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Formiga


  Artrópodes

A formiga denota grande diversidade de hábitos alimentares, com as partes bucais adaptadas para morder e ingerir alimentos líquidos. Muitas espécies são carnívoras, outras apreciam substâncias açucaradas e algumas vivem dos fungos que cultivam. Entre os vários grupos, as fases de caça, pastoreio e agricultura parecem desdobradas em sucessão, tal como se crê que aconteceu com o homem.
Inseto da ordem dos himenópteros, a formiga integra a vasta família dos formicídeos. Tem a cabeça livre, com pescoço fino e antenas que se dobram ao meio, e o tronco ligado ao abdome por estreita cintura. É complexa sua organização social, em sociedades constituídas principalmente de operárias, fêmeas estéreis que não participam da reprodução. Há num formigueiro várias castas de operárias, uma das quais inclui formigas mais agressivas, dotadas de mandíbulas cortantes, que atuam como soldados para defender o formigueiro contra eventuais inimigos. As fêmeas férteis, ou rainhas, são as únicas que põem ovos. Os machos adultos são alados e vivem poucas horas, apenas o suficiente para fecundar as fêmeas.


Coleta de alimentos. As espécies consideradas mais primitivas são carnívoras, ou seja, vivem da caça a outros insetos. A prática é observada pelas formigas de correição ou legionárias (do gênero Eciton e outros, da subfamília dos dorilíneos), que mudam freqüentemente de sede e se abstêm de construir ninhos fixos. Em seus deslocamentos noturnos, que são feitos em massa, por predação ou com intenção migratória, tais formigas se lançam contra insetos, aranhas e até pequenos vertebrados que encontrem pelo caminho.
As correições formam colunas de dezenas de metros de comprimento e às vezes invadem moradias no campo, deixando-as livres de insetos após sua passagem. Outras vezes, atacam ninhos de cupins ou de outras formigas, destroem seus ocupantes e instalam-se aí por algum tempo para explorar com atenção a redondeza e dar seguimento às caçadas. Certas espécies caçadoras formam sociedades menos numerosas do que as formigas de correição. Destacam-se entre estas a tocandira (Paraponera clavata), não só pelo tamanho (cerca de dois centímetros) como também pela picada, que é das mais venenosas e causa dores violentas. Comum na Amazônia, a tocandira nutre-se de outros insetos e também é nômade.
A fase de pastoreio é representada por formigas melívoras cuja dieta inclui alimentos açucarados presentes no néctar, na seiva de muitas plantas e em excreções das cochonilhas, pulgões e outros insetos homópteros. Com toques ou carícias das antenas, as formigas estimulam esses insetos a excretar gotas de um líquido que elas ingerem e armazenam no estômago. Trata-se de atividade sempre repetida e análoga à exploração pastoril, em que os pulgões funcionam como vacas leiteiras. As principais formigas pastoras são do gênero Myrmecocystus, do norte do México. No Brasil, algumas espécies de Brachymyrmex fazem o mesmo, em menor proporção.
Quando a ordenha dos pulgões produz grande quantidade de líquido, é possível armazená-lo no próprio papo das operárias do ninho, como fazem certas espécies de formigas melívoras, entre as quais a cuiabana (Paratrechina fulva). Estas, convertidas em depósitos vivos, ficam às vezes tão repletas que não conseguem andar. Estimuladas pelas demais formigas, que as tocam com as antenas quando têm fome, servem gotas do mel que estocaram no corpo. Em sua grande maioria, as formigas cedem alimento umas às outras, regurgitando líquidos nutritivos na boca das companheiras.
Muitas formigas caseiras, como a cuiabana e a lava-pé (gênero Solenopsis), são atraídas às residências humanas por açúcar ou doces, mas também se interessam por outros alimentos e não deixam de devorar insetos. As formigas colhedeiras (do gênero Pogonomyrmex) apanham sementes para comer, que descascam e armazenam em câmaras especiais. Como não cultivam as plantas que lhes fornecem os grãos, as espécies colhedeiras ou granívoras, mais comuns em zonas áridas, não chegam a ser agricultoras, categoria em que, no entanto, se enquadram as da tribo Attini, que se alimentam de fungos por elas cultivados em câmaras de seus ninhos. Tipicamente americanas e de ocorrência concentrada na América tropical, tais espécies só se servem de pedaços de folhas ou de partículas vegetais para a formação de um substrato no qual os fungos se desenvolvem. Pertencem ao grupo as cortadeiras, como as formigas saúvas (espécies do gênero Atta) e quenquéns (do gênero Acromyrmex), temidas pelos prejuízos que causam à agricultura.


Formação de sociedades. As formigas fundam sociedades que vivem em ninhos onde se encontram indivíduos de anatomia e função diversas. Cada formigueiro inclui massas de operárias estéreis e uma só rainha fértil ou, em casos excepcionais, mais de uma. Nos formigueiros de grandes proporções, novos machos e fêmeas férteis, quase sempre alados, aparecem em certas épocas do ano e abandonam o ninho, às vezes em enxames, para perpetuar a espécie.
Após o acasalamento, a fêmea se separa do macho (que morre logo depois), livra-se das asas e tenta construir sozinha, para a postura, o ninho inicial. Dos ovos de criação nascem larvas, alimentadas pela rainha com um líquido nutritivo que ela traz como reserva e oferece sob forma de "ovos de alimentação". As larvas se transformam em pupas e estas em operárias adultas, que cuidam da nutrição da rainha e atendem às necessidades do restante da prole. Os ovos de alimentação das saúvas medem 0,65mm de comprimento  por 0,45mm de largura. Têm praticamente o dobro do volume dos ovos de criação e se apresentam como uma gota de líquido, comparável ao leite dos mamíferos, envolta numa película que se rompe à menor pressão. A rainha põe cerca de dez ovos de alimentação para cada ovo verdadeiro, na época em que na panela inicial do formigueiro começam a eclodir as larvas dos ovos de criação postos antes.


Construção dos formigueiros. A grande maioria das formigas constrói seus ninhos na terra, escavando câmaras unidas entre si e com o exterior por meio de galerias ou túneis. Algumas retiram terra do subsolo e a acumulam na superfície em torno da abertura dos canais e panelas. Outras constroem o ninho numa concavidade e o cobrem com fragmentos de folhas, formando uma cúpula de até cinqüenta centímetros ou mais de altura. Certas espécies, como as do gênero Crematogaster, ocupam cavidades já existentes em vegetais, ou instalam-se em partes transformadas em galhas (excrescências anormais) produzidas pelo ataque de outros insetos, em geral pequenas vespas. Há formigas que colam, com saliva, detritos de folhas, galhos e outros materiais, formando cartuchos em que se abrigam. As pequenas espécies do gênero Azteca, de dois a quatro milímetros de comprimento, fazem ninhos como esses, presos a galhos de árvores, com até sessenta centímetros de comprimento.
Ninhos iniciais pequenos, quase circulares, ocupados pela rainha da formiga sarassará (gênero Camponotus) são encontrados sob a casca de árvores secas, onde a expansão da sociedade, com o tempo, acaba por levar à abertura de muitas galerias e câmaras. Na areia também se formam formigueiros, com crateras que indicam a entrada. Os grãos de areia são colados uns aos outros pela saliva das formigas, o que lhes permite escavar câmaras subterrâneas, sem desmoronamentos. A própria saúva constrói em praias ninhos de elaborada arquitetura, com inúmeros canais e panelas. As formigas constituem a maior população de seres vivos visíveis a olho nu. Na zona neotropical há de duas a três mil espécies; no mundo, cerca de oito mil.

 


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