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Imunologia


 Imunologia

A barreira física da pele é a primeira e mais imediata proteção do organismo contra agentes patológicos presentes no ar, no solo e na água. Quando essa barreira se rompe -- devido a uma ferida, por exemplo -- entram em ação mecanismos de defesa que, em conjunto, constituem o sistema imunológico.
Imunologia é a ciência que estuda a imunidade, capacidade que tem o organismo de resistir ao ataque de microrganismos invasores como forma de se proteger de infecções e reagir contra toxinas produzidas por esses microrganismos ou contra substâncias nocivas que nele penetre.


Conceitos básicos. O próprio organismo desenvolve imunidade natural a certas infecções, graças à presença, no sangue e nos líquidos orgânicos, de elementos que anulam a ação patogênica de algumas bactérias. É o caso, por exemplo, da lisozima, agente antibacteriano existente na lágrima. Em função desses elementos, um organismo pode estar imune a algumas doenças infecciosas, mesmo sem ter tido contato anterior com o agente patogênico.
A imunidade adquirida pode ser resultado de mecanismos naturais -- pelos quais o próprio organismo, ao enfrentar um agente infeccioso, elabora uma substância específica para neutralizar as toxinas -- ou artificiais, que ocorrem quando os processos imunológicos são estimulados ou induzidos intencionalmente. A imunidade artificial pode ser passiva, pela injeção de substâncias específicas na corrente sangüínea, ou ativa, por inoculação de toxinas diluídas ou microrganismos cuja virulência tenha sido atenuada, o que provoca uma reação orgânica capaz de fazer frente à infecção e a outras invasões do mesmo agente patogênico. A imunidade artificial ativa corresponde à vacinação, técnica experimentada pela primeira vez pelo médico inglês Edward Jenner, no século XVIII.
Mais eficaz e duradoura que a imunidade passiva, a vacinação é muito utilizada na prevenção de epidemias. Em quadros clínicos como na difteria e na peste, combinam-se as imunizações ativa e passiva e administram-se, ao mesmo tempo, a antitoxina e a vacina ao paciente que corre risco de contrair a doença. Enquanto a primeira combate o perigo imediato, a segunda estimula o organismo a produzir suas próprias antitoxinas.
Nos animais unicelulares e nos pluricelulares invertebrados, a defesa do organismo se fundamenta sobretudo na fagocitose, ingestão celular de corpos estranhos. Os vertebrados dispõem de um sistema imunológico cuja principal característica é a especificidade: enquanto a fagocitose captura todo e qualquer tipo de substância, o sistema imunológico "reconhece" o corpo estranho e desenvolve meios adequados para neutralizar sua ação. Nesses animais, o papel fagocitário é desempenhado pelos macrófagos, células que ingerem bactérias e corpúsculos.


Sistema imunológico. Nos animais superiores, o conjunto de órgãos relacionados aos processos imunológicos e à diferenciação e maturação das células encarregadas da resposta imunitária denomina-se sistema imunológico. No homem, ele se constitui de órgãos primários, em que as células imunológicas, ou linfócitos, adquirem a capacidade de imunizar; e de órgãos secundários, nos quais ocorre a reação às substâncias estranhas introduzidas no organismo. A medula óssea (substância interior dos ossos) e o timo (situado no tórax) são órgãos primários, enquanto o baço (situado no lado esquerdo do abdome) e os gânglios linfáticos (nos quais se produzem os linfócitos) são órgãos secundários.


Antígenos e anticorpos. Os corpos estranhos que penetram no organismo e desencadeiam resposta imunológica recebem o nome de antígenos. Entre os mais comuns estão as proteínas e os polissacarídeos, carboidratos complexos constituídos de cadeias de glicose e açúcares simples. As substâncias gordurosas não desencadeiam resposta imunológica.
No interior do organismo, os antígenos se associam a substâncias denominadas anticorpos, que com eles reagem de forma específica. Os anticorpos são proteínas do grupo das globulinas, chamados genericamente imunoglobulinas. Existem vários tipos de imunoglobulinas, entre as quais as imunoglobulinas G (designadas pela abreviatura IgG), M (IgM) e A (ou IgA). As imunoglobulinas G são as mais abundantes e conhecidas. Têm forma de Y e se compõem de duas cadeias de aminoácidos longas e duas curtas. A composição dessas cadeias é variável, o que explica o fenômeno da especificidade, propriedade que essas moléculas têm de reagir com determinados antígenos, e não com outros, em função de uma configuração que propicia o estabelecimento das ligações com a molécula do antígeno.
A ação dos anticorpos sobre as substâncias estranhas ao organismo consiste, principalmente, em provocar a aglutinação dessas substâncias por ligação com os anticorpos. Esse processo dá origem a agregados relativamente grandes, que estimulam o mecanismo da fagocitose e são ingeridos pelos macrófagos. Outras vezes, as toxinas são neutralizadas quando um anticorpo se liga a elas, ou as bactérias invasoras são destruídas e seu conteúdo celular se dispersa no meio exterior (fenômeno conhecido como lise).


Manifestações das reações imunológicas. Com repercussão em todo o organismo, as manifestações das reações imunológicas variam de acordo com sua expressão e localização. A resposta humoral consiste na produção de anticorpos em conseqüência da entrada dos antígenos no corpo. Em geral, o processo de elaboração dos anticorpos se conclui dias depois que os antígenos penetraram no organismo. Passado esse período, começa a síntese das imunoglobulinas, que, depois de atingir o nível máximo, se reduz gradativamente até acabar. Se o mesmo antígeno é inoculado semanas depois, a resposta provocada, ou resposta secundária, é mais intensa e duradoura. Deduz-se, portanto, que o contato inicial com as substâncias antigênicas determina a transformação de algumas populações de linfócitos de vida longa, denominados por essa razão "células de memória".
A resposta celular é aquela em que não há intervenção de anticorpos, mas sim a que se produz, em muitos casos, pelo contato entre células, como ocorre nos fenômenos de rejeição a transplantes. A alergia constitui um dos mais notáveis fenômenos imunológicos e pode ser induzida por uma infinidade de substâncias, desde o pólen das flores até determinados materiais ou fibras, conhecidos como alergênios.


Tolerância e deficiência imunológica. A tolerância imunológica consiste na ausência de resposta imunitária a determinados antígenos. Esse efeito pode ser conseguido por meio da inoculação de doses maciças do antígeno ou de quantidades mínimas, quase desprezíveis, do mesmo. A importância desse fenômeno está em sua aplicação no combate a problemas de rejeição a tecidos e órgãos transplantados.
De acordo com suas proporções, as deficiências imunológicas podem tornar os indivíduos vulneráveis a infecções, em maior ou menor grau. Atualmente, a mais séria dessas deficiências é a AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida). Provocada pelo retrovírus HIV, que é transmitido pelos fluidos corpóreos, a AIDS deprime o sistema imunológico humano e abre caminho para infecções oportunistas, que acabam por provocar a morte do doente. O HIV danifica o sistema imunológico principalmente pela destruição de um tipo de linfócito (glóbulo branco), chamado célula T. Esse linfócito é fundamental no controle da atividade de vários outros tipos de linfócitos. Ao eliminar as células T, o HIV reduz drasticamente a capacidade de combate aos microrganismos que invadem a corrente sanguínea, o que deixa o aidético vulnerável a diversos tipos de doenças.