Gafanhoto - BioMania
O melhor portal biológico da internet!



Gafanhoto


  Artrópodes
Presentes na Bíblia como uma das terríveis pragas com que Iavé castigou o Egito, quando o faraó se negou a deixar os hebreus partirem, os gafanhotos constituem até hoje um dos graves problemas com que se defrontam os agricultores em quase todo o mundo.
Inseto ortóptero da família dos acridídeos, o gafanhoto distingue-se dos grilos e esperanças por ter as antenas, na maioria das espécies, muito mais curtas que o corpo, e das paquinhas ou grilos-toupeiras por não escavar o chão com as pernas anteriores. Como nos dois primeiros, seu último par de pernas é bem desenvolvido e adaptado para o salto. Nos machos, o atrito dos fêmures com certas nervuras das asas produz um ruído estridulante que as fêmeas não podem emitir, já que seus fêmures apresentam estrutura diferente.
A ciência ainda desconhece a causa das migrações em massa dos gafanhotos. Há espécies invasoras e outras não. Também as primeiras, no entanto, durante muitos anos se conservam normalmente em seu território natural, onde os indivíduos levam vida solitária e sem qualquer indicação de mudança de hábitos. É o que ocorre com os gafanhotos migradores  que habitam as zonas tropicais e subtropicais a leste da cordilheira dos Andes.
A certa altura, provavelmente em virtude de condições intrínsecas à natureza do próprio inseto, associadas a fatores externos como o clima e a vegetação, os gafanhotos passam a apresentar tendência gregária, que se acentua de uma geração para outra. Suas asas tornam-se alongadas e mais pigmentadas e o protórax alarga-se no dorso.
Quando essas transformações graduais chegam ao auge, os insetos formam agrupamentos gigantescos de milhões de indivíduos, momento que, nas espécies latino-americanas, coincide com o aparecimento das manchas solares. Repentinamente, erguem vôo e dirigem-se para regiões distantes, em "nuvens" ou "mangas" que às vezes chegam a encobrir o sol. Nas regiões invadidas, devoram com incrível rapidez toda a plantação e até a casca das árvores e peças de vestuário.
As principais espécies formadoras de nuvens são Locusta migratoria, invasora da Europa, África, Ásia e Austrália; Schistocerca gregaria, que ataca a Índia, o Irã, a Arábia, a Síria, a Palestina e o Egito; Calliptamus italicus e Dociostaurus maroccanus, que penetram pelas regiões marginais do  Mediterrâneo; Locustana pardalina e Nomadacris septemfasciata, invasoras da América do Sul; Melanoplus mexicanus, encontrada do México ao Canadá e comum no oeste norte-americano; Anabrus simplex, que se dispersa pelo Utah e estados americanos vizinhos e cujos indivíduos, não possuindo asas, invadem os campos aos saltos; e Schistocerca paranaensis, de coloração pardo-avermelhada, com asas salpicadas de manchas castanhas, formadora das nuvens que assolam a América do Sul. S. americana, do sudeste dos Estados Unidos, é presumivelmente a forma solitária de S. paranaensis.
As fêmeas fecundadas cavam na terra, com as peças de seu aparelho ovipositor, orifícios de até 75mm de profundidade e neles depositam de 50 a 120 ovos, semelhantes aos grãos de uma espiga de trigo. Recobrem-nos em seguida com uma secreção espumosa que, depois de seca, forma uma proteção impermeável. Tais desovas, chamadas "cartuchos", são de três a cinco por fêmea. Passados 15 a 70 dias, conforme a época do ano e a latitude da região, nascem pequenos gafanhotos sem asas e caminhadores chamados "mosquinhas", que vivem nos agrupamentos conhecidos como "moitas". Seguem-se até a fase adulta cinco mudas, que ocupam cerca de cinqüenta dias. Na segunda, já aparecem esboços de asas e o inseto recebe o nome de "saltão".
Os saltões se dispersam de dia para comer e voltam a reunir-se à noite. Pouco antes da última muda, o gafanhoto pendura-se pelas pernas traseiras num galho e ali permanece, de cabeça para baixo, até que, rompido o tegumento da região dorsal anterior, sai da casca. Os adultos recém-formados apresentam instinto gregário e migratório reduzido