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Intersexualidade


 Reproduçao

Intersexualidade, em seres humanos, é qualquer variação de caracteres sexuais incluindo cromossomos, gônadas e / ou órgãos genitais que dificultam a identificação de um indivíduo como totalmente feminino ou masculino. Essa variação pode envolver ambiguidade genital, combinações de fatores genéticos e aparência e variações cromossômicas sexuais diferentes de XX para mulher e XY para homem. Pode incluir outras características de dimorfismo sexual como aspecto da face, voz, membros, pelos e formato de partes do corpo.

Classificações

Existem diversas causas para intersexualidade, dentre eles:

  • Hipospadia (1 em cada 300 nascimentos)
  • Síndrome da insensibilidade androgênica parcial (1 em cada 130.000)
  • Síndrome da insensibilidade androgênica total (1 em cada 13.000)
  • Hiperplasia adrenal congênita (1 em cada 5.000 a 14.000)
  • Disgenesia gonadal parcial (1 em cada 15.000)
  • Disgenesia gonadal total (1 em cada 150.000)
  • Agenesia vaginal (1 em cada 1.500 a 6.500)
  • Agenesia peniana ou Agenesia Gonadal (1 em cada 10 a 30 milhões)
  • Síndrome de Klinefelter (1 a cada 850)[3]
  • Eunucoidismo/Hipogonadismo moderado ou severo (20% dos homens idosos)[4]
  • Pseudo-hermafroditismo masculino (1 em 20.000)
  • Mosaicismo envolvendo os cromossomos sexuais
  • Virilização induzida por progestina
  • Síndrome de Turner (1 em cada 2.500)[5]
  • Deficiência de 5-alfarredutase

A palavra intersexual é preferível ao termo hermafrodita, já bastante estigmatizado, precisamente porque hermafrodita se referia apenas a questão dos genitais visíveis. Alguns intersexuais podem ser considerados como transgêneros.

Epidemiologia

Um em cada 100 nascimentos possui algum nível de ambiguidade sexual e entre um e dois em cada 1.000 nascimentos essa ambiguidade é tal que precisa de cirurgia para diferenciação de gênero.

Heterogeneidade

Heterogeneidade diz respeito ao facto de não existir, numa mesma pessoa/bebé, um alinhamento de todas as características sexuais por um só gênero, ou seja, não são todas tradicionalmente femininas, nem são todas tradicionalmente masculinas. As características ambíguas podem ser relativas a:

  • Cariótipo: organização dos cromossomos sexuais;
  • Diferença gonádica funcional: ovários, testículos e outros;
  • Morfologia genital externa: lábios vaginais, clítoris, pênis;
  • Configuração dos órgãos reprodutivos internos ou;
  • Características sexuais secundárias.

Orientação sexual

Intersexualidade, enquanto transgeneridade, é uma condição sexual e não uma orientação sexual. Portanto, as pessoas que se autodenominam intersexuais podem se identificar como homossexuais, heterossexuais, pansexuais, bissexuais ou assexuais.

Terceiro gênero

Cada vez mais pessoas e famílias optam por manter essa condição e não se submeterem aos padrões preto-e-branco de gênero da sociedade. Muitos especialistas defendem que gênero que entre essa visão binária preto-e-branco existem diversos tons de cinza e portanto gênero deve ser visto como uma linha onde o masculino está em um extremo e o feminino em outro extremo e existe uma grande diversidade entre eles.

Tratamento

O tipo de tratamento vai depender da causa e existem dois modelos possíveis:

  • Modelo centrado no sigilo e cirurgia: Fazer a cirurgia e medicar nos primeiros 24 meses de vida;
  • Modelo centrado no paciente: Esperar o paciente crescer, explicar a complexidade das questões envolvidas e permitir que ele escolha qual gênero prefere, o momento que deseja a cirurgia e quais cirurgias prefere fazer.

Em caso de clitoromegalia e micropênis, esperar antes de fazer a cirurgia é importante para não correr o risco de prejudicar a funcionalidade do órgão sexual. Outro motivo para esperar antes de fazer a cirurgia é evitar a insatisfação do paciente ao qual foi imposto um sexo, mas desenvolve preferência pelo outro. É importante que os pais e o indivíduo possuam acompanhamento psicoterapêutico para lidar com suas ansiedades e frustrações relativas a toda complexidade envolvida na intersexualidade.

Assim o tratamento moderno envolve psicoterapia para o indivíduo e sua família, cirurgia de redesignação sexual, cirurgia plástica para modificar caracteres sexuais primários e secundários e tratamentos hormonais. É mais fácil fazer genitais femininos e por isso ela tem sido preferida pelo modelo médico tradicional. Mesmo na abordagem centrada no paciente, recomenda-se que a cirurgia seja feita caso haja sério prejuízo funcional e desconforto genital.

Referências

  1. Money, John; Ehrhardt, Anke A. (1972). Man & Woman Boy & Girl. Differentiation and dimorphism of gender identity from conception to maturity. USA: The Johns Hopkins University Press. ISBN 0-8018-1405-7.
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 SANTOS, Moara de Medeiros Rocha; ARAUJO, Tereza Cristina Cavalcanti Ferreira de. Desenvolvimento da identidade de gênero em casos de intersexualidade: contribuições da Psicologia. 2006. 246 f. Tese de doutorado em psicologia. Universidade de Brasília, Brasília, 2006.
  3. http://www.brasilescola.com/biologia/sindrome-de-klinefelter.htm
  4. http://www.ismh.org/en/sys/wp-content/uploads/2012/04/2_MERYN-epidemiology-SR-formatted-and-second-checked1.pdf
  5. http://www.vivo.colostate.edu/hbooks/genetics/medgen/chromo_eg/turners.html
  6. Fausto-Sterling, Anne (2000). Sexing the Body: Gender Politics and the Construction of Sexuality. New York: Basic Books. ISBN 0-465-07713-7.
  7. Sarah M Creighton, Catherine L Minto, Stuart J Steele, "Objective cosmetic and anatomical outcomes at adolescence of feminising surgery for ambiguous genitalia done in childhood" (Lancet 2001; 358:124-25).
  8. Sterlin, Anne (2000). Sexing the body: gender politics and the construction of sexuality. Chapter 3: Basic Books. pp. 44–77.