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Alberto Santos Dumont


  Biografias
Pioneiro da navegação aérea com veículos mais pesados que o ar, Santos-Dumont desenvolveu os balões dirigíveis e realizou o primeiro vôo público com um avião capaz de decolar e pousar com seus próprios meios, sem o auxílio de catapultas.
Alberto Santos-Dumont nasceu em 20 de julho de 1873 na fazenda de Cabangu, perto de Palmira, hoje Santos-Dumont MG. Desde criança revelou inclinação para a mecânica. Seu pai, Henrique Dumont, engenheiro e próspero fazendeiro de café, mandou-o estudar física, química, mecânica e eletricidade em Paris, onde dizia que "repousa o futuro do mundo".
Dirigíveis. Em 1897, Santos-Dumont realizou seu primeiro vôo num balão, em Paris, e decidiu tornar-se aeronauta. Fez construir seu primeiro balão, a que ele próprio classificou como "o menor, o mais lindo, o único que teve um nome: Brasil". Nele começou a exercitar sua criatividade. O balão apresentava um volume abaixo da média e, com suas pequenas proporções, oferecia um problema técnico, o de manutenção da estabilidade. Para resolver essa dificuldade, Santos-Dumont alterou-lhe o centro de gravidade, mediante o alongamento das cordas de suspensão da barquinha destinada ao tripulante. O inventor também utilizou pela primeira vez a seda japonesa, o que tornou o engenho mais leve e permitiu que suportasse maior tensão. O Brasil foi pilotado em 4 de julho de 1898, no Jardim da Aclimação, em Paris.
Foi nessa época que Santos-Dumont decidiu tentar a utilização de um motor a gasolina em aeróstatos, o que representaria um grande passo para solucionar o problema de sua dirigibilidade. Em 18 de setembro de 1898, ele decolou do Jardim da Aclimação com seu dirigível nº 1. Semelhante a um charuto -- com 25m de comprimento, 3,5m de diâmetro e volume de 180m3 --, era impulsionado por um motor a gasolina de 3,5 HP e 30kg. Dois acidentes marcaram as experiências com o nº 1, mas graças a ele ficou demonstrada a dirigibilidade dos balões.
Em 11 de maio de 1899 Santos-Dumont voou pela primeira vez com o balão nº 2, que só diferia do anterior pela potência maior, mas o vôo não deu bom resultado devido ao mau tempo. O balão nº 3 foi construído no mesmo ano, quando o inventor empregou pela primeira vez o gás de iluminação em lugar do hidrogênio, mais caro. Esse aparelho era de formato diferente, mais afilado nas pontas e, para abrigá-lo, Santos-Dumont construiu um hangar especial, o primeiro do mundo. No balão nº 4, o piloto sentava-se numa sela de bicicleta, de onde dirigia e controlava o motor, o leme de direção e as torneiras do lastro, o qual, em vez de areia, compunha-se de 54 litros de água, guardados em dois reservatórios. Esse balão subiu com sucesso em 1º de agosto de 1900, quando se realizavam em Paris a Grande Exposição e o Congresso Internacional de Aeronáutica.
O balão nº 5 apresentou como novidade um motor de 16 HP, ao qual se adaptava uma formação triangular de pinho, com 41kg e fabricada pelo próprio aeronauta. O balão, no entanto, chocou-se com um prédio de Paris e Santos-Dumont ficou pendurado a vinte metros de altura, mas saiu ileso. O nº 6 deu a Santos-Dumont, em 19 de outubro de 1901, o Prêmio Deutsch de la Meurthe, instituído por um magnata do petróleo para agraciar o piloto do primeiro balão dirigível ou aeronave de qualquer natureza que, de 1900 a 1904, se elevasse do solo e, sem tocar a terra e por seus próprios meios, contornasse a torre Eiffel e voltasse ao ponto de partida, o campo de aerostação de Saint-Cloud, no tempo máximo de trinta minutos.
Vôos mecânicos. Em 1903, Santos-Dumont esteve no Brasil e recebeu verdadeira consagração. Regressou logo depois a Paris e construiu outros balões. Nessa ocasião procurava um motor a explosão que pudesse ser empregado no tipo de aeroplano que já projetava, pois sua preocupação agora era conquistar o espaço com um aparelho mais pesado que o ar. Em 1905, voou com o balão nº 14, cuja única inovação foi a de ter sido presa ao balão a primeira máquina que se ergueria do solo por seus próprios meios.
O primeiro vôo mecânico do mundo foi realizado por Santos-Dumont com o 14-bis, em 23 de outubro de 1906, no campo de Bagatelle. O aeroplano voou sessenta metros a uma altura entre dois e três metros. Um novo vôo ocorreu em 12 de novembro de 1906, quando o aeronauta brasileiro conseguiu percorrer duzentos metros, a seis metros de altura. Com o 14-bis, Santos-Dumont ganhou a taça Ernest Archdeacon, instituída para o primeiro aeroplano que com seus próprios meios se elevasse a mais de 25m, e o prêmio do Aeroclube da França, para o primeiro avião que fizesse um percurso de cem metros.
Após o 14-bis, Santos-Dumont se destacou com o nº 18, em 1907, que era chamado hydro-glisseur, com deslizador aquático, e que foi o precursor do hidroavião. Entre 1907 e 1909 o inventor aperfeiçoou o aparelho Demoiselle ou Libellule, que recebeu esse nome dos franceses para designar sua transparência e pequenez, pois o modelo era feito com bambu e seda e pesava, com o aviador, 110kg. A hélice do monoplano Demoiselle era instalada no "nariz" do aparelho, na cauda ficavam os lemes de direção e de profundidade e desenvolvia noventa quilômetros por hora com um motor de 30 HP. Desse aparelho, padrão de quase todos os aviões posteriores, Santos-Dumont construiu quatro modelos, de números 19 a 22.
Primeiro a obter as cartas de piloto de balão dirigível, biplano e monoplano, Santos-Dumont bateu novo recorde, em 3 de outubro de 1909, ao voar uma distância de oito quilômetros em cinco minutos, a uma velocidade aproximada de 96km/h. Foi seu último vôo como piloto.
Declínio. A partir de 1909, a saúde de Santos-Dumont começou a declinar. O uso do avião como arma de guerra durante a primeira guerra mundial perturbou-o particularmente. Períodos de grande depressão obrigaram-no a viagens e estações de repouso. Em 1931, de regresso ao Brasil, passou a residir em Petrópolis RJ, numa casa, a "Encantada", que projetou e é hoje o Museu Santos-Dumont. Autor de várias invenções no domínio da mecânica, além das relacionadas com a aeronáutica, Santos-Dumont foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1931, mas seu estado de saúde o obrigou a declinar da honraria.
Ao saber do emprego de aviões na revolução constitucionalista de 1932, Santos-Dumont foi tomado de forte depressão e, em 23 de julho de 1932, suicidou-se em Guarujá SP. O aeronauta recebeu o título de marechal-do-ar e, por decreto de 19 de outubro de 1971, foi proclamado patrono da Força Aérea Brasileira. Escreveu três livros: A conquista do ar (1901), Os meus balões (1904) e O que eu vi, o que nós veremos (1918).

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