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Coruja


  Taxonomia
Devido a seu aspecto estranho, à voz lúgubre e aos hábitos noturnos e solitários, muitos povos viram nas corujas emissários de bruxas e agentes de poderes maléficos. É comum serem associadas a desgraças, conspirações e feitiçaria.
Ave de rapina da ordem dos estrigiformes, a coruja está classificada em duas famílias: a dos estrigídeos, da qual ocorrem no Brasil 11 gêneros, e a dos titonídeos, que inclui somente a suindara. O nome mocho ocorre como sinônimo, sendo mais usado para indicar estrigídeos. Todas as corujas se identificam pela atividade da caça, empreendida sobretudo ao crepúsculo e nas primeiras horas da noite. Com o bico curto, curvo e forte, e as garras em que terminam os quatro dedos das patas, apanham ratos, morcegos, gambás pequenos, rãs, lagartos e passarinhos. A parte não digerida do que engolem --, ossos, pêlos, penas --, transforma-se no estômago em pelotas que as corujas vomitam.
As corujas estão dispersas por todos os continentes, exceto a Antártica. Os olhos grandes, quase imóveis, voltados para a frente, e não, como nas outras aves, para os lados, permitem-lhes visão binocular, como a do homem. Enxergam bem de dia e à noite, girando a cabeça até 270o. Mas sua capacidade visual é pequena se comparada à auditiva, pela qual se orientam, na escuridão absoluta, para apanhar suas presas. A função do ouvido é tão vital para as corujas quanto, nos cães, a função do faro.
Na alimentação das corujas brasileiras predominam porém insetos. Até corujas grandes, como os murucututus do gênero Pulsatrix, são em boa parte insetívoras. Mas uma análise de pelotas residuais da  suindara indicou uma dieta composta por 87% de ratos, 10% de marsupiais (gambás), 2% de aves e 1% de morcegos. A suindara (Tyto alba), de 37cm, também chamada de coruja-de-igreja ou coruja-branca, está separada das outras por razões anatômicas. Tem a cara mais comprida, grito fortíssimo, emitido freqüentemente em vôo, e é das mais comuns no Brasil, inclusive em grandes cidades. Nas três Américas são reconhecidas 13 raças geográficas de Tyto alba.
No Brasil, são ainda comuns: a coruja-buraqueira (Speotyto cunicularia), de 23cm, com traços cor de terra na plumagem, que se aninha em tocas escavadas com os pés; a corujinha-do-mato ou corujinha-orelhuda (Otus choliba), de 22cm; a coruja-de-carapuça, de 39cm (Lophostrix cristata), que se destaca pelos penachos das orelhas, uma adaptação para absorver mais som; e o mocho-orelhudo (Bubo virginianus), de 52cm, também chamado de corujão-orelhudo ou jacurutu, que é a maior espécie do continente. Como todas estas, os caburés do gênero Glaucidium, de 14 a 16,5cm, também são corujas estrigídeas. As corujas se aninham em árvores ocas, em ninhos abandonados de outras aves ou no solo. O período de incubação, menor na buraqueira, maior no corujão, varia de 23 a 30 dias. Os filhotes abandonam os ninhos com três a cinco semana.

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