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Esquistossomose


  Patologias

Uma das doenþas de registro mais antigo, constatada atÚ em m·mias do Egito, a esquistossomose foi trazida para a AmÚrica pelos escravos africanos.
Esquistossomose ou bilharziose Ú a doenþa provocada por um parasita, o esquistossomo (gÛnero Schistosoma). SÒo trÛs as espÚcies que atacam o homem: S. haematobium, agente da esquistossomose vesical; S. mansoni, responsßvel pela esquistossomose intestinal; e S. japonicum, encontrada no Extremo Oriente e responsßvel por uma esquistossomose arteriovenosa, a mais grave delas. Vßrias outras espÚcies desse gÛnero parasitam outros mamÝferos e mesmo o homem.
O esquistossoma Ú um verme da classe dos tremat¾deos, de sexos separados, e pode medir mais de um centÝmetro de comprimento. Quando adulto, vive no sistema venoso abdominal do homem, onde se fixa por meio de ventosas.


Ciclo evolutivo. As fÛmeas p§em numerosos ovos, dos quais um certo n·mero migra para os vasos e tecidos, provocando les§es. O ovo apresenta casca delgada, e passa por vßrias fases atÚ se tornar maduro, no sexto dia. Se nÒo for eliminado pelas fezes, em 12 dias ele morre.
Dentro do ovo eliminado pelas fezes, em ambiente que favoreþa seu ciclo evolutivo, desenvolve-se o chamado miracÝdio (primeira forma larvar dos tremat¾deos), o qual, libertado do ovo, move-se ativamente e penetra no hospedeiro intermedißrio -- caramujos do gÛnero Biomphalaria. Ali o miracÝdio sofre um processo de transformaþÒo e em vinte a trinta dias tem inÝcio a eliminaþÒo das cercßrias, a ·ltima forma larvar antes de transformar-se o verme em animal adulto. Cada molusco elimina milhares de cercßrias por dia, que penetram atravÚs da pele ou mucosas do homem ou de outros animais. No mamÝfero processa-se a transformaþÒo no verme adulto.
Na forma aguda da doenþa, ap¾s a penetraþÒo do parasita segue-se um perÝodo de incubaþÒo de um a dois meses, com febre, cefalÚia, calafrio, sudorese, fraqueza, anorexia, mialgias, tosse e diarrÚia. Nßuseas e v¶mitos sÒo freq³entes e o baþo e o fÝgado aumentam de volume. Esses sintomas podem revestir-se de maior ou menor intensidade.
Na esquistossomose cr¶nica a diarrÚia Ú a manifestaþÒo mais comum, assinalada em metade dos pacientes. ╔ peri¾dica, alternando com prisÒo de ventre. Em alguns doentes observam-se estrias sang³Ýneas nas fezes e, mais raramente, sangramentos intestinais. SÒo freq³entes as tonturas, palpitaþ§es, sudorese, prurido anal, impotÛncia e emagrecimento. O fÝgado endurece e seu volume aumenta.
As hemorragias digestivas representam as manifestaþ§es clÝnicas mais importantes da forma cr¶nica da doenþa. Certos pacientes, com hipertensÒo porta, apresentam atraso no crescimento, hipoplasia genital, sendo comum tambÚm a amenorrÚia. As varizes do es¶fago sÒo observßveis na radiografia.
Profilaxia. A propagaþÒo da esquistossomose depende da presenþa do indivÝduo que elimina os ovos, da existÛncia de hospedeiros intermedißrios (caramujos) e do contato do homem com ßguas naturais onde existam cercßrias. Sua profilaxia Ú difÝcil e atÚ hoje a ·nica tÚcnica que mostrou alguma eficiÛncia foi o controle dos caramujos. Estes sÒo combatidos de vßrias maneiras, principalmente pelos controles biol¾gico e do meio. Este quÝmico pode ser modificado de modo a nÒo ser propÝcio Ó vida desses animais, o que se consegue com dessecaþÒo, aterro, aumento de velocidade da ßgua, retificaþÒo dos cursos de ßgua, canalizaþÒo e outras obras de drenagem. O controle biol¾gico, com a eliminaþÒo dos caramujos por outros animais que deles se alimentam, como peixes, patos, larvas de insetos e outros moluscos competidores, nÒo se revelou eficiente. O controle quÝmico Ú o que tem ensejado melhores resultados, com o uso de sulfato de cobre, compostos arsenicais e pentadorofenato de cobre ou de s¾dio.
O Brasil Ú um dos maiores focos endÛmicos da esquistossomose intestinal, ou mans¶nica, com mais de seis milh§es de indivÝduos infectados, principalmente em Minas Gerais e Bahia. A doenþa Ú de notificaþÒo obrigat¾ria Ós autoridades sanitßrias.

 


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