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Calcário


  Bioquímica

As pirÔmides ou as mastabas do Egito, que tÛm mais de 4.500 anos, eram construÝdas basicamente com calcßrio e argamassa, ou seja, mistura de um aglutinante com areia e ßgua. A rocha calcßria continuou a ser utilizada por gregos e romanos em suas obras, monumentos e estßtuas. Modernamente o calcßrio Ú material nobre empregado na construþÒo e elemento bßsico para diversas ind·strias.
Calcßrio Ú uma rocha sedimentar composta de calcita -- variedade cristalina do carbonato de cßlcio (CaCo3) -- em proporþÒo superior a cinq³enta por cento, com Ýndices varißveis de impurezas. Embora o termo calcita se tenha difundido em 1845, jß no sÚculo XVII extraÝa-se em quantidades considerßveis o mineral conhecido como espato-da-islÔndia. Seu estudo permitiu que, em 1678, Christiaan Huygens descobrisse as leis da dupla refraþÒo. Do mesmo modo, a pesquisa da calcita serviu de base para que RenÚ-Just Ha³y desenvolvesse a teoria da estrutura cristalina. Trabalhando tambÚm com esse mineral, ╔tienne-Louis Malus descobriu a polarizaþÒo da luz.
Em sua acepþÒo mais ampla, denomina-se calcßrio o conjunto de materiais calcßrios, de que fazem parte o mßrmore, a greda, o travertino, o coral e a marga. As rochas classificadas como calcßrios comerciais contÛm quantidades varißveis de carbonato de magnÚsio: quando a proporþÒo Ú inferior a cinco por cento, denomina-se calcßrio rico em cßlcio; quando se situa entre cinco e trinta por cento, Ú magnesiano; e quando contÚm de 30 a 45%, recebe o nome de dolomÝtico.
Os calcßrios ricos em cßlcio e dolomÝticos sÒo de cor branca em estado puro. As tonalidades naturais, contudo, oscilam em uma vasta gama devido Ós muitas impurezas que contÛm. Por exemplo, o ¾xido de ferro lhes dß coloraþÒo amarela, vermelha ou parda, e a pirita, a siderita e a marcassita alteram a cor superficial ao se oxidarem.


ClassificaþÒo e origem. A diferenciaþÒo das distintas espÚcies de calcßrio tem constituÝdo uma fonte de divergÛncia entre os pesquisadores dedicados Ó sistematizaþÒo dos minerais. Em linhas gerais, os calcßrios distribuem-se em dois grupos principais: o das rochas al¾ctones e o das aut¾ctones. As primeiras sÒo as que se formam a partir de rochas jß existentes por transporte e deposiþÒo de carbonatos por meio das correntes de ßgua. As aut¾ctones, por seu lado, originam-se ex novo por agregaþÒo de carbonatos.
No que diz respeito a sua origem, os calcßrios utilizam mecanismos de combinaþÒo quÝmica, processos induzidos pela atividade de organismos marinhos (rochas pelßgicas) e acumulaþ§es de restos calcßrios de diversos animais de concha (rochas detrÝticas).

Aplicaþ§es. Os calcßrios sÒo as rochas sedimentares, ou seja, desenvolvidas por agregaþÒo, de maior interesse econ¶mico por seu emprego na construþÒo. Algumas variedades, como as que apresentam coloraþ§es peculiares, utilizam-se para fabricar pedras decorativas. Embora muito conhecidas como mßrmores, esse termo se deve reservar Ós recristalizadas em processos metam¾rficos. A calagem de solos com calcßrio pulverizado e cal estimula a produþÒo das terras, ao diminuir a acidez e proporcionar nutrientes Ós plantas. Em forma de pedra partida, usa-se como amßlgama para formaþÒo de cimento ou construþÒo de estradas. AlÚm disso, constitui o chamado lastro, camada pÚtrea no meio dos trilhos das ferrovias que serve de assento para os dormentes. Apresenta tambÚm m·ltiplas aplicaþ§es quÝmicas: nos processos metal·rgicos, como fundente; em operaþ§es de fabrico de polpa de papel; e na neutralizaþÒo de ßcidos. A fabricaþÒo de cimento consome elevada percentagem do calcßrio utilizado nos diferentes setores da tecnologia e da ind·stria.
Hß no Brasil importantes e numerosas jazidas de calcßrio nos terrenos prÚ-cambrianos; ocorre tambÚm nas formaþ§es carbonÝferas da Amaz¶nia, nos terrenos permianos do sul do Brasil, nos terrenos cretßceos e tercißrios do Nordeste e outros.


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