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Abelha


  Artrópodes
Conhecidas hß mais de quarenta mil anos, as abelhas vÛm atraindo a atenþÒo do homem pela utilidade dos produtos que delas se obtÛm e pela extrema complexidade de sua vida social.
Abelha Ú um inseto pertencente Ó ordem dos himen¾pteros e Ó famÝlia dos apÝdeos. SÒo conhecidas cerca de vinte mil espÚcies diferentes e dentre elas  destacam-se, graþas Ó importÔncia econ¶mica e Ós caracterÝsticas fisiol¾gicas, as do gÛnero Apis. A espÚcie que mais se presta Ó produþÒo racional de mel, p¾len, cera, gelÚia real e pr¾polis Ú a Apis mellifera.
Irritßvel por ruÝdos e odores fortes, a abelha ferroa e inocula veneno. Deixa na pele da vÝtima o ferrÒo e, presa a ele, uma parte das pr¾prias vÝsceras, o que causa a morte do inseto em, no mßximo, 24 horas. O cheiro do veneno desencadeia imediatamente um ataque em massa. As picadas podem ser bastante dolorosas e, quando em grande quantidade (acima de cem), perigosas para um homem adulto. Pessoas alÚrgicas podem sofrer choque anafilßtico com uma ·nica picada. No entanto, o indivÝduo exposto a picadas freq³entes desenvolve imunidade ao veneno. Este tem aplicaþ§es terapÛuticas, sobretudo em casos de reumatismo, e a aplicaþÒo pode ser feita pela induþÒo da picada do inseto no local afetado.
Anatomia da abelha. O corpo de uma abelha melÝfera divide-se em cabeþa, t¾rax e abdome, Ó semelhanþa da maioria dos insetos. Na cabeþa, ficam as antenas, ¾rgÒos tßteis e olfativos. Pr¾ximo Ós antenas, localiza-se o complexo sistema visual, que permite Ós abelhas enxergar em todas as direþ§es e a longas distÔncias. Ainda na cabeþa, ficam as glÔndulas salivares, responsßveis pela transformaþÒo do nÚctar em mel; as hipofarÝngeas, que transformam o alimento comum em gelÚia real; e as mandibulares, que dissolvem a cera e ajudam a processar a gelÚia real.
As abelhas apresentam dois pares de asas. Os trÛs pares de patas diferem entre si, pois cada um possui funþÒo especÝfica. As patas anteriores, forradas de pÛlos microsc¾picos, sÒo utilizadas na limpeza das antenas, olhos, lÝngua e mandÝbula. As medianas possuem um esporÒo, cuja funþÒo Ú a limpeza das asas e a retirada do p¾len acumulado nas patas posteriores, as quais se caracterizam pela presenþa das cestas de p¾len, pentes e espinhos. Estes ·ltimos tÛm a finalidade de remover as partÝculas de cera elaboradas pelas glÔndulas alojadas no ventre.
O abdome abriga a maioria dos ¾rgÒos das abelhas. Nele estÒo situados a vesÝcula melÝfera, que transforma o nÚctar em mel e transporta a ßgua coletada no campo para a colmÚia; as glÔndulas cerÝgenas, responsßveis pela produþÒo da cera; as traquÚias ou ¾rgÒos de respiraþÒo; os ¾rgÒos de reproduþÒo femininos e masculinos; e ainda o est¶mago, o intestino delgado e o coraþÒo. ╔ no abdome que se localiza o ferrÒo, que as operßrias utilizam como arma de defesa e a rainha como instrumento de orientaþÒo: Ú por meio dele que ela  localiza as cÚlulas dos favos no momento da postura.
Estrutura da colmÚia. Com capacidade para abrigar uma populaþÒo de atÚ dezenas de milhares de indivÝduos, a colmÚia comp§e-se de uma sÚrie de favos dispostos paralelamente. O favo Ú um conjunto de alvÚolos, compartimentos hexagonais que as operßrias fazem com cera, onde a rainha deposita os ovos e onde sÒo armazenados os alimentos (ßgua, mel e p¾len). Os alvÚolos menores destinam-se ao desenvolvimento das operßrias e os maiores, ao dos zang§es.
Uma colmÚia pode se dividir em vßrias, por um processo chamado enxameaþÒo. NÒo havendo mais espaþo para postura e armazenamento de alimento, Ú produzida uma nova rainha. Sua antecessora voa com grande parte das abelhas para formar uma nova comunidade.
Rainhas, operßrias e zang§es. A abelha rainha Ú quase duas vezes maior que as operßrias e vive de trÛs a seis anos. Tem como ·nica funþÒo biol¾gica a postura dos ovos. Do ponto de vista social, Ú responsßvel pela harmonia e ordenaþÒo dos trabalhos da col¶nia. Nasce de um ovo fecundado e Ú criada numa cÚlula especial, diferente dos demais alvÚolos, denominada realeira, na qual recebe uma alimentaþÒo diferenciada, Ó base de gelÚia real. Rico em proteÝnas, vitaminas e horm¶nios sexuais, esse nutriente Ú o responsßvel pela diferenciaþÒo fisiol¾gica da abelha rainha em relaþÒo Ós operßrias.
Os machos da colmÚia sÒo os zang§es. Nascem de ovos nÒo-fecundados depositados pela rainha, 24 dias ap¾s a postura. Vivem de oitenta a noventa dias e atingem a maturidade sexual no 12║ dia a contar do nascimento. NÒo apresentam ferrÒo ou qualquer outro ¾rgÒo adequado Ós funþ§es de ataque, defesa ou trabalho e dependem exclusivamente das operßrias para sobreviver. SÒo dotados de aparelhos sensitivos excepcionais e podem identificar, pelo olfato ou pela visÒo, rainhas virgens a quil¶metros de distÔncia.
As operßrias sÒo responsßveis por todo o trabalho necessßrio Ó sobrevivÛncia e defesa da colmÚia, Ó exceþÒo da postura dos ovos. Durante o dia, realizam o trabalho de campo, ou seja, a coleta de alimentos e ßgua. Encarregam-se da higiene da colmÚia, da produþÒo de cera e de sua utilizaþÒo na construþÒo dos favos, assim como da alimentaþÒo da rainha, dos zang§es e das larvas. Por meio do batimento das asas ou da introduþÒo de ßgua no interior dos favos, as operßrias evitam o superaquecimento e, para conservar o calor, unem-se firmemente umas Ós outras. Dessa forma, mantÛm a temperatura estßvel no interior da col¶nia, entre 33 a 36o C. Produzem e estocam o mel e elaboram a pr¾polis, substÔncia processada a partir de resinas vegetais utilizada para desinfetar favos e paredes, vedar frestas e fixar peþas. As operßrias nascem 21 dias ap¾s a postura dos ovos e podem viver de sessenta dias atÚ seis meses, em situaþ§es excepcionais de pouca atividade.
Desenvolvimento das abelhas. A espermateca, uma cavidade do abdome da rainha, guarda os espermatoz¾ides ap¾s o acasalamento. TrÛs dias ap¾s a fecundaþÒo, inicia-se a postura. Quando a rainha introduz o abdome no alvÚolo menor, comprime a espermateca, liberando os espermatoz¾ides que irÒo fecundar o ovo. No caso dos alvÚolos maiores, a espermateca nÒo Ú comprimida, e um ovo nÒo fecundado Ú depositado. Cada alvÚolo recebe um ·nico ovo. TrÛs dias ap¾s a postura, surge uma larva branca, que Ú alimentada pelas operßrias. Aos seis dias se inicia o processo de metamorfose. Ao estßgio de pupa, que dura 12 dias, segue-se a fase adulta.
ComunicaþÒo. As operßrias disp§em de meios de comunicaþÒo muito precisos para indicar Ós companheiras os locais onde hß alimentos. Isso Ú feito essencialmente por meio de "danþas" num percurso em forma de foice, para pequenas distÔncias, em forma de um oito, para distÔncias entre 65 e 6.000m. Quanto mais rßpida a danþa, mais pr¾ximo o local: assim, sete voltas completas em 15 segundos indicam uma distÔncia de 200m. A descoberta do modo de comunicaþÒo entre as abelhas se deve principalmente ao alemÒo Karl von Frisch e a sua escola de Munique.
Abelhas africanas. A espÚcie A. mellifera Ú integrada por diversas raþas, sendo as mais conhecidas na apicultura a italiana, a cßrnica, a caucasiana e a africana. Enxames dessa ·ltima, a A. m. adansonii, de grande produtividade melÝfera, foram trazidos para o Brasil para pesquisas, em meados da dÚcada de 1950. Por um descuido, fugiram ao controle dos pesquisadores e dominaram, num curto espaþo de tempo, todas as colmÚias do gÛnero Apis existentes no Brasil. Assim, as abelhas africanizadas, resultado do cruzamento de abelhas da raþa adansonii com as abelhas europÚias anteriormente instaladas, passaram a constituir o material de trabalho Ó disposiþÒo dos apicultores brasileiros. Apesar de sua maior agressividade, apresentam vantagens do ponto de vista comercial. Comeþam a produzir mais cedo, param mais tarde e nÒo apresentam o instinto de "hibernaþÒo" invernal comum Ós raþas europÚias -- embora o apicultor seja obrigado a fornecer-lhes alimentaþÒo artificial durante a estaþÒo fria.

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