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Arte


  Histologia

Em pelo menos uma caracterÝstica, o espÝrito humano mais rudimentar se assemelha Ó requintada inteligÛncia abstrata de civilizaþ§es altamente intelectualizadas: a disposiþÒo de criar formas que expressem a incansßvel busca da beleza, em condiþ§es hist¾ricas, sociais, tÚcnicas e psicol¾gicas varißveis no tempo e no espaþo. A melhor expressÒo dessa busca necessßria do belo tem sido, sem d·vida, a obra artÝstica.

Entendida a palavra arte como manifestaþÒo expressiva fundamentalmente visual, na qual o homem cria e recria mundos naturais e fantßsticos, tomando por base elementos materiais que ele trata com virtuosismo tÚcnico, Ú necessßrio considerar a multiplicidade de valores que se conjugam na configuraþÒo da obra de arte. Em primeiro lugar situa-se o artista, capaz de transformar idÚias, matÚria e tÚcnica numa obra agradßvel aos sentidos. Em segundo lugar estß o fruidor hipotÚtico, a quem, direta ou indiretamente, estß endereþada a expressÒo artÝstica e que, subjetivamente, pode louvar, ignorar ou execrar a criaþÒo do artista, de acordo com parÔmetros estÚticos, culturais, hist¾ricos, filos¾ficos e sociais infinitamente varißveis. O objeto artÝstico se encontra entre ambos -- emissor e receptor -- e nele convergem uma tÚcnica, uma forma e um conte·do.

O fen¶meno artÝstico, no entanto, nÒo se limita a uma relaþÒo subjetiva que se estabelece entre emissor e receptor, mediada por uma obra, sÝntese de sensibilidade e harmonia. Essa relaþÒo se encontra determinada por fatores exteriores ao artista, ao fruidor e Ó obra que constituiu o elo entre ambos. O estudo de uma obra de arte fornece dados muito precisos sobre a civilizaþÒo que a produziu, jß que ela foi, em algum momento, a expressÒo necessßria de certas preocupaþ§es religiosas, de certos ideais polÝticos, de uma situaþÒo econ¶mica e de um pensamento filos¾fico.

Pode-se compreender uma obra de arte isolada de seu contexto hist¾rico e cultural, ou seja, atentando unicamente para seu valor formal e para a conquista estÚtica que ela representa, mas o entendimento de elementos exteriores a ela enriquece a fruiþÒo da obra em si mesma. Para mostrar-se de maneira plena, a obra de arte deve ser entendida principalmente como forma de expressÒo de certa cultura e, assim, vinculada a outras atividades artÝsticas, filos¾ficas e cientÝficas.

Da mesma forma que o artista e sua obra sofrem a aþÒo de fatores externos no momento da criaþÒo, tambÚm o fruidor, como sujeito hist¾rico e social, estß submetido a influÛncias diversas, que variam em funþÒo da evoluþÒo do gosto e da pr¾pria estÚtica. Assim, a hist¾ria da arte se edificou atÚ o sÚculo XX nÒo somente como uma evoluþÒo de formas e estilos, mas tambÚm de acordo com a aceitaþÒo ou a rejeiþÒo das formas e estilos pelas geraþ§es seguintes.

O homem contemporÔneo, desmedidamente preocupado com todas as manifestaþ§es culturais que tiveram lugar no presente e no passado, foi educado para a contemplaþÒo, o respeito e a veneraþÒo generalizada das artes de outros tempos, como valioso exemplo de seu pr¾prio patrim¶nio cultural e sinal inequÝvoco de sua identidade.

Na atualidade, principalmente depois das rupturas e inovaþ§es protagonizadas pelas tendÛncias vanguardistas do sÚculo XX, quase tudo pode ser visto como objeto de arte e, assim, o conceito de obra de arte modificou-se radicalmente. O mesmo objeto que anteriormente desempenhava uma funþÒo religiosa, polÝtica ou mßgica, adquiriu carßter contemplativo ao ser afastado de seu contexto e posto num novo espaþo artificial -- o museu -- em que a obra artÝstica perde boa parte de sua identidade.

A pr¾pria missÒo do artista sofreu tambÚm uma interessante transformaþÒo: se antes ele se achava a serviþo dos poderes polÝticos e religiosos, agora se submete ao poder econ¶mico. O artista contemporÔneo, independentemente de sua concepþÒo estÚtica particular e de suas intenþ§es, cria para o mercado, para a galeria de arte e o museu. Sua obra existe em funþÒo da pr¾pria arte, de seu valor estÚtico e contemplativo, mas especialmente em funþÒo de seu preþo e seu valor como mercadoria.

Assim, a arte nÒo pode ser vista como manifestaþÒo independente das outras atividades sociais, jß que se relaciona intimamente com o domÝnio do saber e com a reflexÒo sobre a existÛncia. Relaciona-se com a hist¾ria, pois o transcorrer dos sÚculos determinou a apariþÒo sucessiva dos estilos e das tÚcnicas; com a filosofia, cujas reflex§es influenciaram ou determinaram o conceito de beleza de cada Úpoca; e com a psicologia, que permite estudar em profundidade a personalidade do artista como indivÝduo singular, por sua habilidade para imitar e recriar o mundo.


MANIFESTAÃıES ART═STICAS E CULTURAIS

ClassificaþÒo das artes


A historiografia tradicional determinou uma divisÒo clßssica das artes em ramos como a arquitetura, a escultura e a pintura, conhecidas como belas-artes, e por outras como a m·sica, a poesia e o teatro. └s trÛs primeiras, que se definem de acordo com coordenadas espaciais, e Ós trÛs seguintes, que se desenrolam no tempo, jß que dependem de uma seq³Ûncia de instantes para sua contemplaþÒo, somou-se, na virada do sÚculo XIX para o sÚculo XX, uma nova forma de expressÒo artÝstica, o cinema, apelidado por alguns de sÚtima arte.

Todas as artes tÛm fundamentos estÚticos semelhantes ou mesmo idÛnticos, mas ao mesmo tempo apresentam caracterÝsticas peculiares que distinguem umas das outras quanto aos meios de expressÒo, isto Ú, quanto Ó forma sob a qual materializam certas formulaþ§es estÚticas. Assim, por exemplo, a escultura e a arquitetura recorrem Ó conjunþÒo de volumes; a m·sica e a poesia se fundamentam na emissÒo de sons harm¶nicos e o cinema e a pintura tÛm na imagem bidimensional o principal suporte material de seu discurso artÝstico.

No que se refere Ós artes plßsticas, no entanto, seu campo de abrangÛncia nÒo pode ser reduzido Ós trÛs artes maiores, divis§es tradicionais estipuladas pela hist¾ria da arte: arquitetura, pintura e escultura. No mundo atual, em que a heterogeneidade domina todas as atividades expressivas humanas e as inter-relaþ§es quebraram a sempiterna divisÒo do saber em compartimentos estanques, Ú invißvel continuar a defender a superioridade das belas-artes em detrimento daquelas conhecidas tradicionalmente como artes menores, artes aplicadas ou artes populares.

Assim, as artes plßsticas, desde a origem, se manifestaram com um sem-n·mero de formas, capazes de atender a m·ltiplas requisiþ§es da vida cotidiana e de todos e cada um dos espaþos habitßveis pelo homem, em sua dupla caracterÝstica de ser individual e ser social.

FORMAS DE EXPRESS├O ART═STICA

Atualidade da arte


A arte, que em Úpocas pretÚritas desempenhou funþ§es determinadas pelo contexto sociopolÝtico e religioso das diferentes civilizaþ§es, perdeu em parte esse papel a partir do sÚculo XX, em benefÝcio de uma nova concepþÒo da atividade artÝstica, marcada pelo carßter l·dico e contemplativo da nova sociedade contemporÔnea na qual, alÚm de tudo, se chegou Ó ruptura de fronteiras culturais, com o estabelecimento de uma arte internacional que nÒo admite regionalismo e cujas premissas adquirem traþos de universalidade. No entanto, junto a essa progressiva homogeneidade universal das correntes estilÝsticas, a pr¾pria civilizaþÒo contemporÔnea provocou uma heterogeneidade tal de escolas e estilos que tornou obsoletos os tradicionais modelos estabelecidos pela hist¾ria da arte. Sinais dos novos tempos sÒo a ruptura dos limites rÝgidos entre as diversas formas de manifestaþÒo artÝstica e a possibilidade que conquistou o artista de manifestar-se por m·ltiplas formas de expressÒo, aproximando-se, de certo modo, do ideal de artista total preconizado pelos homens do Renascimento.

A imagem manteve, desde a prÚ-hist¾ria, alto prestÝgio como meio de comunicaþÒo entre seres e sociedades, como arma polÝtica e mercadoria, como objeto de veneraþÒo e culto, como instrumento de expressÒo de beleza e harmonia, como sÝmbolo de poder e domÝnio, ou como simples instrumento de diversÒo e entretenimento. A partir do sÚculo XX, no entanto, a importÔncia da imagem cresceu a tal ponto que passou a ser um dos bens mais desejados pelos poderosos e o instrumento por excelÛncia do comÚrcio.

Numa civilizaþÒo eminentemente visual como a contemporÔnea (publicidade, televisÒo, vÝdeo, cinema, fotografia) a arte transformou-se na manifestaþÒo cultural mais destacada, capaz de atrair milhares de pessoas a museus, de mobilizar cifras astron¶micas em leil§es de arte, de ocupar grande n·mero de profissionais (artistas, marchands, crÝticos, restauradores) e de invadir os lugares mais rec¶nditos do mundo civilizado, apoiada pelos pr¾prios meios de comunicaþÒo.


A ARTE E A SOCIEDADE CONTEMPOR┬NEA

Historiografia artÝstica


A hist¾ria da arte como disciplina organizada remonta ao sÚculo XIX, mas o interesse pelas atividades artÝsticas e a redaþÒo de tratados e dißrios pelos pr¾prios artistas, para deixar testemunho de suas pesquisas e concepþ§es estÚticas, foi freq³ente desde a antiguidade, principalmente a partir do momento em que as artes plßsticas acrescentaram a sua funþÒo religiosa e mßgica um papel estÚtico.

A historiografia artÝstica se comp§e das fontes escritas relativas a qualquer manifestaþÒo plßstica que tenham como temas a hist¾ria, a estÚtica e a tÚcnica. Assim, os textos mais antigos de literatura artÝstica remontam ao classicismo grego e chegaram atÚ a atualidade bastante fragmentados, mas contÛm abundantes comentßrios e fatos, nÒo despojados de traþos mÝticos e lendßrios sobre os artistas da antiguidade.

As reflex§es greco-romanas sobre a teoria da arte nÒo foram esquecidas durante a Idade MÚdia, quando as artes, pelo menos no Ocidente, se subordinaram Ó orientaþÒo cristÒ, e ressurgiram com toda a forþa no Renascimento, quando foram revalorizados os princÝpios estÚticos da antiguidade clßssica, graþas Ó dedicaþÒo de artistas como Leon Battista Alberti, Lorenzo Ghiberti e Giorgio Vasari. Mais tarde, a literatura artÝstica alcanþou novo auge no sÚculo XVIII, em virtude do retorno estilÝstico Ós formas clßssicas, depois dos excessos do barroco. Essa retomada deveu-se em grande parte a Johann Winckelmann e representou o inÝcio da historiografia artÝstica moderna.

O estudo das artes plßsticas, que se intensificou progressivamente desde o sÚculo XIX atÚ os dias atuais, tomou novo impulso com o romantismo, que redescobriu e recuperou obras do passado, e com o triunfo do pensamento positivista, que deu Ó pesquisa artÝstica uma base de cientificismo e rigor que permanece atÚ a atualidade. Ao longo do sÚculo XX, a hist¾ria da arte ganhou credibilidade, em parte devido ao rigor com que se fizeram os estudos nessa ßrea, em parte pelo apoio oferecido pelas instituiþ§es oficiais, com a inclusÒo da disciplina nas universidades e tambÚm pela importÔncia que ganhou, nas sociedades contemporÔneas, toda imagem ou objeto visual. Assim, a hist¾ria da arte ganhou elementos renovadores, como a atuaþÒo da crÝtica, a oposiþÒo entre arte conservadora e tendÛncias de vanguarda, e a inclusÒo da obra de arte no mercado, por meio de feiras de arte, leil§es etc.

ESTUDIOSOS DA HISTËRIA DA ARTE

Resumo hist¾rico


A hist¾ria da arte tradicional centrou-se na evoluþÒo das formas artÝsticas do Ocidente e prestou pouca atenþÒo, salvo muito recentemente, Ós culturas artÝsticas dos povos primitivos, dos asißticos e dos africanos.

Os historiadores tradicionais insistem na chamada evoluþÒo biol¾gica dos estilos. Assim, comparam a evoluþÒo artÝstica Ó dos seres vivos e distinguem fases evolutivas comuns: prÚ-classicismo ou busca da nova linguagem; classicismo ou consolidaþÒo do estilo; maneirismo ou repetiþÒo das conquistas; barroco ou recriaþÒo artificial; e arcaÝsmo, ou permanÛncia em formas pretÚritas.

A sucessÒo dos estilos ao longo dos tempos, ligada  a condicionantes hist¾ricos, geogrßficos, polÝticos e sociais, que favoreceram ou obstaculizaram a prßtica artÝstica, foi a chave adotada pela maior parte dos historiadores da arte. A hist¾ria da arte se escreveu, portanto, mediante a divisÒo do tempo em perÝodos hist¾ricos, pautados por artistas representativos das diversas tendÛncias, cujas obras se encontram expostas em museus e galerias de todo o mundo civilizado.

A evoluþÒo cronol¾gica da arte, desde o inÝcio dos tempos, teve lugar na prÚ-hist¾ria, quando magia e arte estavam intimamente ligadas, para logo ceder espaþo Ó expressÒo artÝstica da antiguidade no Egito, na MesopotÔmia, na ═ndia, na China e no continente americano.

Quando o mar MediterrÔneo tornou-se centro do mundo civilizado, graþas Ós civilizaþ§es grega e romana, a arte tambÚm se transportou fisicamente para esse lugar. Durante os sÚculos em que a Europa desempenhou o principal papel econ¶mico e polÝtico entre as regi§es do mundo, a arte foi vista como fen¶meno eminentemente ocidental. Sucederam-se os estilos romÔnico, g¾tico, renascentista e barroco. No entanto, em outras latitudes, culturas como as dos povos muþulmanos, prÚ-colombianos e orientais tambÚm continuavam sua pr¾pria evoluþÒo.

Foi somente no sÚculo XX, com a ruptura das fronteiras culturais devida principalmente aos meios de comunicaþÒo, que a arte, como outros meios de expressÒo do espÝrito, abandonou os limites geogrßficos para adquirir traþos verdadeiramente universais, relacionando todos os tipos de tÚcnicas, estilos e inovaþ§es provenientes dos quatro cantos do globo.

A origem das artes plßsticas se situa no perÝodo prÚ-hist¾rico conhecido como paleolÝtico, quando o homem comeþou a esculpir pequenas figuras femininas e a pintar imagens de animais nas paredes das grutas onde se refugiava, atitudes certamente dotadas de sentido ritual e mßgico.

O homem prÚ-hist¾rico nÒo tinha noþÒo do que fosse uma obra de arte como se entende na modernidade. Para ele, isso que hoje se considera como arte tinha apenas a finalidade de prestar culto Ó fertilidade, no caso das figuras femininas, ou propiciar uma boa caþada, no caso das pinturas rupestres. Em ambos os casos, a obra de arte aparece vinculada a quest§es existenciais, como por exemplo garantir a sobrevivÛncia e a continuidade da espÚcie.

PerÝodos posteriores ao paleolÝtico, como o neolÝtico e a idade dos metais, tambÚm foram ricos em manifestaþ§es artÝsticas que, se nÒo apresentavam caracterÝsticas similares Ós do paleolÝtico, estavam imbuÝdas das mesmas preocupaþ§es religiosas e mßgicas. A arte desempenhava entÒo importante papel nos ritos funerßrios dos povos megalÝticos, que empregaram em seus monumentos pedras de proporþ§es gigantescas, e tambÚm dos primeiros povos do mundo que souberam usar os metais como cobre, ferro e bronze, preludiando os tempos hist¾ricos.


ARTE PR╔-HISTËRICA

Arte das antigas civilizaþ§es


As civilizaþ§es que se desenvolveram nos vales dos rios Nilo, Tigre e Eufrates foram as primeiras a apresentar uma concepþÒo global das formas artÝsticas a serviþo dos poderes polÝtico e religioso. A arquitetura foi entre esses povos a arte mais desenvolvida, mas eles nÒo abandonaram a escultura, a pintura e, muito especialmente, por sua utilidade na vida dißria e nos ritos, as artes ditas menores ou decorativas.

A arte do antigo Egito, como toda essa cultura, era dominada pela religiÒo, que outorgava ao fara¾ a condiþÒo de divindade e atribuÝa extraordinßria importÔncia Ó vida ap¾s a morte. Isso explica a grandeza de sua arquitetura funerßria -- pirÔmides -- e religiosa -- templos --, bem como grande n·mero de esculturas e pinturas murais que reproduziam os  fara¾s e cenas da vida cotidiana.

Na regiÒo mesopotÔmica, no entanto, onde nÒo havia unidade polÝtica, geogrßfica ou Útnica, a sucessÒo das civilizaþ§es foi deixando um valioso patrim¶nio artÝstico descoberto muito mais tarde pelos arque¾logos. Templos piramidais dotados de torres escalonadas, chamados zigurates, conjuntos urbanÝsticos, ab¾badas, estatuetas e relevos narrativos e hist¾ricos foram as principais obras da arte sumÚria, acßdia e assÝria.

Pouco a pouco, os focos de civilizaþÒo se transferiram para o Ocidente atravÚs de duas vias: os territ¾rios da Europa central e o mar MediterrÔneo. Surgiram assim as culturas celta e fenÝcia. Com o mar MediterrÔneo transformado em eixo geogrßfico da hist¾ria da civilizaþÒo, multiplicaram-se as culturas ao longo de suas costas e em muitas de suas ilhas. Dos etruscos e da cultura creto-micÛnica nasceram as formas artÝsticas que serviram de fundamento Ó arte clßssica que floresceu no Ocidente durante o primeiro milÛnio anterior Ó era cristÒ.

ARTE NA ANTIGUIDADE

Em outra ßrea geogrßfica muito distante do MediterrÔneo, como Ú o caso do continente americano, tambÚm floresceram na antiguidade poderosas e singulares culturas, algumas das quais se encontravam em pleno apogeu quando foram dominadas e dizimadas pelos europeus logo ap¾s os descobrimentos. Povos eminentemente agrßrios, dotados de uma estrutura social perfeitamente organizada e com arraigadas crenþas religiosas, elaboraram objetos de arte como pirÔmides escalonadas, amplos conjuntos urbanÝsticos, palßcios, cerÔmicas, relevos e esculturas.

ARTE PR╔-COLOMBIANA

Arte clßssica 


No primeiro milÛnio anterior Ó era cristÒ, o centro da civilizaþÒo transferiu-se para o MediterrÔneo, onde floresceram duas das culturas mais influentes sobre o destino posterior do Ocidente: a grega e a romana.

A arte grega, cujo perÝodo ßureo se situa no sÚculo V da era cristÒ, lanþou as bases estÚticas e formais da arte europÚia posterior. Mesmo na atualidade, tem plena vigÛncia a maior parte das premissas estÚticas e filos¾ficas observadas pelos artistas e pensadores gregos, entre as quais o culto Ó beleza, a harmonia e as proporþ§es. AlÚm disso, pela primeira vez na hist¾ria da arte, o homem se tornava centro e medida de todas as coisas, em contraposiþÒo aos outros povos da antiguidade entre os quais a religiÒo ocupava o lugar central.


O mundo romano, muito menos idealista que o grego, do qual Ú herdeiro direto em muitos aspectos, realizou uma arte mais pragmßtica e funcional, de certa forma eclÚtica, ao adotar formas, elementos e tÚcnicas de todos os territ¾rios que integravam seu impÚrio. NÒo obstante, a expansÒo dos romanos pela Europa, leste e norte da ┴frica, contribuiu para a difusÒo das formas artÝsticas clßssicas, que logo assimilaram as caracterÝsticas plßsticas dos territ¾rios ocupados, do que resultou um sincretismo artÝstico, paralelo ao sincretismo cultural que caracterizou os ·ltimos tempos da civilizaþÒo romana.


CLASSICISMO GRECO-ROMANO

Arte medieval

Depois da queda do ImpÚrio Romano, o Ocidente entrou num longo perÝodo denominado Idade MÚdia, em que conviveram os antigos habitantes dos domÝnios romanos com os invasores germÔnicos. Estes, vindos em ondas sucessivas do leste europeu, fixaram-se no Ocidente e assimilaram aos poucos muitos dos traþos culturais da civilizaþÒo greco-romana.

Com essa realidade europÚia conviveram outras duas culturas: a bizantina, consolidada no leste da Europa depois da dissoluþÒo do ImpÚrio Romano, e a islÔmica, surgida na penÝnsula arßbica, que em poucos anos dominou parte da ┴sia, norte da ┴frica e chegou mesmo a enfrentar os reinos cristÒos da Europa em seu projeto expansionista.

A fragmentaþÒo geogrßfica e polÝtica da Europa Ó Úpoca das invas§es contribuiu tambÚm para a heterogeneidade da arte dos povos germÔnicos. Cada reino, de acordo com a base cultural romana que restou no local onde se assentou, e de acordo com seu pr¾prio acervo cultural, a que se reuniu a influÛncia progressiva da ainda jovem religiÒo cristÒ, criou formas expressivas singulares.

Os parcos recursos de cada um desses reinos e a mobilidade motivada pelas guerras levaram seus povos a criar formas artÝsticas que nada tinham de monumentais, profusamente ornamentadas, com predomÝnio das artes decorativas. A ourivesaria e a miniatura foram seus meios de expressÒo prediletos, alÚm de alguns achados em arquitetura e escultura, que, sem abandonar totalmente a heranþa greco-romana, lanþaram as bases dos  dois grandes estilos medievais: o romÔnico e o g¾tico.

Enquanto no Ocidente as invas§es germÔnicas representaram uma ruptura na evoluþÒo hist¾rica e a inevitßvel fusÒo de duas culturas diametralmente opostas, a romana e a germÔnica, no ImpÚrio Romano do Oriente, que sobreviveu Ós invas§es, persistiram as formas artÝsticas clßssicas, helenÝsticas e provenientes do antigo cristianismo. Ali criou-se um novo estilo, a arte bizantina, que se caracterizou pelo luxo, intenso colorido, gosto pelos ricos materiais decorativos e emprego de c·pulas para cobrir os edifÝcios de planta central.

Importante pela alta qualidade de suas construþ§es religiosas e pela riqueza de seus mosaicos e ourivesaria, a arte bizantina caracterizou-se tambÚm pela preocupaþÒo de conservar o padrÒo estÚtico da antiguidade e contribuir para sua difusÒo.

A primeira tentativa de unidade polÝtica e espiritual, e conseq³entemente de homogeneidade artÝstica, veio com a restauraþÒo do antigo ImpÚrio
Romano, acontecida Ó Úpoca de Carlos Magno, mas o primeiro estilo artÝstico comum Ó maior parte das regi§es que formavam a Europa, que contribuiu para a unidade cultural e polÝtica do Ocidente, foi o romÔnico. A cultura ocidental floresceu no sÚculo XI favorecida pela unidade espiritual, devida Ó expansÒo e consolidaþÒo do cristianismo, impulsionado principalmente pelas ordens religiosas.

O equivalente artÝstico do florescimento da Europa medieval foi, pois, o estilo romÔnico. Para sua consolidaþÒo foram determinantes as peregrinaþ§es, em especial Ó Terra Santa e a Santiago de Compostela, a influÛncia do mosteiro beneditino de Cluny e o papel dos grupos n¶mades de artÝfices de cantaria, que divulgavam o estilo por onde quer que passassem na realizaþÒo de seu ofÝcio.

O estilo romÔnico, termo usado pelos historiadores do sÚculo XIX que acreditavam tratar-se de uma derivaþÒo da arte romana clßssica, nÒo surgiu repentinamente: foi a culminaþÒo de um processo estilÝstico iniciado com as formas prÚ-romÔnicas, que chegou a adquirir traþos de universalidade quando compartilhado pela cristandade ocidental.

Uma arquitetura de s¾lidos muros de pedra com coberturas abobadadas e arcos de meio ponto se p¶s em prßtica nos edifÝcios religiosos mais importantes da arte romÔnica: as catedrais e os mosteiros. A maior parte dessas construþ§es foi enriquecida, interna e externamente, com esculturas e pinturas que, alÚm de valorizarem esteticamente a arquitetura, desempenhavam papel didßtico quanto Ó divulgaþÒo dos dogmas cristÒos. Por essa razÒo, essas manifestaþ§es da arte figurativa submeteram valores estÚticos como a beleza e a proporcionalidade ao objetivo da clareza expressiva que aproximasse fiÚis e doutrina.

A evoluþÒo econ¶mica e polÝtica da Europa, estimulada especialmente pelo progresso das cidades a partir da segunda metade do sÚculo XII, acarretou novo esplendor artÝstico, compatÝvel com circunstÔncias tais como a nova mentalidade urbana, o esplendor do comÚrcio, a consolidaþÒo do poder civil e a progressiva secularizaþÒo da sociedade, que conseguiu libertar-se em parte da tutela cultural exercida pela igreja.

A Europa dos mosteiros cedeu entÒo lugar Ó Europa das grandes catedrais g¾ticas, monumentos devidos Ó contribuiþÒo pecunißria das coletividades urbanas, Ós novas tÚcnicas arquitet¶nicas, que permitiram, por exemplo, a construþÒo do arco ogival, e Ó excelÛncia conquistada pelos artistas medievais.

Graþas ao emprego sistemßtico de inovaþ§es arquitet¶nicas como o arco de ponta e a ab¾bada de cruzeiro, os templos ganharam leveza. As paredes deixaram para trßs a pesada solidez romÔnica e passaram a exibir grande quantidade de vÒos, capazes de abrigar vitrais estilizados, que conferiram aos interiores uma impactante luminosidade.

O emprego de vitrais, no entanto, reduziu consideravelmente o espaþo destinado Ó pintura mural. Assim, pouco a pouco imp¶s-se na arte medieval a pintura sobre madeira, especialmente em forma de retßbulos. A tÚcnica de uso mais generalizado era a tÛmpera. Mais tarde, com a popularizaþÒo do ¾leo promovida sobretudo pelos artistas flamengos, a pintura g¾tica adquiriu um brilho, um colorido e uma min·cia inusitados.

A arte medieval, que na cristandade evoluiu ao longo das fases prÚ-romÔnica, bizantina, romÔnica e g¾tica, na cultura ßrabe foi marcada tambÚm pelo peso da religiosidade. A rßpida expansÒo do IslÒ e a falta de um passado artÝstico obrigou o povo muþulmano a assimilar as formas artÝsticas dos povos dominados, o que impediu a formaþÒo de uma arte islÔmica homogÛnea e favoreceu a proliferaþÒo de escolas diversas, com evoluþÒo e traþos peculiares a cada uma delas. A arte islÔmica criou um modelo arquitet¶nico autÛntico -- a mesquita -- e destacou-se pela exuberÔncia ornamental, rica em elementos decorativos, conseq³Ûncia da interdiþÒo islÔmica de representar figuras.

ARTE MEDIEVAL

Renascimento

As ·ltimas transformaþ§es que se operaram na Europa medieval desembocaram no Renascimento, Úpoca em que a cultura ganhou extraordinßrio brilho. Deu-se um redescobrimento das fontes clßssicas e se revalorizou a figura humana contra a visÒo teocÛntrica do mundo, pr¾pria do cristianismo medieval.

Embora a maior parte dos historiadores tenha estabelecido uma oposiþÒo entre a Idade MÚdia e o Renascimento, pelas diferentes concepþ§es de mundo implÝcitas em suas obras artÝsticas e pelos diferentes papÚis desempenhados pela religiÒo e pelo homem em cada um desses perÝodos hist¾ricos, na atualidade se tende a compreender ambos os perÝodos como partes de um processo evolutivo que afetou nÒo somente as quest§es culturais, mas tambÚm a economia, a polÝtica e a sociedade.

No que se refere Ós artes, o Renascimento voltou-se para o passado, especialmente para a arte clßssica, cujos vestÝgios eram ainda perceptÝveis na penÝnsula itßlica, berþo da revoluþÒo renascentista. Aos poucos, as propostas g¾ticas foram substituÝdas por outras, consoantes com a antiguidade greco-romana, baseadas em princÝpios fundamentados na proporþÒo, no equilÝbrio e na harmonia.

A origem dessa nova concepþÒo estÚtica foi a Itßlia, onde, junto aos remanescentes clßssicos e ao escasso desenvolvimento da arte medieval, verificou-se grande progresso econ¶mico nas cidades, especialmente nas do norte. O auge da vida urbana tem raÝzes nas atividades comerciais -- jß incipientes na baixa Idade MÚdia --, que abriram caminho Ó existÛncia de uma classe burguesa enriquecida e com preocupaþ§es intelectuais, que nÒo teve d·vida em apoiar os novos artistas.

A hist¾ria da arte dividiu o Renascimento em dois perÝodos conhecidos pelos nomes de Quattrocento e Cinquecento, correspondentes respectivamente aos sÚculos XV e XVI, precedidos da fase prÚ-renascentista, o Trecento, em que as propostas g¾ticas medievais deram lugar Ó tÝmida implantaþÒo de uma nova mentalidade artÝstica, cada vez mais pr¾xima da natureza e preocupada em plasmar na pintura o espaþo e os volumes.
O Quattrocento, esplendoroso principalmente na cidade de Florenþa, assistiu aos primeiros ensaios da linguagem artÝstica consoante com a nova mentalidade humanÝstica do homem moderno.

Na arquitetura, renasceram os elementos construtivos pr¾prios da antiguidade greco-romana, como a coluna, as ordens clßssicas, a ab¾bada de berþo e, principalmente, a c·pula, tomadas da observaþÒo direta das ruÝnas arquitet¶nicas romanas e de um manuscrito do arquiteto clßssico Vitr·vio, que, recÚm-descoberto entÒo, serviu de modelo aos arquitetos do Renascimento.

A escultura adotou tambÚm uma atitude de recuperaþÒo das formas e temas clßssicos, mas nos primeiros tempos permaneceram ainda traþos caracterÝsticos da arte medieval, como as figuras alongadas e certos elementos decorativos.

A tradiþÒo pict¾rica iniciada por Giotto no sÚculo XIII teve continuidade com os pintores italianos do sÚculo XV, que romperam com as convenþ§es medievais e se dedicaram a estudar a luz, o espaþo, os volumes e a perspectiva, tendo o homem como centro da pesquisa artÝstica. Embora se considere o Renascimento como uma era de rompimento com os valores religiosos, a temßtica continuou sendo fundamentalmente cristÒ, enquanto, pouco a pouco, apareciam os temas mitol¾gicos e profanos, mais de acordo com o novo espÝrito antropocÛntrico.

O QUATTROCENTO ITALIANO

O Cinquecento, com artistas do porte de Leonardo da Vinci, Michelangelo e Rafael, assistiu Ó culminÔncia dos ensaios formais e estilÝsticos iniciados no sÚculo anterior. Roma, engrandecida pelos papas, substituiu Florenþa como primeiro centro artÝstico e passou a irradiar para o resto da Itßlia os princÝpios estÚticos do classicismo. Esses princÝpios podem resumir-se no triunfo da linguagem greco-romana, no gosto progressivo pela monumentalidade e a formalizaþÒo de um mundo estÚtico ordenado e equilibrado.

No entanto, o exagerado otimismo nascido da confianþa de ter construÝdo um mundo perfeito logo se dissipou e a crise econ¶mica, polÝtica e religiosa que se abateu sobre a Europa no sÚculo XVI afetou o domÝnio da arte, que se voltou para si mesma recriando e distorcendo tudo o que atÚ entÒo havia sido conquistado, dando origem a um novo estilo, o maneirismo, situado entre o classicismo renascentista e o novo estilo, o barroco, que acabaria se impondo em toda a Europa no sÚculo XVII. 


O CINQUECENTO ITALIANO

As novidades artÝsticas do Renascimento nÒo demoraram em estender-se a toda a Europa, desde o final do sÚculo XV, graþas aos artistas italianos que trabalhavam para a nobreza europÚia e, sobretudo, ao papel divulgador da imprensa e da gravura, que facilitaram a circulaþÒo de tratados artÝsticos e estampas com reproduþ§es das obras mais importantes do perÝodo.

As circunstÔncias que propiciaram a volta aos valores clßssicos nÒo foram as mesmas na Itßlia e no resto da Europa, onde a influÛncia greco-romana havia sido menos determinante e onde os valores medievais estavam culturalmente mais arraigados. Assim, numa primeira instÔncia, foram adotados apenas elementos decorativos aplicados a estruturas g¾ticas. Os critÚrios renascentistas se impuseram mais tarde, combinados, em cada paÝs, a sua pr¾pria heranþa cultural.

Nos estados nacionais -- Franþa, Alemanha, PaÝses Baixos, Espanha -- apareceram artistas tÒo grandes quanto os mestres renascentistas italianos. 


RENASCIMENTO EUROPEU

Do barroco ao rococ¾

O estilo barroco, cuja origem remonta ao sÚculo XVI, se afirmou e desenvolveu nos cem anos seguintes, primeiro na Itßlia, especialmente em Roma, e depois no resto da Europa e mesmo na AmÚrica. A origem do termo "barroco" Ú duvidosa, mas sabe-se que corresponde a uma atitude depreciativa dos crÝticos e historiadores posteriores. Somente no sÚculo XX chegou-se a avaliar a importÔncia que o barroco teve para a hist¾ria da arte ocidental.
Na opiniÒo de alguns historiadores, a arte barroca foi a conseq³Ûncia necessßria da evoluþÒo do maneirismo, leitura provavelmente um tanto parcial, que deve ser complementada com determinantes hist¾ricos. A arte barroca coincidiu com a consolidaþÒo das nacionalidades europÚias, com o triunfo do espÝrito da Contra-Reforma materializado nas conclus§es do ConcÝlio de Trento, com a exaltaþÒo do absolutismo e com a implantaþÒo progressiva do modo de produþÒo capitalista.

O barroco dotou a arquitetura de personalidade especial. Os edifÝcios passaram a ser projetados em funþÒo do espaþo que os continha, com fachadas dinÔmicas e profusÒo de elementos decorativos subordinados ao conjunto arquitet¶nico. Os interiores, com freq³Ûncia independentes da fachada, tambÚm se caracterizavam pelo movimento, sobrecarga decorativa e efeitos de claro-escuro em que a luz desempenhava papel especial, sobretudo no interior dos templos, com o que se pretendia fortalecer o espÝrito de recolhimento.

A escultura barroca italiana, com influÛncias formais da escultura de Michelangelo, subordinou-se Ó arquitetura. O movimento, as composiþ§es complexas e a expressÒo foram suas principais caracterÝsticas, a serviþo de uma temßtica preferentemente religiosa, que privilegiou cenas de Ûxtase mÝstico e martÝrio de santos. O crescimento das cidades e as reformas urbanas favoreceram a escultura destinada a embelezar ruas e praþas.
A renovaþÒo da pintura, obrigat¾ria depois da exaustÒo das formas maneiristas e da difusÒo das idÚias da Contra-Reforma, articulou-se em torno de duas escolas: a naturalista, representada por Caravaggio, e a classicista, comandada pelos Carracci. Da mesma forma que a arquitetura, valorizou a luz, procurando com isso reproduzir mais fielmente a realidade e destacar os objetos e figuras mais interessantes da composiþÒo, com o que se distinguiam diferentes planos de profundidade e se revalorizava o conjunto como unidade integrada de elementos interdependentes e necessßrios.


BARROCO ITALIANO


Como ocorrera anteriormente com a difusÒo da arte renascentista pela Europa, o barroco tambÚm se expandiu para alÚm das fronteiras italianas, adquirindo caracterÝsticas pr¾prias em cada cultura que o assimilava. A Europa encontrava-se entÒo dividida entre cat¾licos e protestantes, crenþas que marcariam profundamente os diferentes caminhos seguidos pela estÚtica barroca em sua materializaþÒo.

O esplendor polÝtico conquistado pela Franþa no sÚculo XVII favoreceu a importaþÒo do gosto barroco, que se p¶s a serviþo da magnificÛncia monßrquica, embora sem chegar aos excessos decorativos e Ó complexidade do barroco italiano. O fausto da corte francesa materializou-se no palßcio de Versalhes, sÝmbolo da monarquia absolutista encarnada em LuÝs XIV, chamado o Rei Sol.

O norte da Europa, cenßrio de freq³entes conflitos entre cat¾licos e protestantes, encontrou na pintura sua forma de expressÒo artÝstica mais transcendente durante o perÝodo barroco. Assim, na Holanda, dominada por uma burguesia comercial e empreendedora, predominaram a pintura de gÛnero, a natureza-morta e o retrato, temas todos eles profanos e tecnicamente pr¾ximos ao naturalismo de Caravaggio. Em Flandres, pelo contrßrio, a dominaþÒo espanhola dera origem a uma classe polÝtica aristocrßtica e cat¾lica que favoreceu a pintura grandiosa e solene, protagonizada por santos e alegorias religiosas. Ao mesmo tempo se difundia a pintura de temas mitol¾gicos, com sugestÒo de sensualidade, cujo melhor exemplo Ú a obra de Rubens, artista inspirado na escola veneziana.


BARROCO FRANC╩S, HOLAND╩S E FLAMENGO


A arte barroca espanhola assumiu tambÚm caracterÝsticas particulares e sua influÛncia atravessou o AtlÔntico para implantar-se nos domÝnios da casa de ┴ustria na AmÚrica hispÔnica. O afianþamento dos ideais da Contra-Reforma, a austeridade imposta pela casa de ┴ustria e o peso do poder religioso sobre a sociedade espanhola determinaram a expansÒo artÝstica dos modelos s¾brios e geomÚtricos inspirados no renascentista Juan de Herrera.
As dificuldades econ¶micas do vasto impÚrio, jß em declÝnio no sÚculo XVII, determinaram em boa medida a pobreza da arquitetura barroca espanhola, que teve de recorrer a elementos decorativos em gesso e madeira para enriquecer interiores e telhados de seus templos e palßcios. Esses elementos decorativos acabaram por sobrepujar a pr¾pria arquitetura. Nasceu assim um estilo genuinamente hispÔnico, caracterizado pela exuberante sobrecarga decorativa.

A influÛncia da religiÒo na vida espanhola do sÚculo XVII ficou registrada nos retßbulos e imagens religiosas, vinculados ao espÝrito contra-reformador que procurava estimular a piedade nos fiÚis mediante um estilo direto e realista, aproximando as figuras religiosas da vida cotidiana. A pen·ria econ¶mica, no entanto, impediu que se usassem materiais nobres como o mßrmore e o bronze. Os escultores espanh¾is recorreram entÒo Ó madeira policromßtica.
A arte barroca espanhola ganhou luz pr¾pria na pintura. Chamado SÚculo de Ouro pelos historiadores da arte, o sÚculo XVII espanhol foi pr¾digo em grandes mestres como Ribera, Velßzquez, Zurbarßn e Murillo.


BARROCO ESPANHOL

Durante as primeiras dÚcadas do sÚculo XVIII, ainda se verificavam formas e temas de estilo barroco, mas comeþou a delinear-se uma estÚtica refinada e delicada, muito a gosto da nobreza ociosa e da nova burguesia enriquecida, que encontrou na pintura rococ¾ e na pintura galante sua mais fiel expressÒo artÝstica. NÒo foi mais a Itßlia, e sim a Franþa, a ditar os parÔmetros desse perÝodo, jß convertida em principal potÛncia polÝtica e econ¶mica da Europa.

Em relaþÒo Ó arquitetura, pode-se dizer que a grandiosidade barroca foi substituÝda por um estilo mais elegante e frÝvolo, em que os motivos decorativos ou rocailles ocuparam todo o espaþo e encontraram nos gabinetes e saletas aristocrßticas seu ambiente mais propÝcio.

As artes decorativas foram de inestimßvel valor para a realizaþÒo de ambientes c¶modos e luxuosos. Multiplicaram-se os espelhos, as porcelanas, as tapeþarias e as sedas. A mobÝlia adquiriu formas curvilÝneas e leves. Os motivos orientais e ex¾ticos passaram a ditar a moda.

O mesmo gosto galante e delicado tomou de assalto a pintura francesa, centrada na produþÒo de quadros de formato menor, destinados a uma clientela burguesa e aristocrßtica. Os grandes eventos da vida cortesÒ e as representaþ§es de temas mitol¾gicos, perpassadas de sensualidade, foram os temas prediletos dos pintores franceses do sÚculo XVIII.

A Itßlia, nesse tempo, reagia contra os excessos barrocos. Os artistas refugiaram-se nos afrescos com que decoravam os palßcios da realeza e os palacetes dos nobres, e tambÚm em paisagens urbanas -- vedutte -- destinadas a serem vendidas aos viajantes. A GrÒ-Bretanha, onde atÚ o sÚculo XVIII a pintura fora praticada por estrangeiros, assistiu ao inÝcio da escola britÔnica de pintura, que no sÚculo XIX chegaria ao auge, dedicada a temas como a paisagem e o retrato.

O sÚculo XVIII espanhol, com a chegada ao poder de uma dinastia francesa -- os Bourbons -- assistiu Ó ascensÒo de muitos artistas estrangeiros, especialmente franceses e italianos, que trabalhavam nos palßcios erguidos pela nova famÝlia real. Foram importados elementos da arte rococ¾, o gosto pelas artes decorativas e um estilo de pintura inclinado para temas como retratos oficiais, cenas de costumes e afrescos. Criou-se, como sucedera em outros paÝses da Europa, a Academia de Belas-Artes de San Fernando, principal sede do estilo acadÛmico que imperou na Espanha atÚ bem avanþado o sÚculo XIX.


ARTE DO S╔CULO XVIII NA ESPANHA

O primeiro pintor de relevo a trabalhar no Brasil foi o holandÛs Frans Post, autor de paisagens em que tentou retratar a terra e seus habitantes. No final do sÚculo XVII, trabalhava no Rio de Janeiro o frade alemÒo Ricardo do Pilar. No sÚculo XVIII, a pintura brasileira distribuÝa-se em trÛs escolas, ou grupos de artistas: a nortista, que incluÝa artistas de Pernambuco e da Bahia; a mineira e a fluminense. Na escultura, ninguÚm foi maior que o Aleijadinho, considerado o ·ltimo grande escultor barroco. Com a missÒo artÝstica francesa, as artes plßsticas brasileiras viveram uma fase neoclßssica da qual alguns dos maiores nomes foram Debret, na pintura, e Rodolfo Bernardelli, na escultura.


ARTE BRASILEIRA DO S╔CULO XVII AO S╔CULO XIX

SÚculo XIX

As mudanþas que vinham ocorrendo durante o sÚculo XVIII se cristalizaram, no final do sÚculo, com um dos acontecimentos mais importantes da hist¾ria contemporÔnea: a revoluþÒo francesa, que p¶s fim ao antigo regime. Os ideais dos revolucionßrios franceses se disseminaram por toda a Europa, em conseq³Ûncia da intervenþÒo de NapoleÒo, e marcaram indelevelmente o caminho polÝtico e intelectual do sÚculo XIX.

Nos primeiros cinq³enta anos, que assistiram a uma escalada nos conflitos bÚlicos e a focos revolucionßrios pela independÛncia, distinguem-se nas artes plßsticas dois estilos bem distintos: o neoclassicismo e o romantismo. O primeiro, enraizado no sÚculo XVIII, propunha a volta aos ideais clßssicos da antiguidade, por influÛncia direta da difusÒo das idÚias iluministas e enciclopedistas. Os descobrimentos efetuados em PompÚia e Herculano avivaram ainda mais o interesse dos artistas e colecionadores pela arte antiga. Isso desembocou numa nova concepþÒo estÚtica, defendida principalmente por Johann Winckelmann e Anton Mengs, que exaltava os princÝpios clßssicos e estimulava os artistas a imitarem os postulados gregos de perfeiþÒo, beleza e harmonia.

Junto ao neoclassicismo nasceu outra corrente estÚtica, em certo sentido oposta a ele, pois opunha Ó ordem e Ó razÒo da mentalidade neoclßssica o culto Ó liberdade e ao sentimento. O romantismo, herdeiro dos ideais revolucionßrios franceses, encontrou nos movimentos nacionalistas sua contrapartida polÝtica. Desde o princÝpio evidenciou seu amor Ó natureza e o respeito pelo passado medieval, sentimentos que se enquadraram perfeitamente na visÒo idÝlica que os romÔnticos tinham do mundo.


O gosto romÔntico pelas ruÝnas, pelos cenßrios solenes e l·gubres e pelos ambientes ex¾ticos e orientalizantes conduziu os artistas do perÝodo Ó prßtica de dois gÛneros principais: a paisagem e a pintura de costumes. A exaltaþÒo do espÝrito rebelde e revolucionßrio, da paixÒo desenfreada, da aventura, da irracionalidade e do sentimentalismo levou-os tambÚm a preferir temas como os tormentos, o suicÝdio, os sonhos e a loucura.
A liberdade temßtica dos romÔnticos fez-se acompanhar de grande liberdade tÚcnica, favorecida pelo surgimento de novas formas expressivas, entre as quais a litografia.

As primeiras manifestaþ§es da arte neoclßssica e romÔntica tiveram lugar na Franþa, mas se difundiram pelo resto da Europa graþas Ó imprensa, ao nomadismo dos artistas e, principalmente, ao impacto dos ideais revolucionßrios e napole¶nicos.


NEOCLASSICISMO E ROMANTISMO

A segunda metade do sÚculo assistiu, na Europa, Ó sucessÒo e convivÛncia de vßrias propostas artÝsticas para as quais confluÝram determinantes hist¾ricos, filos¾ficos, econ¶micos e sociais. A Europa, depois de 1848, ap¾s o triunfo de vßrias revoluþ§es burguesas e a expansÒo do movimento operßrio, era radicalmente diferente da Europa dos primeiros anos do sÚculo.

A ideologia positivista, o marxismo e o progresso tecnol¾gico determinaram uma mudanþa de rumo tambÚm para a arte, que abandonou progressivamente os ideais romÔnticos em favor de uma arte mais participante e social, realista, que pretendia ser o reflexo do mundo em que se vivia entÒo.

As paisagens e as cenas cotidianas, cujos personagens eram operßrios e camponeses, tomaram conta da temßtica pict¾rica, que tambÚm sofria o impacto de uma nova arte que surgia, capaz de registrar instantaneamente o mundo circundante: a fotografia.

Ao realismo pr¾prio da segunda metade do sÚculo sucederam outras pesquisas estÚticas, Ós vezes restritas a pequenos grupos, outras de impacto internacional, mas todas imersas no ecletismo estilÝstico da Úpoca e na vertiginosa sucessÒo de modas e gostos. Algumas dessas tendÛncias, entre as quais o modernismo, sobreviveriam atÚ as primeiras dÚcadas do sÚculo XX, quando apareceram as vanguardas hist¾ricas, e serviriam de fundamento a importantes escolas da arte moderna.


TEND╩NCIAS ART═STICAS DO S╔CULO XIX

A tardia incorporaþÒo dos Estados Unidos Ó hist¾ria das civilizaþ§es implicou uma tardia participaþÒo na evoluþÒo dos estilos artÝsticos. Ap¾s os primeiros passos dados no final do sÚculo XVII, e os primeiros Ûxitos no sÚculo seguinte, a escola americana de pintura ganhou impulso no sÚculo XIX, em parte como resultado da criaþÒo das academias de Boston, Nova York e outras, e em parte pelo apoio de alguns mecenas que patrocinaram a formaþÒo de artistas americanos na Europa.

O retrato e a paisagem nacional tornaram-se os temas preferidos dos pintores romÔnticos, que procuravam exaltar os valores patri¾ticos americanos. Depois da guerra de secessÒo, quando os Estados Unidos tomaram posse efetiva dos territ¾rios do oeste, a temßtica paisagÝstica ganhou predomÝnio, com vistas dos ilimitados espaþos virgens americanos. A pintura de gÛnero tambÚm ganhou prestÝgio na segunda metade do sÚculo, por influÛncia das publicaþ§es ilustradas, que apresentavam cenas do cotidiano.

Contrßrios ao americanismo de alguns artistas, interessados em retratar pessoas, paisagens e temas pr¾prios de sua naþÒo, outros artistas, influenciados pelas correntes vindas da Europa principalmente por intermÚdio das exposiþ§es, integraram-se Ós correntes estÚticas europÚias e assimilaram estilos das mais variadas Úpocas, com especial predileþÒo pelos afrescos renascentistas e pela pintura da escola veneziana.


ARTE AMERICANA DOS S╔CULOS XIX E XX

Como jß foi dito, as idÚias estÚticas da segunda metade do sÚculo XIX foram irradiadas da Franþa para o resto do mundo. Uma dessas correntes se manteve atuante nos primeiros anos do sÚculo XX e sua influÛncia foi decisiva no surgimento dos movimentos de vanguarda anteriores Ó primeira guerra mundial: o impressionismo.

As descobertas da pintura realista, aliadas Ós pesquisas que procuravam captar com a maior verossimilhanþa possÝvel o mundo circundante, conduziram alguns pintores Ó tÚcnica impressionista, baseada em efeitos ¾pticos, que pretendia captar a natureza fugaz e mutßvel. ╔ preciso lembrar que a formulaþÒo da estÚtica impressionista coincidiu com o aparecimento da fotografia e com a invenþÒo do cinema, tÚcnicas que permitiam a perfeita reproduþÒo da realidade.

As limitaþ§es tÚcnicas e temßticas do impressionismo foram determinantes para que alguns artistas abandonassem o movimento e, sozinhos, procurassem seu caminho plßstico. Estes foram enquadrados numa corrente chamada p¾s-impressionismo pelos historiadores da arte.
Essa tendÛncia, que nÒo se constituiu em grupo organizado, inclui artistas que, iniciados no impressionismo, descortinaram para a pintura horizontes incomparßveis, como foi o caso de Paul CÚzanne, Paul Gauguin, Vincent van Gogh e Henri de Toulouse-Lautrec.

Na transiþÒo do sÚculo XIX para o sÚculo XX, Paris era, sem sombra de d·vida, o centro do mundo artÝstico. Ali, impressionistas e p¾s-impressionistas conviveram com outros artistas, de geraþ§es posteriores, que formavam a chamada escola de Paris, alguns deles protagonistas de rupturas vanguardistas do princÝpio do sÚculo XX.
Os verbetes que se referem ao impressionismo, ao p¾s-impressionismo e tambÚm aos principais pintores que se destacaram no trabalho individual em


IMPRESSIONISMO, PËS-IMPRESSIONISMO E DESTAQUES INDIVIDUAIS DO S╔CULO XX

Arte asißtica

O exotismo das artes decorativas em voga no sÚculo XX e a temßtica orientalista tÒo a gosto do romantismo do sÚculo XIX puseram em moda, no

Ocidente, a milenar arte oriental, que havia conservado certa homogeneidade ao longo de sÚculos. Suas ·ltimas criaþ§es, as estampas japonesas, eram muito apreciadas pelos pintores impressionistas.
Apesar da base territorial comum, existem profundas diferenþas dentro do que se entende por arte asißtica. As artes indiana, chinesa, japonesa e otomana, s¾ para mencionar as mais importantes, tÛm escassos traþos formais, espirituais e estÚticos em comum para que se possa tratß-las como um todo.

╔ evidente que, aos olhos de um ocidental, todas essas culturas se enquadram na categoria "oriental". Na verdade, tÛm em comum o fato de serem estranhas Ó cultura ocidental e por isso a hist¾ria da arte, escrita por intelectuais do Ocidente, abriu um abismo entre a evoluþÒo artÝstica ocidental e a oriental.

Comparada Ó heterogeneidade de estilos que se verifica na arte ocidental, pode-se afirmar que as formas artÝsticas orientais, que em alguns pontos remontam Ó prÚ-hist¾ria, sua iconografia e sua temßtica, sofreram pouquÝssimas modificaþ§es.

Em geral, as obras de arte orientais manifestam a forþa da religiosidade na vida cotidiana. Como exemplo, citam-se os santußrios hindus e budistas, as esculturas de divindades indianas e japonesas e a profunda espiritualidade da pintura chinesa de paisagens.

Da mesma forma, Ú forþoso ressaltar a importÔncia que adquiriram no Oriente as artes consideradas menores pelos ocidentais, especialmente a cerÔmica e a arte de trabalhar o jade e a laca, muito apreciadas pela aristocracia e pela alta burguesia europÚia desde o sÚculo XVIII. A gravura, especialmente nos artistas japoneses, Ú tambÚm uma notßvel forma de expressÒo artÝstica do Oriente. Nela chegou-se a um extraordinßrio virtuosismo, enriquecido pelo colorido e pela forþa expressiva.


ARTE ORIENTAL

SÚculo XX


Os primeiros anos do sÚculo XX foram marcados por uma profunda crise de valores. A mudanþa de sÚculo deveria representar uma ruptura definitiva com os modelos do passado e a perspectiva de construþÒo de um mundo melhor. A Europa, no entanto, vivia tempos difÝceis, que culminariam na primeira guerra mundial, e jß havia perdido em parte seu papel de condutora do mundo. A polÝtica colonialista praticada por algumas potÛncias durante o perÝodo anterior comeþava a voltar-se contra elas mesmas e as antigas civilizaþ§es despertavam para a hist¾ria contemporÔnea exigindo seu lugar ao sol. A Europa jß nÒo era o centro do mundo e em breve seria superada pelos dois colossos que protagonizariam os principais acontecimentos do sÚculo: os Estados Unidos e a UniÒo SoviÚtica.

A crise polÝtica internacional nÒo era mais do que um aspecto da crise generalizada que afetava principalmente as mentalidades e as idÚias. O espÝrito cientÝfico que pouco a pouco ganhava espaþo, a tecnologia e a ind·stria, ao mesmo tempo que proporcionavam progresso, criavam uma profunda insatisfaþÒo com a pr¾pria condiþÒo humana. A heterogeneidade que se vislumbrava em todos os campos do saber e da arte na segunda metade do sÚculo XIX desabrochou no novo sÚculo e a diversidade passou a ser o traþo primordial de todas as manifestaþ§es artÝsticas.
A multiplicidade de propostas instalou-se por fim tambÚm nas artes plßsticas. Os estilos e as opþ§es individuais se sucediam vertiginosamente, pretendendo romper com o passado e lanþar as bases da nova arte.

Em oposiþÒo aos critÚrios realistas e objetivos do fim do sÚculo precedente, as concepþ§es artÝsticas inclinaram-se claramente, no auge do individualismo, para uma subjetividade tÒo marcante que tornou-se difÝcil entender e interpretar a obra de arte, principalmente pelo abandono dos traþos figurativos em favor da abstraþÒo, freq³entemente ininteligÝvel.

O inÝcio dessa revoluþÒo estÚtica se deve Ó atitude das primeiras vanguardas hist¾ricas, cujas propostas inovadoras e ousadia chocaram o mundo artÝstico. Propunha-se desde a ruptura total com a perspectiva renascentista atÚ o emprego livre da cor, passando pela destruiþÒo da forma e pelo culto Ó vida contemporÔnea.

Movimentos como o fauvismo, o cubismo e o futurismo foram os primeiros a rejeitar a tradiþÒo estÚtica e, de certa forma, lanþaram as bases de toda a arte do sÚculo XX, especialmente pela exaltaþÒo da liberdade criadora.


VANGUARDAS HISTËRICAS

A crise engendrada no princÝpio do sÚculo chegou ao auge com a deflagraþÒo da primeira guerra mundial, cujo impacto sobre a cultura europÚia foi extraordinßrio. A tristeza, o pessimismo e a decepþÒo causados pelo conflito bÚlico determinaram a consagraþÒo de uma das vanguardas mais crÝticas da sociedade contemporÔnea, o expressionismo, nÒo somente nas artes plßsticas como tambÚm no teatro, na m·sica e no cinema.

A estÚtica expressionista nÒo era uma inovaþÒo do sÚculo XX, jß que suas raÝzes podem ser rastreadas na obra de gÛnios como Goya, mas nas primeiras dÚcadas do sÚculo ganhou categoria de movimento. Seu ponto de origem foi a Alemanha, mas logo se disseminou por toda a Europa. Seu culto Ó deformaþÒo da realidade e ao subjetivismo mais extremo, seu gosto pela tÚcnica brusca e a preferÛncia por temas ora fantßsticos, ora de chocante crueza, foram a contrapartida artÝstica da situaþÒo vivida pela Europa ocidental entre 1910 e 1920, dÚcada de esplendor do expressionismo.

Outras vanguardas contemporÔneas do expressionismo nÒo souberam aprofundar o sentimento de tristeza e desilusÒo, mas, ao contrßrio, se propuseram como principal objetivo a transformaþÒo do mundo moderno e a busca de uma vida melhor, na qual a arte e o artista desempenhariam papÚis centrais. Tanto o neoplasticismo holandÛs quanto o construtivismo russo procuraram revolucionar a sociedade contemporÔnea com propostas estÚticas distantes do figurativismo.


EXPRESSIONISMO E CONSTRUTIVISMO


A rejeiþÒo da racionalidade que havia conduzido a Europa ao sangrento conflito motivou ainda o nascimento de outros movimentos vanguardistas completamente diferentes daqueles que tinham surgido atÚ a primeira guerra mundial. Jß nÒo se tratava de criticar a sociedade nem de construir um mundo melhor, ou buscar novas formas de expressÒo, mas de negar tudo, da realidade Ó arte mesma, como propunha o dadaÝsmo. Menos radical foi o surrealismo, que, com domÝnio absoluto das tÚcnicas pict¾ricas e do desenho, defendia o irracional e o onÝrico, inspirado na teoria psicanalÝtica. Essas duas vanguardas tiveram um antecedente estÚtico comum, a pintura metafÝsica, que se debruþara sobre temas onÝricos, enigmßticos e simb¾licos com uma tÚcnica bem acadÛmica.

SURREALISMO E DADA═SMO


 As aspiraþ§es vanguardistas da primeira metade do sÚculo nÒo foram patrim¶nio exclusivo dos artistas europeus. TambÚm os artistas americanos compreenderam as possibilidades revolucionßrias com que a arte lhes acenava. Entre as principais propostas de vanguarda surgidas no continente americano destaca-se o muralismo mexicano, escola de pintura nacional e popular que coincidiu com um momento ßureo depois de contÝnuas guerras civis que assolaram o MÚxico revolucionßrio.

O muralismo mexicano Ú uma arte monumental, de carßter marcadamente polÝtico, que procura valorizar a cultura nativa, propor uma sociedade mais igualitßria e justa, e contribuir para a educaþÒo do povo e recuperar o paraÝso perdido em conseq³Ûncia do encontro com a cultura europÚia desde o sÚculo XVI.

ARTE MEXICANA


Depois da segunda guerra mundial, a arte conservou a heranþa das vanguardas hist¾ricas da primeira metade do sÚculo, jß que suas raÝzes devem ser procuradas nesses movimentos, caracterizados pela ruptura e pela ren·ncia ao figurativismo.
Paris, centro vital da arte contemporÔnea atÚ a metade do sÚculo, foi sucedida por Nova York e as caracterÝsticas peculiares Ó sociedade de consumo americana invadiram o domÝnio da arte.

Outro fen¶meno singular da arte produzida depois de 1945 foi a importÔncia cada vez maior do mercado, que transformou a obra de arte em mercadoria mais valorizada pela assinatura do que por suas qualidades estÚticas. A maior parte das tendÛncias artÝsticas imediatamente posteriores Ó segunda guerra mundial coincidiam em aceitar as premissas da arte abstrata e a livre criatividade baseada na intuiþÒo e na espontaneidade. Mais tarde, esse expressionismo abstrato foi seguido de outra corrente abstrata, pronunciadamente geomÚtrica, que experimentou os efeitos ¾pticos e psicol¾gicos da percepþÒo e questionou a objetividade do olhar.

O abuso das formas estÚticas abstratas resultou num cansaþo artÝstico que determinou o retorno ao figurativismo, intimamente relacionado agora com a expansÒo dos meios de comunicaþÒo de massa: a televisÒo, os quadrinhos, o cinema e a publicidade. Assim, a pop art retomou parte da carga ir¶nica pr¾pria do dadaÝsmo e lanþou-se contra a sociedade contemporÔnea e consumista, partindo do emprego de formas expressivas e elementos prosaicos do cotidiano.

As ·ltimas tendÛncias estÚticas, cada vez mais numerosas, tenderam a separar-se das formas tradicionais de entender a arte e recorreram a materiais e tÚcnicas inovadores, que de certa forma transformaram a arte contemporÔnea num conjunto hermÚtico, de compreensÒo e classificaþÒo estilÝstica complexas.

ARTE ABSTRATA

A partir da metade do sÚculo XIX, as relaþ§es culturais entre a Europa e os paÝses latino-americanos tinham se estreitado. Considerßvel parcela da populaþÒo europÚia imigrara para o novo continente em busca de melhores possibilidades de trabalho. No sentido inverso, as elites latino-americanas se aproximaram da Europa para completar sua formaþÒo intelectual e artÝstica.

Assim, teria sido a Franþa e em segundo lugar a Itßlia o destino escolhido pelos artistas latino-americanos para aperfeiþoar sua tÚcnica, de modo que foram o modernismo e o impressionismo, movimentos que estavam no auge na transiþÒo do sÚculo XIX para o XX, os estilos que mais influenciaram aqueles artistas.

No entanto, as novidades estÚticas demoraram a consolidar-se na maior parte dos paÝses da AmÚrica Latina e atÚ 1930 nÒo se pode dizer que as vanguardas hist¾ricas anteriores Ó primeira guerra mundial e contemporÔneas dela estivessem triunfantes. Em grande parte, pode-se dizer que a abertura das artes latino-americanas Ós novidades vindas da Europa deve-se Ó inauguraþÒo de eventos como a Bienal de SÒo Paulo, em que se exibiram obras das mais renomadas figuras das artes plßsticas contemporÔneas e tambÚm das novas geraþ§es de artistas que se formavam na AmÚrica Latina.

As propostas abstratas passaram a ser aceitas no continente entre elas se destacou a op art. Ao lado das vanguardas originadas na Europa ou nos Estados Unidos, surgiram artistas que, donos de estilos pessoais e originais, combinaram em sua obra as tendÛncias vanguardistas com premissas estÚticas pr¾prias, de inspiraþÒo regional ou indigenista. Afastada das vanguardas, nasceu uma outra tendÛncia, apoiada em tÚcnicas acadÛmicas e na´ves, cujo tema eram os elementos culturais pr¾prios das civilizaþ§es prÚ-colombianas.

ARTE BRASILEIRA NO S╔CULO XX

A fotografia como arte

O surgimento da fotografia, no sÚculo XIX, foi conseq³Ûncia do mesmo espÝrito cientÝfico que levara os pintores a aprofundarem-se no impressionismo e tentarem captar a realidade com a maior verossimilhanþa possÝvel. Desde entÒo, a pintura e a fotografia estabeleceram uma relaþÒo em que se alternaram influÛncias e rejeiþ§es recÝprocas.

Num primeiro momento, a fotografia causou a decadÛncia do retrato em pintura e da miniatura, jß que Ú capaz de reproduzir com maior fidelidade e mais rapidamente. Depois, influenciou as escolas realistas de pintura, cujos artistas tentavam imitar a qualidade estÚtica da reproduþÒo fotogrßfica.
No sÚculo XX, a fotografia tornou-se completamente independente da pintura e passou a trilhar um caminho pr¾prio, ao longo do qual firmou-se como expressÒo artÝstica. Nem por isso deixou de interessar aos pintores, como se pode constatar nas fotomontagens dadaÝstas e no papel desempenhado pela fotografia no surgimento de movimentos plßsticos contemporÔneos como a pop art e o hiper-realismo.

A possibilidade de obter resultados imediatos e a objetividade tornaram a fotografia o principal instrumento de registro hist¾rico da civilizaþÒo contemporÔnea, no qual se conjugam os valores estÚticos com a funþÒo jornalÝstica e documental.

FOTOGRAFIA

Arte e tÚcnica


 Toda obra de arte, como reuniÒo de significado e significante, de forma e conte·do, deve ser levada em conta nesses dois aspectos.
A hist¾ria da arte tem sido em geral formalista, tendente a identificar a evoluþÒo das formas com o progresso da arte e definindo, para isso, os estilos artÝsticos. Nessa evoluþÒo, o progresso tecnol¾gico foi fundamental, pois permitiu a utilizaþÒo e modificaþÒo dos mais diversos materiais e ferramentas, com os quais o homem de todos os tempos expressou suas idÚias estÚticas.

Desde a prÚ-hist¾ria, o homem soube tirar grande proveito plßstico das matÚrias oferecidas pela natureza, selecionando aquelas que ofereciam maiores possibilidades expressivas de acordo com as formas que se desejasse obter. No inÝcio madeira, osso, pedra, pigmentos naturais e terra foram usados como matÚrias-primas das formas artÝsticas que, apesar das limitaþ§es tÚcnicas, expressaram o espÝrito do homem prÚ-hist¾rico.

Um notßvel progresso se verificou do ponto de vista tÚcnico com a descoberta dos metais e da fundiþÒo. As possibilidades artÝsticas se multiplicaram, pois os metais, que cinzelados ou forjados podiam fornecer utensÝlios de uso cotidiano, objetos funerßrios e enfeites pessoais, agora podiam ser fundidos, o que facilitava a obtenþÒo de qualquer forma de acordo com o molde que se quisesse empregar.

Materiais como pedra e madeira de todos os tipos foram usados desde a antiguidade atÚ o presente e se tornaram indispensßveis para a evoluþÒo da arquitetura e da escultura. Com as inovaþ§es tecnol¾gicas da revoluþÒo industrial, que possibilitaram a utilizaþÒo artÝstica do vidro, do ferro e do aþo, os materiais disponÝveis se multiplicaram e as possibilidades expressivas ampliaram-se consideravelmente.

Em muitos momentos da hist¾ria da arte o impacto causado pelas novas descobertas determinou a obsolescÛncia de materiais mais antigos, que passaram a ser tidos como limitados e anacr¶nicos, de acordo com as novas necessidades. Assim, pode-se falar na revoluþÒo da pintura causada pela tÚcnica do ¾leo, que praticamente determinou o abandono da tÛmpera.

╔ indispensßvel falar do papel que este e aquele material ou ferramenta desempenham na evoluþÒo dos estilos artÝsticos. Algumas tÚcnicas revolucionßrias constituÝram um divisor de ßguas na hist¾ria da arte. NÒo se pode entender o aparecimento de um estilo sem levar em conta o estßgio de desenvolvimento da tÚcnica no momento de seu nascimento.

Hß que levar em conta, igualmente, a aþÒo e o temperamento do artista, especialmente na Úpoca atual, jß que o artista tem a liberdade de escolher, entre uma multiplicidade de opþ§es, o material e a tÚcnica dos quais seu talento pode tirar o mßximo de proveito estÚtico, ou que melhor se ajustem ao resultado formal e Ó qualidade expressiva que ele pretende. Citem-se como exemplos uma parte da obra em escultura de Michelangelo ou de Rodin que, apesar de inacabadas, segundo critÚrios estritamente clßssicos, transmitem uma extraordinßria forþa expressiva.

A hist¾ria tÚcnica da arte foi, portanto, uma constante descoberta de novos materiais e ferramentas. ╔ comum a utilizaþÒo de materiais e tÚcnicas primitivos, aos quais se incorporam novÝssimas descobertas. Todas essas inovaþ§es se verificaram de maneira acelerada ao chegar o sÚculo XX, quando se deu uma miscelÔnea de tÚcnicas e materiais e se rompeu o tradicional emprego estanque de cada

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