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Sexo


 Reproduçao

A relação entre sexo, sexualidade e reprodução se mostra tanto mais estreita quanto mais se sobe na escala zoológica. No homem, no entanto, em virtude de elementos culturais que se impuseram aos comportamentos instintivos, as questões ligadas à sexualidade se libertaram em grande medida das determinações do sexo e da reprodução e se situaram principalmente na esfera da afetividade.
Sexo é o conjunto de caracteres estruturais e funcionais segundo os quais um ser vivo se classifica como macho ou fêmea e desempenha papel específico de uma dessas condições na reprodução da espécie. O sexo do indivíduo depende da combinação de vários fatores geralmente harmônicos, como a determinação cromossômica, a evolução intra-uterina das gônadas e demais órgãos sexuais, a ação dos hormônios e os efeitos do meio ambiente. O sexo não é essencial à reprodução em todos os seres vivos, pois muitos organismos primitivos, como a maioria dos protozoários, podem reproduzir-se sem relações sexuais. Na reprodução assexuada, cada novo organismo é idêntico a seu único genitor, exceto por diferenças provocadas por mutações no material genético. Na reprodução sexuada, cada organismo novo é geneticamente único e resulta da combinação de genes dos dois genitores.


Sexo cromossômico ou genético. O mecanismo que determina a direção do desenvolvimento sexual, no homem e na maioria dos organismos bissexuais, consiste de um par especial de cromossomos sexuais, presente em todas as células do corpo. Nas mulheres, os dois cromossomos sexuais são iguais e foram designados como cromossomos X. Nos homens, o par consiste de um cromossomo X e de outro diferente, chamado Y.
As células sexuais (óvulos, nas mulheres, e espermatozóides, nos homens), formadas por um processo chamado mitose redutora, apresentam, ao invés do par, um único cromossomo sexual. Nos óvulos, estes são sempre X, enquanto nos espermatozóides podem ser X ou Y. O ovo -- célula inicial de um novo ser, resultado da combinação entre um óvulo e um espermatozóide -- será XX ou XY, de acordo com o cromossomo sexual do espermatozóide que penetrou no óvulo. O indivíduo que se desenvolve a partir de um ovo XX é do sexo feminino e o que provém de um ovo XY é do sexo masculino. Caso ocorra anomalia na diferenciação, pode resultar, de uma determinação XX, a formação de indivíduos com alguns aspectos masculinos, da mesma forma que um ovo XY pode diferenciar-se com vários aspectos femininos.


Sexo gonádico e genitália. No início de sua existência, o embrião não tem testículos nem ovários, mas gônadas indiferenciadas que podem evoluir num ou outro sentido. Em circunstâncias anormais, podem se diferenciar nos dois sentidos, ou mesmo permanecerem em estado rudimentar, formadas apenas por tecido conjuntivo. A direção do desenvolvimento da gônada primitiva é determinada pelos cromossomos.
Da mesma forma, o embrião é indiferenciado e bipolar no que concerne à genitália interna. Todo embrião possui, ao mesmo tempo,  estruturas de Wolff, que originam o canal deferente e as vesículas seminais masculinos; e estruturas de Müller, que originam as trompas e o útero femininos. A presença de testículos, mediante substância organizadora de natureza desconhecida, determina a evolução no sentido wolffiano; sua ausência leva ao desenvolvimento mülleriano, independentemente da presença ou ausência de ovário. Assim, no que se refere à genitália interna, a natureza tende à formação de fêmeas, pois para a diferenciação masculina exige-se um fator de diferenciação específico, ou seja, a substância organizadora presente nos testículos.
Em certa fase da evolução do embrião, a genitália externa tem forma comum aos dois sexos: três orifícios em seqüência, que correspondem, de frente para trás, aos sistemas urinário, genital e digestivo. Em torno dos dois primeiros orifícios há duas pregas, as eminências lábio-escrotais e, na frente dos mesmos, uma pequena saliência, o tubérculo genital. A diferenciação da genitália externa depende da ação de hormônios androgênicos. Mais uma vez, basta a ausência dos fatores de masculinização para que ocorra a diferenciação feminina.


Caracteres sexuais secundários. Na puberdade surge, pela primeira vez na seqüência de transformação do corpo humano, a necessidade de um fator feminino específico: os estrogênios. Os caracteres sexuais secundários masculinos dependem de androgênios. Na menina, pela entrada em função de seus ovários, desenvolvem-se os seios, crescem os pêlos púbicos e axilares, e ocorre a menarca, ou primeira menstruação. No menino, por ação testicular, a voz se torna grave, surgem pêlos no rosto, no púbis e em outras partes do corpo, e os órgãos genitais aumentam de tamanho.


Aspectos psicossociais da sexualidade. Desde os primeiros meses, os pais orientam o comportamento da criança para torná-lo condizente com seu respectivo sexo. O menino e a menina acabarão por considerar-se como tais e assim serão considerados pelos outros. O surgimento posterior dos caracteres sexuais secundários só faz acentuar um sexo psicossocial já nitidamente estabelecido, elaborado pela educação e pelos valores da família, da escola e da sociedade em geral, e que resulta da interação de fatores genéticos, fisiológicos, psicológicos e socioculturais.
É importante lembrar que o embrião é inicialmente bissexuado e, assim, possui potencial evolutivo para ambos os sentidos. Pode ocorrer, por isso, uma não-correspondência entre os diversos aspectos do sexo no indivíduo adulto. Há inúmeros quadros ambisséxuos, que apresentam alterações cromossômicas, gonádicas, genitais, psicológicas ou sociais. Entre essas alterações destaca-se o hermafroditismo verdadeiro (presença simultânea de ovário e testículos num mesmo indivíduo), de raríssima ocorrência.


Desejo e orientação sexual. O ser humano é inicialmente pansexual. É a ação do meio que estimulará certos contatos e os tornará no mínimo aceitáveis, enquanto outros serão violentamente condenados. Fatores como os cromossomos e hormônios sexuais, as gônadas e os órgãos genitais, contrariamente ao que se costuma divulgar, não determinam a intensidade do desejo nem a orientação sexual. A influência dos hormônios, inegável nos animais, é sobrepujada no homem pelos fatores culturais, e as numerosas manifestações sexuais infantis, sobretudo a masturbação, provam o despertar do desejo muito antes de se elevarem os teores dos hormônios sexuais. Inversamente, têm considerável importância os determinantes culturais, que ditam também as diferenças entre homem e mulher, jovens e adultos, adultos e velhos. Nesses últimos, a redução da sexualidade ocorre também por motivos biológicos, mas sob considerável influência cultural.
Das respostas aos estímulos sexuais, a mais típica, no homem, é a ereção; na mulher, o surgimento de secreção nos genitais externos. A resposta sexual global é comum a ambos os sexos e dela participa todo o organismo: intensa contração muscular generalizada, regular ou espasmódica; dilatação dos vasos superficiais, de que resulta rubor e transpiração ativa; considerável aumento da ventilação pulmonar; aumento da freqüência cardíaca (taquicardia) e da pressão arterial.

Problemas sexuais. As origens fisiológicas, psicológicas ou sociais das dificuldades sexuais habitualmente se associam: um distúrbio de natureza fisiológica produzirá efeitos psicológicos que podem resultar em comportamentos socialmente inadequados. São raros os distúrbios fisiológicos de natureza especificamente sexual. No entanto, muitas pessoas experimentam, em algum momento de suas vidas, problemas sexuais em conseqüência de doenças, como infecções vaginais e afecções cardíacas, ou de acidentes de diversos tipos. A grande maioria dos problemas sexuais dessa origem é temporária e reversível.
As dificuldades de origem psicológica são sem dúvida as de maior ocorrência. Podem ser produto de inibições, atitudes inadequadas e ignorância, mas também de mitos sociais muito difundidos e aceitos como verdades, como a idéia de que a relação sexual boa e madura deve envolver rápida ereção, penetração prolongada e orgasmo simultâneo. Revistas, livros e a tradição oral acerca das práticas sexuais reforçam esses ideais, que nem sempre são atingidos e passam a gerar ansiedade, culpa e sentimentos de inadequação. A ejaculação precoce, comum sobretudo em homens jovens, pode ser também conseqüência natural de uma abstinência prolongada e recente, caso em que o aumento na freqüência de relações modifica o quadro.
A impotência masculina em homens de até quarenta anos tem quase sempre origem emocional. Acima dessa idade, há maior ocorrência de causas físicas. O simples medo de ser impotente pode levar à impotência e, em muitos casos, o homem angustiado se vê preso num círculo vicioso que só pode ser rompido com um ato sexual bem-sucedido. A impotência pode ser também fruto de desinteresse pelo parceiro, cansaço, dispersão originada por preocupações não-sexuais, indisposição física ou outras causas circunstanciais. Essa impotência ocasional é comum e não requer terapia específica.
Entre os problemas sexuais da mulher destaca-se o vaginismo, poderoso espasmo da musculatura pélvica que contrai a vagina a ponto de tornar a penetração dolorosa ou impossível. Parece ser causado por condicionamento contra o sexo ou por trauma psicológico, e serve como defesa inconsciente contra o coito. A anorgasmia, ou ausência de orgasmo, é também muito freqüente. O termo se aplica a mulheres que se excitam sexualmente mas não têm orgasmo.
A disparidade de desejo sexual entre os parceiros ocorre com muita freqüência. Em alguma medida, é inevitável, já que as diferenças de impulso e resposta sexuais baseiam-se em determinantes neurofisiológicos. Entre os motivos psicológicos para a disparidade de desejo em um casal, são comuns a inibição e as diferentes reações aos estímulos quotidianos. Enquanto o homem pode ver na relação sexual um paliativo contra os aborrecimentos do dia, as mulheres parecem se interessar mais por sexo quando as horas que o precedem são livres de preocupações.
Os seres humanos são sensíveis à monotonia e o relacionamento sexual pode se tornar rotineiro, o que gera fadiga psicológica e desinteresse crescente por um determinado parceiro. A diminuição do sexo conjugal se deve muito mais a esse fator do que à idade dos cônjuges. Os problemas sexuais costumam ser perpetuados pela inabilidade dos parceiros em comunicar livremente seus sentimentos e preferências um ao outro. A melhor maneira de agir nesses casos é por tentativa e erro, sempre alerta a sinais que indiquem o caminho a seguir. Como todas as dificuldades de relacionamento, os problemas sexuais podem ser superados ou amenizados por meio de uma comunicação efetiva.