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Fígado


  Anatomia Humana

Em algumas espÚcies animais o metabolismo alcanþa a atividade mßxima logo depois de ingerirem alimento, o que lhes diminui a capacidade de reaþÒo a estÝmulos externos. Em outras espÚcies, o controle metab¾lico pode permanecer em nÝvel estacionßrio, sem que sua capacidade de reaþÒo diminua. A diferenþa Ú determinada por uma glÔndula reguladora, o fÝgado,  ¾rgÒo bßsico da coordenaþÒo fisiol¾gica.
O fÝgado Ú a maior glÔndula (estrutura orgÔnica com funþÒo excretora) do organismo e sua finalidade Ú filtrar as impurezas que o acometem. No ser humano adulto, pesa de 1.200 a 1.600 gramas e funciona como uma glÔndula ex¾crina, por liberar suas secreþ§es em sistema de canais que se abrem numa superfÝcie externa ou interna. Atua tambÚm como glÔndula end¾crina, uma vez que tambÚm libera seus produtos no sangue ou nos vasos linfßticos.
Calcula-se que o fÝgado efetua aproximadamente 220 funþ§es diferentes. Entre as principais se encontram a formaþÒo e excreþÒo da bile e a transformaþÒo de glicose em glicogÛnio e seu armazenamento nas cÚlulas hepßticas. A regulaþÒo da concentraþÒo dos diversos aminoßcidos no sangue Ú uma das funþ§es mais importantes do fÝgado, resultando daÝ a conversÒo dos aminoßcidos em glicose e urÚia, sendo esta eliminada pelo rim e aquela utilizada pelo organismo. O fÝgado elabora a seroalbumina, a seroglobulina e o fibrinogÛnio; termina a desintegraþÒo dos gl¾bulos vermelhos no sangue; forma sangue no embriÒo; forma heparina; forma vitamina A a partir do caroteno; armazena ßgua, ferro, cobre e as vitaminas A, D e complexo B; produz calor; participa da regulaþÒo do volume sanguÝneo; tem aþÒo antit¾xica importante etc. ╔, portanto, um ¾rgÒo fundamental para contrabalanþar os efeitos nocivos ocasionados pelo consumo de bebidas alco¾licas, cafÚ, barbit·ricos etc.


CaracterÝsticas morfol¾gicas. No ser humano adulto, o fÝgado localiza-se embaixo do diafragma e ocupa a parte mais alta da cavidade abdominal, no hipoc¶ndrio direito, atÚ alcanþar a margem cartilaginosa da sÚtima e oitava costelas. De formato ovalado e coloraþÒo vermelho-escura, re·ne trÛs superfÝcies: superior ou diafragmßtica, inferior ou visceral e posterior. A primeira encontra-se imediatamente abaixo do diafragma e o ligamento falciforme divide-a em dois lobos: o direito e o esquerdo. A parte inferior Ú plana e dividida por trÛs sulcos, que lhe dÒo a forma de H.
Na parte anterior do sulco direito encontra-se a vesÝcula biliar, bolsa membranosa que contÚm a bÝlis, e na parte anterior do sulco esquerdo estß situado o  ligamento redondo, extensÒo da veia umbilical. O sulco transverso Ú determinado pelo hilo do fÝgado, por onde entram e saem todos os vasos, com exceþÒo das veias hepßticas. Esses sulcos dividem a superfÝcie inferior do fÝgado em quatro lobos: o direito ou quadrilßtero; o esquerdo ou triangular; o quadrado, situado na parte da frente do hilo; e o alongado ou de Spiegel, na parte posterior.
A superfÝcie externa do fÝgado Ú revestida em sua maior parte pelo perit¶nio, que forma os ligamentos que o conectam Ó parte abdominal e Ós vÝsceras vizinhas. Possui, alÚm disso, um inv¾lucro especial, formado pela cßpsula de Glisson, que reveste todo o ¾rgÒo sem interrupþÒo alguma, e nas proximidades do hilo envolve a artÚria hepßtica, a veia porta, o condutor hepßtico e os nervos.
O fÝgado Ú formado de min·sculos agregados celulares denominados l¾bulos, em n·mero aproximado de cem mil, e cada um Ú formado pelas cÚlulas hepßticas que se organizam em cord§es dispostos em volta da veia centrolobular. As pequenas ramificaþ§es da veia porta desembocam nas sinus¾ides, espaþos compreendidos entre as diversas camadas de cÚlulas hepßticas.


IrrigaþÒo sang³Ýnea do fÝgado. A irrigaþÒo sanguÝnea acontece em dois sentidos: a veia porta traz o sangue procedente do baþo e do intestino, rico em substÔncias nutritivas absorvidas durante a digestÒo, enquanto a artÚria hepßtica leva ao fÝgado o sangue oxigenado necessßrio ao metabolismo do ¾rgÒo. Ap¾s haver-se espalhado por todo o l¾bulo, o sangue Ú recolhido pela veia centrolobular e, a partir daÝ, dirige-se para veias cada vez mais grossas, atÚ que sai do fÝgado atravÚs da veia supra-hepßtica.
Entre os cord§es das cÚlulas do fÝgado circulam tambÚm os chamados condutores biliares, atravÚs dos quais se segrega a bÝlis, que foi produzida nas cÚlulas. Assim como o sangue, a bÝlis Ú conduzida a ramificaþ§es cada vez mais grossas, atÚ alcanþar o canal hepßtico, na parte inferior do fÝgado.


Processos quÝmicos e bÝlis. As substÔncias contidas no sangue venoso (lipÝdios, glicÝdios, proteÝnas e vitaminas) transformam-se no fÝgado. Dos glicÝdeos obtÚm-se a glicose que se metaboliza em glicogÛnio e que volta a converter-se em aþ·car primßrio, liberado no sangue quando baixa sua quantidade de plasma. O fÝgado filtra as impurezas e destr¾i as substÔncias tissulares transportadas pelo sangue. As bactÚrias e os gl¾bulos vermelhos envelhecidos sÒo retirados da circulaþÒo sang³Ýnea graþas Ó aþÒo das cÚlulas de Kupffer, que se encontram nos sinus¾ides. Os gl¾bulos vermelhos inativos sÒo decompostos em proteÝnas e em hemoglobina, grande molÚcula protÚica que se transforma em bilirrubina, o pigmento da bÝlis.
As cÚlulas hepßticas segregam de 400 a 1000g dißrios de bÝlis, compostos principalmente de ßgua e substÔncias em decomposiþÒo, tais como ßcidos graxos, sais biliares (taurocolato e glicolato s¾dicos), bilirrubina e outros pigmentos. Entre as principais propriedades fisiol¾gicas da bÝlis estß a emulsificaþÒo das gorduras, a complementaþÒo do efeito regulador do suco pancreßtico e a proteþÒo do intestino contra agentes infecciosos.


Doenþas hepßticas. A disfunþÒo das cÚlulas hepßticas pode causar hepatite, cirrose, tumores, obstruþÒo vascular e envenenamento, entre outras doenþas. Os sintomas desse grande espectro patol¾gico incluem fraqueza, pressÒo baixa, sangramento, tremores, apatia, mudanþa nas ondas cerebrais e ac·mulo de lÝquido no abdome. Os exames de funcionamento do fÝgado ajudam na identificaþÒo da doenþa, estimativa do dano orgÔnico e avaliaþÒo do tratamento. As anßlises de sangue podem revelar nÝveis anormais de bilirrubina, colesterol, urÚia, proteÝnas do soro, amonÝaco e diversas enzimas. A estrutura tissular pode ser examinada microscopicamente, por meio da bi¾psia hepßtica.
A hepatite vir¾tica aguda Ú uma inflamaþÒo do fÝgado que compreende a hepatite A, produzida pela contaminaþÒo fecal de alimentos, e a hepatite B, transmitida por injeþÒo ou transfusÒo de sangue contaminado. Uma terceira categoria de hepatite, a nÒo-A e nÒo-B, Ú ocasionada por outras cepas vir¾ticas. Por sua vez, a cirrose Ú uma doenþa cr¶nica irreversÝvel caracterizada pela substituiþÒo do tecido funcional por tecido cicatricial. Sua causa mais comum Ú o consumo prolongado de bebidas alco¾licas.
TambÚm se acham entre as doenþas hepßticas mais freq³entes a colecistite, ou inflamaþÒo da vesÝcula biliar, e a colelitÝase, formaþÒo de cßlculos na vesÝcula, causa do ataque paroxÝstico de dor provocado pela passagem de tais cßlculos pelos condutos biliares. Tal processo Ú geralmente conhecido como c¾lica hepßtica. Um sintoma muito generalizado da maioria das doenþas hepßticas Ú a icterÝcia, coloraþÒo amarelada da parte branca do globo ocular, produzida pela dificuldade de eliminaþÒo da bilirrubina.


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