Embriologia do sistema Urogenital - BioMania
O melhor portal biológico da internet!



Embriologia do sistema Urogenital


 Embriologia

O sistema urinário tem origem comum com o sistema genital, e várias partes de um sistema são usadas pelo outro.

Os dois sistemas originam-se dos pedúnculos dos somitos, também chamados mesoderma intermediário, que se situam entre os somitos e o mesoderma lateral.

SISTEMA URINÁRIO

Os túbulos renais originam-se das várias alturas do blastema nefrogênico adquirindo formas diferentes, então convencionou-se dividir a evolução em três etapas sucessivas, onde se formam três tipos renais, a saber: prônefro, mesônefro e metânefro.

Prônefro: Esse tipo de rim, originário da porção cefálica do blastema nefrogênico. No interior do mesoderma da região cefálica forma-se precocemente um ducto que progride em direção caudal, formando um tubo contínuo ao longo do blastema nefrogênico, indo desembocar na cloaca. Esse ducto serve de veículo ao produto de secreção dos três rins que se sucedem, recebendo o nome de ducto pronéfrico, na porção cranial, e ducto mesonéfrico, ou de Wolff, na sua porção média e caudal.

Mesônefro: O mesônefro desenvolve-se à custa do blastema da região média da saliência urinária. Graças à proliferação e diferenciação do mesoderma, forma-se uma série de cordões celulares sólidos que adquirem uma luz, constituindo túbulos irregulares e sinuosos, os túbulos mesonéfricos. Estes estabelecem comunicações laterais com o ducto mesonéfrico ou de Wolff. Na sua extremidade medial os túbulos mesonéfricos invaginam-se, assumindo o aspecto de cálice, e no seu interior forma-se um glomérulo resultante da capilarização do mesênquima local.

Metânefro: O metânefro é o rim definitivo nos répteis, aves e mamíferos. É formado por duas porções de origem embriológica distinta. Assim é que ureter, bacinetes, cálices e ductos coletores derivam de um divertículo da porção caudal do ducto mesonéfrico. O restante do rim, constituído por nefros, origina-se da porção caudal do blastema nefrogênico que recebe o nome de blastema metanéfrico. Inicialmente, aparece um divertículo na região caudal do ducto mesonéfrico que alonga-se e cresce em direção ao blastema metanefrogênico, que se coloca como um capuz sobre a sua extremidade dilatada. Sua extremidade ramifica-se sucessivamente até formar cerca de 13 gerações de ductos, ocorre dilatação dos ductos resultantes da segunda, terceira e quarta gerações, tendo como conseqüência a formação de uma ampla cavidade, a pélvis renal, que se comunica com os cálices maiores e menores. Os ductos resultantes irão se transformar nos ductos coletores, esses, à medida que vão se ramificando profusamente, observa-se uma fragmentação do blastema metanéfrico, formando pequenos nódulos celulares que colocam-se ao lado da extremidade dos ductos e se desenvolvem, assumindo o aspecto de um tubo em forma de S. Estes estabelecem uma comunicação com o ducto coletos, ao passo que, na outra extremidade, ele se invagina, assumindo a forma de um cálice, dentro diferenciam-se capilares sanguíneos, formando um glomérulo. O cálice formará a cápsula de Bowman com os seus folhetos visceral e parietal.

À medida que esses processos vão ocorrendo, o rim migra cranialmente; a porção inicial do seu ducto se alonga, formando assim o ureter.

Bexiga e uretra: O septo urorretal divide a cloaca em uma porção retal caudal e uma porção que fica acima dela, o seio urogenital que se comunica cranialmente com uma dilatação, o canal vesicouretral, que se afunila na sua porção superior, comunicando-se com o alantóide. Essa comunicação, também chamada úraco, oblitera-se, formando o ligamento umbilical. O seio urogenital no sexo masculino dará origem às uretras prostática e membranosa.

APARELHO GENITAL

Gônadas e condutos: fase indiferenciada: Na fase inicial de sua formação, os dois sexos desenvolvem-se de maneira igual. Ambas se originam medialmente na crista urogenital, onde se observa uma proliferação do epitélio celomático, formando uma massa celular, o epitélio germinativo, que envia brotos para dentro do mesênquima subjacente.

Divisão da gônada masculina e seus condutos: No sexo masculino, a partir do segundo mês, a gônada começa a se diferenciar em testículo, época em que se notam as seguintes modificações: cessa a proliferação do epitélio germinativo; o mesênquima envolvente espessa-se indo formar uma cápsula de tecido conjuntivo denso, a albugínea, que envia septos que dividem a glândula em lobos; os cordões celulares crescem e produzem os túbulos seminíferos, que se fundem nas suas extremidades, formando uma estrutura em rede, a rete testis, que por sua vez, estabelece comunicação com o ducto mesonéfrico, por intermédio dos túbulos mesonéfricos; simultaneamente, os tecidos que constituem o testículo diferenciam-se da seguinte maneira: os gonócitos transformam-se em espermatogônias e vão produzir a linhagem seminal; do epitélio germinativo derivam as células nutrientes ou de Sertoli; do mesênquima origina-se o tecido intersticial do testículo com seus vasos, tecido conjuntivo e células produtoras de andrógenos (células de Leydig).

Enquanto ocorrem estas modificações na gônada masculina, os condutos paramesonéfricos degeneram e a porção mais caudal do ducto persiste dando origem a uma pequena vesícula (utrículo prostático). O ducto mesonéfrico desenvolve-se dando origem ao epidídimo, suas porções média e caudal transformam-se no ducto deferente cuja porção terminal (ducto ejaculatório) desemboca na futura uretra prostática. As vesículas seminais originam-se como divertículos da porção terminal do ducto mesonéfrico. A parte cefálica do seio urogenial origina a bexiga e a caudal origina a uretra protática e membranosa.

Diferenciação da gônada feminina e seus condutos: Os cordões celulares fragmentam-se formando acúmulos celulares, cada um dos quais é constituído por um gonócito envolto por uma camada de células do epitélio germinativo: são os folículos primordiais¸ que não persistem, regredindo logo, enquanto isso, ocorre nova proliferação do epitélio germinativo que penetra no mesênquima, formando os folículos definitivos.

No ovário, os gonócitos primordiais dão origem às oogônias, e o epitélio germinativo, às células foliculares ou nutritivas. Do mesênquima originam-se os vasos, tecido conjuntivo do ovário e células das teças interna e externa.

Os condutos mesonéfricos atrofiam-se e desaparecem, já os condutos paramesonéfricos desenvolvem-se no sexo feminino, sua parte cranial origina a tuba uterina, a abertura para a cavidade celomática desenvolve-se irregularmente, formando o pavilhão desse órgão, e as porções caudais deslocam-se para a linha média e se fundem no sentido caudocranial, formando o útero.

O futuro útero termina em fundo cego, encostando-se no seio urogenital. Sua extremidade caudal forma uma saliência maciça, o tubérculo de Müller, que se espessa e afasta provisoriamente a cavidade uterina do seio urogenital, formando assim a lâmina epiteliovaginal. Posteriormente, tanto a lâmina vaginal como a porção sólida da extremidade dos condutos de Müller, fundidos, canalizam-se, formando a vagina.

Separação das vias urinárias das genitais: No sexo masculino, o seio urogenital, acompanhando o desenvolvimento do phallus, origina a uretra, que será a única via de saída para a urina e o sêmen. No sexo feminino, com a formação do vestíbulo vaginal, a porção alta do seio urogenital torna-se menos profunda, trazendo à superfície as aberturas urinária e genital, que ficam assim separadas.

As gônadas originam-se em nível muito mais alto do que a posição que vão ocupar no adulto. Ocorre, pois, durante o desenvolvimento uma migração caudal, que é mais marcada no caso dos testículos que saem da cavidade abdominal para o escroto.

Genitais externos: Na fase indiferenciada da evolução das gônadas observam-se três formações que circundam o orifício cloacal; são elas: a eminência cloacal, a prega cloacal e as saliências genitais.

No sexo masculino ocorre inicialmente o rápido crescimento da eminência cloacal, formando o tubérculo genital, que leva consigo as pregas cloacais. Forma-se assim um sulco profundo ladeado por essas pregas, constituindo um órgão alongado denominado phallus. Posteriormente, as duas pregas fecham-se limitando um canal, a uretra peniana, cuja porção cefálica originará a glande do pênis. As saliências genitais desenvolvem-se nas pregas escrotais, que migram caudalmente, formando as bolsas escrotais.

No sexo feminino as modificações que ocorrem são menos pronunciadas. A eminência cloacal cresce pouco gerando o clitóris, as pregas cloacais e as saliências genitais cresce para constituis os menores e os maiores lábios.