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Filogenia


 Evolução

A idéia de que existe uma unidade básica e estreita entre todos os seres vivos, que compartilham um antepassado comum, já tinha sido manifestada há muitos séculos nos Vedas, mas só ganhou força a partir da difusão da teoria do evolucionismo, de que o conceito de filogenia é expressão necessária e conseqüência.

A filogenia estuda as relações evolutivas entre os organismos. Como nas árvores genealógicas, procura estabelecer linhas em que se reflitam a descendência e o grau de parentesco entre espécies de seres vivos do passado e do presente. Ao longo do tempo, pela ação de diferentes fatores e cruzamentos, um organismo muito primitivo pode dar origem a outros diferentes e até mais complexos. O estudo e a reconstituição das sucessivas transformações por que passaram esses organismos, diretamente ou mediante diversificação, é o objeto da filogenia.


Conceitos e métodos de estudo

O termo filogenia (do grego phylon, "raça", "tribo", "grupo", e geneia, "nascimento", "geração") foi proposto em 1866 pelo embriologista alemão Ernst Haeckel, que pretendia resumir de modo significativo e funcionalmente eficaz as teses evolucionistas sustentadas e difundidas pelos naturalistas ingleses Charles Darwin e Alfred Russell Wallace. A idéia de que tanto os animais como as plantas não se mantêm imutáveis, mas experimentam uma evolução ao longo do tempo, era muito anterior a esses dois autores, mas até então ninguém havia sido capaz de obter provas para estabelecer uma sólida hipótese de trabalho sobre tais conceitos.

O postulado principal da filogenia sustenta que vegetais e animais das diferentes espécies derivam de um antepassado comum. Tal relação, contudo, é pouco segura na maioria dos casos, em virtude do longuíssimo período transcorrido - cerca de três bilhões de anos - desde que surgiu a vida na Terra. A fossilização é um fenômeno excepcional, que requer condições muito especiais. Por isso, poucos são os restos que chegaram até os tempos atuais, e sem estes não é possível reconstituir os passos que conduziram  uma forma primitiva até sua equivalente moderna.

Ainda assim, em grande número de casos dispõe-se de indícios suficientes para confirmar em todos os aspectos a existência do processo evolutivo. Alguns exemplos, como o do arqueoptérix, cujo primeiro fóssil foi encontrado no sul da Alemanha em 1861, e que apresentava surpreendente mosaico de caracteres de réptil e ave (presença de cauda, dentes e penas), constituem evidente testemunho da evolução e  diferenciação das espécies, a partir de grupos que reuniam características comuns.
A taxionomia, ou ciência da classificação dos seres vivos, baseia-se nos estudos da filogenia. Os biólogos que estudam as relações filogenéticas apóiam suas conclusões nos dados fornecidos por disciplinas científicas diversas, entre as quais a paleontologia ou estudo dos fósseis, a anatomia e a embriologia comparadas, a biogeografia e a bioquímica.
O avanço da bioquímica permitiu detectar diversos parentescos, de início constatados em bases morfológicas (semelhança de forma e estrutura entre as espécies), graças à análise comparativa da composição de proteínas ou de ácido desoxirribonucléico (ADN), material-chave da herança biológica. De modo geral, porém, a elucidação da maior parte dos problemas da filogenia se vale sobretudo da combinação dos caracteres anatômicos, histológicos e citológicos com os extraídos da morfologia externa e com os dados disponíveis sobre a distribuição atual e antiga das espécies.


Desenvolvimento filogenético

Modernamente, admite-se que todos os organismos compartilham caracteres básicos, que evocam uma unidade primígena. Os primeiros seres vivos resultaram, provavelmente, de uma longa evolução química em que se produziram várias reações que viriam a formar os compostos fundamentais da vida, como as proteínas e os ácidos nucléicos. Cabe especular que mais tarde surgiu uma organização primitiva em que essas moléculas eram recobertas de membranas e interagiam umas com as outras para produzirem um metabolismo rudimentar e mecanismos simples de perpetuação da espécie.

A partir dessas células toscas, todas as formas vivas atuais e extintas devem ter-se diversificado e adquirido vida autônoma. Algumas, permanecendo em estado de extrema simplicidade, teriam dado origem aos vírus, seres que se encontram no limite entre a matéria inerte e a matéria viva. Outras devem ter constituído as bactérias e as algas cianofíceas. Um grupo formou uma membrana nuclear em que se confinou o material genético, e acabou produzindo algas, fungos e protozoários (animais unicelulares). Desse ponto em diante, o trabalho da seleção natural e um conjunto de complexos mecanismos, ainda longe de serem elucidados, passaram a dar origem às plantas e aos animais superiores.
Os descendentes de uma mesma espécie, animal ou vegetal, teriam evoluído de forma distinta, por motivos como o isolamento geográfico ou genético, e sofrido uma diferenciação paulatina até configurarem espécies diferentes. Assim, o homem partilha antepassados comuns com o chimpanzé ou o gorila e também com os orangotangos, embora as duas primeiras espécies estejam mais próximas do ser humano do que a última, já que o antepassado desta se separou antes do tronco comum, de que provêm todos esses primatas, e iniciou isoladamente sua evolução.

Na árvore filogenética correspondente, a bifurcação que, ao cabo de vários milhões de anos, conduziria até o orangotango estaria situada abaixo (por ser mais antiga) da que originou, de um lado, gorilas e chimpanzés e, de outro, os homens.