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Agricultura


  Histologia

Desde o aparecimento do ser humano sobre a Terra, passaram-se milÛnios ao longo dos quais o homem, que se deslocava em hordas e se refugiava em cavernas ou choupanas, obtinha seus alimentos por meio da caþa, da pesca e da coleta de produtos silvestres. Progredindo no emprego de tÚcnicas, passou a usar utensÝlios de pedra cada vez mais polidos e aperfeiþoados, a produzir fogo e a fabricar instrumentos de osso e chifre. Deu-se assim a revoluþÒo neolÝtica, fen¶meno responsßvel por uma transformaþÒo radical nos padr§es de vida, que passou a centrar-se no cultivo de espÚcies vegetais e na criaþÒo de gado.

Entendida como conjunto de operaþ§es e atividades destinadas a cultivar plantas ·teis ao ser humano, a agricultura Ú um setor da economia cuja consolidaþÒo foi de importÔncia transcendental na evoluþÒo hist¾rica, com implicaþ§es sociais, polÝticas e culturais. A implantaþÒo da agricultura deve avaliar-se, por isso mesmo, como uma transformaþÒo radical em todos os aspectos da vida humana que determinou, em boa medida, as condiþ§es de existÛncia atÚ os dias atuais. Os problemas da agricultura moderna, no entanto, devem ser encarados como partes de uma economia em permanente evoluþÒo, da qual essa atividade constitui o setor primßrio, que inclui tambÚm a pecußria e o extrativismo vegetal e mineral. A respeito disso Ú preciso notar a grande diversidade de culturas praticadas modernamente e a importÔncia delas para as diferentes sociedades, com fatores interligados de todo tipo, que dizem respeito Ó produtividade, Ó manutenþÒo de ecossistemas, Ós variaþ§es climßticas e mesmo aos costumes das pessoas que habitam lugares onde existe atividade agrÝcola.

Resumo hist¾rico

O longo perÝodo durante o qual o hßbito da agricultura foi se impondo paralelamente Ó criaþÒo de ovelhas, cabras, bois e porcos, pressup¶s em primeiro lugar a substituiþÒo da economia de subsistÛncia por outra com produþÒo de excedentes. Estes constituÝram a base sobre a qual se deu a troca de bens entre membros de diferentes classes sociais e entre grupos assentados em diversas regi§es geogrßficas. Na gÛnese da atividade agrÝcola se situam, pois, o inÝcio das transaþ§es comerciais da forma como sÒo entendidas na atualidade e os primeiros contatos que teriam como resultado as relaþ§es polÝticas entre os povos.

A localizaþÒo geogrßfica dos centros ao redor dos quais se estabeleceram lavouras em carßter permanente Ú uma das quest§es que mais interessam aos especialistas em hist¾ria antiga, jß que a importÔncia do fen¶meno fez desses lugares o berþo da civilizaþÒo. As escavaþ§es arqueol¾gicas contribuÝram com dados que permitem saber quais foram alguns dos pontos de origem da atividade agrÝcola, como a Palestina e o IrÒ, onde foram encontrados restos f¾sseis de sementes. Esse centro de difusÒo da agricultura costuma-se fixar aproximadamente no sÚtimo milÛnio antes da era cristÒ e Ú considerado unanimemente como o primeiro ponto de referÛncia cronol¾gico, embora algumas pesquisas indiquem zonas de difusÒo agrÝcola primitiva no sudeste da ┴sia e na AmÚrica Central. Esta ·ltima possibilidade suscitou polÛmica hist¾rica e antropol¾gica sobre a possÝvel origem m·ltipla da agricultura, em diferentes pontos de expansÒo, hip¾tese que se contrap§e Ó da zona ·nica de difusÒo com passagem a outras regi§es em ondas sucessivas.

Etapas posteriores de evoluþÒo introduziram nas grandes civilizaþ§es da antiguidade as primeiras lavouras importantes na Anat¾lia, no Egito e na bacia mediterrÔnea (cereais, linho, vinhedos, oliveiras, legumes); no Extremo Oriente (arroz) e na AmÚrica Central (batata, tomate, milho). A diversificaþÒo das culturas, elemento de importÔncia primordial para estender a atividade agrÝcola a todas as civilizaþ§es num lapso de tempo relativamente curto, ocorreu paralelamente ao emprego dos primeiros implementos agrÝcolas rudimentares. Machados, pßs, enxadas e foices passaram a fazer parte do instrumental empregado pelos lavradores desde que se consolidou a atividade agrÝcola. Foram outras ferramentas, no entanto, como a escavadora das culturas andinas e, especialmente, o arado de grade inventado pelos romanos, as que desencadearam uma radical renovaþÒo das tÚcnicas de aragem das lavouras e permitiram o estabelecimento da agricultura de forma sistemßtica.

As peculiaridades de cada tipo de plantaþÒo funcionaram como motores da evoluþÒo das tÚcnicas de irrigaþÒo, canalizaþÒo, semeadura e colheita. Assim, por exemplo, a implantaþÒo de sistemas de irrigaþÒo razoavelmente complexos e a aplicaþÒo das plantaþ§es em terraþo foram conseq³Ûncia, na Indochina, da generalizaþÒo do consumo e do plantio de arroz, que requer terrenos permanentemente encharcados.

Os contÝnuos progressos da agricultura durante a antiguidade redundaram em novos parÔmetros na Idade MÚdia. O valioso acervo de conhecimentos sobre cada particularidade da agronomia e a produþÒo literßria que tomou forma na recopilaþÒo de escritores italianos como PlÝnio o Jovem e L·cio J·nio Moderato Columela, tidos como os primeiros sistematizadores da agronomia como disciplina cientÝfica, serviram de base para outros avanþos. A nova orientaþÒo, que contou com a contribuiþÒo da cultura islÔmica, em especial no que diz respeito Ós tÚcnicas de irrigaþÒo e canalizaþÒo, reverteu na consolidaþÒo de todos os setores da agricultura, que em muitos casos tornou-se a ·nica atividade econ¶mica organizada.

O fato de grande n·mero de pessoas dedicarem-se ao trabalho agrÝcola durante a Idade MÚdia teve conseq³Ûncias sociais, polÝticas e relacionadas Ó distribuiþÒo da riqueza. A idÚia de campesinato como grupo especÝfico da populaþÒo prevalecia na ordem feudal e o desenvolvimento das tÚcnicas agrÝcolas sofreu um processo de estagnaþÒo gradual que s¾ foi superado quando teve inÝcio a mecanizaþÒo e a racionalizaþÒo das lavouras, fen¶menos cujo ponto de partida se encontra no sÚculo XVIII.

Entre os povos ocidentais, a abertura do caminho para a AmÚrica no final do sÚculo XV possibilitou o acesso a uma variedade de culturas atÚ entÒo desconhecidas na Europa. Em alguns casos, como no da batata, esse fato acarretou importantes mudanþas nos hßbitos alimentares de todo o Ocidente. O intercÔmbio de espÚcies vegetais cultivßveis entre os dois extremos do oceano AtlÔntico contemplou principalmente a batata, como jß se disse, mas tambÚm tomate, fumo e milho, procedentes do Novo Mundo; e o trigo e numerosas variedades hortÝcolas que, da Europa, passaram primeiro ao continente americano e mais tarde, com as expediþ§es, aos arquipÚlagos do PacÝfico e Ó Austrßlia.

O impulso Ó ciÛncia e Ó tecnologia trazido pelo pensamento iluminista e, mais tarde, a avalanche de novos recursos conquistados pela revoluþÒo industrial traþaram o cenßrio em que se inseria a nova concepþÒo de agricultura, sempre em evoluþÒo mas perene em muitos aspectos. A ampliaþÒo e o aperfeiþoamento da maquinaria agrÝcola, o planejamento da semeadura, o controle da produtividade, o estabelecimento de ciÛncias biol¾gicas e aplicadas como a botÔnica, a genÚtica e a ecologia, as tÚcnicas de combate Ós pragas e Ós doenþas que acometem as espÚcies cultivßveis sÒo alguns dos fatores que caracterizam a agricultura moderna. No entanto, a diversificaþÒo de culturas tambÚm trouxe problemas que nÒo se verificavam em Úpocas remotas, embora a pesquisa cientÝfica se encontre em melhores condiþ§es de enfrentß-los. Nesse particular, cabe mencionar as numerosas pragas produzidas pelo deslocamento de espÚcies fora de seu ambiente de origem.

A transformaþÒo da agricultura em atividade mecanizada, dotada de recursos rudimentares que vieram a beneficiar um setor econ¶mico que, para muitos paÝses, Ú o principal senÒo ·nico gerador de riquezas, foi possÝvel graþas Ó criaþÒo de uma disciplina especÝfica, a engenharia agron¶mica. Essa disciplina estuda a adequada disposiþÒo das ßreas de cultivo e sua delimitaþÒo; examina a qualidade e produtividade do solo, num ramo dessa ciÛncia conhecido com o nome de edafologia; pesquisa fertilizantes adequados para cada tipo de cultura e produtos adequados para combater as doenþas e pragas que trazem graves prejuÝzos Ó produþÒo rural; analisa as condiþ§es climßticas e ambientais favorßveis Ó agricultura e os eventuais inconvenientes que algumas espÚcies cultivadas podem trazer para as regi§es onde sÒo produzidas.

Agricultura e tecnologia

A relaþÒo entre crescimento agrÝcola e progresso tecnol¾gico se manteve constante desde que foram implantadas as primeiras lavouras. Ao longo da hist¾ria, sucederam-se as contribuiþ§es da tecnologia Ó agricultura, com infinidade de instrumentos muitas vezes caracterizados por um desenho rudimentar e muito simples.

Durante muitos sÚculos, as ferramentas agrÝcolas apresentaram como traþo fundamental a simplicidade, o que teve conseq³Ûncias desfavorßveis para atividades rurais mais especializadas, como a irrigaþÒo e a drenagem de terrenos. Da mesma forma, o transporte e os trabalhos de forþa necessßrios para desempenhar as diferentes atividades agrÝcolas se realizaram, atÚ o sÚculo XIX, mediante o uso exclusivo de traþÒo animal, sem outra ajuda atÚ que fosse implantada a mecanizaþÒo.

O invento e utilizaþÒo de tratores, colheitadeiras, trilhadeiras, ceifadoras e tantos outros dispositivos mecÔnicos de trabalho agrÝcola implicaram uma reformulaþÒo do setor, especialmente nos paÝses em que o grau de industrializaþÒo Ú elevado, o que representou uma significativa reduþÒo de custos e, ao mesmo tempo, aumento da produtividade. A infra-estrutura agrÝcola de alguns paÝses com produþÒo em aumento apresentou tendÛncia a se modificar no seguinte sentido: lavouras que antigamente tinham que ser dedicadas periodicamente Ó produþÒo de plantas forrageiras, ou simplesmente eram deixadas em pousio para que se recompusessem do esgotamento do solo, puderam, na era da mecanizaþÒo, ser aproveitadas para o cultivo de plantas destinadas Ó alimentaþÒo humana e recuperar-se em menos tempo.á

┴reas da agricultura

As modernas idÚias sobre agricultura apresentam uma pronunciada tendÛncia ao estudo interdisciplinar, o que pressup§e que a pesquisa e a prßtica agrÝcola nÒo sejam reguladas por princÝpios especÝficos, mas mantenham relaþÒo com outras ßreas do conhecimento. Assim, entendida como anßlise de todas as etapas de produþÒo das plantas cultivadas, a agricultura se ap¾ia nos resultados obtidos pela pesquisa nas ßreas da climatologia, da sa·de e da economia, cujo objetivo fundamental Ú a melhora do rendimento e a distribuiþÒo adequada das numerosÝssimas espÚcies vegetais capazes de se aclimatarem em cada meio ambiente.

Assim, por exemplo, procura-se o conhecimento das plantas do ponto de vista botÔnico, com especial atenþÒo aos fatores ambientais. Desse parÔmetro de aþÒo nascem ramos combinados de duas ou mais ßreas, como a agroclimatologia, ou estudo das variaþ§es climßticas quanto a sua incidÛncia sobre a produþÒo agrÝcola; a fitopatologia agrÝcola, que se ocupa da descriþÒo e combate das doenþas e pragas que afetam a lavoura e, numa amplitude ainda maior, a sociologia agrÝcola, que estuda as necessidades de cada grupo populacional rural em cada localidade.
As sociedades mais evoluÝdas tendem Ó implantaþÒo de um sistema agrÝcola integrado, em que seja possÝvel estabelecer programas de apoio Ó produþÒo, ao processamento e Ó distribuiþÒo da produþÒo agrÝcola, ao mesmo tempo que agiliza a relaþÒo entre produtores, intermedißrios e consumidores, para que todos obtenham maiores lucros em menos tempo.

Essa concepþÒo da agricultura dß margem ao estabelecimento de especialidades dedicadas a cada tipo de planta cultivada --á horticultura, fruticultura, olericultura, cerealiculturaá -- e a setores de produþÒo afins.

DiversificaþÒo das culturas

O papel fundamental desempenhado pela agricultura na economia, desde seus prim¾rdios atÚ a expansÒo da ind·stria e do setor de serviþos, incentivou o processo sustentado de diversificaþÒo de espÚcies cultivadas, com as limitaþ§es impostas pelas caracterÝsticas geol¾gicas, climßticas e orogrßficas dos terrenos a cultivar. Assim, a escolha entre empregar ou nÒo instalaþ§es de irrigaþÒo, entre policultura ou monocultura, e entre a exploraþÒo extensiva ou intensiva do solo, deram como resultado a diversidade de espÚcies e mesmo, dentro de uma mesma espÚcie, de variedades.
NÒo obstante isso, a natureza da aplicaþÒo de cada vegetal determina condicionamentos em funþÒo dos quais se estabelece uma sÚrie de produtos bßsicos para a alimentaþÒo humana e animal, para a obtenþÒo de fibras utilizadas na ind·stria tÛxtil, para a obtenþÒo de materiais aplicados na ind·stria de transformaþÒo, como as vagens de certos vegetais, ou a madeira necessßria para a fabricaþÒo de papel, ou os materiais que se utilizam mais rudimentarmente, na construþÒo de palhoþas ou abrigos.

Entre todas as espÚcies cultivadas, tÛm especial importÔncia os cereais, plantas das quais se obtÛm grÒos que desempenham funþÒo essencial na alimentaþÒo humana. Foram, na verdade, os cereais, e sobretudo o trigo, as espÚcies vegetais sobre as quais se fundamentaram as primeiras etapas da agricultura. Na planta de espiga se materializa o sÝmbolo da fecundidade das terras, em todas as civilizaþ§es. No continente americano, esse papel coube ao milho. MatÚria-prima da farinha e do pÒo, o trigo e demais cereais constituem uma ßrea especial da agronomia, pois, dadas as suas peculiaridades, as entidades dedicadas Ó gestÒo econ¶mica da maior parte dos paÝses identificam a produþÒo desse setor com a disponibilidade de alimentos.
Fundamentais para a cerealicultura, os processos de moagem do grÒo para a obtenþÒo de farinhas e a panificaþÒo sÒo duas das operaþ§es de maior importÔncia hist¾rica do ponto de vista da influÛncia da agricultura na evoluþÒo dos povos. No entanto, a evoluþÒo tecnol¾gica na ind·stria alimentÝcia e a progressiva diversificaþÒo dos artigos de consumo ampliaram extraordinariamente as aplicaþ§es dos cereais no campo da nutriþÒo. Assim, dependem desse grupo de alimentos a produþÒo de biscoitos, doces, produtos naturais, massas e forragem para a alimentaþÒo de animais.

O interesse pelos derivados dos cereais se estende Ó fabricaþÒo de polvilhos, sacarose, glicose, dextrinas e outros compostos quÝmicos. Do ponto de vista botÔnico, a maior parte dos cereais se enquadra na famÝlia das gramÝneas ou poßceas -- alguns cereais de outras famÝlias, como o trigo-mouro ou fag¾piro, sÒo escassamente empregados -- que, portanto, sÒo objeto de pormenorizada anßlise quanto ao teor de nutrientes, quanto aos nÝveis de produtividadeá e rendimento, quanto Ó possibilidade de aclimataþÒo das espÚcies e outros t¾picos de Ýndole geogrßfica, social e econ¶mica. Assim, definem-se como cereais pr¾prios dos paÝses asißticos o arroz, a sojaá e o sorgo; como cereais cultivados preferentemente na Europa, a cevada, a aveia e o trigo; e como o grÒo economicamente mais importante para a AmÚrica tropical, o milho.

Outro importante setor agrÝcola, definido pela especializaþÒo da agricultura, Ú a horticultura, que compreende o trabalho de semeadura, cuidados e colheita de hortaliþas, ßrvores frutÝferas e flores. Dentro dessa divisÒo se cultivam plantas das quais se aproveitam os bulbos, como a cebola e o alho; as folhas, como a alface e o espinafre; os frutos, como tomate, pimentÒo, melÒo, maþÒ, pÛra e muitos outros; as raÝzes, como a cenoura e o rabanete; os tubÚrculos, como batata, mandioca e inhame; e as sementes, como feijÒo, grÒo-de-bico, ervilha e lentilha.

Em todas as culturas sÒo necessßrios cuidados especiais desde a semeadura atÚ a colheita, mas no caso das hortaliþas e frutas esses cuidados devem ser redobrados, especialmente para evitar pragas de insetos e doenþas. A aplicaþÒo de modernos recursos tecnol¾gicos Ú, assim, mais freq³ente na horticultura que em outras atividades agrÝcolas, jß que as necessidades de ßgua sÒo tambÚm proporcionalmente maiores. Equipamentos de irrigaþÒo, estufas, sacos plßsticos para proteger os frutos, e coberturas feitas de palha ou plßstico fornecem a rega e a proteþÒo contra o vento, granizo, geadas e chuvas fortes.
As espÚcies enquadradas no ramo da horticultura sÒo muito diversas quanto Ó classificaþÒo botÔnica, porÚm as mais apreciadas, ou economicamente mais importantes, pertencem a umas poucas famÝlias principais. Entre as hortaliþas, a batata e o tomate pertencem Ó famÝlia das solanßceas; o feijÒo, a favaá e a ervilha sÒo leguminosas; a alface e a alcachofra sÒo asterßceas; a acelga, o espinafre e a beterraba sÒo quenopodißceas e, finalmente, o alho, a cebola, o alho-porro e o aspargo pertencem Ó famÝlia das lilißceas. Todos esses vegetais, de grande importÔncia econ¶mica e alimentar, foram adaptados para cultivo em grande escala pela engenharia genÚtica, que criou grande n·mero de variedades adequadas ao consumo humano. ╔ o caso da couve, entidade biol¾gica ·nica (Brassica oleracea) desdobrada em variedades como a couve comum, a couve-flor, a couve-de-bruxelas e o repolho.

Entre as espÚcies enquadradas na horticultura existem tambÚm aquelas cuja aplicaþÒo principal Ú o uso como condimento ou na preparaþÒo de infus§es ou soluþ§es. O interesse de muitas dessas espÚcies decorre da importÔncia econ¶mica que tiveram no passado e do papel hist¾rico que desempenharam. As diversas especiarias de origem oriental, por exemplo, foram mercadorias preciosas na Europa durante muitos sÚculos e seu comÚrcio deu origem a florescentes centros comerciais em Veneza, GÛnova, Pisa e Amalfi na Úpoca do Renascimento. Mais tarde, a popularizaþÒo do consumo de bebidas como o cafÚ e o chß resultou na valorizaþÒo econ¶mica dessas mercadorias.

O consumo de infus§es como estimulantes ou bebidas refrescantes deu origem, mais recentemente, a um campo aut¶nomo dentro da farmacologia, que Ú o estudo das propriedades terapÛuticas de grande variedade de ervas, empregadas sob a forma de folhas maceradas, raÝzes moÝdas ou flores. A medicina natural faz uso tambÚm de plantas aromßticas e medicinais.

As ßrvores frutÝferas sÒo provavelmente o conjunto de espÚcies cultivßveis em que mais se aplicam tÚcnicas de enxertia e cruzamentos a fim de obter novas e melhores variedades. Frutas como a banana e a laranja sÒo comercializadas em grande n·mero de variedades, como maþÒ, prata, ouro, da terra, d"ßgua ou nanica, sÒo-tomÚ e outras, no caso da primeira, e seleta, baÝa, lima, itaboraÝ e outras, no caso da segunda.

Dentre as espÚcies cultivadas, destacam-se algumas que tÛm em comum a varißvel climßtica, geralmente relacionada Ó necessidade de abundante irrigaþÒo, a temperaturas elevadas e Ó riqueza da vegetaþÒo e do solo. Trata-se das plantas tropicais, entre as quais hß espÚcies frutÝferas, florestais e hortÝcolas, cuja importÔncia econ¶mica pode ser medida pelos esforþos despendidos na adaptaþÒo dessas espÚcies a outros climas a fim de aumentar-lhes a produþÒo.

Cumpre tambÚm mencionar o grupo de espÚcies cultivadas nÒo destinadas Ó alimentaþÒo que servem de matÚria-prima a setores industriais da maior importÔncia. Assim, por exemplo, a ind·stria do papel consome enormes quantidades de madeira, o que exige constante reflorestamento das ßreas de extraþÒo. A fabricaþÒo de m¾veis e a extraþÒo de borracha, igualmente, constituiriam um sÚrio perigo de devastaþÒo e conseq³ente desequilÝbrio ecol¾gico do planeta se nÒo fossem postas em prßtica polÝticas de reflorestamento que repusessem os exemplares abatidos e proibissem o corte de ßrvores nativas em perigo de extinþÒo. TambÚm fazem uso de produtos agrÝcolas as ind·strias tÛxtil e de confecþÒo, consumidoras de linho, algodÒo, cÔnhamo e plantas similares.

Existem tambÚm produtos de origem agrÝcola que nÒo sÒo pr¾prios para consumo direto, humano ou animal. ╔ o caso dos ¾leos e gorduras vegetais de vßrios tipos (oliva, milho, girassol e margarinas) que entram no preparo de diferentes pratos e sÒo obtidos por procedimentos industriais. Outros alimentos de consumo freq³ente sÒo tambÚm objeto de tratamento industrial antes da comercializaþÒo no varejo. A farinha de trigo e o pÒo, componente principal do regime alimentar de muitos povos, demandam instalaþ§es industriais para sua elaboraþÒo. Os ßlcoois de diversas qualidades, vinhos e cervejas, de consumo tÒo difundido, requerem fermentaþÒo, engarrafamento ou maturaþÒo. Processos similares sÒo aplicados ao fumo e Ós conservas.á

O aproveitamento industrial ou alimentÝcio de flores de algumas plantas Ú comum, mas a semeadura, os cuidados durante o desenvolvimento da planta e a colheita de flores com fins ornamentais conformam uma disciplina agrÝcola especial, a floricultura. Nessa atividade, as operaþ§es propriamente agrÝcolas se complementam com a arte da jardinagem, especialmente nos cultivos em pequena escala. A prevenþÒo e cura das doenþas de plantas florÝferas constituem um campo singular, jß que para muitas espÚcies Ú necessßrio forþar as condiþ§es de crescimento em relaþÒo ao desenvolvimento natural da planta e, em certo aspecto, isso aumenta os riscos de fitopatologias.

Assim se organiza o complexo espectro de disciplinas e recursos que de alguma forma estÒo envolvidos na agricultura, setor primordial da economia, para o qual estÒo voltadas pesquisas de todo tipo, pois dele depende a riqueza da maior parte dos paÝses do mundo. Para esse fim hÒo de convergir,á portanto, os estudos sobre seleþÒo animal e vegetal, a anßlise dos mecanismos que comandam a funþÒo dos compostos orgÔnicos do solo e daqueles usados como fertilizantes, alÚm da distribuiþÒo das ßreas cultivßveis de acordo com critÚrios de avaliaþÒo geoecon¶mica e ecol¾gica, compatÝvel com a administraþÒo, comercializaþÒo e processamento industrial da produþÒo agrÝcola.

O crescimento populacional do planeta, que se acompanha do gradual abandono das tarefas agrÝcolas por parte de muitos dos que delas se ocuparam tradicionalmente, migrados para a ind·stria e para atividades no ramo de serviþos, envolve o desafio de gerar maiores quantidades de alimentos com menor contingente de trabalhadores e os mesmos recursos naturais: terra cultivßvel, pastos e outros. ╔ necessßrio, portanto, racionalizar a exploraþÒo dos recursos agrÝcolas e pecußrios para obter maior rendimento das fontes disponÝveis, e, paralelamente, incentivar a pesquisa cientÝfica e tecnol¾gica voltada para aumentar a produtividade agrÝcola. A produtividade do trabalhador rural Ú, hoje em dia, muito maior que em qualquer outra Úpoca e tudo indica que a percentagem da populaþÒo ocupada nesses afazeres continuarß decrescendo.

A contribuiþÒo de quÝmicos e engenheiros para essa tarefa Ú essencial. Seu trabalho proporciona um melhor rendimento da terra, produz colheitas mais abundantes e freq³entes, evita o esgotamento dos solos, melhora as propriedades nutritivas dos produtos agropecußrios, agiliza as colheitas, implanta instalaþ§es industriais onde o gado pode ser estabulado e alimentado com mÚtodos mais econ¶micos e racionais e proporciona maquinaria capaz de realizar tarefas como a ceifa e a ordenha com maior velocidade, eficiÛncia e higiene. Vale destacar tambÚm o trabalho dos especialistas em economia agrÝcola, que oferecem ao meio rural instrumentos para gerir com melhores resultados as suas empresas.
Tudo o que se disse acima permite olhar o futuro com otimismo. O fantasma de uma escassez geral de alimentos, aparentemente, nÒo ameaþa o mundo contemporÔneo: pelo contrßrio, a produþÒo de alimentos de todo tipo se realiza na atualidade com nÝvel tÚcnico e em condiþ§es sanitßrias sem precedentes no passado.

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