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Estômago


 Anatomia Humana

Os aparelhos e órgãos digestivos dos seres vivos evoluem à medida que a estrutura do organismo fica mais complexa e que suas necessidades nutritivas aumentam. Milhões de anos de evolução, na busca de um melhor aproveitamento dos alimentos, separam o estômago primitivo de um molusco do sistema estomacal com quatro cavidades de um ruminante ou do eficiente órgão gástrico humano.
Estômago é a porção mais dilatada do tubo digestivo, em forma de bolsa. No homem, situa-se na porção superior e esquerda do abdome, e está ligado em cima com o esôfago e embaixo com o duodeno. Destina-se a coletar os alimentos para o início da ação digestiva química e enzimática, preparando-os para serem lançados no intestino.


Anatomia comparada. Invertebrados. No princípio, o estômago constituiu uma dilatação do aparelho digestivo onde era armazenado o alimento. A digestão e o aproveitamento desse alimento eram realizados em outras partes do organismo. Mais tarde, no longo processo de evolução, e segundo estudos efetuados em diferentes grupos de animais inferiores, a víscera desenvolveu progressivamente uma capacidade digestiva própria, favorecida pela secreção de enzimas (substâncias que atuam em reações do organismo, como nos processos de degradação do alimento).
Embora propriamente só se possa falar de estômago nos vertebrados, porque é neles que essa cavidade adquire maior complexidade e organização, o nome é dado, por analogia, aos órgãos que desempenham função semelhante nos invertebrados. A diferença entre os dois na escala evolutiva e em termos de estrutura, no entanto, é bastante grande.
Nos celenterados (medusas e antozoários) não existe um aparelho digestivo diferenciado. O que há é uma cavidade gastrovascular, ou celêntero, que ocupa a maior parte do interior do animal. Nela são digeridas as partículas alimentícias capturadas do exterior. Os moluscos dispõem de um estômago com forma de uma vareta gelatinosa que remove os alimentos e sintetiza uma enzima capaz de digerir os carboidratos ou açúcares. A digestão de proteínas e gorduras é realizada em outro órgão.
Os artrópodes, que abrangem, entre outros, os crustáceos, aracnídeos e insetos, dispõem de aparelho digestivo constituído por três regiões. A central desempenha o papel de estômago. Nas aranhas, distingue-se uma série de prolongamentos em forma de sacos, conectados à cavidade estomacal. São os chamados divertículos gástricos, onde o alimento é armazenado. Os crustáceos têm o estômago dividido em duas partes: numa, o moinho gástrico, são trituradas as partículas nutritivas; na outra, realiza-se a seleção das partículas.
No caso de alguns insetos gregários, como as formigas ou abelhas, fala-se em "estômagos sociais". O termo designa a característica que esses invertebrados apresentam de expelir uma porção do alimento parcialmente digerido no estômago para alimentar outros habitantes do formigueiro ou da colméia. O estômago aparece também em muitos outros grupos de animais inferiores, como os equinodermos (ouriços-do-mar), foronídeos, ectoproctos e entoproctos (alguns dos quais com aspecto semelhante aos moluscos, ainda que não tenham relação com eles).


Vertebrados. A configuração do estômago nos vertebrados varia muito de acordo com os filos. Nas aves, é composto de um proventrículo, secretor de enzimas, e de uma moela, com músculos para trituração. Os mamíferos têm três regiões estomacais bem diferenciadas: a cárdica ou cardial (próxima ao esôfago), a fúndica (localizada no centro) e a pilórica (próxima ao intestino delgado). Os ruminantes constituem um caso especial entre os vertebrados. Como conseqüência de sua dieta herbívora, têm o estômago dividido em quatro cavidades: a pança; o barrete ou retículo (onde o alimento é armazenado e triturado); o folhoso (onde a água do alimento é absorvida); e o coagulador, abomaso ou verdadeiro estômago, dotado de glândulas digestivas.


Estômago humano. No homem, o estômago tem uma capacidade de aproximadamente 1.300cm3. Comunica-se com o esôfago por meio de um orifício chamado cárdia e desemboca no intestino delgado através do piloro. Um esfíncter (músculo em forma de anel) fecha o piloro, que só se abre depois que os alimentos são digeridos adequadamente.
O conjunto de substâncias secretadas no estômago produz diariamente cerca de um a 1,5 litro de suco gástrico. As chamadas células principais secretam pepsina (fermento proteolítico, ou seja, responsável pela quebra das proteínas); as células parietais liberam o forte ácido clorídrico, capaz de dissolver metais e lesar células vivas. Entretanto, o epitélio, camada superficial que reveste as paredes do estômago, possui uma grande quantidade de células glandulares que secretam muco (substância que neutraliza o ácido e inibe o fermento) em quantidade suficiente para, revestindo a mucosa de uma camada protetora, impedir que as secreções, ácidas ou enzimáticas, atuem sobre o próprio epitélio da víscera.
O suco gástrico transforma os alimentos em uma espécie de papa denominada quimo. Esse processo é auxiliado por uma série de movimentos provocados pelo sistema nervoso autônomo, de natureza involuntária. Os alimentos podem permanecer até oito horas no estômago, mas o normal é que não fiquem mais de três  ou quatro. Em qualquer caso, esse intervalo depende do tipo de alimento, da mastigação adequada e de outros fatores fisiológicos.
Diversos processos psíquicos, químicos ou hormonais estimulam a secreção do suco gástrico. O hormônio gastrina estimula a mucosa a produzir suco gástrico. Sua liberação é induzida pelos próprios alimentos e pelas chamadas substâncias secretagogas -- proteínas insuficientemente digeridas, cafeína, álcool etc.
Entre os distúrbios mais freqüentes que afetam o estômago estão a gastrite, inflamação da mucosa estomacal originada por diversas causas (distúrbios nervosos, mastigação deficiente, abuso de álcool ou de substâncias picantes ou irritantes); a hipercloridria ou acidez estomacal (excessiva produção de ácido clorídrico); e a úlcera gástrica, na qual a mucosa previamente debilitada fica exposta à ação do ácido clorídrico.