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Educação ambiental formal e não formal


  Meio Ambiente

Educação Ambiental Formal

Educação formal é o processo educativo institucionalizado, que acontece na rede de ensino, com estrutura curricular, formação de professores, com uma estrutura definida. A educação ambiental neste contexto ressalta a interdisciplinaridade do processo educativo, a participação do aluno e sua determinação para a ação e solução dos problemas ambientais e a integração com a comunidade (SEARA FILHO, 1992). Educação Ambiental Formal é entendida como aquela exercida como atividade escolar, de sala de aula, da pré-escola ao 3º grau (LEONARDI, 1999)

A educação ambiental no espaço formal vem sendo profundamente debatida e a dimensão dos desafios que impõem vem estimulando uma mediocrização que tem feito surgir as malfadadas disciplinas de Educação Ambiental. Estas disciplinas tendem a escorregar numa catequese ambiental, doutrinária que reforça o afastamento da discussão ambiental do cotidiano das pessoas, dificulta a percepção de que política ambiental é justamente a forma como um grupo social se autodetermina, produz suas técnicas e sua cultura.

É extremamente significativo o desafio da educação ambiental, de promover um debate inter(trans)disciplinar, de inserir-se de modo orgânico no cotidiano da escola e de alavancar um processo de restruturação da própria concepção da escola e de seu papel na sociedade.

Educação Ambiental Não-Formal

A Educação não-Formal é exercida em diversos espaços da vida social, pelas mais variadas entidades e profissionais em contato com outros atores sociais no espaço público ou privado (LEONARDI, 1999). Ou simplesmente aquele processo que se destina à comunidade como um todo (LEITE & MININNI-MEDINA, 2001).

Para Brandão (2002), a educação é popular, enfrentando a distribuição desigual de saberes, incorpora um saber como ferramenta de libertação nas mãos do povo, e deve ser desenvolvida no interior das práticas sociais e políticas e pode ter quatro diferentes sentidos: 1) educação da comunidade primitiva anterior à divisão social do saber; 2) educação do ensino público; 3) educação das classes populares e 4) educação da sociedade igualitária.

A educação ambiental não-formal usualmente possui um conteúdo educacional restrito mas fundamenta-se basicamente na promoção da participação. Os desafios relacionam-se basicamente em se encontrar um eixo pedagógico consistente, que articule as diferentes ações educacionais, é grande o risco do fazismo sem direção.

Interface Formal/Não-Formal

Como aponta Guattari (1990), as comunidades humanas imersas na tormenta tendem a curvar sobre si mesmas, deixando nas mãos dos políticos profissionais a função de reger a organização social. Em meio à individualização alienada e à atomização da sociedade crescentes, reforçadas pela migração, pelos meios de comunicação, violência e sentimento de impotência, subsistem espaços coletivos que buscam potência para a construção de alternativas e de utopias (Ferraro Jr. , 2003).

A sustentabilidade progressiva relaciona-se, destarte, à recostura do tecido social, para que venham a surgir comunidades que produzindo sua cultura, suas políticas, suas tecnologias, seu conhecimento acerca do ambiente, possam existir e perdurar com qualidade de vida (Ferraro Jr., 2003). A participação de cada indivíduo, neste processo, não é vista apenas como mera obrigação política, necessidade anti-distópica (contra o pesadelo da realidade), mas como imanente à sua condição humana, à alegria de viver sem ser governado, de poder em comunhão com os seus buscar utopias e sonhos (SAWAIA, 2000). Só a possibilidade de voar e sonhar pode enraizar e comprometer o indivíduo com seu espaço. Quem seriam os seus com os quais cada indivíduo há de produzir, em comunhão, a dinâmica social e ambiental? A comunidade teria inúmeros recortes possíveis, do indivíduo à família, ao conjunto de famílias de um local, ao conjunto de famílias de um município, de uma área de preservação ambiental, ao conjunto dos atingidos por barragens, ao conjunto dos sem-terra do país, ao grupo etário, ao grupo de gênero, ao grupo de interesses/sonhos. Todos devem produzir seu convívio, suas práticas cooperativas, sua cultura, seus meios, tecnologias e solidariedade (Ferraro Jr., 2003).

A relação face a face e o espaço geográfico não são fundamentais na configuração da comunidade, mas são suas bases cotidianas de objetivação. Nessa perspectiva, comunidade apresenta-se como dimensão temporal/espacial da cidadania, na era da globalização, portanto, espaços relacionais de objetivação da sociedade democrática, plural e igualitária. (SAWAIA, 1996, p.50-51). Assim, creio que a comunidade1 deva ser entendida como o espaço natural, ou o conceito que orienta a Educação Ambiental Popular, desta forma incidindo sobre a participação (Ferraro Jr. , 2003).

Assim sendo, existe uma cultura de aprofundamento entre as distâncias da educação formal e da não-formal. Aos olhos da imprensa burguesa e da institucionalidade patética o não-formal é tudo impregnado de ignorância, de pobreza, dos excluídos. Por outro lado, até mesmo uma escola perversa, ou um Estado cheio de vícios discriminatório e até desonesto é o que tem sentido e valor. O pior é que a universidade, dentro de uma concepção e lógica do mundo dos formais não tem se esforçado para quebrar este paradigma. Ao contrário, tem acirrado este clima. Nos tempos modernos, alguns passos têm sido dados na direção de se conhecer e se divulgar melhor as experiências existentes.

Alguns segmentos do poder público consideram e já acenam para políticas públicas dinamizadoras da validade e da riqueza dos processos e resultados da educação não-formal. Este quadro é animador e desafia a educação ambiental, que tem como lastro as duas vertentes da educação, a promover um encontro e uma prática voltada para a construção de uma educação para a sustentabilidade - sem cores, sem marcas, sem preconceitos, mas fundamentada numa sociedade solidária, sadia e promotora da inclusão social.

1 - Considere-se que o recorte de uma comunidade pode ser geográfico (urbano, rural, local, regional, global...) ou institucional (hospital, escola, universidade...) desde que haja relações face-a-face ou simplesmente qualquer interferência mútua entre grupos, indivíduos ou destes sobre o meio, que possam fazer sentido para estes grupos e indivíduos.


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