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Crise Ambiental, Desenvolvimento Sustentável e Ecoeconomia


  Meio Ambiente

Grandes mudanþas marcam o cenßrio mundial. A globalizaþÒo rompe as barreiras dos mercados mundiais estimulando a competitividade e pressionando a produþÒo (Jenschke, 2003). As informaþ§es, antes limitadas a pequenos grupos, tornaram-se acessÝveis e virais, espaþo e tempo deixam de ser obstßculos (Vieira, 1998) e com isso oportunidades se abriram para novos neg¾cios e novos mercados. Ao mesmo tempo, a populaþÒo tomou conhecimento de uma iminente crise ambiental e dos efeitos que ela pode provocar na sustentaþÒo da espÚcie humana na Terra.

Os transtornos na natureza vÒo alÚm das mudanþas climßticas, elas possuem efeitos econ¶micos locais, onde, por exemplo, pesqueiros perdem seu meio de sobrevivÛncia e deixam de distribuir o seu produto para a populaþÒo, terras agrÝcolas deixam de ser fÚrteis e florestas repletas de matÚria-prima desaparecem. Catßstrofes naturais como enchentes, secas, terremotos e incÛndios florestais aumentam a cada dia sob o efeito da atividade humana (Brown, 2003).

Segundo reportagem da Revista Veja Online (2006, P.139), a OrganizaþÒo Meteorol¾gica Mundial (OMM) avaliou o clima do planeta e a sua relaþÒo nos desastres naturais e divulgou na prÚvia do relat¾rio anual do ano de 2006 que "Todos esses transtornos sÒo decorrÛncia do aumento de apenas 1 grau na temperatura mÚdia do planeta nos ·ltimos 100 anos". Esse aumento de temperatura Ú decorrente da emissÒo na atmosfera de di¾xido de carbono (CO2), gßs responsßvel pelo efeito estufa (Pinto & Santos, 2010). Um alerta da OMM, citado na mesma revista, Ú que se nos mantivermos inertes em relaþÒo Ó crise ambiental, a temperatura mÚdia do planeta aumentarß entre dois e 4,5 graus atÚ 2050. Portanto, a nossa atenþÒo deve transcender os dados ou a expectativa dos acontecimentos focando no que podemos fazer para mudar esse cenßrio crÝtico.

O primeiro encontro internacional para discutir a crise ambiental e as necessidades de outro modelo de desenvolvimento foi a ConferÛncia sobre mudanþas climßticas, em Estocolmo, no ano de 1972. A partir dessa conferÛncia outras surgiram, com destaque para a Rio 92 (1992), a Kyoto (1997), a Rio+10 (2002) e, mais recentemente, a Rio+20 (2012).

AlÚm dessas conferÛncias, em 1983, a Assembleia Geral do ONU criou a ComissÒo Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, presidida por Gro Harlem Brundtland. Desse encontro foi gerado um relat¾rio, o "Nosso Futuro Comum", que determinou metas para a viabilizaþÒo de um novo conceito de desenvolvimento chamado sustentßvel. (Layrargues, 1997).

Um ponto importante trazido pelo relat¾rio "Nosso Futuro Comum" foi o alerta sobre os recursos naturais serem limitados, e, portanto, termos que buscar meios de proporcionar o bem-estar das geraþ§es futuras, mas sem ignorar as necessidades da geraþÒo atual que jß sofre por causa das disparidades sociais. Assim, o desenvolvimento sustentßvel tem como objetivos integrar e compatibilizar o desenvolvimento econ¶mico e social e a qualidade ambiental (CMMAD, 1991).

No entanto nem todos os paÝses estÒo tendo aþ§es em prol do desenvolvimento sustentßvel. Um exemplo dessa afirmaþÒo Ú que apesar do pacto estabelecido no Protocolo de Kyoto (1990) visar Ó reduþÒo de 55% das emiss§es totais de di¾xido de carbono no mundo, alguns paÝses nÒo aderiram ao acordo. O exemplo mais emblemßtico Ú o dos Estados Unidos, maior emissor mundial de carbono na atmosfera. Por nÒo aderir ao protocolo, deixou de lado o seu poder de modificar o clima mundial (Brown, 2003). A emissÒo irresponsßvel de carbono na atmosfera por parte das empresas traz ainda outro problema alÚm do impacto negativo no ecossistema: os prejuÝzos econ¶micos bilionßrios nas ßreas afetadas por catßstrofes naturais (Brown, 2003). Isso se configura em mais um fator incentivador para a mudanþa de atitude empresarial.

Nesse contexto, mais consciente dos processos mercadol¾gicos, das aþ§es e de prßticas das empresas, negativas e positivas, em determinados segmentos, o consumidor passou a ter, cada vez mais, uma atitude proativa na escolha de seus produtos e serviþos (GuimarÒes, 2006). Diante dessa realidade, o mercado produtor passou a verificar a necessidade de se reinventar para acompanhar as mudanþas no comportamento do consumidor. Empresas preocupadas em manter a sua lucratividade acirraram suas disputas e esse cenßrio tornou-se estimulante para o investimento em inovaþ§es verdes como diferencial competitivo (Pereira & Lima, 2008).

Entretanto, o desenvolvimento sustentßvel Ú um tema ainda emergente e com diversas controvÚrsias. Ele pode ser considerado uma evoluþÒo do conceito de ecodesenvolvimento, mas alguns autores discordam e apontam diferenþas. ╔ o caso de Layrargues (1997) que cita que o desenvolvimento sustentßvel nÒo visa Ó reduþÒo do consumo como faz o ecodesenvolvimento. Sendo assim, o desenvolvimento de paÝses pobres forþaria a exploraþÒo em massa de recursos naturais para atender Ó demanda.

Por outro lado, como observado por Brown (2003), Ú necessßrio haver uma mudanþa de comportamento na qual os recursos naturais seriam tratados como finitos e quando um recurso comeþasse a dar sinais de queda na oferta, investimentos alternativos equilibrariam o consumo e a oferta por tal bem. Com isso, o aumento do consumo nÒo teria um efeito agressor como sup§e Layrargues (1997) em sua critica ao possÝvel aumento de consumo presente no cenßrio proposto pelo conceito de desenvolvimento sustentßvel.

Para Brown (2003), a realidade atual indica que se nÒo acontecerem grandes mudanþas, as catßstrofes irÒo destruir boa parte dos recursos naturais hoje disponÝveis. Analisando as consequÛncias negativas desse alerta, o impacto preocupa as condiþ§es de sobrevivÛncia humana em longo prazo. Em curto prazo, a crise ambiental prejudica os economistas que planejam um futuro econ¶mico: a economia para sobreviver precisa que empresas possuam recursos naturais no longo prazo, desenvolvendo os produtos e serviþos demandados pela populaþÒo.

Apesar de o planeta estar dando sinais de que estamos vivendo uma crise ambiental, ainda Ú muito difÝcil mudar a mentalidade dos investidores que Ú voltada Ó geraþÒo de riquezas econ¶micas no curto prazo. No modelo de ecoeconomia proposto por Brown (2003), a presenþa de ec¾logos nos neg¾cios Ú essencial para ajudar a reestruturar a economia, disponibilizando informaþ§es tÚcnicas necessßrias para a conscientizaþÒo da situaþÒo ambiental mundial.

Para Brown (2003), em uma ecoeconomia, as principais mudanþas seriam a estabilizaþÒo da populaþÒo; a mudanþa na geraþÒo de energia proveniente do petr¾leo, carvÒo e gßs natural para a energia e¾lica, solar e geotÚrmica; a reestruturaþÒo do modelo linear de descarte para um modelo cÝclico de reutilizaþÒo e reciclagem; mudanþas nas prßticas agrÝcolas, respeitando o solo e dando fim ao desmatamento que ocorre na produþÒo de alimentos.

Por fim, a ideia central da ecoeconomia Ú a reestruturaþÒo econ¶mica alinhada aos princÝpios ecol¾gicos promovendo mudanþas reais no tempo que ainda temos disponÝvel (Brown, 2003).

No caso do Brasil, o paÝs tem grande potencial para se enquadrar em uma ecoeconomia, como se verifica pela conclusÒo do Instituto InovaþÒo (2003, p.08):

O Brasil, que possui imensas ßreas de plantio agrÝcola, um grande potencial de geraþÒo de energia atravÚs de fontes renovßveis, uma rica bacia hidrogrßfica e a maior biodiversidade do planeta, Ú um dos paÝses melhor posicionados para explorar a valorizaþÒo das prßticas ecologicamente corretas e internalizar a imagem "verde" em seus produtos. Dessa maneira, o paÝs poderß aumentar o volume de seus neg¾cios com o restante do mundo, atendendo Ós exigÛncias regulat¾rias e dos pr¾prios consumidores, e garantindo assim, uma alternativa sustentßvel de geraþÒo de riqueza para sua populaþÒo (Instituto InovaþÒo, 2003, p. 08).


ReferÛncias:

BROWN, L. R. Eco-Economia: construindo uma economia para a terra. Salvador: UMA. 2003.
CMMAD (COMISSAO MUNDIAL PARA O MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO). Nosso Futuro Comum. Rio de Janeiro, Ed. FGV, 1991.
GUIMAR├ES, A. F. Marketing verde e a propaganda ecol¾gica: uma anßlise da estrutura da comunicaþÒo em an·ncios impressos. 2006. Tese (Doutorado em AdministraþÒo) - Faculdade de Economia, AdministraþÒo e Contabilidade, Universidade de SÒo Paulo, SÒo Paulo, 2006.
INSTITUTO INOVAÃ├O. Econeg¾cios: As "Inovaþ§es Verdes" como Oportunidades de Neg¾cio. 2007. DisponÝvel em http://inventta.net/wp-content/uploads/2010/07/inovacao_econegocios.pdf .
JENSCHKE, B. A cooperaþÒo internacional: desafios e necessidades da orientaþÒo e do aconselhamento em face das mudanþas mundiais no trabalho e na sociedade. Rev. bras. orientac. prof [online]. 2003, vol.4, n.1-2, pp. 35-55.
LAYRARGUES. P. P. Do ecodesenvolvimento ao desenvolvimento sustentßvel: EvoluþÒo de um conceito?  Proposta, v.25(71), p. 5-10. 1997.
PEREIRA, A. M.; LIMA, D. A. L. L. Os Impactos Ambientais e as Oportunidades de Neg¾cios: Estudos de Casos. IV Encontro Nacional da Anppas. 4, 5 e 6 de junho de 2008. BrasÝlia - DF - Brasil
PINTO, F.; SANTOS, R. Potenciais de reduþÒo de emiss§es de di¾xido de carbono no setor de transportes: um estudo de caso da ligaþÒo hidrovißria Rio-Niter¾i. ENGEVISTA, AmÚrica do Norte, 6, fev. 2010.
SOUZA, O.; CAMARGO,  L.7 megassoluþ§es para um megaproblema. Veja Online, 2006. DisponÝvel em: http://veja.abril.com.br/301206/p_138.html.
VIEIRA, L. Cidadania e globalizaþÒo. 8║ Ed. - Rio de Janeiro: Record, 2005.
AUTOR: Isabela Medeiros


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