
Giordano Bruno prenunciou o avanço da ciência com suas teorias do universo infinito e da multiplicidade dos mundos. Rejeitou a astronomia geocêntrica tradicional e foi além da teoria heliocêntrica de Copérnico, que ainda admitia a existência de um universo finito.
Filósofo, astrônomo e matemático italiano, Filippo Bruno nasceu em Nola, perto de Nápoles, em 1548. Filho de um soldado, adotou o nome de Giordano ao ingressar, aos 17 anos, no convento de San Domenico Maggiore em Nápoles, para prosseguir os estudos que iniciara com o averroísta G. V. de Colle. Embora alimentasse dúvidas teológicas e se interessasse por livros proibidos, como os de Erasmo, ordenou-se em 1572.
Rebelde por natureza, em fevereiro de 1576 fugiu para Roma, após ser submetido, pelos próprios dominicanos, a um primeiro processo por heresia. Injustamente acusado de um assassinato, enfrentou mais um processo, dessa vez de excomunhão, e em abril do mesmo ano teve de empreender nova fuga. Após abandonar o hábito dominicano e perambular pelo norte da Itália, Giordano Bruno foi, em 1578, para Genebra, onde abraçou formalmente o calvinismo -- para logo, vítima da mesma intolerância, abandoná-lo também. A partir de então levou vida errante, pregando suas idéias em universidades européias e entrando em constantes choques com católicos e protestantes.
Em Paris, Giordano Bruno publicou uma comédia em italiano, II candelaio (1582; O fabricante de velas), vívida representação da sociedade napolitana da época, que no fundo era um libelo contra sua degenerescência moral.
Em Londres, começou a escrever os seis famosos diálogos italianos -- três de caráter cosmológico e três de fundo moral -- que constituem a melhor exposição sistemática de sua filosofia. Em Cena de le ceneri (1584; A ceia de cinzas) defendeu a teoria heliocêntrica e antecipou Galileu ao afirmar que a Bíblia deveria ser seguida em seus ensinamentos morais, mas não nas implicações astronômicas. Em De la causa, principio e uno (1584; Da causa, do princípio e do uno) reduziu o dualismo tradicional da física aristotélica a uma concepção monista do mundo, afirmando a unidade básica de todas as substâncias e a coincidência dos opostos na infinitude do Ser. Em De l"infinito universo e mondi (1584; Do infinito universo e mundos) sistematizou sua crítica ao aristotelismo. Os diálogos da trilogia moral são: Spaccio de la bestia trionfante (1584; Expulsão da besta triunfante), sátira aos vícios e superstições da época; Cabala del cavallo Pegaseo (1585; Cabala do cavalo Pégaso), similar e ainda mais pessimista que a primeira obra; e De gli eroici furori (1585; Dos heróicos furores), onde o ser humano é exortado à conquista da virtude e da verdade.
Regressando à Itália a convite de um patrício, Giovanni Mocenigo, Giordano Bruno acabou denunciado ao Santo Ofício e preso. Foi o próprio Mocenigo, católico fanático, quem o traiu. Após um processo que se arrastou por sete anos, a Inquisição o declarou apóstata e herético impenitente. Sem jamais abjurar suas idéias, foi condenado à morte e queimado na fogueira, no Campo di Fiori, em Roma, em 17 de fevereiro de 1600. Bruno é lembrado não só por seus escritos, mas também como mártir da liberdade de pensamento, pela firmeza com que manteve suas idéias perante os tribunais da Inquisição.
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