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Doença


  Patologias

Os agentes capazes de alterar o estado normal de um organismo são de origens muito diversas. É por esse motivo que a nosologia, capítulo da patologia geral que estuda as características de cada enfermidade, obedece a diferentes critérios, que podem ser anatômicos, fisiológicos, socioeconômicos, geográficos etc.
Doença é o estado de alteração da saúde física ou mental sob efeito de agentes perniciosos originados dentro ou fora do organismo. De uma dor de dente a um estado de coma, a doença pode assumir os mais diversos graus de intensidade e apresentar-se em qualquer época da vida.
Além de crônicas ou agudas, as doenças também podem ser, segundo sua causa ou etiologia: (1) carenciais, quando resultantes da falta de condições normais para o desenvolvimento orgânico (subnutrição, avitaminose e correlatas); (2) traumáticas, se provocadas por impacto físico ou emocional, inclusive do calor, do frio etc.; (3) tóxicas, se provindas da agressão de agentes químicos; (4) parasitárias, se suscitadas por vermes, fungos etc.; (5) infecciosas, quando desencadeadas por vírus, bacilos, bactérias; e (6) degenerativas, quando decorrem de processo inerente ao organismo, como a tendência ao envelhecimento dos tecidos (arteriosclerose, por exemplo) ou sua auto-agressão destruidora (cânceres em geral).

Nomenclatura das doenças. Na linguagem médica, a doença é freqüentemente designada pelo sufixo "patia" acrescentado ao nome, em grego, do órgão afetado,  como gastropatia (doença do estômago), pneumopatia (doença dos pulmões) ou cardiopatia (doença do coração) e assim por diante. Apesar das tentativas de certos autores, não existe regra para a designação das doenças, de tal modo que não é possível estabelecer uma sistematização, como se faz em outros ramos da biologia. A falta de uniformidade na designação das doenças deve-se ao fato de que a maioria foi descrita quando a patologia ainda não estava sistematizada, de modo que um sintoma ou aspecto morfológico era tomado como se fosse a própria moléstia e dava-lhe nome, depois consagrado pelo uso.
Verifica-se um grau maior de sistematização nas doenças baseadas em processo inflamatório, designadas pelo nome do órgão ou tecido a que se segue o sufixo "ite", em português -- como meningite, inflamação das meninges -- ou em latim ou grego, como hepatite, inflamação do fígado. Muitas moléstias, todavia, não obedecem à regra e outras são designadas pelo sufixo "ite" ainda que não sejam de natureza inflamatória. O sufixo "ose", que significa "estado de", também é de uso freqüente na nomenclatura das doenças: tuberculose (condição em que estão presentes tubérculos), esclerose (estado de endurecimento dos tecidos), arteriosclerose (endurecimento das artérias) e outras.
No caso de tumores, emprega-se o nome do tecido que ele imita seguido do sufixo "oma". Assim, fibroma designa tumor de tecido conjuntivo fibroso e condroma, do grego chondros, que significa cartilagem, designa o tumor cartilaginoso. Quando se trata de tumores malignos, usa-se o termo carcinoma, do grego karkinos, que significa caranguejo, para designar os tumores epiteliais; e sarcoma, do grego sarkós, que significa carne, para os tumores do tecido conjuntivo. Em outros casos, é o tipo de célula que dá nome ao tumor, como o linfossarcoma, assim chamado pelo aspecto -- semelhante ao de linfócitos -- das células que o constituem.


Moléstia. Chama-se moléstia o complexo de alterações funcionais e morfológicas, de caráter evolutivo, que se manifestam no organismo submetido à ação de causas estranhas, contra as quais reage. Como os seres vivos estão sujeitos, no meio em que vivem, a estímulos de toda natureza, são também hereditariamente aparelhados para reagir a tais estímulos por meio de mecanismos que procuram restabelecer automaticamente a homeóstase, ou seja, o equilíbrio com o meio. A fim de manter o equilíbrio funcional, isto é, a saúde, os seres vivos utilizam constantemente o mecanismo de compensação e adaptação de suas funções às variações do ambiente externo.
Se os estímulos forem exagerados, ou agirem bruscamente, ou ocorrerem  em fase de enfraquecimento daqueles mecanismos, o organismo não consegue manter o equilíbrio de suas funções e estruturas orgânicas, e sobrevém a moléstia. Esta não representa, pois, o desenvolvimento de um mecanismo novo, mas a conseqüência de um enfraquecimento dos mecanismos normais de compensação e adaptação.
Com certa freqüência, em exame clínico ou em  autópsia, o médico detecta uma doença de que o paciente não se queixava: é que os mecanismos de compensação permitiram ao organismo adaptar-se a esse estado mórbido. Trata-se sempre, porém, de um  equilíbrio lábil: bastaria a ação de qualquer agente pouco agressivo, às vezes mesmo não aparente, para desencadear os sintomas que evidenciam a moléstia. Por isso, não se deve confundir as manifestações clínicas com a doença, que pode estar presente desde o nascimento, com manifestações tardias.


Enfermidade, afecção e lesão. Enfermidade é a alteração de uma função, como, por exemplo, a cegueira, a miopia, a surdez etc., que pode ser a seqüela de uma moléstia. Afecção é a alteração de um órgão e pode provir também de uma moléstia. Por exemplo, a febre reumática, mesmo depois da cura, pode deixar alterada permanentemente a válvula mitral. Essa alteração denomina-se afecção. Lesão é a alteração de uma estrutura anatômica, que pode ser de pele, músculo, cerebral etc.


Sintomas. Denomina-se sintoma toda manifestação anormal do organismo, como dor, fraqueza, febre, diarréia, emagrecimento e hemorragia. Constitui, assim, a expressão fundamental da alteração da saúde e, portanto, o sinal de alarme da doença. As moléstias se configuram pela identificação de um conjunto de sintomas, alguns mais importantes, outros menos, mas todos relacionados à mesma causa.
O estudo dos sintomas pertence ao ramo da patologia denominado sintomatologia. Os sintomas podem ser objetivos e subjetivos. Os primeiros são verificados pelo médico pela palpação, percussão e ausculta e os demais, como dores, tontura e fraqueza, são referidos pelo doente. Em geral, o doente procura o médico por causa de um ou mais sintomas subjetivos, que constituem o ponto de partida para a consulta e o exame, pelos quais se verifica o conjunto de sintomas, se emite um diagnóstico e se determina uma terapia. Ao conjunto de sintomas chama-se síndrome.


Sinais. Denomina-se sinal o fenômeno aparente por meio do qual se chega à identificação da doença. Quando o médico percute o tendão de inserção do músculo quádriceps situado logo abaixo da rótula, por exemplo, a perna realizará um brusco movimento de extensão, chamado reflexo patelar. A falha dessa resposta denomina-se sinal de Westphal. Na semiologia clínica, assim como na semiologia das diversas especialidades médicas, estudam-se os sinais próprios de cada doença.


Moléstias infecciosas
Dá-se o nome de moléstias infecciosas aos processos mórbidos provocados por microrganismos -- vírus verdadeiros, clamídias (psitacose, linfogranuloma venéreo e tracoma), rickéttsias, bactérias, fungos e protozoários -- ou por helmintos (vermes).


Infecção. Nem toda infecção é, por si mesma, sinônimo de doença infecciosa, pois a entrada e o desenvolvimento de um agente infeccioso no organismo nem sempre determinam o aparecimento de manifestações clínicas. Na patologia infecciosa cada vez mais se estabelece e se confirma, com dados laboratoriais, o conceito de infecção sem doença. Assim, na tuberculose, lepra, poliomielite, caxumba, citomegalia, coccidioidomicose, blastomicose sul-americana, criptococose e histoplasmose pode ocorrer infecção sem doença, sob forma inaparente ou assintomática, ou com manifestações passageiras. Diagnosticam-se tais quadros por meio de provas sorológicas ou reações intradérmicas de leitura tardia, com os antígenos competentes. Quando, em determinada coletividade, um grupo populacional apresenta alta incidência de positividade para determinada reação intradérmica, é quase certa a ocorrência da doença correspondente.
Como se adquire uma infecção. Todos os microrganismos e helmintos patogênicos para o homem atingem o organismo de quatro formas possíveis: por contágio, mediante um veículo de transmissão (fômite), por intermédio de um vetor ou pelo ar.
O contágio pode ser direto ou indireto. O primeiro se dá quando há contato físico com o indivíduo infectado e o contágio indireto ocorre quando há contato com objetos contaminados, como brinquedos, roupas e instrumentos cirúrgicos, com transferência do material contaminante à boca, pelas mãos, ou pela contaminação das mucosas ou da pele, escoriada ou intacta.
Por implicar a associação relativamente íntima de duas ou mais pessoas, deve ainda ser considerada a forma de infecção por contágio ou disseminação de gotículas de muco ou saliva, projetadas na conjuntiva, na face, na boca ou no nariz de um indivíduo por outro infectado, no ato de espirrar, tossir, cantar ou falar. Tais gotículas, chamadas perdigotos, raramente alcançam mais de um metro de distância do ponto de onde emanam. As secreções oronasais compreendem as gotículas de Flügge e os núcleos de Wells. A distinção entre ambos é importante, porque apresentam diferentes modalidades de transmissão e profilaxia diversa.
São veículos de transmissão a água, os alimentos, o leite, produtos biológicos, inclusive soro e plasma, ou qualquer substância que sirva de meio pelo qual um agente infeccioso possa ser transportado de determinado receptáculo para o organismo de um hospedeiro suscetível, por ingestão, inoculação ou deposição na pele ou nas mucosas.
A transmissão por vetor se dá quando há intervenção de artrópodes ou outros invertebrados, que inoculam o agente patogênico na pele ou nas mucosas pela picada ou pela deposição de material infectante na pele, nos alimentos ou em objetos. O próprio vetor ou transmissor pode ser infectado (nessa condição, denominado infectante) ou atuar apenas como portador passivo, mecânico, do agente infeccioso.
A transmissão da infecção pelo ar pode verificar-se: (1) pela inalação dos minúsculos resíduos resultantes da evaporação de gotículas buconasais e que permanecem suspensos no ar em locais fechados, por tempo relativamente longo; (2) pela inalação ou assentamento, na superfície do corpo, de partículas provenientes do solo ou de pisos, roupas e outros objetos contaminados, que em geral permanecem em suspensão por um período.
O agente etiológico transfere-se de uma fonte primária de infecção para um novo hospedeiro por três fases: vias de eliminação, vias de transmissão e vias de penetração. As vias de eliminação são aquelas pelas quais o agente etiológico é eliminado do organismo de um portador para o meio ambiente ou para o organismo de um vetor hematófago. As vias de transmissão são conjuntos de veículos pelos quais se faz a transferência do agente etiológico de uma fonte primária para um novo hospedeiro. Por fim, as vias de penetração são aquelas pelas quais um agente etiológico penetra num hospedeiro. Em geral, essa penetração se efetua pela mesma via que serviu como via de eliminação do caso clínico ou portador.


Diagnóstico e tratamento. O diagnóstico das doenças infecciosas fundamenta-se em dados clínicos (sintomas e sinais) e exames laboratoriais. Febre, dores de cabeça, musculares ou nas articulações, rigidez da nuca, aumento do tamanho do baço e afecções cutâneas são sintomas e sinais que podem ocorrer em uma série de doenças infecciosas. Do ponto de vista clínico, por exemplo, paciente com febre súbita e elevada, intensa dor de cabeça, vômitos, rigidez da nuca e eventual obnubilação mental é suspeito de meningite.
O diagnóstico de laboratório baseia-se na demonstração microscópica do agente infectante, seu isolamento e identificação. Provas sorológicas e intradérmicas são também comumente utilizadas, tais como a reação de Widal, para a febre tifóide, a reação de Wassermann, para a sífilis, a reação de Frei, para o linfogranuloma venéreo e outras. São de grande utilidade exames auxiliares como o hemograma, a hemossedimentação, transaminases, mucoproteínas, exames radiológicos e outros, cujos resultados devem ser considerados à luz dos dados clínicos.
O tratamento dos processos infecciosos sofreu modificação radical com o advento dos quimioterápicos e antibióticos. Apenas as viroses não são passíveis de tratamento específico. Em tais casos, faz-se a chamada terapêutica sintomática, acompanhada de repouso e de medidas higiênicas e dietéticas.
Medicina tropical
Os fatores geográficos são de significativa importância na criação e manutenção dos chamados nichos ecológicos naturais, principalmente no caso das doenças que têm um reservatório na natureza fora do corpo humano e um vetor biológico que transmite o agente infectante. Não há dúvida de que as doenças infecciosas e parasitárias são influenciadas, em sua evolução, pelas condições climáticas do meio ambiente, de modo que muitas se revestem de características especiais.
Em medicina tropical, o método clínico aplicado ao exame do doente é indissociável do método epidemiológico. É preciso sempre correlacionar o estudo do doente com o conhecimento do ambiente onde vive, de seu biótipo, de como se desenvolvem os fenômenos e problemas de ecologia associados à comunidade a que ele pertence.


Grupos nosológicos. A patologia tropical abrange, segundo Carlos Chagas, três grupos nosológicos, a saber: doenças cosmopolitas, modificadas nos trópicos; doenças predominantemente mais difundidas e em geral mais graves nos países tropicais, mas que se observam em algumas regiões temperadas ou mesmo nas regiões mais frias da terra, em circunstâncias artificiais; e, finalmente, doenças exclusivas dos países tropicais e subtropicais.
Nem só os germes patogênicos experimentam a ação do clima e, assim, variam de virulência e de capacidade morbígena. Também o organismo humano é influenciado pelos mesmos fatores, que determinam desvios e adaptações no metabolismo normal e, igualmente, alteram e regulam os processos fisiopatológicos, nos quais se expressam as resistências funcionais à agressão parasitária. Desse modo, ainda segundo Chagas, modificando a ação e as reações patogênicas, ou seja, atuando sobre os fenômenos biológicos fundamentais que se exteriorizam na doença, o clima delineia o perfil da nosologia nos países quentes.
Não faltam, portanto, à patologia desses países, características fundamentais que a delimitam como ramo especial da medicina e definem bem seus objetivos. A patologia tropical é, acima de tudo, aquela que se refere às doenças infecciosas e parasitárias. Assim, no vasto capítulo das parasitoses é que se revelam mutações qualitativas e quantitativas atribuíveis ao clima.


Doenças transmissíveis no Brasil
As condições de vida no Brasil são de marcante tropicalidade e, nos trópicos, os fatores de ordem geográfica interferem decisivamente na formação dos germes produtores das infecções, bem como na atividade dos agentes de sua difusão. Constituem-se com facilidade os "complexos patogênicos" de Maximilien Sorre, englobados pelo homem e seu habitat, os vetores biológicos e os reservatórios do agente causal, inclusive todos os elementos do ciclo evolutivo do parasita.
Vários são os complexos patogênicos que se formam nas zonas tropicais. Muitos desses fatores garantem a certas doenças tropicais o caráter endêmico e dão origem a processos mórbidos autóctones ou modificam as doenças cosmopolitas. O solo, vegetação, aspectos zoogeográficos, índice pluviométrico, tipos de habitação, hidrografia, temperatura ambiente, nível de umidade e outros fatores geográficos e meteorológicos interferem com maior ou menor intensidade nos nichos ecológicos naturais.


Mortalidade no Brasil. Por fatores diversos, as doenças transmissíveis continuam a pesar nas estatísticas sanitárias do país, bem como no obituário em geral. O Brasil do final do século XX ainda se caracterizava como país de elevada mortalidade da população jovem, provocada principalmente por diarréias infecciosas, gripe, pneumonia, tuberculose pulmonar, sarampo e tétano, além da AIDS. Merecem ainda citação, mais pela incapacidade que provocam do que pelas mortes que causam, a malária, esquistossomose, doença de Chagas, lepra e ancilostomíase, ainda que a avaliação da saúde da população brasileira seja limitada pela precariedade dos dados disponíveis.
Assim se resumem as características de morbidade no país:


Região Norte. Alta incidência de malária; ocorrência de elevada taxa de prevalência da lepra, febre amarela silvestre e outras arboviroses na mata amazônica; importante foco de filariose em Belém.

 
Região Nordeste. Ampla disseminação da esquistossomose e da doença de Chagas; focos residuais de peste; extensos focos de tracoma; elevada incidência de malária nos estados do Maranhão, Piauí e Bahia; importantes focos de leishmaniose nos estados do Ceará e Bahia e de filariose em Recife; focos de cólera.


Região Centro-Oeste. Alta incidência de malária;  prevalência de bócio endêmico e de lepra; ocorrência epizoótica de febre amarela silvestre; ampla disseminação da doença de Chagas no estado de Goiás.


Região Sudeste. Ampla incidência de malária e de esquistossomose; elevada taxa de prevalência de bócio endêmico e de lepra; importantes focos de brucelose;  disseminação da doença de Chagas em Minas Gerais; grande área endêmica de doença de Chagas no estado de São Paulo.


Região Sul. Áreas de bócio endêmico; baixa incidência de tracoma; moderada incidência de brucelose; larga disseminação da doença de Chagas, principalmente no estado do Rio Grande do Sul; importante área malarígena em Santa Catarina.


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