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Balcãs


  Geografia Fisica

Durante o século XIX, os países balcânicos, que faziam parte do império otomano, foram-se tornando independentes e formaram um complexo mosaico de estados. Os conflitos étnicos, religiosos e políticos da região desencadearam, em 1914, a primeira guerra mundial e, no final do século XX, a guerra civil da Iugoslávia.

Balcãs é o nome da cadeia montanhosa chamada Haemus pelos antigos romanos e, por extensão, da península onde ela se localiza, a mais oriental das três penínsulas europeias. Circundam a península balcânica os mares Adriático e Jônico, a oeste, Egeu e de Mármara, ao sul, e Negro, a leste. O limite norte é dado pelo rio Danúbio e seu afluente, o Sava, embora alguns países considerados balcânicos se estendam para além desses rios. Os países balcânicos são: Grécia, Albânia, Bulgária, Macedônia, Iugoslávia, Bósnia-Herzegovina, Croácia, Eslovênia e Romênia. Não se costuma incluir entre eles a Turquia, embora sua parte europeia se encontre na península.
Os principais sistemas montanhosos são os Cárpatos, na Romênia; os Balcãs e os Ródope, na Bulgária; o Pindos, na Grécia, e os Alpes dináricos, na Bósnia, Iugoslávia e Albânia. O clima é predominantemente mediterrâneo, com variações devidas à altitude, ao regime de ventos e à distância do mar. Além do Danúbio e seus afluentes Sava e Morava, os principais rios balcânicos são o Neretva, o Maritza e o Vardar.


Da antiguidade à formação dos estados. No extremo-sul da península balcânica floresceram as grandes civilizações helênicas -- Creta, Micenas e Grécia, que por volta do século IV  a.C. passaram a influenciar o centro e o norte da região. Mais tarde constituiu-se na Macedônia o império de Alexandre o Grande e, a partir do século II, Roma iniciou a conquista da península.

Quando o imperador Teodósio dividiu o império romano, no final do século IV, o norte da porção adriática da península ficou incluído no império ocidental, enquanto a maior parte passava para o domínio de Bizâncio. Ainda persistem as diferenças culturais consequentes da divisão: a Croácia e a Eslovênia, majoritariamente católicas, são os países mais ocidentalizados da região. As demais populações balcânicas são cristãs ortodoxas ou muçulmanas.

Os povos eslavos que se estabeleceram na região impuseram progressivamente suas línguas às populações autóctones, que no decorrer dos séculos IX e X converteram-se ao cristianismo e formaram estados relativamente independentes. Os cruzados, no século XIII, contribuíram para a decomposição do estado bizantino. A partir da batalha de Kosovo, em 1389, em que os turcos otomanos derrotaram búlgaros e sérvios, os Balcãs permaneceram sob o império turco até o final do século XVII.

Durante o século XVIII, acentuou-se a superioridade econômica, política e científica das potências europeias sobre o império otomano, já decadente. Nos cem anos seguintes, com apoio da Áustria, da Rússia e do Reino Unido, os estados balcânicos tornaram-se independentes. A Grécia e a Sérvia se constituíram como estados em 1829 e 1830. A Moldávia (Moldova) e a Valáquia conquistaram a autonomia em 1861 e a independência definitiva no Congresso de Berlim em 1878, mesmo ano em que a Bulgária adquiriu a autonomia parcial. Em 1908 a Bósnia-Herzegovina integrou-se ao império austro-húngaro e a Bulgária proclamou sua independência total. A Albânia tornou-se independente quatro anos depois.


Século XX. A disputa pelos territórios turcos nos Balcãs, entre a Turquia a os países da península, marcou os primeiros anos do século XX com as chamadas guerras balcânicas. Em 1912, a Grécia, a Bulgária, a Sérvia e Montenegro declararam guerra ao império otomano. O Tratado de Londres, firmado no ano seguinte, impôs à Turquia a perda de quase todas as suas possessões europeias e da ilha de Creta. A disputa pelos territórios arrebatados aos turcos provocou uma guerra entre a Bulgária e seus aliados da guerra de independência, aos quais se uniram a Romênia e a própria Turquia. A paz de Bucarest retomou da Bulgária os territórios recém-adquiridos.

Em 1914, a rivalidade entre a  Rússia e a Áustria pelo domínio da região desencadeou a primeira guerra mundial. A derrota do império austro-húngaro e da Alemanha para os aliados (Reino Unido, França e Rússia) provocou uma nova organização política no território balcânico. Constituiu-se o reino da Iugoslávia, com territórios austríacos e regiões da Sérvia, Montenegro e Macedônia; a Turquia perdeu quase todos os territórios europeus e a Grécia conquistou a Trácia oriental e várias ilhas.

Ao fim da segunda guerra mundial, a península ficou dividida em duas zonas de influência: a Grécia e a Turquia tornaram-se membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e os demais países -- Iugoslávia, Albânia, Bulgária e Romênia -- se alinharam com o bloco socialista capitaneado pela União Soviética.

A Albânia, cujo governo socialista aderiu à linha pró-chinesa, e a Iugoslávia desligaram-se do Pacto de Varsóvia posteriormente. No início da década de 1990, a desagregação da União Soviética e do bloco socialista trouxe novos conflitos políticos à península balcânica. As declarações de independência da Croácia, Eslovênia e Bósnia-Herzegovina provocaram violenta reação da Sérvia e das minorias sérvias desses países, o que desencadeou uma guerra alimentada por históricas rivalidades étnicas e religiosas. E mesmo dentro da própria Sérvia, a maioria albanesa da província de Kosovo protestava com violência contra a anexação do território pelos sérvios.


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