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Giambattista Vico


  Biografias
Um dos primeiros filósofos da modernidade, o italiano Giambattista Vico elaborou uma teoria cíclica da história e da cultura que foi divulgada por Benedetto Croce em 1911 e reapareceu com Oswald Spengler e Arnold Toynbee.
Giambattista Vico nasceu em Nápoles, em 23 de junho de 1668. Filho de livreiro, freqüentou diversas escolas, mas adquiriu a maior parte de seus conhecimentos como autodidata. Entre 1686 e 1695 foi preceptor de uma família aristocrática de Vatolla, Salerno. Em 1699, assumiu a cátedra de retórica da Universidade de Nápoles, função que desempenhou até pouco antes de morrer.
O pensamento de Vico é essencialmente anticartesiano. Numa época dominada pelo progresso das ciências naturais e da matemática, ele descartou o pensamento lógico que embasava as ciências e preferiu os estudos históricos e literários, fundados na tradição e, assumidamente, destituídos de fundamento racional. Assim, pretendeu deduzir da etimologia das palavras o saber histórico e entendeu a poesia como base de uma nova ciência, a estética, que diferia essencialmente do conjunto de regras enunciado por Aristóteles.
Usando como instrumentos a língua, a poesia e os mitos, Vico esboçou uma história da civilização cíclica em que se repetem sempre as mesmas três fases: a era dos deuses, em que os governos são teocráticos, uma vez que os homens temem o sobrenatural e acreditam que a lei tem origem divina; a era dos heróis, em que a administração da justiça é feita pela minoria aristocrática; e a era dos homens, em que os governos são exercidos pelos próprios homens, nascidos livres, com um sistema jurídico racional que garante direitos iguais para todos. Para além dessa fase não há progresso possível, e sobrevêm a decadência e o reinício do ciclo.
É surpreendente o número de idéias pelas quais Vico antecipou o pensamento de historiadores e filósofos posteriores. Inspiram-se nele a estética da poesia popular e primitiva, de Herder e dos românticos; a teoria de Friedrich Wolf sobre Homero como nome coletivo; a desidealização da história dos romanos, proposta por Niebuhr e Mommsen; a dialética histórica de Hegel; as três fases históricas de Auguste Comte; a refutação do direito natural de Savigny; e a idéia de luta de classes como motor da história, de Karl Marx. Giambattista Vico morreu em Nápoles, em 23 de janeiro de 1744.

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