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Epidemia


  Patologias

A incidência de epidemias, como as de peste bubônica, difteria, escarlatina e malária, diminuiu ao longo da história graças a medidas profiláticas que incluem o isolamento dos doentes e as campanhas de vacinação do grupo ameaçado.
Epidemia é a ocorrência, numa região ou coletividade, de casos de uma mesma doença, derivados de uma fonte comum ou resultantes de propagação, em número que ultrapassa a incidência esperada. Opõe-se a endemia, que é a ocorrência habitual de certa doença numa área geográfica ou entre membros de uma mesma comunidade. Se a epidemia ultrapassa as fronteiras de uma nação, transforma-se em pandemia.  

  
Hospedeiros e portadores. O homem ou qualquer animal vivo, inclusive aves e artrópodes, que ofereça, em condições naturais, meios de subsistência ou alojamento a um agente infeccioso, é denominado hospedeiro. Alguns protozoários e helmintos passam fases sucessivas em hospedeiros alternados, de diferentes espécies. O hospedeiro em que o parasito atinge a maturidade ou permanece durante a fase sexuada denomina-se hospedeiro primário ou definitivo e aquele em que o parasito se encontra sob forma larvária ou assexuada chama-se hospedeiro secundário ou intermediário.
A pessoa infectada que alberga agente infeccioso específico de uma doença sem apresentar sintomas da mesma é o portador. O estado de portador pode ocorrer durante uma infecção inaparente, no período de incubação ou na fase de convalescença e pós-convalescença de infecções que se manifestam clinicamente. Conforme o caso, fala-se em portador em incubação e portador convalescente. Se o estado de portador é de curta duração, diz-se que o portador é temporário e, no caso inverso, que é crônico. A pessoa ou animal que tenha estado em contato com um caso clínico ou portador, e que tenha permanecido durante certo tempo no mesmo ambiente que eles, é chamada comunicante. Os comunicantes, especialmente pessoas da família, estão sempre mais expostos aos riscos de infecção.
A exposição ao contágio pode ser direta, quando há contato físico (beijo, aperto de mão, relações sexuais), ou indireta, sem contato físico, pela coabitação, presença no mesmo aposento ou convívio na escola, no lar, no trabalho ou no lazer. As pessoas imunes possuem anticorpos protetores específicos ou imunidade celular, em conseqüência de infecção ou imunização anterior, ou apresentam predisposição a reagir eficazmente, por meio de anticorpos em quantidade suficiente para não desenvolver a doença. A imunidade, no entanto, é relativa e pode ser superada por uma agressão em massa do agente infeccioso.
As pessoas que apresentam infecção inaparente ou que manifestam a doença são ditas infectadas. As que supostamente não possuem resistência contra determinado agente patogênico e podem contrair a doença se postas em contato com ele são denominadas suscetíveis. Finalmente, aqueles cuja história clínica e sintomatologia indicam que podem ser portadores de doença transmissível, ou estar em estado de incubação, chamam-se suspeitos.

Transmissão. Mecanismos de transmissão são os procedimentos utilizados pelos agentes patogênicos para passar da fonte de infecção para a população suscetível. O contágio é direto quando existe proximidade no tempo e no espaço entre fonte de infecção e sujeito suscetível, como ocorre nas infecções sexualmente transmissíveis e nas que se transmitem mediante a tosse ou o espirro. É indireto o contágio que ocorre por meio de alimentos, objetos contaminados ou vetores animais (mosquitos, piolhos, carrapatos etc.).
As epidemias têm início quando se rompe o equilíbrio parasito-hóspede. Isso ocorre por carência ou diminuição da imunidade do grupo, pela chegada de um germe novo, contra o qual a população não tem defesas, ou por mutação de um agente infeccioso preexistente.
O progresso da epidemia depende da propensão e do percentual de pessoas suscetíveis de contrair a doença, da manutenção da virulência (capacidade de desencadear enfermidade), da estirpe provocadora do processo e de fatores diversos, como condições de salubridade, hábitos higiênicos da população e grau de contato entre indivíduos suscetíveis. A epidemia desenvolve-se mais facilmente em ambientes de grande densidade populacional, onde as pessoas vivem promiscuamente, como nas favelas. O clima também influi na sobrevivência do microrganismo patogênico e nas defesas naturais da população.
Epidemiologia. Ciência que estuda as doenças transmissíveis e os fatores que determinam sua freqüência e distribuição numa população, a epidemiologia inclui, modernamente, enfermidades de etiologia não infecciosa, como as doenças cardiovasculares, o câncer e outras. De modo geral, a epidemiologia estuda os fatos relativos à saúde e à enfermidade nos grupos sociais e os fatores que determinam sua freqüência e distribuição.
Para evitar epidemias, muitos países tornaram obrigatória, por lei, a notificação de ocorrência de certas doenças. A Organização Mundial de Saúde (OMS) prescreve a notificação das doenças infecciosas também a nível internacional. Uma das providências indicadas em caso de epidemia é a quarentena, medida profilática que consiste no isolamento de pessoas e animais contagiados e restrições ao trânsito dos suspeitos. A quarentena deve ser mantida durante um período igual ao da incubação da enfermidade e a ela devem ser submetidos os suspeitos de cólera, peste bubônica e febre amarela. Algumas das doenças infecciosas que facilmente tornam-se epidêmicas são a gripe, meningite, sarampo, tuberculose pulmonar, disenteria bacilar, raiva, febre tifóide, carbúnculo, lepra e maleita ou impaludismo.
Todas as doenças transmissíveis podem transformar-se em epidemias. No final do século XX, a síndrome de imunodeficiência adquirida (AIDS) adquiriu caráter epidêmico em algumas regiões da África, no Haiti e nas grandes cidades do mundo todo. Outras graves doenças infecciosas do passado, como a varíola e a poliomielite, se encontravam praticamente erradicadas por meio da vacinação em massa.


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